terça-feira, 15 de setembro de 2009

Análise de um homem de direita, sobre Francisco Louçã

Depois de assistir ao debate de ontem à noite entre Francisco Louçã e
José Sócrates a primeira coisa que me passou pela cabeça foi telefonar
a Manuel Alegre e perguntar-lhe por que demónio anda ele a catrapiscar
o BE. Depois lembrei-me das afinidades trotskistas e da decorrente
inutilidade de me intrometer naquele namoro.

Admito que a minha opinião sobre o que se passou no debate seja
suspeita porque é sabido que não morro de amores por nenhum dos
contendores. Mas confesso que não estava a "contar com aquela
despesa", pois se o Dr. Louçã nunca me iludiu sobre os objectivos
políticos que persegue, tinha poucas dúvidas sobre o brilho da sua
inteligência e acerca da sua bagagem cultural.

Pois bem, o que ele patenteou no frente-a-frente com o PM foi um
cabotinismo sem paralelo na política portuguesa, um acentuado défice
de inteligência e uma pungente ignorância para um líder de um partido
em ascensão, fenómeno muito mais indecifrável a partir da noite passada.
Expliquemo-nos:

1. Insiste no que ele considera um pecado sem perdão a insignificante
contribuição de Portugal na acção levada a cabo pelos Aliados no
Iraque, demonstrando desconhecer as obrigações do nosso país no seio
da NATO, cujo incumprimento conduziria ao abandono da organização.
Como ninguém é tão ignorante ele só pode dizer esse tipo de coisas por
presunção, por querer atrair as atenções para a sua pessoa, atitude
que se repete no afã com que defende todo e qualquer item que
considere "fracturante". Por isso digo que ele é cabotino.
2. Mostrou alguma insensatez ao negar o fim da recessão, quando
qualquer leigo sabe que após dois meses de crescimento do PIB, durante
uma recessão, esta está tecnicamente finda. Esta interpretação pode
não decorrer da leitura dos canhenhos académicos, mas é um conceito
comummente aceite, até para um leigo como eu, mas absolutamente
inaceitável num professor de Economia. Por isso digo que ele é pouco
inteligente.
3. Preconiza uma série de nacionalizações nos sectores da banca, dos
seguros e das petrolíferas, o que resultaria na saída imediata de
Portugal da União Europeia. Conclusão: não leu o Tratado de Roma, se
não saberia que tudo isto é incompatível com a sua letra. Por isso
digo que ele é ignorante.

Moral da história: com Louçã em primeiro-ministro Portugal sairia da
NATO e seria expulso da União Europeia ("de Durão Barroso", como ele
irresponsavelmente frisou). Foi pena Sócrates não se ter lembrado de
concluir que assistiríamos igualmente à clonagem da Coreia do Norte na
Europa, só que na mira de mendigar um pouco de trigo a uma das
potências para não morrermos à fome.

Como desconfio de que apenas uma ínfima parte dos novos 800 mil
votantes, jovens entre os 18 e os 22 anos, terá assistido ao debate,
apelo a todos para que façam circular este mail para que esses jovens
não digam depois que ninguém os avisou sobre a irresponsabilidade que
frequenta a mente deste cabotino.

João Braga

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