quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nas Geometrias das Prioridades...


A uma só voz!

Em boa hora foi constituída uma Comissão para defender os interesses dos cidadãos do nosso concelho, relativamente aos serviços básicos de saúde, na sequência do encerramento das extensões de saúde nas freguesias de Ribeira do Fárrio, Espite, Gondemaria, Matas, Seiça e Casal dos Bernardos, e após a redução do horário do Serviço de Atendimento Permanente do Centro de Saúde de Ourém.

A referida Comissão, constituída pelo Presidente da Câmara Municipal de Ourém, pela Presidente da Assembleia Municipal e pelos os representantes dos grupos parlamentares da Assembleia Municipal têm acompanhado os vários episódios deste dramático cenário que tem afectado as nossas populações. Convocaram uma vigília que, ordeira e pacificamente decorreu em frente ao edifício dos Paços do Concelho com milhares de cidadãos do concelho a manifestar a sua revolta.

Num momento de indignação e de luta partilhada contra o Ministrério da Saúde e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, as populações manifestaram-se a uma só voz, sem quaisquer rivalidades. Estas decisões do governo estão a prejudicar, inicial e objectivamente, as extensões de saúde das freguesias já encerradas e o Serviço de Atendimento Permanente no Centro de Saúde. Porém, a curto prazo, corremos o risco de os encerramentos se estenderem a outras freguesias que presentemente ainda possuem serviços médicos em funcionamento.

Até porque o governo vai efectuar um corte nas despesas de saúde para o próximo ano no valor de 800 milhões de euros. Estranha-se, visto que a "troika" apenas exigiu um corte de 500 milhões. Porquê cortar mais 300 milhões? Se tinham de cortar que o fizessem na Cultura, ou no Ministério do Estado e dos Negócios Estrangeiros, ou no Ministério do Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. É que estes Ministérios não são fundamentais para a sobrevivência das pessoas, nem tão pouco para a produtividade do Estado! Agora na saúde? Incompreensível e inadmissível!

A uma só voz, as populações esperam e desejam que todos aqueles que gerem "a coisa pública" desenvolvam a sua acção diária num espírito de concertação, objectividade e eficiência. Qualquer que seja a gestão: de um governo, de uma região, de um município, de uma empresa ou até da casa de cada um de nós não se efectiva na perfeita linha traçada, no profundo desejo individual ou colectivo. Porém, há áreas em que nunca podemos cortar! A saúde é uma delas!

Ainda que a imprevisibilidade dos mercados e as continências sociais exijam reduções, há decisões que têm de ser tomadas pela vida dos cidadãos e a sua qualidade mínima. Todavia, e em primeira instância, não podemos descurar e cortar o acesso aos cuidados de saúde. Porque, se não defendermos a vida, para que servem e para quem ficam as restantes políticas governamentais?
João Heitor

Sem comentários: