quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Saúde, no concelho de Ourém



Serviços de Saúde são um investimento!

Não há, nem deve haver, no meu entendimento, qualquer crise económica que justifique cortes no acesso aos cuidados primários de saúde.

O actual governo fechou já três extensões de saúde no concelho em Ourém sem informar as populações, a Câmara e a Assembleia Municipal, numa atitude de total desrespeito pelos cidadãos.

Os Serviços de Saúde são um investimento que o Estado paga com os impostos de todos nós, e que permite a prevenção, o controlo e o tratamento das doenças que condicionam e prolongam a vida das populações. A qualidade e a esperança média de vida, a capacidade laboral e a inclusão social dependem dos serviços e cuidados de saúde prestados junto do Homem.  

Insistindo o actual governo nestes cortes e necessitando de acesso a serviços de saúde, ou nos deslocamos às nossas custas para hospitais distritais (pagando taxas moderadoras que vão subir para 40 euros por episódio de urgência!!!), ou nos deslocamos às nossas custas para clínicas e médicos privados pagando a respectiva consulta. Em ambas as situações cai em cima do utente do Serviço Nacional de Saúde um acréscimo de despesas e deslocações, em momentos de aflição, ansiedade, dor, acidentes e tragédias. E quem não tem forma de se deslocar, nem dinheiro para pagar deslocações e taxas absurdas?

Estes cortes nos acessos aos cuidados de saúde merece o total repúdio pela forma leviana e irresponsável com que o governo está tratar a nossa maior riqueza – o valor da vida humana das nossas populações. Por isso, o momento é de protesto.  

Há que cortar na despesa do Estado? Então, por exemplo, o governo que ordene a imediata fusão e extinção de empresas municipais, como já foi feito pelo actual executivo camarário em Ourém. Aqui, juntou-se a Verourém, a Ambiourém e o Centro de Negócios numa só empresa municipal: a OurémViva. De seis vencimentos que se pagavam a administradores e Presidentes dos Conselhos de Administração passaram a existir somente dois. Com esta medida reduziram-se ainda custos com alugueres de instalações, despesas administrativas e pagamentos de facturas entre as Empresas Municipais. Rentabilizaram-se ainda recursos humanos e materiais que garantem novas, funcionais e qualificadas respostas.

Constata-se que nas últimas décadas houve falta de controlo municipal e uma tentação de poder do executivo que conduziu o Município a grandes encargos para o erário público. Para além de um excessivo número de Empresas Municipais, o anterior executivo criou ainda as parcerias público-privadas: MéciaGolfe, MaisOurém e FuturOurém. Estas parcerias levaram a que a maioria do património do Município de Ourém tivesse passado a pertencer a várias sociedades onde a Câmara só detém 49% do capital. Ou seja, os restantes 51% pertencem a privados. Assim, os terrenos na envolvente do Estádio de Fátima, os terrenos em Caxarias, os terrenos do Areeiro no Carregal e o terreno e edifício do Antigo Mercado de Ourém deixaram de estar na pertença municipal. À troca de quê, pergunta-se? De uma mão cheia de nada de positivo e um punhado de estudos, escrituras, documentos e despesas assumidas pelos anteriores executivos municipais, mas pagas durante os últimos dois anos…

A parceria público-privada da FuturOurém já foi extinta. O antigo Mercado de Ourém e o terreno onde está sedeada a Rodoviária do Tejo voltou a ser de todos nós. Um processo moroso, mas bem conduzido pelo Presidente do Município de Ourém.

Quem está em lugares de decisão seja ao nível local, regional ou nacional comete erros e conquista vitórias. Em termos locais é sabida a pesada herança financeira do Município. Porém, com o empenho e a colaboração daqueles que pretendem encontrar soluções de futuro, acredito que conseguiremos dar um novo rumo ao concelho de Ourém.
João Heitor

Sem comentários: