Depois do secretário de estado da
juventude ter aconselhado os jovens a deixarem o “espaço de conforto (?!?)” e
emigrarem, seguiu-se o primeiro-ministro a convidar os professores qualificados
a saírem do país. Agora, o social-democrata Paulo Rangel sugere a criação de
uma agência nacional para ajudar os portugueses que queiram emigrar.
Pergunta-se: querem-nos cá?!? Ou esvazia-se o país?
O presidente da Comissão Nacional
Justiça e Paz, Alfredo Bruto da Costa, já se manifestou considerando que “o
convite à emigração feito pelo primeiro-ministro aos professores desempregados
é uma estratégia de quem desistiu e declara a sua derrota”. Acrescentou ainda
este alto dirigente da igreja católica que esse “apelo é uma claudicação muito
precoce e um mau sinal enquanto atitude de um governante perante os problemas
do país”.
Resta saber se enquanto cidadãos
deste país, só contamos para pagar impostos e cumprir com os nossos deveres, ou
se, ainda temos direitos. Direitos tão simples como o acesso aos serviços de
saúde, que estão consagrados na Constituição da República Portuguesa no Artigo
64.º ponto 3. “Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe
prioritariamente ao Estado: a) Garantir o acesso de todos os cidadãos,
independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina
preventiva, curativa e de reabilitação; b) Garantir uma racional e eficiente
cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde.” Cumprem-se
estes direitos no concelho de Ourém? Continuamos à espera…
Voltando às declarações de Passos
Coelho, além das mesmas terem sido dadas como se estivesse sentado à mesa de
uma café (quando os assuntos são de importância extrema para todos nós),
sentimos a ameaça de que as pensões daqui a 20 anos serão metade das anteriores
à reforma da Segurança Social.
Ou seja, depois de nos últimos
anos se ter apostado na reforma da Segurança Social portuguesa, dando segurança
as portugueses quanto às suas pensões e garantindo o seu aumento real
sustentável, em função da evolução das carreiras contributivas e dos salários,
veio agora o primeiro-ministro amedrontar-nos! Estranha-se este alarmismo e
esta intimação quando recentemente a Comissão Europeia e a Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) nos colocaram acima da média
destas organizações (havendo assim garantias da sustentabilidade da Segurança
Social por um período de 40 anos).
Deseja-se que o governo nos
apresente estratégias de crescimento, de intervenção, de remodelação e de
mobilização de todos para as dificuldades que se sentem. O governo do PSD
reuniu durante 11 horas num conselho de ministros. Saiu alguma medida que
fomente o emprego, que dê confiança aos portugueses e estímulo para que juntos
consigamos ultrapassar as dificuldades? Não.
Que a força esteja connosco. Que
o discernimento esteja com quem decide. Que a sorte nos proteja. Que não
deixemos de acreditar, nunca, nas nossas capacidades trabalhando na nossa terra
e no nosso país, ao lado dos nossos filhos, contribuindo para o futuro que se
quer garantir hoje, com todos nós…
Bom natal. Com saúde. O resto,
conquistamos.
João Heitor

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