sábado, 24 de dezembro de 2011

(re)Descobrir o mundo "again?"


Depois do secretário de estado da juventude ter aconselhado os jovens a deixarem o “espaço de conforto (?!?)” e emigrarem, seguiu-se o primeiro-ministro a convidar os professores qualificados a saírem do país. Agora, o social-democrata Paulo Rangel sugere a criação de uma agência nacional para ajudar os portugueses que queiram emigrar. Pergunta-se: querem-nos cá?!? Ou esvazia-se o país?

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Alfredo Bruto da Costa, já se manifestou considerando que “o convite à emigração feito pelo primeiro-ministro aos professores desempregados é uma estratégia de quem desistiu e declara a sua derrota”. Acrescentou ainda este alto dirigente da igreja católica que esse “apelo é uma claudicação muito precoce e um mau sinal enquanto atitude de um governante perante os problemas do país”.

Resta saber se enquanto cidadãos deste país, só contamos para pagar impostos e cumprir com os nossos deveres, ou se, ainda temos direitos. Direitos tão simples como o acesso aos serviços de saúde, que estão consagrados na Constituição da República Portuguesa no Artigo 64.º ponto 3. “Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado: a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação; b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde.” Cumprem-se estes direitos no concelho de Ourém? Continuamos à espera…

Voltando às declarações de Passos Coelho, além das mesmas terem sido dadas como se estivesse sentado à mesa de uma café (quando os assuntos são de importância extrema para todos nós), sentimos a ameaça de que as pensões daqui a 20 anos serão metade das anteriores à reforma da Segurança Social.

Ou seja, depois de nos últimos anos se ter apostado na reforma da Segurança Social portuguesa, dando segurança as portugueses quanto às suas pensões e garantindo o seu aumento real sustentável, em função da evolução das carreiras contributivas e dos salários, veio agora o primeiro-ministro amedrontar-nos! Estranha-se este alarmismo e esta intimação quando recentemente a Comissão Europeia e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) nos colocaram acima da média destas organizações (havendo assim garantias da sustentabilidade da Segurança Social por um período de 40 anos).

Deseja-se que o governo nos apresente estratégias de crescimento, de intervenção, de remodelação e de mobilização de todos para as dificuldades que se sentem. O governo do PSD reuniu durante 11 horas num conselho de ministros. Saiu alguma medida que fomente o emprego, que dê confiança aos portugueses e estímulo para que juntos consigamos ultrapassar as dificuldades? Não.

Que a força esteja connosco. Que o discernimento esteja com quem decide. Que a sorte nos proteja. Que não deixemos de acreditar, nunca, nas nossas capacidades trabalhando na nossa terra e no nosso país, ao lado dos nossos filhos, contribuindo para o futuro que se quer garantir hoje, com todos nós…

Bom natal. Com saúde. O resto, conquistamos.
João Heitor

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