segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Somos 5 vezes mais prejudicados do que as taxas moderadoras

Em Janeiro, o preço das consultas nos hospitais e centros de saúde vai triplicar! Ou seja, no concelho de Ourém além do governo do PSD ter cortado a verba que permitia ter médicos, enfermeiros e técnicos de saúde no centro de saúde e nas extensões de freguesia, ainda fechou algumas extensões de saúde, reduziu o horário do SAP e, agora, sobe o preço das taxas moderadoras. Extraordinário!

Se conseguirmos uma consulta no Centro de Saúde, ou numa das extensões abertas no concelho vamos passar a pagar 5€ euros. 5€. Os mil escudos da antiga moeda. Mas se formos ao SAP, fora do horário habitual (e estando o mesmo aberto), passamos a pagar 10€ (anteriormente 3,80€ - mas para isso é preciso existirem médicos, enfermeiros e técnicos de saúde!).

Se batermos com o nariz na porta e tivermos de nos deslocar para Leiria, Torres Novas ou Tomar vamos pagar entre 15 e 20€. Também as taxas dos exames (análises, electrocardiogramas, raio-x e outros) aumentam. E se não pagarmos no imediato, ou no prazo legal de 10 dias, ainda apanhamos uma multa cujo valor mínimo será de 50€ (está previsto no orçamento de estado para o próximo ano).

Conclusões. O actual governo corta nos serviços médicos no concelho de Ourém, mas, ao mesmo tempo, vem com a prosápia de que o serviço nacional de saúde deve apostar numa melhor referenciação do utente para a consulta através dos centros de saúde. Qual referenciação de utentes no centro de saúde de Ourém, se é o próprio estado que não nos permite ter acesso ao mesmo?

Os habitantes do concelho de Ourém conseguem ser mais prejudicados do que os aumentos das taxas. Se o aumento das taxas triplica, nós, oureenses, estamos a ser penalizados cinco vezes mais. Vejamos. 1. Não temos acesso a médicos de família para toda a população. 2. Logo, somos remetidos para o SAP de Ourém que sofreu uma redução de horário (com um custo superior de taxas). 3. Estando o mesmo encerrado a única alternativa é a de recorrer a um hospital distrital (com um custo ainda mais superior de taxas). 4. Essa deslocação, que de alguns pontos do concelho pode ficar a mais de 40km, é suportada por cada de nós (mais encargos em combustível, táxi ou ambulância). 5. Acedemos por fim a um hospital distrital (onde pagamos uma taxa superior a todas as outras), visto não nos ter sido possibilitada outra alternativa, pelo estado, no nosso território concelhio.

E no meio de tudo isto deseja-se, e temos fé, em conseguir chegar a tempo, quando surgem doenças súbitas, para um hospital distrital…

Entretanto, a Presidente da Assembleia Municipal e o Presidente da Câmara solicitaram reuniões ao Ministro da Saúde. Aguardam, desde Setembro, para serem recebidos. Ao mesmo tempo a deputada do concelho de Ourém promove reuniões em Lisboa nas Secretarias de Estado com alguns grupos, e eleitos de freguesia. Incompreensível.

Já percebemos que o governo do PSD anda a “brincar às casinhas”, e talvez por contágio, alguns dos seus dirigentes locais emplastram semelhantes comportamentos. Sabemos que é Natal. Brinquem com o que quiserem, mas respeitem os cidadãos do concelho de Ourém.

Até porque se as consultas para saúde mental estão isentas de taxas moderadoras, não queiram dar connosco em loucos. Aproveitem os senhores! Mas depois, voltem a colocar médicos, enfermeiros e técnicos de saúde nas extensões de saúde e no SAP de Ourém. A população assim o exige e assim o merece por direito!

João Heitor

Sem comentários: