sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O pobre lamento!

O Presidente da República disse na passada semana que desconhecia o valor com que ficará na sua reforma após os descontos, saindo-se com a brilhante frase: “Tudo somado, quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas, porque também não recebo vencimento como Presidente da República”!

O actual Presidente (até quando?) disse que tinha descontado para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) como professor, como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian, ao qual se somam os descontos efectuados para o Bando de Portugal (BP).

Assim, V. Ex.ª recebe, somente no presente mês, 1.300€ da CGA, mais 4.000€ do BP, mais 2.600€ de despesas de representação enquanto Chefe de Estado, num mísero total de 7.900€. 7.900€ por mês sem ter em conta todas as despesas relativas a gasóleo, portagens, viagens, refeições e os restantes encargos que são suportados pelo orçamento da Presidência da República, face às suas funções.

Recordemos que como a lei do Orçamento do Estado para 2011 proibiu a acumulação da pensão com o vencimento no exercício de cargos na Administração do Estado, o Presidente da República optou por receber as pensões do BP e da CGA, visto que a soma das pensões era superior ao salário de Chefe de Estado, que ronda os 6.500€.

Estas declarações são um insulto para os portugueses. O que pensarão os mais de 300 mil cidadãos portugueses que têm uma reforma com um valor inferior a 300 euros?

Entretanto já circula uma petição a pedir a demissão de Cavaco Silva, com mais de 5 mil assinaturas, por cidadãos indignados que não se revêem no Presidente, e que entendem que este não reúne condições para representar os portugueses.

Estupefactos e incrédulos estamos todos nós, efectivamente, pelas declarações do Presidente que promulgou o Orçamento de Estado que elimina o 13.º e 14.º meses para os reformados com rendimento mensal de 600 euros!

O deputado do PSD, Carlos Abreu Amorim, sobre esta questão disse: "O Presidente da República quando está calado, está bem.”.

Pergunta-se então: Para que queremos um Presidente da República que só serve para estar calado ou para dizer frases do tipo: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas. Estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante."?

João Heitor

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