sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Que mais nos querem fazer?

Em Setembro de 2011 o atual governo mandou encerrar extensões de saúde no concelho de Ourém e cortou os contratos que garantiam o funcionamento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) até às 22h, na cidade de Ourém.

Situação essa que, até aos dias de hoje, carece de uma resposta do governo e de um (re)acerto com a colocação de médicos, enfermeiros e auxiliares que garantam o funcionamento das extensões e do SAP em Ourém.

Em Portugal talvez existam dois países, a avaliar pela recente declaração do Ministro da Saúde que deseja que até ao fim do ano, todos os utentes do Sistema Nacional de Saúde tenham médico de família (só se seguirmos a sugestão do governo e um terço da população imigrar…). Ao mesmo tempo que estas declarações foram proferidas anunciam-se encerramentos de valências e redução do serviço de urgência no hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar, com transferência para Abrantes (hospital a cerca de 80km de Ourém).

Ourém tem mais população residente do que Tomar, Torres Novas ou Abrantes e nem sequer tem um serviço de urgência 24h, agravado pelo deficitário serviço nas extensões de saúde. Se encerram as estruturas e hospitais que directa e proximamente nos servem – como é o caso de Tomar – o que se pode esperar em termos de serviços médicos e de urgências para a nossa população?

Relativamente ao concelho de Ourém, há alguma notícia positiva a registar no livro da gestão pública desde que este governo tomou posse? Há algum sumo, para além do ácido e corrosivo, que possamos espremer ou beber, desta acção governativa que nos impõe uma angústia diária acompanhada de constantes perdas de direitos fundamentais, em que só as contas comandam?

Se sim, então que façamo-las! Quantos impostos directos e indirectos os cidadãos e as empresas do concelho de Ourém geram para o orçamento geral do estado? Devolvam-nos, na mesma proporção, com o que contribuímos! E então aí não nos faltarão médicos, enfermeiros e técnicos nos Centros de Saúde e nas extensões de freguesias! E então aí teremos de equacionar se a população do concelho de Ourém e os visitantes de Fátima não poderão ter até um hospital!

Há limites. Se o governo não gosta do concelho de Ourém, ou se não têm consideração pela nossa população, então, está na hora de assumirmos uma posição de força, objectiva e que seja sentida por quem de direito.

Já chega de tanta incúria, de tanto desprezo, de tanta decisão sem diálogo com as pessoas.

João Heitor

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