domingo, 12 de fevereiro de 2012

Liquidação Total

Portugal está como as lojas: em liquidação total. Senão vejamos. O primeiro-ministro sugere que os professores sem trabalho em Portugal devem procurá-lo fora do país. A magistrada Maria José Morgado disse que já há funcionários judiciais e polícias a passar fome. Os bancos portugueses restringem o acesso ao crédito às empresas. O governo encerra tribunais e postos médicos. As estações dos CTT continuam a fechar nas vilas e aldeias do país. Os edifícios do estado andam a ser vendidos. O governo corta no subsídio de natal dos funcionários, mas no Banco de Portugal e em outras instituições de maioria pública pagaram o mesmo na totalidade. Sobem os preços dos transportes públicos e cortaram carreiras que servem milhares de pessoas em todo o país. O governo prepara-se para encerrar centros de saúde e hospitais. Subiram as taxas moderadoras e acabaram com a isenção das mesmas aos dadores de sangue. O Ministério da Educação acaba com a disciplina de Educação Visual e Tecnológica. A Direção Geral do Ambiente aplica uma multa a um homem por este tapar buracos na estrada. A irmã da Ministra da Justiça vai trabalhar para o Ministério do Ambiente, e, para acabar, por hoje, soube-se que o Sporting está em falência técnica.

Entre as mais sérias, as mais caricatas, as impensáveis, as realistas e as perspetivistas, estas são notícias e realidades de Portugal. Se o país fosse uma loja, perguntar-se-ia: Para que ramo é que vai mudar? Ou, neste caso: Para onde nos querem levar? Em primeira instância, e análise, mais de metade das medidas assumidas pelo governo, se tivessem sido debatidas com os responsáveis diretos de cada sector, teriam tido desfechos diferentes com decisões finais concertadas e assertivas.

Estou ciente que tanto este, como qualquer outro governo que não ouve as pessoas dos sectores onde vai proceder a alterações, acaba por cometer profundos erros, com graves consequências económicas e sociais.

Não há nenhum governo, nenhuma autarquia, nenhuma gestão (até a de casa de cada um de nós) que ao longo das suas existências e mandatos não se engane. Porém, há uma distinção entre aqueles que erram e procuram soluções, dos que nem sequer admitem que erraram.

Jamais os números poderão comandar, condicionar ou infligir medidas de austeridade – a palavra da moda – junto das regiões, concelhos e pessoas que no seu dia a dia têm uma vida para viver.

A vida é mais do que uma mera equação quantitativa que se encarcere no registo da idade ou na quantificação de cada um de nós, para o todo da sociedade. A vida, e a sua preservação, passa pelo zelo, pelo valor de cada português, de cada serviço, de cada instituição, de cada necessidade a que temos de procurar responder, solucionar.

O governo vai no caminho oposto. Aos da terra e da região que falam com os atuais governantes do PSD e do CDS, pede-se que os façam pensar nisto…

João Heitor

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