Portugal está como as
lojas: em liquidação total. Senão vejamos. O primeiro-ministro sugere que os
professores sem trabalho em Portugal devem procurá-lo fora do país. A
magistrada Maria José Morgado disse que já há funcionários judiciais e polícias
a passar fome. Os bancos portugueses restringem o acesso ao crédito às
empresas. O governo encerra tribunais e postos médicos. As estações dos CTT
continuam a fechar nas vilas e aldeias do país. Os edifícios do estado andam a
ser vendidos. O governo corta no subsídio de natal dos funcionários, mas no
Banco de Portugal e em outras instituições de maioria pública pagaram o mesmo
na totalidade. Sobem os preços dos transportes públicos e cortaram carreiras
que servem milhares de pessoas em todo o país. O governo prepara-se para
encerrar centros de saúde e hospitais. Subiram as taxas moderadoras e acabaram
com a isenção das mesmas aos dadores de sangue. O Ministério da Educação acaba
com a disciplina de Educação Visual e Tecnológica. A Direção Geral do Ambiente
aplica uma multa a um homem por este tapar buracos na estrada. A irmã da
Ministra da Justiça vai trabalhar para o Ministério do Ambiente, e, para
acabar, por hoje, soube-se que o Sporting está em falência técnica.
Entre as mais sérias, as
mais caricatas, as impensáveis, as realistas e as perspetivistas, estas são
notícias e realidades de Portugal. Se o país fosse uma loja, perguntar-se-ia:
Para que ramo é que vai mudar? Ou, neste caso: Para onde nos querem levar? Em
primeira instância, e análise, mais de metade das medidas assumidas pelo
governo, se tivessem sido debatidas com os responsáveis diretos de cada sector,
teriam tido desfechos diferentes com decisões finais concertadas e assertivas.
Estou ciente que tanto
este, como qualquer outro governo que não ouve as pessoas dos sectores onde vai
proceder a alterações, acaba por cometer profundos erros, com graves
consequências económicas e sociais.
Não há nenhum governo,
nenhuma autarquia, nenhuma gestão (até a de casa de cada um de nós) que ao
longo das suas existências e mandatos não se engane. Porém, há uma distinção
entre aqueles que erram e procuram soluções, dos que nem sequer admitem que
erraram.
Jamais os números poderão
comandar, condicionar ou infligir medidas de austeridade – a palavra da moda –
junto das regiões, concelhos e pessoas que no seu dia a dia têm uma vida para
viver.
A vida é mais do que uma
mera equação quantitativa que se encarcere no registo da idade ou na
quantificação de cada um de nós, para o todo da sociedade. A vida, e a sua
preservação, passa pelo zelo, pelo valor de cada português, de cada serviço, de
cada instituição, de cada necessidade a que temos de procurar responder,
solucionar.
O governo vai no caminho
oposto. Aos da terra e da região que falam com os atuais governantes do PSD e do
CDS, pede-se que os façam pensar nisto…
João Heitor

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