segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fazer camisolas?


As contínuas medidas governativas de contenção orçamental têm-nos conduzido a um conjunto de decisões de duvidosa eficácia e eficiência contabilística. Recentemente, o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, disse, publicamente, que a saúde dos portugueses está em risco por causa da obsessão financeira do governo. Já Manuela Ferreira Leite afirmou na rádio que as medidas do governo vão acabar por matar os portugueses em vez de os ajudar.

As medidas de fusão, agregações e extinções na saúde, por exemplo, estão a fazer com que o acesso dos doentes aos cuidados médicos públicos não se concretize. Sente-se, a cada dia que passa, que as medidas governativas de contenção orçamental estão a agravar as nossas condições de vida.

Existe a necessidade de se procederem a reformas administrativas. Todavia, isso exige um esforço assente no diálogo, em propostas abertas, que possibilite concertação de posições. Porém, o governo do PSD continua a decidir sobre cenários que descuram as características diferenciadas de um Portugal composto por especificidades, que não se coadunam com medidas uniformes e processos restritivos à partida.

A proposta do governo sobre a agregação de freguesias prova que o PSD, neste caso, só pretende mudar o que está bem! As 18 freguesias do concelho de Ourém estão bem. Representam a história das gentes, dos territórios, dos movimentos internos ao longo dos anos, com características culturais e sociais de uma população dividida em 18 vontades específicas, mas, unidas no conjunto que representa o concelho.

É fácil que os eleitos das freguesias que vão “receber” outras freguesias se coloquem favoráveis a esta “machadada” no poder local democrático. Mas, o que pensam, sentem e querem aqueles a quem o governo pretende fazer desaparecer as suas freguesias?

E cairão os eleitos locais na armadilha do governo, e que consiste em dividir para reinar? Estarão os eleitos concelhios conscientes dos problemas que vão emergir nas localidades onde, diariamente, se luta pelo emprego, pela sobrevivência económica, pelo futuro dos jovens e pela sustentabilidade das organizações? Será esta a reforma que o país precisa? Até quando, volto a perguntar, vamos permitir tudo isto, impávidos e serenos? Até quando vamos consentir que nos queiram mudar o nome de: Ourém para “coutada”?

João Heitor

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