Amanhã ocorrerá no auditório
do edifício-sede do Município de Ourém um seminário intitulado "Recursos
Hídricos do Concelho de Ourém - Estado, Riscos e Antevisão", enquadrado
nas comemorações dos 20 anos da Be Water em Ourém.
Ainda que a iniciativa vise despertar e informar “a necessária preservação de uma das principais riquezas do concelho de Ourém, que são os recursos hídricos e os respetivos aquíferos de Ourém”, mas sendo “direcionada a responsáveis políticos das Juntas de Freguesia, como representantes da população, representantes das escolas e alunos, numa perspetiva pedagógica, representantes religiosos, como interlocutores de fé, responsável de saúde concelhia e à população em geral”, não posso deixar de tecer alguns comentários:
A água do concelho de Ourém
tem sido explorado nos últimos 20 anos por uma empresa privada, que já vai no
seu terceiro nome (Companie Général des Eaux, Veolia e Be Water), sendo
presentemente propriedade de um grupo de investidores chineses, no seguimento
de um contrato celebrado em 1997 pelo então Presidente da Câmara Municipal,
David Catarino.
Três notas:
Ao longo destes 20 anos ocorreram
alguns investimentos por parte da empresa, nas infraestruturas de fornecimento
de água pelo concelho, que podiam ter sido desenvolvidas com mais articulação e
visão estratégica;
Ao longo destes 20 anos a
empresa ficou com a responsabilidade de concretizar um determinado valor de
obras de requalificação das redes e das estruturas, o que não tem ocorrido;
Ao longo destes 20 anos os
diversos responsáveis da empresa invocaram perdas de água no subsolo devido à
existência de redes antigas com ruturas, quebra do volume de consumos
(entenda-se venda de água), entre outros argumentos.
Face ao exposto entendo não
podemos aceitar que a empresa não efetue os devidos investimentos a que está
obrigada. Dois exemplos:
Em algumas localidades do
concelho as condutas de água têm mais de 36 anos;
Em algumas localidades do
concelho as bombas existentes no subsolo responsáveis por "bombar" a água para casas
situadas em locais mais altos, não têm a devida potência para garantir o caudal
mínimo de água.
Ainda que defenda que a água
pública deve ser gerida por quem sabe, não podemos aceitar que não se corrijam situações
como estas. A tão almejada qualidade de vida que as populações do concelho de
Ourém exigem e merecem, não se coaduna com este tipo de serviços.
Se os estudos efetuados
aquando da celebração do contrato, numa visão prospetiva, não foram bem
calculados e se a empresa não tem atingido os lucros que estimaram, não podem,
nem devem ser os cidadãos ou o município a suportarem esses erros.
E que até ao fim do contrato
todas as cláusulas sejam cumpridas pela empresa, visto que um bem comum – como é
a água – não é, nem pode continuar a ser elemento de rendimento...
João Caldeira Heitor

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