quarta-feira, 30 de março de 2005

Se tu...

Se tu viesses ver-me…

Se tu viesses ver-me sempre à tardinha.

A essa hora dos mágicos cansaços.

Quando a noite de manso se avizinha.

E me prendesses todo nos teus braços…

Quando me lembra:

esse sabor que tinha a tua boca…

o eco dos teus passos…

o teu riso…

os teus abraços…

os teus beijos…

a tua mão na minha…

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…

domingo, 27 de março de 2005

Uma reflexão. A minha opinião.

O aborto clandestino é um problema da nossa sociedade, que todos conhecem mas ao qual todos “fecham os olhos”.

Presentemente, a interrupção da gravidez só é permitida em três circunstâncias: gravidez resultante de violação, má formação do feto e risco para a vida ou saúde da mãe. Em Portugal, o número de abortos feitos legalmente é insignificante quando comparado com os 300.000 mil abortos ilegais por ano.

O aborto ilegal é um mal social a combater.

Existem diversos métodos contraceptivos que evitam a gravidez indesejada, mas a realidade diária é que existem milhares de mulheres a praticar o aborto ilegal.

Hoje em dia, só quem tem capacidade económica é que pode recorrer a clínicas particulares no estrangeiro…

Infelizmente a maioria das mulheres que abortam, são forçadas a recorrer a parteiras duvidosas, que sem as condições mínimas de segurança e muitas vezes de higiene, efectuam abortos com métodos artesanais, colocando em alto risco a saúde da mulher. Outras vezes o aborto não se concretiza, provocando danos gravíssimos e irreversíveis nos fetos, sendo responsáveis por deficiências futuras nas crianças.

Perante esta realidade temos de considerar a possibilidade de excluir a ilicitude da interrupção voluntária da gravidez quando praticada por solicitação da mulher grávida nas primeiras 12 semanas de gravidez (esta é uma solução, adoptada na esmagadora maioria dos países europeus e que visa viabilizar a interrupção voluntária da gravidez em segurança quando a mulher entender que não tem condições para ter um filho).

Outra questão a aprovar num eventual Referendo, é a de poder alargar para 22 semanas o prazo em que é lícita a interrupção voluntária da gravidez fundamentada em malformações do feto. Esta solução, também ela adoptada em quase todos os países da Europa, tem dois objectivos: primeiro, permitir a realização do aborto logo após o prazo em que surgem a maioria das deficiências no feto; segundo, evitar que sejam feitos abortos devidos a deficiências que surgem nas primeiras semanas de gravidez mas que o tempo cura- ou seja trata-se também de uma medida pró-natalidade.

Há que criar condições para a prática de interrupção voluntária da gravidez nos Hospitais públicos- trata-se de uma vertente essencial que visa garantir a igualdade no acesso.

O estado tem de instituir consultas gratuitas de aconselhamento e planeamento familiar nos Centros de Saúde, de forma a instituir um processo de acompanhamento da mulher grávida que reduza ao mínimo o recurso a este tipo de intervenções e procure garantir que as opções da mulher são feitas sem pressões externas, por outro lado, minimizar os efeitos psicológicos, algumas vezes muito graves, que a interrupção voluntária da gravidez tem na mulher.

A oposição a estas soluções, conhecidas dos diversos intervenientes políticos e médicos, não evitará o aborto, nem salvará uma só vida.

Há que estabelecer um quadro legal mais consonante como dos restantes países europeus, mais adequado à realidade, contra a hipocrisia, por uma maternidade responsável, pelos direitos da mulher à saúde, á sua integridade física e à interrupção da gravidez em condições de higiene, segurança e dignidade humana, independentemente da sua condição económico-social.

Façamos uma profunda reflexão sobre este assunto e preocupemo-nos, também, com este flagelo social.

João Heitor

quinta-feira, 24 de março de 2005

Será desta?!?

Segundo a imprensa de hoje o referendo ao aborto deverá realizar-se já no início deste Verão. A decisão ainda estará dependente da concordância de Jorge Sampaio.


Depois do Referendo de 1998 o NÃO ter vencido por desleixo dos adeptos do SIM que preferiram ir para a praia e ficar em casa, o Governo Socialista pretende volvidos 7 anos voltar a consultar os Portugueses.

José Sócrates afirmou no início desta semana na discussão do Programa de Governo, que participará na campanha: "Vou fazer campanha pelo sim!"

sábado, 19 de março de 2005

Valia a pena pensar nisto...

Aquando de actos eleitorais, e na noite das eleições o país assite aos mais variados discursos, acabando muitos deles por se tornarem em “auto-elogios” do eventual trabalho desenvolvido por dirigentes locais, distritais e nacionais das estruturas.

Aqueles que estudam os resultados eleitorais, as suas variáveis e as condicionantes dos mesmos, atribuem à figura do candidato a primeiro ministro a conquista dos votos e a respectiva vitória.

Todavia, na noite da vitória, muitos são aqueles que puxam para si, os “louros” dos resultados eleitorais. Uns merecedores, quiçá outros injustos!

Em altura de vitórias todos estão de parabéns. Parece que todos cumpriram as suas obrigações, recebendo grandes e intensos apertos de mão, acompanhados de palmadas nas costas. Porém, será que os louros que alguns ostentam não estão embrulhados em erros, falhas e ausências, que foram esquecidos e silenciados na noite da vitória?

Permitirão as vitórias que os “menos bons” fiquem com os louros e reconhecimentos que não lhes são devidos?

Possibilitarão as vitórias, que os “menos bons” se sobreponham àqueles que no silêncio dos dias e das noites conquistam votos e organizam estruturas?

Será que nos partidos políticos a nível local, distrital e nacional há quem pense nisto?

Uma reflexão desta índole, não seria útil aos partidos políticos, com vista ao reforço da democracia e à afirmação da classe política junto dos cidadãos?


sábado, 12 de março de 2005

Para um outro mais belo lugar...

Aquele que partiu sem regressar.

Aquele que escreveu sem findar.

Um mar de emoções e sentires.

Um mar de sensações, não a chegar, mas a partir...

Par um outro mais belo lugar...

Miguel Torga.


terça-feira, 8 de março de 2005

Perdi um amigo...

Perdi um grande amigo.

Mais um, na inesperada surpresa da vida.

Deixa-me a sua determinação,

coragem e lealdade.

A lealdade aos princípios e valores humanos.

A lealdade aos amigos e companheiros de luta.

Sinto-me mais pobre, enquanto ser humano.

Deixa saudades em todos aqueles

que gostavam de pensar, debater,

confrontar ideias e pensamentos…

Amigo e irmão do seu irmão,

leva-nos a escrever que hoje

perdemos mais do que um amigo.

Perdemos um grande homem

que honrava a sua existência

junto de todos aqueles

que puderam privar e aprender com ele…

Obrigado amigo…


sábado, 5 de março de 2005

Bloquista...

Contam, que certa vez ao chegar em casa, Francisco Louçã ouviu um barulho
estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão
tentando levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do
indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados
patos, gritou-lhe assim:

- Oh, bucéfalo anácroto! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes
palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da
minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.

- Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha
elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala
fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência do que o vulgo denomina por nada.

E o ladrão, confuso, diz:

- Doutor, eu levo ou deixo os patos?


domingo, 27 de fevereiro de 2005

Pensamentos e paixões...

Várias pessoas amigas desafiaram-me a começar a publicar algumas das minhas poesias e pensamentos que ao longo dos últimos anos tenho passado para o papel.

Talvez por serem reveladoras do meu eu, e do percurso que na vida tenho feito, ainda não me atrevi a publicá-las.

Hoje, escrevo um conjunto de pensamentos, que em quadras se soltaram, num destes últimos dias, enquanto a caminho de casa, conduzia na estrada...

Secos são os corações que não choram.

Como verdes os campos do carinho.

Das palavras que nos banham sorrindo.

Quando de cá dentro se soltam...

Quentes são os beijos desejados.

Que intensos tocam os lábios molhados.

Em carinho por ti, criados.

Nos segundos mais ousados...

Pensamentos em ti me agarram.

Quando o meu respirar não bate certo.

Será a tua falta que me ataca?

Ou são saudades que me cegam?

A ti não prometo ilusões.

Que a estrada da vida é madrasta.

Quero sentir-te e ser teu.

Perdido em desejos e paixões...

João Heitor

Fevereiro de 2005


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Pensamento...


Há pessoas que choram por saberem que as rosas têm espinhos; outras há que sorriem por saberem que os espinhos têm rosas...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Parabéns Portugal!

Mais de dois milhões e meio de votos - score só ultrapassado por Cavaco. José Sócrates não só conquistou a primeira maioria absoluta da história do PS como é o primeiro líder a saltar da oposição para a estabilidade monocolor no Parlamento.

O PS arrasou os dois parceiros da coligação de direita, na contagem concreta de deputados e, também, do ponto de vista simbólico. Os socialistas triunfaram em Viseu, o antigo cavaquistão; ganharam, pela primeira vez, em Vila Real; empataram, em número de deputados, na Madeira - e Alberto João Jardim (notava António Barreto, na RTP) até leu um discurso, em detrimento dos seus célebres improvisos. No Alentejo profundo, o PSD foi atirado para a votação dos tempos pré-Cavaco, uma vez que não há qualquer deputado laranja por Portalegre, Évora, Beja. No fundo, o PSD apenas ganhou na Madeira e em Leiria.

Portugal está de parabéns.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Mera ilusão...

Um homem anda por uma estrada perto de uma cidade, quando percebe a pouca distância, um balão voando baixo. O balonista acena-lhe desesperadamente,
consegue fazer o balão baixar o máximo possível e grita-lhe:
"Ei, você, poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e nem sei onde estou.
Poderia dizer-me onde eu me encontro?"
O outro homem, com muita cortesia, respondeu:
"Mas claro que posso ajudá-lo! Você se encontra num balão de ar quente, flutuando a uns vinte metros acima da estrada. Está a quarenta graus de latitude norte e a cinquenta e oito graus de longitude oeste."
O balonista escuta com atenção e depois pergunta-lhe com um sorriso:
"Amigo, você é engenheiro? "
"Sim, senhor, ao seu dispor! Como conseguiu adivinhar? "
"Porque tudo o que você me disse está perfeito e tecnicamente correcto, porém essa informação é-me totalmente inútil, pois continuo perdido. Será que não tem uma resposta mais satisfatória?"
O engenheiro fica calado por alguns segundos e finalmente pergunta ao balonista: " você, não será por acaso um social-democrata?
"Sim, sou realmente filiado no PSD. Como descobriu?"
"Ah! Foi muito fácil! Veja só: você não sabe onde está nem para onde vai.
Fez uma promessa e não tem a mínima ideia de como irá cumpri-la e ainda por cima espera que outra pessoa resolva o seu problema. Continua exactamente tão perdido quanto antes de me perguntar. Porém, agora, por um estranho motivo, a culpa passou a ser minha..."


Anti... Made In...

Vesti uma T-shirt Granoghi “Made in Indonésia”…
Olhei para dentro do fato-treino Adidas e li “Made in Tailândia”…
Calcei os meus ténis Reebok “Made in Paquistão”…
Meti o um boné Kaki “Made in Brasil”…
Peguei no telemóvel Nokia “Made in Finlândia”…
Entrei num Volkswagen “Made in Alemanha”…
e …

… saí para a manifestação anti-globalização!!!


Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.

Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Teatro do Mundo (1958)


sábado, 12 de fevereiro de 2005

É preciso discernimento!

Todas as manhãs, aquando do percurso de automóvel que efectuo de casa para a escola, levo o rádio sintonizado numa estação que a maioria dos meus alunos ouvem diariamente.

Tenho-o feito para me “actualizar” com as músicas que as novas gerações apreciam, procurando assim entender alguns comportamentos, gostos individuais e atitudes colectivas dos alunos com quem trabalho.

As rádios, a par com os canais televisivos, exercem uma grande influência junto daqueles que as ouvem/vêem.

Na manhã de hoje, a locutora dessa estação de projecção e cobertura nacional, que é líder de audiências no “mercado” de ouvintes entre os 12 e os 22 anos, fazia uma dissertação onde satirizava as eleições do próximo dia 20 de Fevereiro. A referida “profissional de rádio?!?” apresentava-se aos ouvintes como candidata a 1ª Ministra. Procurando efectuar um discurso político, usou termos pouco correctos, brincando com os dirigentes partidários de todos os quadrantes políticos e com a importância do voto. No final do deplorável texto, que só pode ter sido escrito num dia “infeliz”, a locutora apelava a todos os jovens eleitores que fossem votar, colocando no boletim de voto o nome dela, e à frente um quadrado com uma cruz.

Estes tipos de acções apenas contribuem para uma contínua e acentuada descredibilização da política. Com estes textos, é normal que os jovens vejam a política como uma “coisa negativa”, com a qual se pode zombar.

Não é aceitável que uma locutora brinque com a política, apelando indirectamente ao voto nulo, junto dos jovens ouvintes. O que se esperava de uma locutora de rádio, em vésperas de eleições, com um público ouvinte maioritariamente constituído por jovens recém recenseados e futuros eleitores eram textos positivos, apelos ao voto. Essa era a sua responsabilidade social, ética e deontológica.

O direito ao voto resultou de uma conquista, de homens e mulheres, que ao longo de décadas lutaram pela liberdade, pela igualdade, pelos direitos humanos, pela instauração de uma democracia. A democracia só funciona com partidos políticos. Tenham eles gente “boa” e “menos boa”, tenham eles “bons” ou “menos bons projectos”.

Ao escutarmos críticas permanentes, e na maior parte das vezes críticas infundamentadas aos partidos políticos, estamos a fragilizar a democracia.

Talvez já se tenham esquecido dos “tempos da outra senhora”, onde a liberdade de expressão não existia. Nessa altura não havia espaço para textos desta índole. Se eles aparecessem, também logo apareciam os senhores da PIDE para “levar” aqueles que haviam “prevaricado”…

Não descuremos a democracia, nem os valores conquistados e adquiridos em Abril de 74.

Votar não é um direito. É mais do que isso, é um dever cívico.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Reforçar Portugal...

ODE A PORTUGAL

Sete mares
Sete colinas
Espraiadas ao sol
Verde, azul, branco
Puro é o som da minha concertina
Dourado o gemido da minha guitarra
De cristal são as minhas lágrimas
Enquanto espero que venhas do mar
Enquanto enterro os pés na areia,
Banho as mãos na espuma
Negra é a saudade que tenho de ti
Quente é o beijo que te dou,
Volta depressa, meu amor!
Lusitana é a paixão
Ardente o meu coração
Salgado o meu sabor
Desejo-te como és
Como sempre foste
Sou portuguesa
Há lá coisa melhor?
O vermelho corre-me nas veias
Verde é a cor do meu fado
O destino tornou-me tua filha
Bela nação
Heroica nação
Terra fértil
Que no teu útero me trouxeste
Terra fértil
Que a minha alma conquistaste
E o som do fim de tarde
Rasgado pela andorinha que regressa a casa
Há-de embalar-me até ao fim dos meus dias
Terra mãe
Hei-de morrer no teu colo.


domingo, 6 de fevereiro de 2005

Santana Lopes no seu melhor...


«Se não ganhar as eleições, então é porque perdi»
Pedro Santana Lopes


Mais palavras para quê?


Mais uma bombástica expressão do dizer primeiro e pensar depois...


domingo, 30 de janeiro de 2005

O voto necessário no PS...

Um artigo de Diogo Freitas do Amaral, publicado na Visão, no passado dia 27 de Janeiro de 2005.
Quem diria...

"Terminei o meu artigo da semana passada, nesta revista, dizendo que «no próximo dia 20 de Fevereiro, todos temos de ir votar – e escolher o projecto que nos parecer mais consistente, eficaz e mobilizador».
Hoje, dou a minha opinião sobre o assunto e, começando pelo fim, não tenho dúvida em afirmar publicamente que, no meu entender, o voto necessário é no PS.
Faço-o como cidadão independente, que não pertence a nenhum partido, e por isso pode escolher em cada momento o que lhe parecer melhor para o País.
Faço-o como centrista, que sempre se declarou aberto a alianças quer com o centro-esquerda quer com o centro-direita, orientação que se concretizou primeiro, em 1978, com o governo PS-CDS e, depois, em 1980, com os governos da AD.
Faço-o, também, como democrata-cristão (independente), que considera tão importante uma generosa política de justiça social como uma adequada política económico-financeira – e não apenas esta.
E, assim, com a mesma liberdade de espírito e de atitude política com que apoiei, em 2002, o PSD de Durão Barroso, apoio agora, sem hesitar, o PS de José Sócrates. É essa, a meu ver, a melhor solução para Portugal, na presente conjuntura.
Vamos por partes. Em primeiro lugar, é preciso ir votar. A abstenção, o voto em branco ou o voto nulo são renúncias à cidadania. Quem não fizer agora uma escolha política, demite-se de contribuir para a orientação geral da vida colectiva. Passa de cidadão activo a cidadão passivo. E não poderá queixar-se de nada do que porventura acontecer de negativo nos próximos quatro anos na política portuguesa.
Em segundo lugar, ou se vota com o coração ou se vota com a cabeça. No primeiro caso, é perfeitamente legítimo votar num dos três partidos mais pequenos: isso proporcionará um prazer individual. Mas só votando com a cabeça, num dos dois maiores partidos (PS ou PSD), se estará a contribuir directamente para escolher o próximo governo e o próximo primeiro-ministro: o que proporcionará o prazer de participar na principal decisão colectiva.
Para quem saiba e queira pensar em termos nacionais, o voto só pode ser, portanto, no PS ou no PSD. Como optar, face a esta alternativa?
Antes de mais, compete ao eleitorado fazer um julgamento político acerca da governação PSD-PP dos últimos três anos. Em minha opinião, esse julgamento só pode ser negativo: do ponto de vista estratégico, não avançámos nada nas bases do nosso desenvolvimento; do ponto de vista económico-financeiro, não consolidámos as finanças públicas; do ponto de vista social, não combatemos a pobreza nem diminuímos o fosso entre ricos e pobres; enfim, do ponto de vista político, trocaram-nos (sem o nosso voto) um primeiro-ministro que saiu cedo de mais por outro que o País quer que saia já.
Este, o lado negativo das coisas. Vejamo-las agora pelo lado positivo. Por este ângulo, há três aspectos a considerar – os programas apresentados, a coesão interna dos dois partidos que se propõem formar governo, e a personalidade dos candidatos a primeiro-ministro.
Quanto aos programas, devo dizer que tanto no do PS como no do PSD há, do meu ponto de vista, ideias interessantes e que me parecem úteis ao País. Mas, de um modo geral, parece-me que o programa do PS é melhor do que o do PSD, pelas seguintes razões principais:
1) Estratégia a médio prazo: o PS propõe um «choque tecnológico», baseado na Agenda de Lisboa, aprovada pela União Europeia, o que é correcto e indispensável, porque é uma aposta na melhoria da qualificação individual dos portugueses; o PSD propõe um «choque de gestão» (que ninguém sabe ao certo o que é), prometendo gerir bem o que em três anos geriu mal;
2) Política económica: o PS aposta no crescimento económico como forma de criar emprego, o que está certo e é viável; o PSD propõe um enorme aumento de produtividade, que seria bem desejável, mas é pura e simplesmente inatingível em quatro anos (talvez o seja em 10 ou em 12…);
3) Finanças públicas: o PS apresenta uma posição responsável – não diminuir os impostos, abstendo-se de prometer que eles não subirão em caso nenhum –, enquanto o PSD, uma vez mais, não resiste à tentação demagógica de prometer uma diminuição de impostos, que a conjuntura económico-financeira o impede de cumprir;
4) Combate à pobreza: ambos os partidos a propõem (já é um avanço), mas o programa do PS é mais generoso, ao passo que o do PSD é demasiado tecnocrático;
5) Ciência e Ensino Superior: a prioridade à duplicação do investimento na Ciência e à rápida concretização do processo de Bolonha, constante do programa do PS, contrasta de forma bem patente com a passividade e regressão que caracterizaram os últimos três anos dos governos liderados pelo PSD;
6) Reforma da Administração Pública: sendo esta a «mãe de todas as reformas», está muito mais bem desenhada no texto do PS do que no do PSD. Por outro lado, o objectivo positivo da «regionalização» vem claramente assumido pelo PS para a legislatura de 2009-2013, devendo começar a ser preparado cuidadosamente desde já, enquanto o modelo regional ensaiado pelos governos liderados pelo PSD retalhou o País em pedaços desarticulados e incongruentes, que nada resolvem e tudo complicam;
7) Saúde: o PS, com lucidez e sentido de responsabilidade, não se propõe deixar os hospitais do Estado no caos em que se encontram, e aproveita para transformar os hospitais SA em hospitais EP, o que está certo. Pelo contrário, o PSD insiste na fórmula dos hospitais SA (cotados na bolsa?), que é um absurdo ou, então, visa dar um primeiro passo para depois os privatizar. Em meu entender, o investimento privado na Saúde é bem-vindo, mas não para comprar os velhos hospitais do Estado, e sim para construir e fazer funcionar novos hospitais privados, que pela concorrência obriguem a melhorar a qualidade dos públicos.
Por tudo o que fica dito, não tenho dúvidas em afirmar que, quanto a mim, o programa apresentado pelo PS é melhor do que o do PSD.
Qual o grau de coesão interna dos dois maiores partidos? No PS ela é grande, pois o novo secretário-geral – eleito pelas bases numa disputa renhida com outros dois candidatos – obteve mais de 80% dos votos, e já conseguiu unir o partido, integrando as várias correntes e sensibilidades. No PSD, apesar de um congresso falsamente unanimista, a divisão é cada vez maior entre santanistas, cavaquistas, marcelistas, mendistas, mota-amaralistas, etc., sendo visível que está para muito breve a «noite das facas longas». O PS oferece, pois, maiores garantias de estabilidade governativa.
Finalmente, a questão do candidato a primeiro-ministro. Do eng.º José Sócrates, o País sabe que foi um bom ministro do Ambiente e revelou qualidades de firmeza perante as contestações de rua às suas políticas; do dr. Santana Lopes, o País sabe que nunca foi ministro de nada e que, nos últimos quatro meses, demonstrou diariamente que não nasceu para primeiro-ministro. Entendo, por consequência, que o eng.º Sócrates merece um crédito de confiança da parte do eleitorado – e, até, um duplo crédito, porque já provou ser bom, e porque concorre contra quem provou ser mau.
Considero, assim, que o voto necessário, no dia 20 de Fevereiro, é no PS. E vou mais longe: acho indispensável que ao PS seja concedida uma maioria absoluta – não como benesse, mas como responsabilidade.
Não se pode governar (e muito menos governar com espírito reformista) sem fazer aprovar, na Assembleia da República, durante a próxima legislatura, quatro Orçamentos de Estado e dezenas de leis inovadoras e ousadas. Ou o PS conta com uma maioria disposta a aprovar-lhe os orçamentos e as leis, ou o Governo terá de negociar tudo, caso a caso, com a Oposição. É como se obrigássemos um amigo nosso a resolver os principais problemas da sua vida por negociação e acordo com os seus três maiores inimigos! Que seria?
Querer que o PS governe bem, mas não lhe dar a maioria absoluta, é o mesmo que contratar um grande piloto de Fórmula 1, dizendo-lhe: «Encarrego-te de ganhar o Grande Prémio do Mónaco, mas não te posso dar um Ferrari: terás de concorrer ao volante de um Volkswagen…» É absurdo!
Portanto, e em resumo, o que proponho é: não deixar de votar; votar no PS; e dar-lhe uma maioria absoluta. Tudo o resto servirá apenas para prolongar a agonia de um País que merece melhor sorte."

sábado, 29 de janeiro de 2005

A carta incompleta...

As aulas têm-me ocupado mais tempo do que inicialmente esperava.
Tenho alguns alunos "complexos" que requerem mais atenção e dedicação.
Aliada a esta questão está o facto de estar deslocado de casa, de onde, sentado na minha poltrona e no silêncio do quarto, reflicto e me dedico a este meu/nosso espaço.
Porém, as visitas continuam. Acredito que algumas pessoas fiquem mais tristes por não encontrarem post's mais recentes ou actuais. Peço desculpa, por isso.

Uma notícia nova. Recebi carta do Ministério da Educação, assinada pelo Secretário de Estado Adjunto do Secretário de Estado da Administração Educativa dizendo que afinal houve um erro. Que afinal eu devia ter sido colocado no início dos concursos e que não fui. Que vou ser compensado pelo tempo de serviço perdido, assim como compensado monetariamente...
Só não explicam é como é que vão proceder, agora que estou a cerca de 160 km de casa, numa escola, quando podia estar a 38 km de casa numa outra onde inicialmente fui "ultrapassado". Quem é que me paga agora a renda de casa mensalmente? E os custos das deslocações?
A carta também não explica se me vão contar o tempo todo de serviço ou não. Também não informam qual vai ser o horário que vai ser registado no meu preocesso individual. Também não é perceptível se me vão manter naquela escola...
Bem, dum processo que nasceu "coxo", também não se podia esperar sucesso...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Amor é fogo...

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luis Vaz de Camões

Tive-te e não o soube...

Por ti esperei,
Desejei-te, amei-te, procurei-te em cada homem que tive
Mas tu nada
Ou melhor,
Estava tão obcecada com
Esta busca incessante
Que não me apercebi que eras aquele
Que em cada homem, me fazia feliz
Fui feliz sem o saber,
Tive-te e não o soube.

Natália Correia


sábado, 22 de janeiro de 2005

Sem palavras... simples.

Santana Lopes vai visitar um hospício e tem uma recepção à maneira poruma comissão de pacientes.
- Viva o Primeiro Ministro! Viva o Primeiro Ministro! - gritavam eles, entusiasmados.
Ao ver um dos elementos do grupo calado, um dos assessores de Santana abordou-o e perguntou:
- E você, por que é que não está a gritar: "Viva o Primeiro Ministro"?
- Porque eu não sou louco, sou médico!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Ver o invisível...

Num destes dias olhava duas crianças, no recreio da escola, recolhidas num discreto canto. Trocavam olhares e cumplicidades partilhadas.
Relembrei a minha passagem pela escola, por aquela idade, por aqueles sentimentos inocentes.
Recordei, também um pensamento de uma pedagoga (Maria Montessori) que estudei na faculdade e que dizia:

A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível.

Nada mais certo e sentido...

sábado, 15 de janeiro de 2005

1000

1000 visitas desde o dia 11 de Novembro.
Em dois meses, numa média de 500 visitantes por mês, no passado dia 11 de Janeiro estavam registados no contador deste Blog 1000 visitas.
Um número impensável para a minha pessoa, tendo em conta o tipo de assuntos que por aqui debatemos e afloramos.
A todos, o meu obrigado.
E que continuemos pela palavra e pela força das ideias, de braço dado com a certeza das convicções, a explorar o mundo em que vivemos...


quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Ao que isto chegou!

O actual Ministro de Estado e da Presidência, Morais Sarmento, visitou no passado fim-de-semana São Tomé e Príncipe. Fretou um jacto particular para entregar pessoalmente alguns equipamentos e bens, no âmbito da cooperação entre o estado português e aqueles territórios.

A polémica em torno desta visita surge por várias razões. Porque é que o Ministro de Estado alugou um jacto particular que custou aos cofres nacionais mais de 65 mil euros (13 mil contos), para ir entregar alguns bens, que podiam ser entregues noutra altura sem necessitar de alugar o referido avião? Não terá custado mais o aluguer do avião do que os bens entregues?!?

Alguns partidos questionaram esta visita, também pelo facto de o Ministro ter ido praticar mergulho no sábado e ter ficado instalado no melhor Hotel da região… Até Santana Lopes, que na altura da denúncia desta situação se encontrava de visita oficial em França, lamentou esta ocorrência, reconhecendo que a polémica sobre a visita de Morais Sarmento a São Tomé e Príncipe era "incómoda" para o Governo…
O mesmo Ministro (Morais Sarmento), que é cabeça de lista do PSD no distrito de Castelo Branco para as próximas eleições legislativas, convocou uma conferência de imprensa para informar que tinha colocado o seu lugar à disposição do primeiro-ministro devido a esta polémica, mas que Santana Lopes lhe reafirmou a sua confiança. Obviamente que Santana Lopes não podia aceitar um pedido de demissão, de um ministro que já se encontra demissionário, a um mês de eleições…

Este episódio é mais um, dos muitos com que este governo nos tem “brindado”. Hilariante, no mínimo.

Por mais que o primeiro-ministro coloque cartazes por todo o país com a frase “Contra ventos e marés”, os portugueses sabem que os “ventos” e as “marés” que vão contra ele são originários do seu partido e de elementos do seu governo…

Com esta constante instabilidade governativa, a mudança é inevitável
.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

Quem ajuda?

A Comunidade Internacional tem-se esforçado para contribuir financeira e materialmente para a catástrofe ocorrida na Ásia.
Sou levado a concluir que as grandes tragédias que originam destruição e milhares de mortes têm um efeito de choque mais intenso junto dos dirigentes e organizações mundiais, do que a fome e a miséria que levam milhares de pessoas a morrerem em todo o mundo diariamente.
Não pomos em causa a necessidade daquelas populações em receberem ajuda e auxílio da comunidade internacional. Toda ela será sempre pouca, tendo em conta as imagens e relatos que temos visto e ouvido nos órgaõs de comunicação social.
Porém, há que relembrar que diariamente em África morrem milhares de crianças com fome e devido a doenças facilmente combatidas.
Em Portugal continuam a existir pessoas com fome... E quem os ajuda?!?

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

A dança das cadeiras!

As estruturas distritais dos partidos políticos andaram empenhadas na escolha dos seus representantes às listas de deputados da Assembleia da República.
No partido a que pertenço, tal como na maioria dos partidos existentes no nosso país, voltam a ser impostas as chamadas "cotas" (ou serão "quotas"?) para as mulheres, jovens e autarcas.
De x em x lugares uma mulher. De x em x lugares um autarca. De x em x lugares um jovem...
E sob esta estratégia, definida pelos dirigentes e órgãos nacionais, as estruturas distritais lá vão compondo as listas. Acabando, no final, por resultarem numa "manta de retalhos" composta por "cores e formas" distorcidas e "cosidas" com diferentes linhas e "agulhas"...
Sei que a lista, do partido a que pertenço, no Distrito de Santarém tem bons candidatos. Homens e mulheres com provas dadas na sociedade civil, na sua profissão e no partido. Porém, acredito que se pudesse ser constituída uma segunda lista, paralela àquela que foi aprovada, teríamos igualmente "gente que faz" e que representam as suas terras, pessoas que dariam, indiscutivelmente, bons deputados da nação.
Politicamente correcto é argumentar que o partido no qual milito, tem muitos homens e mulheres válidos e capazes de representar o Distrito de Santarém na Assembleia da República.
Politicamente incorrecto é afirmar que a escolha podia ter sido mais "apurada".
Não duvido das capacidades de todas as pessoas que constituem a lista, apesar de entender que as escolhas do cabeça de lista e do número dois, vindas dos órgãos nacionais do partido, não serem as mais acertadas. As pessoas em causa até podem ser políticos de referência dentro do partido. Porém, no Distrito de Santarém, não "gozam" de grande popularidade e prestígio.
Por muito que a lista esteja maioritariamente renovada, tanto o primeiro, como o segundo candidatos não constituem "mais valias"...
A capacidade de inovar, recriar, construir e afirmar, fica, assim, seriamente condicionada.
Restam-nos os restantes elementos da lista, para afirmarem junto dos eleitores e das pessoas, os projectos políticos em causa, e a importância da execução dos mesmos para o futuro de todos nós.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

Valeu a pena!

A 12 de Novembro coloquei este post neste blog, como forma de protesto. Uma jornalista do Semanário Região de Leiria (o jornal mais lido do Distrito de Leiria e arredores) disponibilizou-me um espaço para denunciar esta questão. Oportunidade essa que aproveitei. Soube que há 2 semanas atrás esta carta foi publicada no referido Semanário. Decerto ela terá servido para agitar consciências e alertar responsáveis. Aqui fica para ser recordada.

Há prioridades!
Na pequena localidade da Quinta da Sardinha, freguesia de Santa Catarina da Serra, Concelho de Leiria, há uma escola do 1º Ciclo, que se encontra "literalmente" rodeada (pela esquerda, por trás e pela direita do edificio) por uma Industria de Madeiras. Em frente da Escola passa a Estrada Nacional 113, onde o tráfego é muito intenso.

As questões que coloco são simples:
- Em que condições os alunos ouvem a professora, e a professora os ouve a eles?
- Quais são as condições que os alunos têm para se concentrar, tendo em conta o constante ruído das máquinas, e das entradas e saidas de camiões naquela unidade industrial?
- Em que condições de segurança (face a incêndios ou qualquer outro acidente numa unidade deste tipo), se encontram as crianças que estão naquela escola?
- Em que condições chegam e saem da escola aquelas crianças, junto à Estrada Nacional 113?
Não olham as autoridades escolares, municipais e regionais para esta situação?Não existem verbas que permitam transferir a escola daquele local para outro, mais digno e apropriado, para um estabelecimento de ensino?Estarão as autoridades à espera que aconteça alguma catástrofe para depois actuarem?Se prioridades neste país devem haver, esta, é uma delas.As crianças de hoje são os homens de amanhã...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

A “intifada” já começou!

O Presidente do PSD, Santana Lopes continua a criticar o Presidente da República relativamente à decisão deste, em dissolver a Assembleia da República e convocar eleições legislativas antecipadas. Através de carta dirigida aos militantes do PPD/PSD, o actual Primeiro Ministro demissionário retoma a velha máxima do “deixem-me trabalhar”, ou melhor do “eu queria trabalhar e não me deixaram”… Só de pensar que nestes últimos 2 anos houve um aumento de 200 mil novos desempregados, e que o défice subiu…

Entretanto, os “escribas” e “boys” laranja sentam-se à frente dos computadores na “entifada” política contra o PS e o Presidente da República. Como que a justificarem o “soldo” que auferem mensalmente, num sinal de dedicação e “vassalagem” política aos seus protectores…
Outros há, que dado o seu afastamento desde o último acto eleitoral, procuram regressar às colunas dos semanários e quinzenários regionais e locais, solicitando o tal “espacinho” para voltar a escrever. As eleições legislativas estão aí e eles têm de se mostrar, reaparecendo fiéis aos valores, princípios, causas e gentes das suas terras!

Será que as pessoas andam distraídas com os problemas governamentais e com as eleições legislativas, passando para segundo plano os problemas das suas terras?

Com a chegada de um novo ano, resta-nos apelar à consciencialização de todos aqueles, que como nós, não estão satisfeitos e querem mais e melhor.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

A razão...

O Pai Natal este ano não veio a Portugal.Estava com medo que as prendas fossem confiscadas para ajudar a amortizar o défice...

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Boas Festas

Desejo a todos os visitantes e amigos umas Boas Festas. Que a solidariedade que as pessoas abraçam nesta quadra se estenda por 2005, no dia a dia das nossas vidas...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

O que foi que disse?!?

José Sócrates tem apelado aos cidadãos/eleitores portugueses para darem uma Maioria Absoluta ao PS nas próximas eleições legislativas.
Discordo deste pedido do Secretário Geral do PS.
O PS não tem de pedir Maioria Absoluta a ninguém.
Tem de apelar ao voto dos portugueses no Partido Socialista, por este ter as pessoas certas e o programa eleitoral capaz de resolver os problemas do nosso país.
Nada mais do que isso. No final da votação, e depois de apurados os resultados eleitorais o PS e José Sócrates constatarão, se o PS alcançou, ou não, a tão desejada Maioria Absoluta.
Cada português eleitor tem um voto, e é na soma de todos eles que o partido mais votado vence eleições. Ninguém sabe se faltam 10, 100, 1000 ou 10.000 votos para o PS ter Maioria Absoluta.
E há ainda aquelas pessoas que são capazes de deixar de votar no PS com medo que este partido consiga a Maioria Absoluta, votando noutro partido... Será que os estrategas políticos nacionais do PS não pensam nestas pequenas, mas importantes questões?

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

O cordão policial, anormal.

Um cordão policial anormal, aguardava esta manhã, junto à Assembleia de Freguesia de Costa da Caparica, por 2 Ministros do actual governo. Este mesmo governo que se encontra na incubadora, ou na calha de um qualquer "aterro político". No talho falavam da elevação de Costa da Caparica a cidade e do lançamento de um concurso para a nova esquadra da PSP desta localidade. Esta a razão das tais individualidades...
Nada de anormal, nesta situação. Porém era de admirar o forte contingente policial que por ali rondava e aguardava as tais figuras políticas demissionárias.
Já à saída do talho, um homem dos seus 60 anos desabafava e dizia que quando eles chegassem, iria tentar perguntar a um qualquer ministro, porque é que reduziram a sua reforma, e se com menos de 250 euros por mês, alguém doente e no fim da vida, conseguia sobreviver...
Depois, e só depois percebi 2 coisas. O contigente policial alargado... e as dezenas de pessoas que aguardavam atrás de grades limitadoras...
Viva a (dé)mocracia...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Perdido... Será Santana?

Recebi por mail. Não podia deixar de partilhar. Qualquer semelhança com a actual situação do 1º Ministro é pura coincidência...
Um homem anda por uma estrada perto de uma cidade, quando percebe a pouca distância, um balão voando baixo. O balonista acena-lhe desesperadamente, consegue fazer o balão baixar o máximo possível e grita-lhe:"Ei, você, poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e nem sei onde estou.Poderia dizer-me onde eu me encontro?"O outro homem, com muita cortesia, respondeu:"Mas claro que posso ajudá-lo! Você encontra-se num balão de ar quente, flutuando a uns vinte metros acima da estrada. Está a quarenta graus de latitude norte e a cinquenta e oito graus de longitude oeste."O balonista escuta com atenção e depois pergunta-lhe com um sorriso:"Amigo, você é engenheiro? ""Sim, senhor, ao seu dispor! Como conseguiu adivinhar? ""Porque tudo o que você me disse está perfeito e tecnicamente correcto, porém essa informação é-me totalmente inútil, pois continuo perdido. Será que não tem uma resposta mais satisfatória?"O engenheiro fica calado por alguns segundos e finalmente pergunta ao balonista:
"E você, não será por acaso um social-democrata?"Sim, sou realmente filiado no PSD. Como descobriu?""Ah! Foi muito fácil! Veja só: você não sabe onde está nem para onde vai;fez uma promessa e não tem a mínima ideia de como irá cumpri-la e ainda por cima espera que outra pessoa resolva o seu problema.
Continua exactamente tão perdido quanto antes de me perguntar. Porém, agora, por um estranho motivo, a culpa passou a ser minha..."

domingo, 12 de dezembro de 2004

Parabéns FCP

O Futebol Clube do Porto conquistou a ultima Taça Intercontinental de Futebol dando assim ao continente europeu a vitória absoluta na história do troféu.
Quer se goste ou não, o FCP tem conquistado importantes títulos e levado bem longe o nome de Portugal, no mundo do futebol.
A liderança de Pinto da Costa, agora posta em causa com a sua chamada a tribunal, no decorrer do processo "Apito Dourado", colocará em causa os títulos obtidos nos últimos anos por este Clube?

sábado, 11 de dezembro de 2004

Para descontrair...

A verdadeira bravura está em chegar a casa bêbado, de madrugada, ser recebido pela mulher com uma vassoura na mão e ainda perguntar:

Vais varrer ou vais voar?!?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

A vítima!

A vítima é Santana Lopes.
Apontou baterias para o Presidente da República que o "aturou" durante 4 meses de mais "desgovernação" e agora diz que não o deixaram governar...
Que "bandido" esse Sr. Presidente da República que não deixou o Santana afundar o país...
Cuidado com o PPD e o Populismo de Santana e Portas.
Eles são profissionais nessa arte...
Até a Cinha já saiu da Quinta das Celebridades...
Foi solidária com a saída próxima de Santana de São Bento...

domingo, 5 de dezembro de 2004

Mais maduro!

Hoje perguntaram-me se me sentia mais velho, por ter passado mais um aniversário.
Respondi que não. Tal como um anúncio a uma bebida: "uns envelhecem, outros amadurecem".
Eu sinto-me mais maduro.
Talvez pelas barreiras que na vida fui obrigado a ultrapassar.
É assim que crescemos, e amadurecemos...

E depois o Sampaio é que é o culpado!

DIÁLOGOS NA INCUBADORA
- Agora é que a arranjaste bonita...
- Eu? Ó Paulo, mas tu não viste que foi o desgraçado do Sampaio? E os gajos do meu partido que não paravam de dar chapadas ao puto na incubadora...
- Guarda essas cenas para os tempos de antena. Se há aqui alguma vítima, sou eu. Bem que a minha mãe me avisou para não me meter contigo.
- Já pareces a Cinha, sempre a dar-me na cabeça: que devia ler os dossiês, que devia pensar antes de abrir a boca. Ninguém me compreende!
- Vá, vá, não comeces agora a chorar. Não és assim tão mau, pronto. Mas já viste bem as broncas que os teus amigos deram?
- Broncas, mas que broncas, pá? Pareces os comunas da imprensa...
- Nem sei por onde comece: aquele tonto do Silva com a história do Marcelo, este oligofrénico que nem sei como se chama a sair do governo aos urros...
- Oh, oh! E quem é que se armou em prima da dona durante o meu lindo congresso? Não chamaste tonto ao Silva quando ele veio a Lisboa acalmar-te os achaques, pois não? E olha que aquela ideia de mandar os barcos de guerra contra as holandesas do aborto também foi do além!
- Por falar nisso, esta história do bebé prematuro... só não bato palmas porque estão aqui estes jornalistas todos à espera que nos peguemos.
- Pois, pois. Mas águias passadas não morrem velhinhas. Temos mas é de preparar o futuro!
- Tipo quê, destituir o Sampaio?
- Mas não viste as sondagens de ontem?
- Então não vi? 3% para o PP... com sorte elegemos para aí meio deputado.
- Pois é. Temos de fazer pela vidinha! Tu que tens montes de contactos, não nos arranjas uns empregos à altura dos nossos currículos?
- Para ti, só se for como espantalho...
- Hã? Estás a falar para dentro! O que é que disseste?
- Que há por aí muito bom trabalho... Olha; estou já ao telemóvel a tratar disso. Não te preocupes e deixa as coisas aqui com o Paulo. Está sim? Zé Braga Gonçalves? És tu? Oh, pá, então já sabes da desgraça... olha, eu estava aqui a pensar... não te sobrou nenhuma empresa que precise de quadros qualificados e que tenha um ou dois Jaguares a mais?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

O Cálvário...

Terça feira foi mesmo dia de novidades. Pela meia noite acedi à página da DGRH do ME. Fui a colocações cíclicas e lá estava o meu nome.

Colocado em Setúbal, com 15 horas até ao fim do presente mês...

Para quem tem direito a horário completo, foi ultrapassado nas colocações, por erro do ME, e é colocado a fazer uma substituição por 1 mês... É demais. Estou a explodir de felicidade. O dinheiro que vou ganhar este mês nem dá para pagar casa, combustível... Aliás, vou receber menos do que estando em casa a receber pelo subsídio de desemprego...

O que me faz ir daqui a pouco para Setúbal? Gostar de dar aulas e saber que há crianças à espera de um professor. É isso, e só isso que ainda me prende a esta profissão...


Boa viagem...

Terça feira, pelas 17 e 30 deixei um post sobre Santana Lopes/Governo/País...
10 minutos depois sabia-se que Jorge Sampaio ia dissolver a AR e não aceitara a proposta de Santana Lopes, de um novo nome para o lugar de Chaves.
As mensagens e os telefonemas sucederam-se. Mais uma vez as operadoras móveis em Portugal lucram... Até com a queda anunciada de um governo...
A minha opinião, face a esta situação é dupla. Por um lado fico feliz por Santana Lopes e Portas abandonarem o governo, possibilitando aos portugueses uma nova escolha, ou a recondução destas polémicas e controversas gentes. Por outro lado, acho que Sampaio devia ter continuado a cuidar da criança que tratou de colocar na "incubadora" em Junho, e à qual foi dando colo, ao longo dos últimos 4 meses.
Agora Santana é vítima. Porque não o deixaram trabalhar. Apesar de todos os analistas políticos dizerem que este Governo "caiu por si".
Veremos o que nos espera.

terça-feira, 30 de novembro de 2004

Eu ia-me embora!

São casos, atrás de casos. Desta vez, um amigo pessoal de Santana Lopes e também Ministro demite-se alegando falta de lealdade, de organização...
Se Santana Lopes é assim com os amigos...
Mas tudo está bem no "país dos laranjas" onde um Ministro "bate com a porta" 4 dias depois de ser nomeado, e tudo está bem...
E tudo está bem para Jorge Sampaio depois do grande erro de ter aceite a nomeação de Santana Lopes como Primeiro Ministro.
Santana Lopes nem sabe o que fazer, nem o que anda a fazer.
Por exemplo, discursa em cerimónias oficiais, como se ainda estivesse no Congresso em Barcelos... Seria à espera de Marcelo, de Cavaco, de Beleza, de Ferreira Leite?
Ri-se para as câmaras à procura da melhor foto que dê capa de revista...
Deixem-me trabalhar!!!Foi a frase que foi recuperada de Cavaco Silva. Mas se a memória não me atraiçoa, Cavaco na altura disse: "Deixem-nos trabalhar!"
A questão de uma ser dita no singular e outra no plural, pode, gramaticalmente exprimir o sentido da governação de Cavaco e de Santana. Santana é um homem só, em que poucos já acreditam. Nem os seus amigos e mais altos dirigentes do PSD lhe dão crédito... Cavaco era homem que tinha um grupo de políticos que o respeitavam, admiravam e apoiavam.
Afinal, a gramática tem destas pequenas coisas... Ilustra-nos a diferença entre um estadista (quer se goste ou não - Cavaco), e uma outra personagem que também gostava de ter sido, ser, ou vir a ser um dia estadista (Santana)... Onde?
Nem que seja numa qualquer Quinta das Nulidades.
Ah... Os professores ultrapassados continuam por colocar...
É mais uma, entre muitas...

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Regaria as rosas com as minhas lágrimas...

Uma amiga enviou-me por email este texto. É de Gabriel Garcia Marquez. Pensador, escritor, cidadão do Mundo, retirou-se da vida pública por razões de saúde: cancro linfático. Este foi o texto que enviou aos seus amigos como carta de despedida.
"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, os sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate! Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas... Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas. Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."
GABRIEL GARCIA MARQUEZ

domingo, 28 de novembro de 2004

Recorde! 1 Semana!

O Ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação, Henrique Chaves, que estava neste cargo há apenas 1 semana, apresentou hoje a sua demissão alegando "que não concebe a vida política e o exercício de cargos públicos sem uma relação de lealdade entre as pessoas".

A pergunta que se coloca é simples. Porque é que eles estão a demorar tanto a "cair"? Esta demissão deve ser o recorde de tempo como Ministro num Governo, após a instauração da democracia em Portugal...

Só falta o Santana e o Portas seguirem os passos deste Henrique Chaves, que demonstrou com esta posição ser um homem com princípios.