domingo, 18 de setembro de 2011

Geometra...





Regressei às palavras escritas, publicadas com tinta, em papel de jornal. Semana após semana, no concelho de Ourém debruçar-me-ei sobre estruturas e organizações, pessoas e políticas, eventos e projectos, obras, e o valor da pessoa... Numa coluna que dá pelo nome de: "Geometria das Palavras"...


Temos direitos!


Neste espaço que aqui ocupo, neste (re)encontro, registamos as palavras, os projectos, os desejos e as ambições partilhadas com os homens e as mulheres de Ourém.


A matéria-prima de um concelho é composta pelas pessoas, que se tocam nos opostos, e se encontram no espaço comum dos interesses colectivos.


Não caminhamos nos mesmos percursos que outros traçaram. Respeitamos as estradas deixadas e erguidas em nome da prosperidade de outrora, mas hoje desactualizadas pelas imposições da inovação, da exigência, do rigor e dos desafios diários que as populações impõem.


A roda não se voltará a inventar. Sabemos. Mas, em Ourém, ela está em andamento através da energia que a maioria aplica na construção de novos trilhos, nas acções diárias da esfera municipal, associativa, económica e social.


As recentes decisões políticas concelhias têm assentado, e tido como horizonte de cada projecto, as pessoas e o nosso território no seu todo.


Também assim se exige que o actual governo proceda. Não queremos acreditar (nem aceitamos) que o recente corte que o governo decidiu em matéria de serviços de saúde, e que irá prejudicar as populações do concelho de Ourém, não seja invertido.


Há dois anos havia catorze mil ourienses sem médico de família. Existia falta de profissionais de saúde disponíveis no Serviço Nacional de Saúde. O Presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, e a Ministra da Saúde do governo PS, chegaram a um acordo. Foi realizado um concurso e foram contratadas empresas que combateram este deficit.


Agora, este corte assumido pelo governo PSD/CDS em 60 % destas contratações fez com que as empresas já tivessem denunciado o contrato a 1 de Setembro. Um retrocesso incompreensível!


Assim, se o governo persistir nesta medida o concelho vai ter o Centro de Saúde de Ourém fechado a partir das 18h, o encerramento de extensões nas freguesias, e mais de vinte mil cidadãos sem médico de família. Deixaremos de ter não só médicos, como também enfermeiros, especialistas e auxiliares em número suficiente para as nossas necessidades.


Há dois anos o governo do PS ajudou. Agora o governo do PSD/CDS cortou. Cortam numa área fundamental para qualquer país: o acesso a unidades de cuidados de saúde básicos.


Não contem com o silêncio e a concordância dos eleitos e dos cidadãos deste concelho. Podem-nos cortar o subsídio de Natal, (re)cortar nos salários, aumentar o IVA, mas não ousem deixar desprotegidos mais de metade dos cidadãos deste concelho. Isso seria a maior das vergonhas!


Cortem nas empresas do estado e nos ordenados dos seus administradores. Tributem as empresas que mais facturam, como contributo solidário para as necessidades do país e ajudem-nas com outras contrapartidas. Dêem a independência imediata à Madeira e devolvam a factura dos 500 milhões de dívidas. E, por último, cumpram o programa eleitoral pelo qual se apresentaram ao eleitorado!


A maior riqueza do nosso concelho são as suas pessoas. O executivo municipal continuará, decerto, firme e intransigente, ao lado das suas populações. O valor da pessoa humana não tem preço, não é quantificável tal é a preciosidade da vida. Será que há quem não entenda isso?!?


João Heitor

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Explicar o BCE na esplanada do café...


“A Primavera esmerou-se. Um sol agradável acariciava-nos na esplanada do café à beira da minha porta. A chegada do Senhor Antunes, o mais popular dos meus vizinhos, deu ensejo a uma lição sobre Europa e finanças a nós todos que disto pouco ou nada percebemos.


- Oh Sô Antunes explique lá isso do Banco Central Europeu, aqui à rapaziada do Café.


- Então vá, vá lá, Só por esta vez. O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.


- E donde veio o dinheiro do BCE?


- O capital social, o dinheiro do BCE, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.


- E é muito, esse dinheiro?


- O capital social era 5,8 mil milhões de euros mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.


- Então, se o BCE é o banco destes Estados pode emprestar dinheiro a Portugal, não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas.


- Não, não pode.


- ???


- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.


- Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?


- A outros bancos, já se vê, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.


- Ah percebo, então Portugal, ou a Alemanha, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE e tal.


- Pois.


- Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha irem directamente ao BCE?


- Não. Sim. Quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!


- ??!!..


- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos XPTO, a 1% e esse conjunto de bancos XPTO emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.


- Mas isso assim é um "negócio da China"! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!


- Neste exemplo, ganharam uns 3 ou 4 mil milhões de euros. E não têm de se deslocar a Bruxelas, nem precisam de levantar o cu da cadeira. E qual Bruxelas qual carapuça. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt, onde é que havia de ser?


- Mas, então, isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem o 13º mês, que já dizem que vão tirar...


- Mas, oh seu Zé, você tem de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.


- Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?


- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.


- Deixa ver se percebo. Então, os Governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1% para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos Governos donos do BCE?


- Não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.


- Nós somos os donos do dinheiro e nós não podemos pedir ao nosso banco...


- Nós, nós, qual nós? O país, Portugal ou a Alemanha, é composto por gentinha vulgar e por pessoas importantes que dão emprego e tal. Você quer comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou com um calaceiro que anda para aí desempregado com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.


- Mas, e os nossos Governos aceitam uma coisa dessas?


- Os nossos Governos, os nossos Governos... mas o que é que os governos podem fazer? Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos. Em resumo, não podem fazer nada, senão quem é que os apoiava?


- Mas oh que porra de gaita! Então eles não estão lá eleitos por nós?


- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é que manda. Não viu isto da maior crise mundial de há um século para cá? Essa coisa a que chamam sistema financeiro que transformou o mundo da finança num casino mundial como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam e que ia levando os EUA e a Europa à beira da ruína? É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gentinha que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos a ver navios. Os governos, então, nos EUA e cá na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram que repor o dinheiro.


- E onde o foram buscar?


- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. Donde é que havia de vir o dinheiro do Estado?...


- Mas meteram os responsáveis na cadeia?


- Na cadeia? Que disparate. Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram passados à reforma. O Sr. McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.


- Oh Sor Antunes, então como é? Comemos e calamos?


- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar..."

Ela mesma...


Doce, única e intensa.

A vida.

A vida que por magia nos dá o bater do coração.

O bater que nos faz voar, beijar as nuvens, tocar as estrelas onde nos perdemos no tempo que é nosso.


Nele ficamos, nele nos entregamos porque assim somos nós...

Fiéis e intensos sonhadores que dos livros fazemos o trilho do respirar.



Na noite quente.


Na fria noite.

Nas badaladas de cada segundo de sorrir...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ser pessoa no meio de gente...


As areias finas são como as pedras grossas.


Fiéis à matéria de que são feitas, inalteradas na essência e só quebradas pelo efeito do tempo.


Assim fossem os humanos. Inalterados pelos valores.


Comprometidos com a humildade, honestos na sua acção e contrutores do bem comum.


Estas e outras serão as utopias.


Inatingíveis por alguns seres que jamais darão valor ao “ser pessoa”.


Porque para ser pessoa, não basta querer, é preciso ser reconhecido como tal...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

São estes e outros os ensinamentos esquecidos...


“Os 3 últimos desejos de "Alexandre O Grande” foram expressos à beira da morte e perante os seus generais os enunciou:



1º Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;



2º Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas...);



3º Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.



Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:



1º Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm o poder de cura perante a morte;



2º Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;



3º Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.”



E no intervalo entre estas palavras e uma reflexão interna, em escassos segundos, a nossa alma pode encaminhar-se para dezenas de ocorrências, de questões, de incomodos pessoais e sociais.


Pessoais, pela condição humana de que somos feitos...


Sociais, pelos condicionalismos a que somos sujeitos...


E, também no intervalo entre ambos, pisando, imaginariamente, os mosaicos pretos e brancos da pureza do nosso viver, importa afirmar que na primeira e na última instância, somos os construtores da nossa essência...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A idade vista pelos "colegas de liceu"...


“Já lhe aconteceu olhar para pessoas da sua idade e pensar: não posso estar assim tão velho(a)?!


Veja o que conta uma rapariga/senhora:


- Estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava exposto na parede.


Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei-me de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome.


Era da minha turma do liceu, há uns 25 anos atrás, e eu perguntei-me: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?


Quando entrei na sala de atendimento, imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado... era demasiadamente velho para ter sido a minha paixão secreta.


Depois de ele ter examinado o meu dente, perguntei-lhe se ele tinha estudado no liceu.


- Sim, respondeu-me.


- Quando terminou? Perguntei.


- 1965. Por que pergunta? Respondeu.


- É que... bem... o senhor era da minha turma! Exclamei eu.


E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido perguntou-me:


- A Sra. era professora de quê?”

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Não vale tudo...


Um representante de Palestina começou assimo seu discurso na Assembleia das Nações Unidas: "Antes de começar a minha intervenção, quero dizer-lhes algo sobre Moisés. Quando partiu a rocha e inundou tudo de água, pensou: "que oportunidade boa de tomar um banho!". Tirou a roupa, colocou-a ao lado sobre a rocha e entra na água. Quando saiu e quis vestir-se, a roupa tinha desaparecido. Um Israelita tinha-as roubado".


O representante Israelita saltou furioso e disse, "que é que você está a dizer? Os Israelitas não estavam lá nessa altura."


O representante Palestiniano sorriu e disse: "e agora que se tornou tudo claro, vou começar o meu discurso."

Para que um dia não sejamos, somente, história...


O António depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.



Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic) barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).


Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).



Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.



Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.



Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.



Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Longe da perfeição...


Não podemos dar tudo o que temos.


Se o fizermos ficamos despidos.


Sem trunfos para surpreender.


Sem novidades para fazer brilhar os olhos…

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quando o dia nos voa por entre os dedos...

Mesmo que neste andar, de movimento, ou urbano, se esqueçam das vontades que alimentam as tuas entranhas, não deixes de acreditar em ti.

Lembra-te. Eles são todos mágicos detentores de mil sábias palavras, de moldados cabelos, de esculturais corpos, de macias peles, de bons, belos e bonitos carros, roupas e casas.


Mas, onde te agarras tu quando no centro do olhar encontras o vazio do céu, o deserto da magia?


Se os homens são previsíveis aos olhos das mulheres, e estas aos olhos deles, porque motivo se fazem embrulhos e prendas que o sol, os dias e a desilusão mais tarde te faz caminhar para o ecoponto dos desaires do sentimento?


Eterna insatisfação acrescida de errada pontaria, ou quiçá destino cruel que nos foi traçado? Tudo isso é de fácil emissão vocal e interiorização. E a complexidade e imprevisibilidade do ser humano, como o mais insaciável ser que se quer ultrapassar constantemente? Não, isso não. Até porque não é romântico ou melodramático. Precisamos do triste fado e negra sina de uma qualquer desgraça. Mesmo quando no normal percurso da vida, onde entre o nascer e o morrer, há dias em que choramos o sentir, a perda, a ausência, o vazio…


Pára. Olha o céu. Não escolhas uma estrela. Escolhe várias. Convida-as a ir ver o mar. Fala com elas. Não ouves as suas respostas, os seus sorrisos que fazem brilhar a Lua?


Pede. Pede à cigarra que te lance a sua melodia e deixa-te voar pelo que a natureza te dá. Sim, a natureza. Que coisa mais sem sal e eclética, nada moderna, banal e desprezível quando de sentimentos se fala e para árvores, pássaros e ervas me remetes meu Suplemento de Alma…


Mas, é da e na natureza que o equilíbrio nos encontra, ou nós nele. Aquela natureza que de nós só respeito exige. Aquela por quem nós somos responsáveis, pois só nós dela podemos cuidar. A nossa natureza interior… A pura que de nós emerge quando libertos de pensamentos, soltos de amarras, livres de pensamento nos situamos no meio, nos orientamos na bússola, nos definimos com o nosso querer.


Tudo. Tudo o resto é efémero.


Entre o efémero, e o dia de fechar os olhos, está o tempo que temos para viver.


Utopicamente, ficará sempre muito para fazer. Muito para ver. Muito para conquistar. Mas, no dia a dia olhamos os relógios e somos guiados pelas responsabilidades que nos castram o pôr de sol, os pingos de chuva grossa, os beijos das nuvens, o cheiro das ondas e das serras…


Meu Suplemento de Alma…a sã loucura é a que nos deixa ser nós mesmos com todos os nossos defeitos e virtudes.


Estamos a tempo de mudar? Sempre a tempo, mesmo que no tempo, tempo não se encontre…


Como diria um grupo de homens livres e de bons costumes: que assim seja…se tua vontade assim o indicar…

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os corações que gelo derretem...


Tu não percebes, mesmo que te ponha em palavras simples…


Põe ali o teu coração, de forma simples, enquanto aqui estou.


Não tenhas medo. Protejo o teu sentimento que em ti carregas, de simples maneira.


Perguntas que coisa é esta na vida, sobre a qual não consegues responder.


Distraída andas com as borboletas das noites de magia, onde a distracção te conduz à ignorância da óbvia solidão sem mim.


No mais pequeno beijo de distracção, que desculpas me dê para te roubar, imagina teu ser de livre forma ali ou aqui esteja.


Desde que te vi que a minha simples forma de viver mudou o ar de respirar…


Só, pela simples forma de o respirar de forma diferente.


Para quê complicar o já complicado coração que, desmesuradamente, se bate sem controlo face aos nossos olhos que te pulverizam em choque de intenso calor e desejo?


Já te disse, põe ali, junto ao meu, teu coração…

quinta-feira, 14 de abril de 2011

De sentir os animais, como nós, o somos...


Os minutos, os meses e os anos passam.


Nas nossas vidas, nas memórias dos percursos trilhados, nos laços que nos caracterizam em carne e sangue desta nossa espécie animal racional.


Seremos dotados de mil e uma potencialidades, características, feitios, crenças, acções e pensamentos.


E além destes, do sentir.


Se o meu pai fosse vivo faria hoje 68 anos.


Tenho pena que ele não tenha desfrutado a sua merecida reforma.


Tenho pena que ele não tenha desfrutado da neta que em traços, expressões e reacções, se encontram linhas comuns…


E nesta pena, as saudades…


Tenho pena que passemos a vida num corre, corre, sem que possamos aproveitar o sol, saborear a chuva, assistir ao pôr-do-sol, contemplar as estrelas, ouvir o mar, sentir o vento na cara, transpirar em sorrir e alegria espontânea quando tocados na nossa alma…


Perdem-se e perdemo-nos em futilidades, tantas vezes. Vezes demais, possamos nós avaliar e lembrar o que nos últimos meses nos fez, positivamente, sentir o frio no estômago, os pelos do corpo eriçados, os músculos incontroláveis que instintivamente reflectem os nossos sentidos…


Contra mim escrevo, penso ou aponto o dedo.


De ferro são as estátuas. De pedra os monumentos. De sentir os animais, como nós, o somos…

sábado, 2 de abril de 2011

Só se reduz quando não há?

Como é estranho o ser humano.

Quando pode, usa e gasta sem pensar no amanhã.


Quando o amanhã está comprometido, procura reduzir e salvar o que, provavelmente, será irrecuperável...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não quero, nem sou detentor da verdade...

Nesta corrida da humanidade, que se procura ultrapassar a si própria, esquece-se o Homem que o equilíbrio entre a natureza e a sua presença é condição fundamental para a sobrevivência da nossa espécie.

Quais Carlos Lopes e Rosas Motas apresentam-se diariamente em busca de um lugar mais alto, mais vistoso, mais bem remunerado, mais socialmente digno de um qualquer valor (ainda escondido ou inexistente em seus corpos – dedicamos esta imagem a tais personagens).

Perdem o sentido do Norte, talvez a decência herdada em berço, mas, esquecida nas páginas dos jornais, nas teclas de vulcânicos textos que brotam inflamadas cruzadas contra os hereges.

São seres de outra dimensão e qualidade, inertes em humildade, repletos de poder e direitos, quiçá por vezes julgando ser D. Quixote, tal é a dimensão de cada moinho, de cada rajada de vento que moi o esfregar da cara, o coçar de cabelo, ou o copo que alimenta e acompanha a solidão da escrita. Essa solidão que se alimenta para tentar criar atenções, importâncias e magníficas pretensões.

Seres há que não têm tempo para ouvir e aceitar uma opinião diferente. Ou quem sabe, a ousadia dos outros também pensarem, dos outros também terem vivido e viverem no mesmo mundo.

Seres há que se esquecem que o novo não é nada mais do que o velho que caiu no esquecimento, como diz o provérbio russo, e que no fim de todas as novidades, nascemos e morremos da mesma forma.

Seres há que se esquecem que é no intervalo entre o nascer e o perecer, que podemos fazer a diferença, valer pelo que somos e pelo que ajudamos a ser. Valer pelo que alimentamos nos outros e em todos nós, naquilo a que chamam de sociedade.

A folha da acácia disse um dia para o homem que a ostentava orgulhoso:

“Não é o meu brilho que te dá valor. É o teu valor que me dá brilho...”.

terça-feira, 8 de março de 2011

Sobre problemas, caneleiras e obrigações morais...

Há quem goste de ser assim…

A principal oposição vai mais para além da política.

Vai para a oposição do que se pode construir, por quem o quer fazer, impedido por outros.

Há quem se resguarde nas suas ombreiras intelectuais, outros na sua mediocridade, outros ainda na posição negativa em jeito de dizer: "estou aqui", ou "penso logo existo".

De entre todos estes cidadãos, uns estão na política activa, outros dela vieram, havendo ainda quem gostasse de nela participar.

A nobreza de servir a causa pública tem o alto preço do constante julgamento daqueles que nunca concordam, mas que também não ajudam a encontrar soluções.

É do tipo: “Por aí não!” Então por onde? “Não sei, só sei que por aí não” Mesmo que no meio de um pântano as pernas se afundem nas areias que não esperam pela incapacidade de decidir ou encontrar alternativas.

Como facilmente se cai na crítica, sem base de credibilidade, ou competência, quiçá nobre pergaminhos, estamos condicionados à fruta que existe na fruteira, porque já não há árvores, e, o circo, já não é como antigamente…

sexta-feira, 4 de março de 2011

A super-escola ou o retrato das escola portuguesas (recebido por email)

“Vejamos com atenção o exemplo de uma vulgar turma do 7º ano de escolaridade, ou seja, ensino básico.

1. Língua Portuguesa

2. História

3. Língua Estrangeira I - Inglês

4. Língua Estrangeira II - Francês

5. Matemática

6. Ciências Naturais

7. Físico-Químicas

8. Geografia

9. Educação Física

10. Educação Visual

11. Educação Tecnológica

12. Educação Moral R.C.

13. Estudo Acompanhado

14. Área Projecto

15. Formação Cívica

15 áreas curriculares, dada em 36 tempos lectivos.

Mas, para além disso, a escola ainda:

* Integra alunos com diferentes tipologias e graus de deficiência, apesar de os professores não terem formação para isso;

* Integra alunos com necessidades educativas de carácter prolongado, apesar de os professores não terem formação para isso;

* Não pode esquecer os outros alunos, que também têm enormes dificuldades de aprendizagem;

* Integra alunos oriundos de outros países que, na maioria das vezes, não falam Português;

Tem o dever de criar outras opções para superar dificuldades dos alunos, como:

* Currículos Alternativos

* Percursos Escolares Próprios

* Percursos Curriculares Alternativos

* Cursos de Educação e Formação

E a escola ainda tem o dever de sensibilizar ou formar os alunos nos mais variados domínios:

* Educação sexual

* Prevenção rodoviária

* Promoção da saúde, higiene, boas práticas alimentares, etc.

* Preservação do meio ambiente

* Prevenção da toxicodependência

Sabendo que a esmagadora maioria dos alunos das escolas portuguesas não são órfãos, colocar aos ombros dos professores e das escolas todas estas responsabilidades, só é possível por pensarmos que os professores podem ser capazes de até substituírem as famílias…

E mesmo com as injustas acusações de que os professores têm muitas férias, faltam muito, faltam ao respeito a alunos e pais, que obrigam os alunos a fazer os trabalhos de casa, que lhes solicitam atenção e silêncio sala de aula, os portugueses acreditam nas escolas.

Mas, a que preço?

Seria bom as famílias perceberem que ter filhos comporta mais do que dar alimentos, roupas, telemóveis, mp3, PC… A educação deve ser dada na organização: família e não na organização escola.

"Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos". Declaração Universal dos Direitos Humanos”

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A humildade é valor que não cabe no dicionário de certa gente...

Admiro as doutas inteligências que tudo sabem, nunca erram e têm sempre razão...

(Apesar de nunca ter conhecido nenhuma)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Nós em vez do Eu... E Ser em vez de "querer"...

A vida é composta de mudanças.

Mudam-se os tempos, as pessoas, como escreveu o poeta.

Desde a nascença até à morte, não será o ser “qualquer coisa” que importa e conta.

O ser, é pessoa no seu expoente máximo.

E para o ser, de dentro deve afirmar-se a luz do valor.

De fora podem-se vestir fatos e fardas, mas é do interior que afirmamos a essência que nos compõe, e, nos faz.

Entre os vários percursos, afirmar o ser interior é polir a nobreza dos valores.

Não se deve dirigir as energias para dentro. Deve-se dirigir as energias para fora.

Para os outros, para o colectivo que une e fortalece a sociedade.

Utópico? Sim.

Mas, se à rotina, se ao facilitismo vendessemos a alma, então aí tinhamos perdido o combate de décadas...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Esse papel não é meu?

Ao longo dos séculos que o Homem sente necessidade de marcar o seu território.

A posse, de bens ou de poderes, foi e continua a ser um objectivo premente para algumas mentes.

A legitimidade com que se “vive”, “faz” e “convive”, eticamente deve ser proporcional à moral que se apregoa.

Que a frontalidade impere, e que a elevação se instale... de vez!

A gerência e a sociedade, agradecem...

domingo, 26 de dezembro de 2010

Arquitectura e espaço humano...

Mensagens e votos.

Umas sentidas e outras motivadas pela “moda” da proximidade das pessoas que, efectivamente, estão distantes.

Cumprimentam-se nesta altura as pessoas que nos restantes dias do ano se “escondem”, fazem invisíveis ou ignoram serem conhecidas.

Há um positivismo a registar nesta época: o mexer da economia.

Tirando isso, só talvez os dias de reforço do convívio familiar seja o destaque humano.

Aguardam-se agora os próximos dias para mais votos sobre 2011.

Um dia, talvez o inatingível, as pessoas se unam em torno das taxas e dos juros das verdadeiras relações humanas.

Somos tão voláteis...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Em vez do: "Eu" porque não o: "Nós"?....

Não me canso de ver o filme “O Gladiador”. Conta a historia de um general romano que no ano de 180 d.C., serve com fidelidade o Imperador Marco Aurélio. Cômodo, filho do Imperador, sabendo da intenção deste passar o comando do Império Romano para o general Máximus, mata-o e assume-se como o novo Imperador.

Cômodo coloca em vigor a política do pão e circo, a política do entretenimento do povo enquanto corrompe o Senado para garantir o poder. Contrariando a vontade de seu pai que tinha proibido as arenas e os espetáculos de violência onde gladiadores lutavam até a morte, Cômodo decreta que haverá jogos por mais de 300 dias onde a carnificina acontece para divertimento da plebe e da realeza. Sem sucesso, muitos Senadores desejavam o regresso da República em substituição ao poder ditatorial do Imperador.

Apesar da historia não ser verídica o filme retrata, fidedignamente, a Roma e os seus costumes políticos onde algumas personagens chegavam às cadeiras do poder através de uma política de caserna, sem respeito pelos outros, desconhecendo valores, a moral e os limites do aceitável.

Na sociedade dos dias de hoje, a “Roma” é cada vez mais visível, descaradamente palpável e observável.

Para alguns, talvez a vergonha das últimas décadas tenha desaparecido, ao mesmo tempo que a sede de protagonismo, de pedestal e de projecção se impõe sobre tudo e todos.

No filme também existem os Pretores (funcionários públicos que verificavam o limite da lide - discussão, confrontos de interesse).

Talvez a sociedade dos dias de hoje precise de mais Pretores, de mais vigilantes e de Senadores idóneos, sustentados em valores e ricos em experiência de vida para que possamos obter conselhos, orientações, zelo e protecção pela Democracia.

domingo, 19 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Reflexões de um aprendiz da vida diária...

À medida que os anos passam, e que as experiências de vida se acumulam pela diversidade de vivências, questiono, olho e descubro um mundo diferente.

A existência humana e os seus relacionamentos, a vida, a própria construção do Homem enquanto ser, e as razões dos seus múltiplos desenvolvimentos têm sido arestas para as quais tenho direccionado a observação, a interpretação de sinais, a par da audição dos homens e mulheres de cabelos brancos. Nestas recolhas de pensares e ensinamentos obtenho pequenos elementos, que como se peças de um gigantesco puzzle se tratassem, junto e bebo. Líquidas e sábias palavras, textos e estudiosas estórias que nos bancos da escola deviam pertencer a um qualquer suplemento arrancado dos manuais...

Entre estas e outras leituras tenho compreendido que sempre existiu uma ligação entre o poder e a construção humana. Para mim o poder não reside na sua forma, mas sim na espontaneidade com que ocorre. O poder não é, de todo, a força da ordem. O poder reside em todos aqueles que procuram atingir a perfeição da construção partilhada, pelos objectivos comuns. Esse é o poder!

Mas, para isso, a sintonia estrutural, mormente assente em valores de educação instrínseca, deve estar, efectivamente, sintonizada, Qual simbólica romã...

Um mestre de ofício reservado um dia disse-me que a união só se consegue quando, realmente, não há interesses individuais. Despir as fardas do egocentrismo concentrado no umbigo, em pleno Inverno, não só é medicamente desaconselhável, como não é desejável para quem não abdica do conforto pessoal, em detrimento do projecto comum. Quando este barbas mo referiu, dei uma volta na memória das acções consideradas boas, ocorridas nos tempos utópicos em que a amizade conduzia o barco da vida, e por ali já vislumbrei alguns sinais do que, paulatinamente, a vida foi aclarando.

Sei que as vontades só estão ao alcance daqueles que agem de acordo com os seus princípios, sem pressas, ouvindo mais do que falando, lendo mais do que discursando.

Em segredos e mistérios está envolta muita da história da humanidade, do pensamento desta espécie, que, como me referiu um colaborador do último ano de Verourém, “o Homem tem capacidade para criar muito...”.

Não quero, não sou propenso, nem desejo desvendar segredos, mistérios. Quero primeiro, e acima de tudo, aperfeiçoar-me na prática diária dos valores e condutas humanas pessoais.

E, se, ocasionalmente, ou por vontade dos meus amigos, for reforçando os elos que nos ligam nessa mesma naturalidade da partilha de vida, sentir-me-ei mais rico, mais feliz. Mais como um livro aberto onde se possam ler as secretas palavras que alicerçam os homens livres, de moral e ética humana.

Recentemente, num encontro político, e no uso da palavra, destaquei a necessidade de se obter uma mudança de paradigma. Utopias e boas intenções dirão os racionalistas. Porém, desde a escola grega que o humanista tem como imperativo da sua natureza, o respeito pela lei moral.

A articulação entre conhecimento, moral e virtude tem estado no meu horizonte diário, a par das minhas acções.

Como humano tenho errado, e além destes as omissões que os meus amigos me apontam. Como valorizo esses reparos. Só assim posso continuar a trabalhar a pedra bruta do meu ser, com determinação, levando-me a corrigir e a melhorar a minha construção individual para que numa cadeia de união, a que alguns chamam de sociedade, possa cumprir o meu papel, e, tranquilamente, valorizar a essência da vida.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Coloquem-se lâmpadas economizadoras...

Nesta época ligam-se mais luzes.

Teoricamente, durante todo o ano, devem estar sempre ligados os filamentos do valor humano, da solidariedade, do positivismo.

Nem sempre os encontramos.

Talvez porque o sol cega, porque o tempo não permite, porque o egoismo não aceite tal ousadia.

A ousadia do humanismo utópico, durante todo o ano, infelizmente só é possível no Natal.

Não há uma sociedade hipócrita.

Não há um mediatismo económico mais intenso nesta época.

Há uma fraqueza humana, que nos faz esquecer que o Natal não é somente agora, mas em todos os dias do ano.

Perdoai-nos Deus... Alá... G.’.A.’.D.’.U.’....

domingo, 28 de novembro de 2010

Porque é o caminho...

Porque é o caminho que conta e faz a história, não é a origem da nossa existência que impede ou determina os passos a dar.

Esses, consolidam-se com os amigos que ao nosso lado, ou junto a nós, reclamam a força para puxar pelo que de bom existe, para solidificar o futuro partilhado.

Nesse caminho, de tempo e certezas que surgem naturalmente em consonância, acrescem as responsabilidades de garantir na mesa dos valores, as éticas que dispensam normativos, face às exigências que se impõem, também, espontaneamente...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Perderam os ausentes...

No passado sábado, no Cineteatro Municipal de Ourém, e patrocinado pela Embaixada da Indonésia em Portugal, actuou o Grupo de Música e Danças Tradicionais, Ria Agung Nusuntara do Norte da ilha de Sumatra.

Com a presença do Embaixador Indonésio, e de mais de 300 pessoas do concelho de Ourém, assistiu-se a um lato momento cultural, com riqueza e dimensão, avaliado pelas palmas do público e pela satisfação dos protagonistas.

A história que existe entre Portugal e a Indonésia, de mais de 500 anos, não se limita ao percurso dos navegadores portugueses. Partilha-se em mais de 200 palavras, em desejos de intercâmbio cultural, social e económico.

Estas são as novas pontes que consolidam a internacionalização do concelho de Ourém.

Participar nestes momentos, reforçar os laços e sentir a génese de uma cultura do mundo foi um suplemento eclético, sem se ter vivido um ecletismo bacoco (como por vezes ocorre "noutras danças")...