
Parabéns Presidente
definitivamente a Portugal e facilitar o seu contacto com outros serviços;
investimento e desenvolvimento locais;
É aquele que nos alimenta e nos reforça. O que emerge do nosso ser face às turbulências sociais, políticas, económicas e pessoais, que dia a dia nos molham, nos aquecem e nos gelam. Com toda a nossa Alma, que nos alimenta o coração e o pensamento!


Regressei às palavras escritas, publicadas com tinta, em papel de jornal. Semana após semana, no concelho de Ourém debruçar-me-ei sobre estruturas e organizações, pessoas e políticas, eventos e projectos, obras, e o valor da pessoa... Numa coluna que dá pelo nome de: "Geometria das Palavras"...
Temos direitos!
Neste espaço que aqui ocupo, neste (re)encontro, registamos as palavras, os projectos, os desejos e as ambições partilhadas com os homens e as mulheres de Ourém.
A matéria-prima de um concelho é composta pelas pessoas, que se tocam nos opostos, e se encontram no espaço comum dos interesses colectivos.
Não caminhamos nos mesmos percursos que outros traçaram. Respeitamos as estradas deixadas e erguidas em nome da prosperidade de outrora, mas hoje desactualizadas pelas imposições da inovação, da exigência, do rigor e dos desafios diários que as populações impõem.
A roda não se voltará a inventar. Sabemos. Mas, em Ourém, ela está em andamento através da energia que a maioria aplica na construção de novos trilhos, nas acções diárias da esfera municipal, associativa, económica e social.
As recentes decisões políticas concelhias têm assentado, e tido como horizonte de cada projecto, as pessoas e o nosso território no seu todo.
Também assim se exige que o actual governo proceda. Não queremos acreditar (nem aceitamos) que o recente corte que o governo decidiu em matéria de serviços de saúde, e que irá prejudicar as populações do concelho de Ourém, não seja invertido.
Há dois anos havia catorze mil ourienses sem médico de família. Existia falta de profissionais de saúde disponíveis no Serviço Nacional de Saúde. O Presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, e a Ministra da Saúde do governo PS, chegaram a um acordo. Foi realizado um concurso e foram contratadas empresas que combateram este deficit.
Agora, este corte assumido pelo governo PSD/CDS em 60 % destas contratações fez com que as empresas já tivessem denunciado o contrato a 1 de Setembro. Um retrocesso incompreensível!
Assim, se o governo persistir nesta medida o concelho vai ter o Centro de Saúde de Ourém fechado a partir das 18h, o encerramento de extensões nas freguesias, e mais de vinte mil cidadãos sem médico de família. Deixaremos de ter não só médicos, como também enfermeiros, especialistas e auxiliares em número suficiente para as nossas necessidades.
Há dois anos o governo do PS ajudou. Agora o governo do PSD/CDS cortou. Cortam numa área fundamental para qualquer país: o acesso a unidades de cuidados de saúde básicos.
Não contem com o silêncio e a concordância dos eleitos e dos cidadãos deste concelho. Podem-nos cortar o subsídio de Natal, (re)cortar nos salários, aumentar o IVA, mas não ousem deixar desprotegidos mais de metade dos cidadãos deste concelho. Isso seria a maior das vergonhas!
Cortem nas empresas do estado e nos ordenados dos seus administradores. Tributem as empresas que mais facturam, como contributo solidário para as necessidades do país e ajudem-nas com outras contrapartidas. Dêem a independência imediata à Madeira e devolvam a factura dos 500 milhões de dívidas. E, por último, cumpram o programa eleitoral pelo qual se apresentaram ao eleitorado!
A maior riqueza do nosso concelho são as suas pessoas. O executivo municipal continuará, decerto, firme e intransigente, ao lado das suas populações. O valor da pessoa humana não tem preço, não é quantificável tal é a preciosidade da vida. Será que há quem não entenda isso?!?
João Heitor
“A Primavera esmerou-se. Um sol agradável acariciava-nos na esplanada do café à beira da minha porta. A chegada do Senhor Antunes, o mais popular dos meus vizinhos, deu ensejo a uma lição sobre Europa e finanças a nós todos que disto pouco ou nada percebemos.
- Oh Sô Antunes explique lá isso do Banco Central Europeu, aqui à rapaziada do Café.
- Então vá, vá lá, Só por esta vez. O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.
- E donde veio o dinheiro do BCE?
- O capital social, o dinheiro do BCE, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.
- E é muito, esse dinheiro?
- O capital social era 5,8 mil milhões de euros mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado,
- Então, se o BCE é o banco destes Estados pode emprestar dinheiro a Portugal, não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas.
- Não, não pode.
- ???
- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.
- Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?
- A outros bancos, já se vê, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.
- Ah percebo, então Portugal, ou a Alemanha, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE e tal.
- Pois.
- Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha irem directamente ao BCE?
- Não. Sim. Quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!
- ??!!..
- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos XPTO, a 1% e esse conjunto de bancos XPTO emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.
- Mas isso assim é um "negócio da China"! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!
- Neste exemplo, ganharam uns 3 ou 4 mil milhões de euros. E não têm de se deslocar a Bruxelas, nem precisam de levantar o cu da cadeira. E qual Bruxelas qual carapuça. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt, onde é que havia de ser?
- Mas, então, isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem o 13º mês, que já dizem que vão tirar...
- Mas, oh seu Zé, você tem de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.
- Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?
- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.
- Deixa ver se percebo. Então, os Governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1% para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos Governos donos do BCE?
- Não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.
- Nós somos os donos do dinheiro e nós não podemos pedir ao nosso banco...
- Nós, nós, qual nós? O país, Portugal ou a Alemanha, é composto por gentinha vulgar e por pessoas importantes que dão emprego e tal. Você quer comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou com um calaceiro que anda para aí desempregado com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.
- Mas, e os nossos Governos aceitam uma coisa dessas?
- Os nossos Governos, os nossos Governos... mas o que é que os governos podem fazer? Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos. Em resumo, não podem fazer nada, senão quem é que os apoiava?
- Mas oh que porra de gaita! Então eles não estão lá eleitos por nós?
- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é que manda. Não viu isto da maior crise mundial de há um século para cá? Essa coisa a que chamam sistema financeiro que transformou o mundo da finança num casino mundial como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam e que ia levando os EUA e a Europa à beira da ruína? É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gentinha que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos a ver navios. Os governos, então, nos EUA e cá na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram que repor o dinheiro.
- E onde o foram buscar?
- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. Donde é que havia de vir o dinheiro do Estado?...
- Mas meteram os responsáveis na cadeia?
- Na cadeia? Que disparate. Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era
- Oh Sor Antunes, então como é? Comemos e calamos?
- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar..."
O bater que nos faz voar, beijar as nuvens, tocar as estrelas onde nos perdemos no tempo que é nosso.
Fiéis e intensos sonhadores que dos livros fazemos o trilho do respirar.
Na noite quente.

As areias finas são como as pedras grossas.
Fiéis à matéria de que são feitas, inalteradas na essência e só quebradas pelo efeito do tempo.
Assim fossem os humanos. Inalterados pelos valores.
Comprometidos com a humildade, honestos na sua acção e contrutores do bem comum.
Estas e outras serão as utopias.
Inatingíveis por alguns seres que jamais darão valor ao “ser pessoa”.
Porque para ser pessoa, não basta querer, é preciso ser reconhecido como tal...
“Os 3 últimos desejos de "Alexandre O Grande” foram expressos à beira da morte e perante os seus generais os enunciou:
1º Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
3º Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.
Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:
1º Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm o poder de cura perante a morte;
2º Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3º Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.”
E no intervalo entre estas palavras e uma reflexão interna, em escassos segundos, a nossa alma pode encaminhar-se para dezenas de ocorrências, de questões, de incomodos pessoais e sociais.
Pessoais, pela condição humana de que somos feitos...
Sociais, pelos condicionalismos a que somos sujeitos...
E, também no intervalo entre ambos, pisando, imaginariamente, os mosaicos pretos e brancos da pureza do nosso viver, importa afirmar que na primeira e na última instância, somos os construtores da nossa essência...
“Já lhe aconteceu olhar para pessoas da sua idade e pensar: não posso estar assim tão velho(a)?!
Veja o que conta uma rapariga/senhora:
- Estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava exposto na parede.
Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei-me de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome.
Era da minha turma do liceu, há uns 25 anos atrás, e eu perguntei-me: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?
Quando entrei na sala de atendimento, imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado... era demasiadamente velho para ter sido a minha paixão secreta.
Depois de ele ter examinado o meu dente, perguntei-lhe se ele tinha estudado no liceu.
- Sim, respondeu-me.
- Quando terminou? Perguntei.
- 1965. Por que pergunta? Respondeu.
- É que... bem... o senhor era da minha turma! Exclamei eu.
E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido perguntou-me:
- A Sra. era professora de quê?”
Um representante de Palestina começou assimo seu discurso na Assembleia das Nações Unidas: "Antes de começar a minha intervenção, quero dizer-lhes algo sobre Moisés. Quando partiu a rocha e inundou tudo de água, pensou: "que oportunidade boa de tomar um banho!". Tirou a roupa, colocou-a ao lado sobre a rocha e entra na água. Quando saiu e quis vestir-se, a roupa tinha desaparecido. Um Israelita tinha-as roubado".
O representante Israelita saltou furioso e disse, "que é que você está a dizer? Os Israelitas não estavam lá nessa altura."
O representante Palestiniano sorriu e disse: "e agora que se tornou tudo claro, vou começar o meu discurso."
O António depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.
Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic) barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).
Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).
Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.
Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.
Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.
Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...
Não podemos dar tudo o que temos.
Se o fizermos ficamos despidos.
Sem trunfos para surpreender.
Sem novidades para fazer brilhar os olhos…
Lembra-te. Eles são todos mágicos detentores de mil sábias palavras, de moldados cabelos, de esculturais corpos, de macias peles, de bons, belos e bonitos carros, roupas e casas.
Mas, onde te agarras tu quando no centro do olhar encontras o vazio do céu, o deserto da magia?
Se os homens são previsíveis aos olhos das mulheres, e estas aos olhos deles, porque motivo se fazem embrulhos e prendas que o sol, os dias e a desilusão mais tarde te faz caminhar para o ecoponto dos desaires do sentimento?
Eterna insatisfação acrescida de errada pontaria, ou quiçá destino cruel que nos foi traçado? Tudo isso é de fácil emissão vocal e interiorização. E a complexidade e imprevisibilidade do ser humano, como o mais insaciável ser que se quer ultrapassar constantemente? Não, isso não. Até porque não é romântico ou melodramático. Precisamos do triste fado e negra sina de uma qualquer desgraça. Mesmo quando no normal percurso da vida, onde entre o nascer e o morrer, há dias em que choramos o sentir, a perda, a ausência, o vazio…
Pára. Olha o céu. Não escolhas uma estrela. Escolhe várias. Convida-as a ir ver o mar. Fala com elas. Não ouves as suas respostas, os seus sorrisos que fazem brilhar a Lua?
Pede. Pede à cigarra que te lance a sua melodia e deixa-te voar pelo que a natureza te dá. Sim, a natureza. Que coisa mais sem sal e eclética, nada moderna, banal e desprezível quando de sentimentos se fala e para árvores, pássaros e ervas me remetes meu Suplemento de Alma…
Mas, é da e na natureza que o equilíbrio nos encontra, ou nós nele. Aquela natureza que de nós só respeito exige. Aquela por quem nós somos responsáveis, pois só nós dela podemos cuidar. A nossa natureza interior… A pura que de nós emerge quando libertos de pensamentos, soltos de amarras, livres de pensamento nos situamos no meio, nos orientamos na bússola, nos definimos com o nosso querer.
Tudo. Tudo o resto é efémero.
Entre o efémero, e o dia de fechar os olhos, está o tempo que temos para viver.
Utopicamente, ficará sempre muito para fazer. Muito para ver. Muito para conquistar. Mas, no dia a dia olhamos os relógios e somos guiados pelas responsabilidades que nos castram o pôr de sol, os pingos de chuva grossa, os beijos das nuvens, o cheiro das ondas e das serras…
Meu Suplemento de Alma…a sã loucura é a que nos deixa ser nós mesmos com todos os nossos defeitos e virtudes.
Estamos a tempo de mudar? Sempre a tempo, mesmo que no tempo, tempo não se encontre…
Como diria um grupo de homens livres e de bons costumes: que assim seja…se tua vontade assim o indicar…
Tu não percebes, mesmo que te ponha em palavras simples…
Põe ali o teu coração, de forma simples, enquanto aqui estou.
Não tenhas medo. Protejo o teu sentimento que em ti carregas, de simples maneira.
Perguntas que coisa é esta na vida, sobre a qual não consegues responder.
Distraída andas com as borboletas das noites de magia, onde a distracção te conduz à ignorância da óbvia solidão sem mim.
No mais pequeno beijo de distracção, que desculpas me dê para te roubar, imagina teu ser de livre forma ali ou aqui esteja.
Desde que te vi que a minha simples forma de viver mudou o ar de respirar…
Só, pela simples forma de o respirar de forma diferente.
Para quê complicar o já complicado coração que, desmesuradamente, se bate sem controlo face aos nossos olhos que te pulverizam em choque de intenso calor e desejo?
Já te disse, põe ali, junto ao meu, teu coração…
Os minutos, os meses e os anos passam.
Nas nossas vidas, nas memórias dos percursos trilhados, nos laços que nos caracterizam em carne e sangue desta nossa espécie animal racional.
Seremos dotados de mil e uma potencialidades, características, feitios, crenças, acções e pensamentos.
E além destes, do sentir.
Se o meu pai fosse vivo faria hoje 68 anos.
Tenho pena que ele não tenha desfrutado a sua merecida reforma.
Tenho pena que ele não tenha desfrutado da neta que em traços, expressões e reacções, se encontram linhas comuns…
E nesta pena, as saudades…
Tenho pena que passemos a vida num corre, corre, sem que possamos aproveitar o sol, saborear a chuva, assistir ao pôr-do-sol, contemplar as estrelas, ouvir o mar, sentir o vento na cara, transpirar em sorrir e alegria espontânea quando tocados na nossa alma…
Perdem-se e perdemo-nos em futilidades, tantas vezes. Vezes demais, possamos nós avaliar e lembrar o que nos últimos meses nos fez, positivamente, sentir o frio no estômago, os pelos do corpo eriçados, os músculos incontroláveis que instintivamente reflectem os nossos sentidos…
Contra mim escrevo, penso ou aponto o dedo.
De ferro são as estátuas. De pedra os monumentos. De sentir os animais, como nós, o somos…
Nesta corrida da humanidade, que se procura ultrapassar a si própria, esquece-se o Homem que o equilíbrio entre a natureza e a sua presença é condição fundamental para a sobrevivência da nossa espécie.
Quais Carlos Lopes e Rosas Motas apresentam-se diariamente em busca de um lugar mais alto, mais vistoso, mais bem remunerado, mais socialmente digno de um qualquer valor (ainda escondido ou inexistente em seus corpos – dedicamos esta imagem a tais personagens).
Perdem o sentido do Norte, talvez a decência herdada em berço, mas, esquecida nas páginas dos jornais, nas teclas de vulcânicos textos que brotam inflamadas cruzadas contra os hereges.
São seres de outra dimensão e qualidade, inertes em humildade, repletos de poder e direitos, quiçá por vezes julgando ser D. Quixote, tal é a dimensão de cada moinho, de cada rajada de vento que moi o esfregar da cara, o coçar de cabelo, ou o copo que alimenta e acompanha a solidão da escrita. Essa solidão que se alimenta para tentar criar atenções, importâncias e magníficas pretensões.
Seres há que não têm tempo para ouvir e aceitar uma opinião diferente. Ou quem sabe, a ousadia dos outros também pensarem, dos outros também terem vivido e viverem no mesmo mundo.
Seres há que se esquecem que o novo não é nada mais do que o velho que caiu no esquecimento, como diz o provérbio russo, e que no fim de todas as novidades, nascemos e morremos da mesma forma.
Seres há que se esquecem que é no intervalo entre o nascer e o perecer, que podemos fazer a diferença, valer pelo que somos e pelo que ajudamos a ser. Valer pelo que alimentamos nos outros e em todos nós, naquilo a que chamam de sociedade.
A folha da acácia disse um dia para o homem que a ostentava orgulhoso:
“Não é o meu brilho que te dá valor. É o teu valor que me dá brilho...”.
Há quem goste de ser assim…
A principal oposição vai mais para além da política.
Vai para a oposição do que se pode construir, por quem o quer fazer, impedido por outros.
Há quem se resguarde nas suas ombreiras intelectuais, outros na sua mediocridade, outros ainda na posição negativa em jeito de dizer: "estou aqui", ou "penso logo existo".
De entre todos estes cidadãos, uns estão na política activa, outros dela vieram, havendo ainda quem gostasse de nela participar.
A nobreza de servir a causa pública tem o alto preço do constante julgamento daqueles que nunca concordam, mas que também não ajudam a encontrar soluções.
É do tipo: “Por aí não!” Então por onde? “Não sei, só sei que por aí não” Mesmo que no meio de um pântano as pernas se afundem nas areias que não esperam pela incapacidade de decidir ou encontrar alternativas.
Como facilmente se cai na crítica, sem base de credibilidade, ou competência, quiçá nobre pergaminhos, estamos condicionados à fruta que existe na fruteira, porque já não há árvores, e, o circo, já não é como antigamente…
“Vejamos com atenção o exemplo de uma vulgar turma do 7º ano de escolaridade, ou seja, ensino básico.
1. Língua Portuguesa
2. História
3. Língua Estrangeira I - Inglês
4. Língua Estrangeira II - Francês
5. Matemática
6. Ciências Naturais
7. Físico-Químicas
8. Geografia
9. Educação Física
10. Educação Visual
11. Educação Tecnológica
12. Educação Moral R.C.
13. Estudo Acompanhado
14. Área Projecto
15. Formação Cívica
15 áreas curriculares, dada em 36 tempos lectivos.
Mas, para além disso, a escola ainda:
* Integra alunos com diferentes tipologias e graus de deficiência, apesar de os professores não terem formação para isso;
* Integra alunos com necessidades educativas de carácter prolongado, apesar de os professores não terem formação para isso;
* Não pode esquecer os outros alunos, que também têm enormes dificuldades de aprendizagem;
* Integra alunos oriundos de outros países que, na maioria das vezes, não falam Português;
Tem o dever de criar outras opções para superar dificuldades dos alunos, como:
* Currículos Alternativos
* Percursos Escolares Próprios
* Percursos Curriculares Alternativos
* Cursos de Educação e Formação
E a escola ainda tem o dever de sensibilizar ou formar os alunos nos mais variados domínios:
* Educação sexual
* Prevenção rodoviária
* Promoção da saúde, higiene, boas práticas alimentares, etc.
* Preservação do meio ambiente
* Prevenção da toxicodependência
Sabendo que a esmagadora maioria dos alunos das escolas portuguesas não são órfãos, colocar aos ombros dos professores e das escolas todas estas responsabilidades, só é possível por pensarmos que os professores podem ser capazes de até substituírem as famílias…
E mesmo com as injustas acusações de que os professores têm muitas férias, faltam muito, faltam ao respeito a alunos e pais, que obrigam os alunos a fazer os trabalhos de casa, que lhes solicitam atenção e silêncio sala de aula, os portugueses acreditam nas escolas.
Mas, a que preço?
Seria bom as famílias perceberem que ter filhos comporta mais do que dar alimentos, roupas, telemóveis, mp3, PC… A educação deve ser dada na organização: família e não na organização escola.
"Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos". Declaração Universal dos Direitos Humanos”
Mudam-se os tempos, as pessoas, como escreveu o poeta.
Desde a nascença até à morte, não será o ser “qualquer coisa” que importa e conta.
O ser, é pessoa no seu expoente máximo.
E para o ser, de dentro deve afirmar-se a luz do valor.
De fora podem-se vestir fatos e fardas, mas é do interior que afirmamos a essência que nos compõe, e, nos faz.
Entre os vários percursos, afirmar o ser interior é polir a nobreza dos valores.
Não se deve dirigir as energias para dentro. Deve-se dirigir as energias para fora.
Para os outros, para o colectivo que une e fortalece a sociedade.
Utópico? Sim.
Mas, se à rotina, se ao facilitismo vendessemos a alma, então aí tinhamos perdido o combate de décadas...