quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Na penumbra do descrédito...


Estratégias nos dias de hoje…

A cada dia que passa o pronome “eu” é mais utilizado em detrimento do pronome “nós”. Parece existir, em certa gente, uma tentação para afunilar as atenções, os olhares do mundo na direcção do seu umbigo.

Limitados de horizontes são aqueles que de um grão de açúcar querem, e pensam conseguir fazer um bolo. Desejam, simultaneamente, que quem os rodeia e venera acreditem em tais miudezas, em tais cenários idílicos. Como se as pessoas não tivessem capacidade de discernimento.

Aristóteles referia a grandeza do Homem pela sua moralidade. A moralidade que não precisa de ser pronunciada pelos nossos lábios, mas que existe dentro de cada um, e é expressa pelos nossos actos, posições públicas e individuais. Essa é uma das grandes diferenças que existe entre os Homens que fazem História, dos outros. História essa tantas vezes injusta e madrasta, que retém na memória colectiva um episódio negativo, relegando para segundo plano méritos projectos. Mas, assim crescemos, conhecemos homens e mulheres nas nossas ruas, terras, no nosso concelho, neste país.

Mais estranhos, e incompreensíveis se afiguram aqueles que, insistentemente, pautam a sua acção pelo contínuo descrédito, pela maledicência das palavras, pela pequenez de práticas e posturas. Há quem defenda que tais personagens jamais souberam estar de outra forma na vida, e que de construção pouco ou nada se lhes conhece. Também não consigo, nem quero, avaliar tais produtos em banca, como se de uma feira de vaidades, ou palcos de fotografias se tratasse. A política e a sua nobre função exigem responsabilidade, integridade e verdade.

Paralelamente, podemos alvitrar a inexistência de tais atributos, que em vários textos, na Bíblia, nas confissões e nos pensamentos de almofada tão límpidos contrastes encontramos entre o “ter” e o “ser”… Há quem muito tenha, sem que alguém seja, sem ser reconhecido como relevante, válido ou fulcral junto daqueles que detêm a honra de tal distinção.

As lições de vida não são aquelas que nos ditam, que nos mandam espalhar, que nos escrevem, que redigem na surdina das estratégias individuais ou de clã. É a própria vida que se encarrega de as ilustrar, de as fazer viver e sentir. Em nós e no íntimo que compõe a nossa integridade deve existir a linha que separa os limites, que define as condutas…

A humildade individual (que muitos apregoam possuir perante a sociedade onde somos ou pensamos ser alguém), exige um respeito partilhado com os outros, e assente em pilares de honestidade intelectual.

Os grandes estadistas foram e são aqueles que souberam crescer, amadurecer e aprender com os outros. Só assim se consegue ser, pessoa, neste mundo de gente...

João Heitor

Nas Geometrias das Prioridades...


A uma só voz!

Em boa hora foi constituída uma Comissão para defender os interesses dos cidadãos do nosso concelho, relativamente aos serviços básicos de saúde, na sequência do encerramento das extensões de saúde nas freguesias de Ribeira do Fárrio, Espite, Gondemaria, Matas, Seiça e Casal dos Bernardos, e após a redução do horário do Serviço de Atendimento Permanente do Centro de Saúde de Ourém.

A referida Comissão, constituída pelo Presidente da Câmara Municipal de Ourém, pela Presidente da Assembleia Municipal e pelos os representantes dos grupos parlamentares da Assembleia Municipal têm acompanhado os vários episódios deste dramático cenário que tem afectado as nossas populações. Convocaram uma vigília que, ordeira e pacificamente decorreu em frente ao edifício dos Paços do Concelho com milhares de cidadãos do concelho a manifestar a sua revolta.

Num momento de indignação e de luta partilhada contra o Ministrério da Saúde e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, as populações manifestaram-se a uma só voz, sem quaisquer rivalidades. Estas decisões do governo estão a prejudicar, inicial e objectivamente, as extensões de saúde das freguesias já encerradas e o Serviço de Atendimento Permanente no Centro de Saúde. Porém, a curto prazo, corremos o risco de os encerramentos se estenderem a outras freguesias que presentemente ainda possuem serviços médicos em funcionamento.

Até porque o governo vai efectuar um corte nas despesas de saúde para o próximo ano no valor de 800 milhões de euros. Estranha-se, visto que a "troika" apenas exigiu um corte de 500 milhões. Porquê cortar mais 300 milhões? Se tinham de cortar que o fizessem na Cultura, ou no Ministério do Estado e dos Negócios Estrangeiros, ou no Ministério do Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. É que estes Ministérios não são fundamentais para a sobrevivência das pessoas, nem tão pouco para a produtividade do Estado! Agora na saúde? Incompreensível e inadmissível!

A uma só voz, as populações esperam e desejam que todos aqueles que gerem "a coisa pública" desenvolvam a sua acção diária num espírito de concertação, objectividade e eficiência. Qualquer que seja a gestão: de um governo, de uma região, de um município, de uma empresa ou até da casa de cada um de nós não se efectiva na perfeita linha traçada, no profundo desejo individual ou colectivo. Porém, há áreas em que nunca podemos cortar! A saúde é uma delas!

Ainda que a imprevisibilidade dos mercados e as continências sociais exijam reduções, há decisões que têm de ser tomadas pela vida dos cidadãos e a sua qualidade mínima. Todavia, e em primeira instância, não podemos descurar e cortar o acesso aos cuidados de saúde. Porque, se não defendermos a vida, para que servem e para quem ficam as restantes políticas governamentais?
João Heitor

Saúde, no concelho de Ourém



Serviços de Saúde são um investimento!

Não há, nem deve haver, no meu entendimento, qualquer crise económica que justifique cortes no acesso aos cuidados primários de saúde.

O actual governo fechou já três extensões de saúde no concelho em Ourém sem informar as populações, a Câmara e a Assembleia Municipal, numa atitude de total desrespeito pelos cidadãos.

Os Serviços de Saúde são um investimento que o Estado paga com os impostos de todos nós, e que permite a prevenção, o controlo e o tratamento das doenças que condicionam e prolongam a vida das populações. A qualidade e a esperança média de vida, a capacidade laboral e a inclusão social dependem dos serviços e cuidados de saúde prestados junto do Homem.  

Insistindo o actual governo nestes cortes e necessitando de acesso a serviços de saúde, ou nos deslocamos às nossas custas para hospitais distritais (pagando taxas moderadoras que vão subir para 40 euros por episódio de urgência!!!), ou nos deslocamos às nossas custas para clínicas e médicos privados pagando a respectiva consulta. Em ambas as situações cai em cima do utente do Serviço Nacional de Saúde um acréscimo de despesas e deslocações, em momentos de aflição, ansiedade, dor, acidentes e tragédias. E quem não tem forma de se deslocar, nem dinheiro para pagar deslocações e taxas absurdas?

Estes cortes nos acessos aos cuidados de saúde merece o total repúdio pela forma leviana e irresponsável com que o governo está tratar a nossa maior riqueza – o valor da vida humana das nossas populações. Por isso, o momento é de protesto.  

Há que cortar na despesa do Estado? Então, por exemplo, o governo que ordene a imediata fusão e extinção de empresas municipais, como já foi feito pelo actual executivo camarário em Ourém. Aqui, juntou-se a Verourém, a Ambiourém e o Centro de Negócios numa só empresa municipal: a OurémViva. De seis vencimentos que se pagavam a administradores e Presidentes dos Conselhos de Administração passaram a existir somente dois. Com esta medida reduziram-se ainda custos com alugueres de instalações, despesas administrativas e pagamentos de facturas entre as Empresas Municipais. Rentabilizaram-se ainda recursos humanos e materiais que garantem novas, funcionais e qualificadas respostas.

Constata-se que nas últimas décadas houve falta de controlo municipal e uma tentação de poder do executivo que conduziu o Município a grandes encargos para o erário público. Para além de um excessivo número de Empresas Municipais, o anterior executivo criou ainda as parcerias público-privadas: MéciaGolfe, MaisOurém e FuturOurém. Estas parcerias levaram a que a maioria do património do Município de Ourém tivesse passado a pertencer a várias sociedades onde a Câmara só detém 49% do capital. Ou seja, os restantes 51% pertencem a privados. Assim, os terrenos na envolvente do Estádio de Fátima, os terrenos em Caxarias, os terrenos do Areeiro no Carregal e o terreno e edifício do Antigo Mercado de Ourém deixaram de estar na pertença municipal. À troca de quê, pergunta-se? De uma mão cheia de nada de positivo e um punhado de estudos, escrituras, documentos e despesas assumidas pelos anteriores executivos municipais, mas pagas durante os últimos dois anos…

A parceria público-privada da FuturOurém já foi extinta. O antigo Mercado de Ourém e o terreno onde está sedeada a Rodoviária do Tejo voltou a ser de todos nós. Um processo moroso, mas bem conduzido pelo Presidente do Município de Ourém.

Quem está em lugares de decisão seja ao nível local, regional ou nacional comete erros e conquista vitórias. Em termos locais é sabida a pesada herança financeira do Município. Porém, com o empenho e a colaboração daqueles que pretendem encontrar soluções de futuro, acredito que conseguiremos dar um novo rumo ao concelho de Ourém.
João Heitor

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cruzes canhoto!


Não há novidades nos dias de hoje.
Repete-se o velho que caiu no esquecimento, alterado pelos novos caminhos dos dias.
Há várias formas de estar na vida, dentro dela, fora dela, em sociedade, no mundo individual de cada um, ou no nosso mundo onde os outros parecem estar, e, algumas vezes, errados.
Há quem assim pense, talvez se veja, se deseje ver, pense ser visto, ou se encontre, mesmo, lá.
Por aqui, tenho dito, não moram verdades supremas. Não as tenho, nem as desejo.
Se alguma vez tivesse essa ilusão, teria, decerto, caído no isolamento social e perdido o discernimento.
Ora aí está. O discernimento. Aquele que falta quando as águas estão turvas e não se sabe o que fazer.
Melhor, bom e de boa figura consegue-se na poltrona do sofá, no café atrás de uma cerveja, ou na “má decência” intelectual de certas gentes.
Não vale tudo, nem tudo vale. Até porque o tempo tem-se encarregue de separar a água turva da terra barrenta. E no fim da passagem da peneira todos seremos pó.
Essa finitude carnal é aquela que nos separa da alma, do coração que sente, da essência que nos separa.
Assim, a morte dos afectos, a perda de discernimento, torna-se para muitos como a linha a evitar.
Há vários provérbios, frases célebres ditas por mortais que pereceram, mas que deixaram essas expressões agora na moda da citação.
Eu limito-me a olhar para as estantes do escritório e a pousar os olhos num livro que tanto representa durante uma noite:
“Felizmente Há Luar” de Luís de Sttau Monteiro
(ainda somos livres de pensar, sentir, viver e caminhar)

domingo, 9 de outubro de 2011

Políticas de proximidade...


Parabéns Presidente


A convite e a pedido do Presidente da Câmara foi assinado um protocolo de colaboração entre o Município de Ourém e a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, representada pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, com o objectivo de criar uma estrutura de apoio aos nossos emigrantes que tenham estado ou estejam emigrados.
Ourém como concelho de emigrantes precisa criar condições, dar respostas e ajudar aqueles que um dia partiram em busca de melhores condições de vida e que já regressaram, assim como aos que pretendem imigrar, tal como junto dos que ainda se encontram no estrangeiro e podem vir a regressar.
Mais do que pontes de reencontro, nos balcões de atendimento aos munícipes em Freixianda, Caxarias, Olival, assim como na Câmara Municipal, abrir-se-á uma oferta de apoio ao emigrante. Apoio que se efectivará através de informações que permitam:

Uma correcta preparação da saída para o estrangeiro de portugueses que desejem emigrar, prestando-lhes a informação e o apoio adequados;
A prevenção de actividades ilícitas referentes à emigração;

O apoio aos portugueses residentes no estrangeiro e seus familiares regressados temporários ou
definitivamente a Portugal e facilitar o seu contacto com outros serviços;
O regresso e reinserção através do desenvolvimento e da articulação interdepartamental a nível de cada região;

A difusão e divulgação às entidades públicas e privadas da região sobre as especificidades legislativas conexas com a emigração nos níveis de segurança social e emprego, investimento e ensino, benefícios fiscais e sociais;
A realização de reuniões interdepartamentais visando a associação de portugueses a projectos de
investimento e desenvolvimento locais;
O atendimento e aconselhamento ao nível da garantia dos direitos adquiridos, das oportunidades de emprego e formação profissional, da aplicação de poupanças para efeito de investimento, da identificação de isenções fiscais, aconselhamento jurídico (imposto automóvel, dupla-tributação, registo civil e predial, divórcios, sucessões, revisão de sentenças estrangeiras);
Acompanhamento dos pedidos de pensões, tendo em conta a legislação de cada país nessa matéria;

Processos de equivalências e reconhecimento de cursos obtidos no estrangeiro para luso-descendentes, assim como outras informações para estes em termos de emprego, formação profissional e estágios;
Acolhimento de portugueses regressados a Portugal em situação de doença ou de outra forma de vulnerabilidade.

Espera-se ainda que o compromisso assumido pelo anterior governo em torno do projecto da Loja do Cidadão para Ourém seja retomado pelo actual Primeiro Ministro.

Não se compreenderia como é que um concelho como o de Ourém, dada a sua dimensão, deixasse de ter esta estrutura administrativa descentralizada, garantida há uma ano atrás e com o apoio da Câmara Municipal de Ourém que se prontificou a disponibilizar recursos humanos para o seu funcionamento, no actual edifício das finanças.

Estes são alguns dos temas, algumas das políticas, algumas das decisões que melhoram significativamente a vida das nossas populações, dos nossos empresários e da nossa dialéctica social. As pessoas querem soluções. Aqui estão algumas.
João Heitor

domingo, 25 de setembro de 2011

Sem Geometria possível...



Parabéns, Alberto João!

O recente casa das "dívidas ocultas" da Madeira chocou o país, os portugueses e deixou incrédulas as instituições internacionais. Segundo a imprensa, desde pelo menos 1990 que o governo madeirense esconde dívidas. Parabéns, Alberto João!

Os “cubanos do continente” andam há décadas a pagar impostos para um Arquipélago liderado por um senhor que nos tempos de faculdade, em Coimbra, subia aos telhados dos prédios e batia em tachos para não deixar dormir ninguém. Volvidos mais de 40 anos, o mesmo senhor continua a bater em tachos e a deixar os portugueses acordados. Parabéns, Alberto João!

Cavaco Silva soube destes milhões de dívidas escondidos, e que a cada dia aumentam, num valor que já se situa em mais de mil milhões de euros. Cavaco Silva, nada fez. Aí temos o Presidente de Todos os Portugueses! Parabéns, Alberto João! 

Se estas dívidas se encontrassem num qualquer sector do Estado, como por exemplo na área da educação, da segurança social ou da saúde ainda se aceitava e compreendia um potencial desvio face aos investimentos efectuados nas políticas sociais preconizadas pelo PS e pelo PSD nas últimas duas décadas. Porém, a dívida da Madeira e o dinheiro que entrou nesta Região desde 2000 dava para terem
construído 46 Aeroportos a 500 milhões de euros cada um, ou 70 Hospitais, ou 2100 escolas... Nada disso foi feito. Parabéns, Alberto João!
 

Mesmo já tendo o líder do PPD/PSD Madeira reconhecido que ocultou a dívida do Arquipélago, simultaneamente, já garantiu que, apesar do contexto de dificuldades económicas, vai continuar a fazer obras e não despedirá ninguém da função pública. Parabéns, Alberto João! 

Em 2008 uma auditoria aos municípios madeirenses, no âmbito da contratação pública com empreitadas, já tinha apurado um "buraco" de 89,1 milhões em encargos assumidos e não pagos. Resta apurar a actual… Parabéns, Alberto João!

Podíamos recorrer à memória do acto de “Pôncio Pilatos” neste anedotário trágico/cómico, mas a situação é grave! Num cenário em que o Presidente de um Governo Regional afirma e até goza com a situação dizendo que escondeu a dívida deliberadamente, violando assim a lei, devia ser alvo de um processo exemplar pelos tribunais portugueses.

Isto é um atentado a todos os dirigentes, empresários e pessoas que nas últimas décadas pagaram os seus impostos, com o seu trabalho, cumprindo a lei e assumindo a sua cidadania assente dos deveres e no respeito para com as instituições legais da república.
 
Estamos a fazer sacrifícios e a procurar credibilizar a economia portuguesa nas instâncias internacionais, e, de um momento para o outro, com a maior das leviandades, o caso da Madeira fragiliza a nossa sustentabilidade financeira.

Paralelamente, no resto do Portugal Continental, e na Região Autónoma dos Açores, o governo do mesmo partido que o da Madeira, corta de alto a baixo. Sem terem em conta que este país é composto de homens, mulheres, crianças e idosos que precisam de apoio, ajuda, assistência e acesso a serviços de saúde, por exemplo.

Assim ocorre em Ourém. Não temos médicos, enfermeiros e outros técnicos no Centro de Saúde porque o actual Ministro da Saúde cortou com o financiamento dos contratos existentes com as empresas que garantiam o fornecimento destes recursos humanos. Cortaram os contratos e ficámos sem médicos de família, comprometendo, simultaneamente, a existência do Serviço de Atendimento Permanente, entre as 8h e as 22h no Centro de Saúde de Ourém.

Podiam cortar noutras áreas, mas porquê na saúde? Até quando, pergunto eu. Até quando interrogamo-nos todos nós. Até quando continuaremos a aceitar não ter médicos, perante a dimensão do nosso concelho e a população flutuante que passa em Fátima?

Até quando vamos ficar calados e aceitar esta situação? Isto não se trata do partido A, B ou C. Trata-se do acesso aos serviços mínimos de saúde a que temos direito!

Ficamos parados, imigramos para a Madeira ou agimos?

João Heitor

domingo, 18 de setembro de 2011

Geometra...





Regressei às palavras escritas, publicadas com tinta, em papel de jornal. Semana após semana, no concelho de Ourém debruçar-me-ei sobre estruturas e organizações, pessoas e políticas, eventos e projectos, obras, e o valor da pessoa... Numa coluna que dá pelo nome de: "Geometria das Palavras"...


Temos direitos!


Neste espaço que aqui ocupo, neste (re)encontro, registamos as palavras, os projectos, os desejos e as ambições partilhadas com os homens e as mulheres de Ourém.


A matéria-prima de um concelho é composta pelas pessoas, que se tocam nos opostos, e se encontram no espaço comum dos interesses colectivos.


Não caminhamos nos mesmos percursos que outros traçaram. Respeitamos as estradas deixadas e erguidas em nome da prosperidade de outrora, mas hoje desactualizadas pelas imposições da inovação, da exigência, do rigor e dos desafios diários que as populações impõem.


A roda não se voltará a inventar. Sabemos. Mas, em Ourém, ela está em andamento através da energia que a maioria aplica na construção de novos trilhos, nas acções diárias da esfera municipal, associativa, económica e social.


As recentes decisões políticas concelhias têm assentado, e tido como horizonte de cada projecto, as pessoas e o nosso território no seu todo.


Também assim se exige que o actual governo proceda. Não queremos acreditar (nem aceitamos) que o recente corte que o governo decidiu em matéria de serviços de saúde, e que irá prejudicar as populações do concelho de Ourém, não seja invertido.


Há dois anos havia catorze mil ourienses sem médico de família. Existia falta de profissionais de saúde disponíveis no Serviço Nacional de Saúde. O Presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, e a Ministra da Saúde do governo PS, chegaram a um acordo. Foi realizado um concurso e foram contratadas empresas que combateram este deficit.


Agora, este corte assumido pelo governo PSD/CDS em 60 % destas contratações fez com que as empresas já tivessem denunciado o contrato a 1 de Setembro. Um retrocesso incompreensível!


Assim, se o governo persistir nesta medida o concelho vai ter o Centro de Saúde de Ourém fechado a partir das 18h, o encerramento de extensões nas freguesias, e mais de vinte mil cidadãos sem médico de família. Deixaremos de ter não só médicos, como também enfermeiros, especialistas e auxiliares em número suficiente para as nossas necessidades.


Há dois anos o governo do PS ajudou. Agora o governo do PSD/CDS cortou. Cortam numa área fundamental para qualquer país: o acesso a unidades de cuidados de saúde básicos.


Não contem com o silêncio e a concordância dos eleitos e dos cidadãos deste concelho. Podem-nos cortar o subsídio de Natal, (re)cortar nos salários, aumentar o IVA, mas não ousem deixar desprotegidos mais de metade dos cidadãos deste concelho. Isso seria a maior das vergonhas!


Cortem nas empresas do estado e nos ordenados dos seus administradores. Tributem as empresas que mais facturam, como contributo solidário para as necessidades do país e ajudem-nas com outras contrapartidas. Dêem a independência imediata à Madeira e devolvam a factura dos 500 milhões de dívidas. E, por último, cumpram o programa eleitoral pelo qual se apresentaram ao eleitorado!


A maior riqueza do nosso concelho são as suas pessoas. O executivo municipal continuará, decerto, firme e intransigente, ao lado das suas populações. O valor da pessoa humana não tem preço, não é quantificável tal é a preciosidade da vida. Será que há quem não entenda isso?!?


João Heitor

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Explicar o BCE na esplanada do café...


“A Primavera esmerou-se. Um sol agradável acariciava-nos na esplanada do café à beira da minha porta. A chegada do Senhor Antunes, o mais popular dos meus vizinhos, deu ensejo a uma lição sobre Europa e finanças a nós todos que disto pouco ou nada percebemos.


- Oh Sô Antunes explique lá isso do Banco Central Europeu, aqui à rapaziada do Café.


- Então vá, vá lá, Só por esta vez. O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.


- E donde veio o dinheiro do BCE?


- O capital social, o dinheiro do BCE, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.


- E é muito, esse dinheiro?


- O capital social era 5,8 mil milhões de euros mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.


- Então, se o BCE é o banco destes Estados pode emprestar dinheiro a Portugal, não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas.


- Não, não pode.


- ???


- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.


- Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?


- A outros bancos, já se vê, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.


- Ah percebo, então Portugal, ou a Alemanha, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE e tal.


- Pois.


- Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha irem directamente ao BCE?


- Não. Sim. Quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!


- ??!!..


- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos XPTO, a 1% e esse conjunto de bancos XPTO emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.


- Mas isso assim é um "negócio da China"! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!


- Neste exemplo, ganharam uns 3 ou 4 mil milhões de euros. E não têm de se deslocar a Bruxelas, nem precisam de levantar o cu da cadeira. E qual Bruxelas qual carapuça. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt, onde é que havia de ser?


- Mas, então, isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem o 13º mês, que já dizem que vão tirar...


- Mas, oh seu Zé, você tem de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.


- Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?


- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.


- Deixa ver se percebo. Então, os Governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1% para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos Governos donos do BCE?


- Não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.


- Nós somos os donos do dinheiro e nós não podemos pedir ao nosso banco...


- Nós, nós, qual nós? O país, Portugal ou a Alemanha, é composto por gentinha vulgar e por pessoas importantes que dão emprego e tal. Você quer comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou com um calaceiro que anda para aí desempregado com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.


- Mas, e os nossos Governos aceitam uma coisa dessas?


- Os nossos Governos, os nossos Governos... mas o que é que os governos podem fazer? Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos. Em resumo, não podem fazer nada, senão quem é que os apoiava?


- Mas oh que porra de gaita! Então eles não estão lá eleitos por nós?


- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é que manda. Não viu isto da maior crise mundial de há um século para cá? Essa coisa a que chamam sistema financeiro que transformou o mundo da finança num casino mundial como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam e que ia levando os EUA e a Europa à beira da ruína? É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gentinha que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos a ver navios. Os governos, então, nos EUA e cá na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram que repor o dinheiro.


- E onde o foram buscar?


- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. Donde é que havia de vir o dinheiro do Estado?...


- Mas meteram os responsáveis na cadeia?


- Na cadeia? Que disparate. Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram passados à reforma. O Sr. McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.


- Oh Sor Antunes, então como é? Comemos e calamos?


- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar..."

Ela mesma...


Doce, única e intensa.

A vida.

A vida que por magia nos dá o bater do coração.

O bater que nos faz voar, beijar as nuvens, tocar as estrelas onde nos perdemos no tempo que é nosso.


Nele ficamos, nele nos entregamos porque assim somos nós...

Fiéis e intensos sonhadores que dos livros fazemos o trilho do respirar.



Na noite quente.


Na fria noite.

Nas badaladas de cada segundo de sorrir...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ser pessoa no meio de gente...


As areias finas são como as pedras grossas.


Fiéis à matéria de que são feitas, inalteradas na essência e só quebradas pelo efeito do tempo.


Assim fossem os humanos. Inalterados pelos valores.


Comprometidos com a humildade, honestos na sua acção e contrutores do bem comum.


Estas e outras serão as utopias.


Inatingíveis por alguns seres que jamais darão valor ao “ser pessoa”.


Porque para ser pessoa, não basta querer, é preciso ser reconhecido como tal...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

São estes e outros os ensinamentos esquecidos...


“Os 3 últimos desejos de "Alexandre O Grande” foram expressos à beira da morte e perante os seus generais os enunciou:



1º Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;



2º Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas...);



3º Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.



Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:



1º Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm o poder de cura perante a morte;



2º Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;



3º Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.”



E no intervalo entre estas palavras e uma reflexão interna, em escassos segundos, a nossa alma pode encaminhar-se para dezenas de ocorrências, de questões, de incomodos pessoais e sociais.


Pessoais, pela condição humana de que somos feitos...


Sociais, pelos condicionalismos a que somos sujeitos...


E, também no intervalo entre ambos, pisando, imaginariamente, os mosaicos pretos e brancos da pureza do nosso viver, importa afirmar que na primeira e na última instância, somos os construtores da nossa essência...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A idade vista pelos "colegas de liceu"...


“Já lhe aconteceu olhar para pessoas da sua idade e pensar: não posso estar assim tão velho(a)?!


Veja o que conta uma rapariga/senhora:


- Estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava exposto na parede.


Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei-me de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome.


Era da minha turma do liceu, há uns 25 anos atrás, e eu perguntei-me: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?


Quando entrei na sala de atendimento, imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado... era demasiadamente velho para ter sido a minha paixão secreta.


Depois de ele ter examinado o meu dente, perguntei-lhe se ele tinha estudado no liceu.


- Sim, respondeu-me.


- Quando terminou? Perguntei.


- 1965. Por que pergunta? Respondeu.


- É que... bem... o senhor era da minha turma! Exclamei eu.


E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido perguntou-me:


- A Sra. era professora de quê?”

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Não vale tudo...


Um representante de Palestina começou assimo seu discurso na Assembleia das Nações Unidas: "Antes de começar a minha intervenção, quero dizer-lhes algo sobre Moisés. Quando partiu a rocha e inundou tudo de água, pensou: "que oportunidade boa de tomar um banho!". Tirou a roupa, colocou-a ao lado sobre a rocha e entra na água. Quando saiu e quis vestir-se, a roupa tinha desaparecido. Um Israelita tinha-as roubado".


O representante Israelita saltou furioso e disse, "que é que você está a dizer? Os Israelitas não estavam lá nessa altura."


O representante Palestiniano sorriu e disse: "e agora que se tornou tudo claro, vou começar o meu discurso."

Para que um dia não sejamos, somente, história...


O António depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.



Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic) barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).


Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).



Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.



Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.



Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.



Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Longe da perfeição...


Não podemos dar tudo o que temos.


Se o fizermos ficamos despidos.


Sem trunfos para surpreender.


Sem novidades para fazer brilhar os olhos…

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quando o dia nos voa por entre os dedos...

Mesmo que neste andar, de movimento, ou urbano, se esqueçam das vontades que alimentam as tuas entranhas, não deixes de acreditar em ti.

Lembra-te. Eles são todos mágicos detentores de mil sábias palavras, de moldados cabelos, de esculturais corpos, de macias peles, de bons, belos e bonitos carros, roupas e casas.


Mas, onde te agarras tu quando no centro do olhar encontras o vazio do céu, o deserto da magia?


Se os homens são previsíveis aos olhos das mulheres, e estas aos olhos deles, porque motivo se fazem embrulhos e prendas que o sol, os dias e a desilusão mais tarde te faz caminhar para o ecoponto dos desaires do sentimento?


Eterna insatisfação acrescida de errada pontaria, ou quiçá destino cruel que nos foi traçado? Tudo isso é de fácil emissão vocal e interiorização. E a complexidade e imprevisibilidade do ser humano, como o mais insaciável ser que se quer ultrapassar constantemente? Não, isso não. Até porque não é romântico ou melodramático. Precisamos do triste fado e negra sina de uma qualquer desgraça. Mesmo quando no normal percurso da vida, onde entre o nascer e o morrer, há dias em que choramos o sentir, a perda, a ausência, o vazio…


Pára. Olha o céu. Não escolhas uma estrela. Escolhe várias. Convida-as a ir ver o mar. Fala com elas. Não ouves as suas respostas, os seus sorrisos que fazem brilhar a Lua?


Pede. Pede à cigarra que te lance a sua melodia e deixa-te voar pelo que a natureza te dá. Sim, a natureza. Que coisa mais sem sal e eclética, nada moderna, banal e desprezível quando de sentimentos se fala e para árvores, pássaros e ervas me remetes meu Suplemento de Alma…


Mas, é da e na natureza que o equilíbrio nos encontra, ou nós nele. Aquela natureza que de nós só respeito exige. Aquela por quem nós somos responsáveis, pois só nós dela podemos cuidar. A nossa natureza interior… A pura que de nós emerge quando libertos de pensamentos, soltos de amarras, livres de pensamento nos situamos no meio, nos orientamos na bússola, nos definimos com o nosso querer.


Tudo. Tudo o resto é efémero.


Entre o efémero, e o dia de fechar os olhos, está o tempo que temos para viver.


Utopicamente, ficará sempre muito para fazer. Muito para ver. Muito para conquistar. Mas, no dia a dia olhamos os relógios e somos guiados pelas responsabilidades que nos castram o pôr de sol, os pingos de chuva grossa, os beijos das nuvens, o cheiro das ondas e das serras…


Meu Suplemento de Alma…a sã loucura é a que nos deixa ser nós mesmos com todos os nossos defeitos e virtudes.


Estamos a tempo de mudar? Sempre a tempo, mesmo que no tempo, tempo não se encontre…


Como diria um grupo de homens livres e de bons costumes: que assim seja…se tua vontade assim o indicar…

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os corações que gelo derretem...


Tu não percebes, mesmo que te ponha em palavras simples…


Põe ali o teu coração, de forma simples, enquanto aqui estou.


Não tenhas medo. Protejo o teu sentimento que em ti carregas, de simples maneira.


Perguntas que coisa é esta na vida, sobre a qual não consegues responder.


Distraída andas com as borboletas das noites de magia, onde a distracção te conduz à ignorância da óbvia solidão sem mim.


No mais pequeno beijo de distracção, que desculpas me dê para te roubar, imagina teu ser de livre forma ali ou aqui esteja.


Desde que te vi que a minha simples forma de viver mudou o ar de respirar…


Só, pela simples forma de o respirar de forma diferente.


Para quê complicar o já complicado coração que, desmesuradamente, se bate sem controlo face aos nossos olhos que te pulverizam em choque de intenso calor e desejo?


Já te disse, põe ali, junto ao meu, teu coração…

quinta-feira, 14 de abril de 2011

De sentir os animais, como nós, o somos...


Os minutos, os meses e os anos passam.


Nas nossas vidas, nas memórias dos percursos trilhados, nos laços que nos caracterizam em carne e sangue desta nossa espécie animal racional.


Seremos dotados de mil e uma potencialidades, características, feitios, crenças, acções e pensamentos.


E além destes, do sentir.


Se o meu pai fosse vivo faria hoje 68 anos.


Tenho pena que ele não tenha desfrutado a sua merecida reforma.


Tenho pena que ele não tenha desfrutado da neta que em traços, expressões e reacções, se encontram linhas comuns…


E nesta pena, as saudades…


Tenho pena que passemos a vida num corre, corre, sem que possamos aproveitar o sol, saborear a chuva, assistir ao pôr-do-sol, contemplar as estrelas, ouvir o mar, sentir o vento na cara, transpirar em sorrir e alegria espontânea quando tocados na nossa alma…


Perdem-se e perdemo-nos em futilidades, tantas vezes. Vezes demais, possamos nós avaliar e lembrar o que nos últimos meses nos fez, positivamente, sentir o frio no estômago, os pelos do corpo eriçados, os músculos incontroláveis que instintivamente reflectem os nossos sentidos…


Contra mim escrevo, penso ou aponto o dedo.


De ferro são as estátuas. De pedra os monumentos. De sentir os animais, como nós, o somos…

sábado, 2 de abril de 2011

Só se reduz quando não há?

Como é estranho o ser humano.

Quando pode, usa e gasta sem pensar no amanhã.


Quando o amanhã está comprometido, procura reduzir e salvar o que, provavelmente, será irrecuperável...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não quero, nem sou detentor da verdade...

Nesta corrida da humanidade, que se procura ultrapassar a si própria, esquece-se o Homem que o equilíbrio entre a natureza e a sua presença é condição fundamental para a sobrevivência da nossa espécie.

Quais Carlos Lopes e Rosas Motas apresentam-se diariamente em busca de um lugar mais alto, mais vistoso, mais bem remunerado, mais socialmente digno de um qualquer valor (ainda escondido ou inexistente em seus corpos – dedicamos esta imagem a tais personagens).

Perdem o sentido do Norte, talvez a decência herdada em berço, mas, esquecida nas páginas dos jornais, nas teclas de vulcânicos textos que brotam inflamadas cruzadas contra os hereges.

São seres de outra dimensão e qualidade, inertes em humildade, repletos de poder e direitos, quiçá por vezes julgando ser D. Quixote, tal é a dimensão de cada moinho, de cada rajada de vento que moi o esfregar da cara, o coçar de cabelo, ou o copo que alimenta e acompanha a solidão da escrita. Essa solidão que se alimenta para tentar criar atenções, importâncias e magníficas pretensões.

Seres há que não têm tempo para ouvir e aceitar uma opinião diferente. Ou quem sabe, a ousadia dos outros também pensarem, dos outros também terem vivido e viverem no mesmo mundo.

Seres há que se esquecem que o novo não é nada mais do que o velho que caiu no esquecimento, como diz o provérbio russo, e que no fim de todas as novidades, nascemos e morremos da mesma forma.

Seres há que se esquecem que é no intervalo entre o nascer e o perecer, que podemos fazer a diferença, valer pelo que somos e pelo que ajudamos a ser. Valer pelo que alimentamos nos outros e em todos nós, naquilo a que chamam de sociedade.

A folha da acácia disse um dia para o homem que a ostentava orgulhoso:

“Não é o meu brilho que te dá valor. É o teu valor que me dá brilho...”.