sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O pobre lamento!

O Presidente da República disse na passada semana que desconhecia o valor com que ficará na sua reforma após os descontos, saindo-se com a brilhante frase: “Tudo somado, quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas, porque também não recebo vencimento como Presidente da República”!

O actual Presidente (até quando?) disse que tinha descontado para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) como professor, como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian, ao qual se somam os descontos efectuados para o Bando de Portugal (BP).

Assim, V. Ex.ª recebe, somente no presente mês, 1.300€ da CGA, mais 4.000€ do BP, mais 2.600€ de despesas de representação enquanto Chefe de Estado, num mísero total de 7.900€. 7.900€ por mês sem ter em conta todas as despesas relativas a gasóleo, portagens, viagens, refeições e os restantes encargos que são suportados pelo orçamento da Presidência da República, face às suas funções.

Recordemos que como a lei do Orçamento do Estado para 2011 proibiu a acumulação da pensão com o vencimento no exercício de cargos na Administração do Estado, o Presidente da República optou por receber as pensões do BP e da CGA, visto que a soma das pensões era superior ao salário de Chefe de Estado, que ronda os 6.500€.

Estas declarações são um insulto para os portugueses. O que pensarão os mais de 300 mil cidadãos portugueses que têm uma reforma com um valor inferior a 300 euros?

Entretanto já circula uma petição a pedir a demissão de Cavaco Silva, com mais de 5 mil assinaturas, por cidadãos indignados que não se revêem no Presidente, e que entendem que este não reúne condições para representar os portugueses.

Estupefactos e incrédulos estamos todos nós, efectivamente, pelas declarações do Presidente que promulgou o Orçamento de Estado que elimina o 13.º e 14.º meses para os reformados com rendimento mensal de 600 euros!

O deputado do PSD, Carlos Abreu Amorim, sobre esta questão disse: "O Presidente da República quando está calado, está bem.”.

Pergunta-se então: Para que queremos um Presidente da República que só serve para estar calado ou para dizer frases do tipo: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas. Estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante."?

João Heitor

Que mais nos querem fazer?

Em Setembro de 2011 o atual governo mandou encerrar extensões de saúde no concelho de Ourém e cortou os contratos que garantiam o funcionamento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) até às 22h, na cidade de Ourém.

Situação essa que, até aos dias de hoje, carece de uma resposta do governo e de um (re)acerto com a colocação de médicos, enfermeiros e auxiliares que garantam o funcionamento das extensões e do SAP em Ourém.

Em Portugal talvez existam dois países, a avaliar pela recente declaração do Ministro da Saúde que deseja que até ao fim do ano, todos os utentes do Sistema Nacional de Saúde tenham médico de família (só se seguirmos a sugestão do governo e um terço da população imigrar…). Ao mesmo tempo que estas declarações foram proferidas anunciam-se encerramentos de valências e redução do serviço de urgência no hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar, com transferência para Abrantes (hospital a cerca de 80km de Ourém).

Ourém tem mais população residente do que Tomar, Torres Novas ou Abrantes e nem sequer tem um serviço de urgência 24h, agravado pelo deficitário serviço nas extensões de saúde. Se encerram as estruturas e hospitais que directa e proximamente nos servem – como é o caso de Tomar – o que se pode esperar em termos de serviços médicos e de urgências para a nossa população?

Relativamente ao concelho de Ourém, há alguma notícia positiva a registar no livro da gestão pública desde que este governo tomou posse? Há algum sumo, para além do ácido e corrosivo, que possamos espremer ou beber, desta acção governativa que nos impõe uma angústia diária acompanhada de constantes perdas de direitos fundamentais, em que só as contas comandam?

Se sim, então que façamo-las! Quantos impostos directos e indirectos os cidadãos e as empresas do concelho de Ourém geram para o orçamento geral do estado? Devolvam-nos, na mesma proporção, com o que contribuímos! E então aí não nos faltarão médicos, enfermeiros e técnicos nos Centros de Saúde e nas extensões de freguesias! E então aí teremos de equacionar se a população do concelho de Ourém e os visitantes de Fátima não poderão ter até um hospital!

Há limites. Se o governo não gosta do concelho de Ourém, ou se não têm consideração pela nossa população, então, está na hora de assumirmos uma posição de força, objectiva e que seja sentida por quem de direito.

Já chega de tanta incúria, de tanto desprezo, de tanta decisão sem diálogo com as pessoas.

João Heitor

Nós Chegamos!


Comemorámos o centenário dos Bombeiros Voluntários de Ourém, com a dignidade que um ato desta dimensão exige, pelo reconhecimento do esforço de todos os homens que ao longo dos últimos 100 anos assumiram o lema “vida por vida”.

Um dia repleto de palmas, de brio, de pessoas que encheram as ruas da cidade, o quartel, o cineteatro, o centro de negócios. Estiveram presentes os rostos das entidades concelhias, os congéneres de Caxarias, Fátima e do país, e os nossos concidadãos, que, nos momentos de aflição recorrem aos Bombeiros Voluntários de Ourém.

Não esteve o Presidente da República. Não esteve o Ministro da Administração Interna. Não esteve o Secretário de Estado da Administração Interna. Lamenta-se? Sim, lamenta-se. Mas, não fizeram falta! Registamos. Mas, não esquecemos! A devido tempo relembrá-los-emos do desprezo que nos concederam. Porém, estiveram presentes os homens e as mulheres do concelho que de lágrima no olho, de sorriso rasgado viveram o momento pela memória colectiva de que todos fazemos parte.

Ourém, e as suas gentes têm capacidade, energia e uma mais-valia que se assume, em cada um de nós, como a força dos protagonistas dos novos tempos de combate à crise e às dificuldades crescentes, que assumimos com frontalidade.

Nessa mesma frontalidade, com esse mesmo indicador, estamos a proceder à revisão do PDM, registamos o reforço do apoio domiciliário e de novas estruturas de apoio social com serviço de lar e creche. Nessa mesma energia, e capacidade, estamos a desenvolver uma estratégia para o sector económico do concelho com a criação de um ninho de empresas e os balcões descentralizados em Caxarias, Freixianda e Olival, na concretização da proximidade efectiva entre os cidadãos e as estruturas. Com essa mesma energia concretizámos novos centros escolares e lançámos novas construções numa aposta na educação sem precedentes ou histórico comparável.

Parabéns aos Bombeiros Voluntários de Ourém, aos seus dirigentes e aos cidadãos do concelho. Somos o espelho da nossa coragem, da motivação e da conquista que juntos alcançamos. Esse é o desígnio, e o que conta, no dia-a-dia das dificuldades que superamos. Continuemos, assim!

João Heitor

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Há bons homens e mulheres motivados para trabalhar em prol do país... outros há a desmotivar esses bons...

“Em carta aberta ao “ministro Relvas” António Carneiro, presidente do Turismo do Oeste, afirma-se “magoado” com declarações recentemente proferidas por Miguel Relvas sobre os organismos regionais de turismo e aqueles que os dirigem, e com a possibilidade de extinção do pólo do Turismo do Oeste, uma região em que, com a sua equipa, vem deixando “uma marca indelével de dinamização de um destino turístico”.

“Carta aberta ao Ministro Relvas”

“Segundo o “Jornal de Negócios” V. Exª terá afirmado ao Jornal Regional “O Mirante” que “quem faz o Turismo não são as organizações onde estão ex-autarcas”. Referia-se a quê?

A que as mesmas organizações podem ser geridas por autarcas em exercício?
Seria
, aí, uma explicação lógica para ter sido Presidente de uma Região de Turismo, enquanto autarca e … deputado.

Fui autarca. Modesto Presidente de Junta de 1979 a 1982. Vereador de 1983 a 1997.

Desde então Presidente de uma Região de Turismo em regime de permanência (hoje com 66 anos, à beira do fim de um mandato que V. Exª, pelos vistos, pretende encurtar, com a mesma ligeireza com que o seu Governo já me encurtou a reforma…).
Compreende (como nos conhecemos pessoalmente, sei que compreende) que me sinta magoado.

Tenho muita honra em ter sido autarca. A mesma honra que sinto quando, sem qualquer contagem de espingardas partidárias fui, mais de uma vez reeleito para este cargo onde, também sempre com o apoio dos empresários do Oeste, venho deixando, com a minha equipa uma marca indelével de dinamização de um destino turístico, destino que, segundo afirma, será, ao fim de quase 30 anos, amputado do seu Órgão Regional de Turismo.
A mesma honra que o Dr. Jorge Sampaio, Presidente da República que foi, sempre referiu nos encontros com ex-colegas autarcas.

Defende, então, o “modelo Lisboa”? Ora, como sabe, o “modelo Lisboa” é uma Associação de Direito Privado. “Quem tem de gerir o Turismo são os empresários”?
(espero que não para seguir o patriótico exemplo Soares dos Santos). Com que dinheiro?
Sabe, com certeza, V. Exª que por cada Euro que metem no “modelo Lisboa” recebem 5 Euros públicos. Para, depois, promover a marca Lisboa, isto é, praias em Lisboa, Golf em Lisboa, Turismo Náutico em Lisboa, Turismo Residencial em Lisboa, Turismo religioso em Lisboa! Eu próprio consideraria o “modelo Lisboa” um modelo aceitável, não fora essa discrepância nas receitas e seus destinatários.

Fantástico, por exemplo, ver numa Feira de Turismo religioso, em Itália, (não fui lá, fique descansado) o stand de Lisboa… decorado com a Torre de Belém!
Uma coisa Sr. Ministro é os empresários gerirem as suas empresas, as suas marcas, outra, a gestão do destino, enquanto tal. Os destinos têm idiossincrasias próprias, cruzamento complexos de “players” (como agora se diz), que determinou, em todo o mundo, a existência de uma organização regional, no Turismo, de carácter público. Ou estaremos, como diz um amigo meu (estudioso nestas coisas) perante uma “captura da economia do Turismo por um grupo de empresários, como no tempo de Salazar”? Onde é que isso acontece?
Em Espanha? Em França? Na Coreia do Norte? A mando da “TROIKA”? Como sabe (alguém do seu Gabinete deverá ler os jornais e informar, creio) Autarcas e Empresários do Oeste estão contra. E eu acreditava que esta desenfreada destruição não fosse tão longe.
Pelos vistos enganei-me.
Respeitosos cumprimentos do,
António Carneiro
Presidente da Turismo do Oeste
(ex-autarca)"

Não é possível ter um SNS bom e gratuito para toda a gente - o gelo da opinião...

Sem comentários que não sejam caluniosos – porque sou educado…

“Manuela Ferreira Leite defendeu ontem, no programa Contra Corrente, na SIC Notícias, que o Sistema Nacional de Saúde não pode ser gratuíto para toda a gente.

Durante o debate levado a cabo na SIC sobre os desafios de Portugal para 2012, Ana Lourenço, que se debruçou sobre a temática da saúde, questionou António Barreto se este não achava “abominável” discutir-se se alguém de 70 anos deve ter direito a tratamentos de hemodiálise.

A resposta, porém, chegou da parte da antiga líder do PSD que acredita que este tipo de doentes “tem sempre direito se pagar”, acrescentando ainda que “o que não é possível é manter-se um Sistema Nacional de Saúde como o nosso, que é bom, gratuito para toda a gente”.

A ex-líder do PSD acrescentou ainda que “a gratuitidade do sistema nacional de saúde implica um encargo para o Estado que nós não temos riqueza para pagar. Será um sistema gratuito com maus médicos e maus enfermeiros. Eu pergunto qual é que é o interesse daqueles que só podem ir a este tipo de serviço”.

Manuela Ferreira Leite acredita que se se mantiver o Sistema Nacional de Saúde gratuito, este “vai-se degradar em termos de qualidade de uma forma estrondosa”, não funcionando “nem para ricos, nem para pobres”.

A afirmação da social democrata relançou o debate. O sociólogo António Barreto afirmou que “abominável é sempre”. António Vitorino, por seu turno, mostrou-se chocado com as declarações de Ferreira Leite porque “não é possível dizer que as pessoas que precisam de fazer hemodiálise e que tenham dinheiro é que podem passar para além da meta de 70 anos”.

Face às críticas, Ferreira Leite reformulou as suas palavras, mas frisou que “racionar significa sempre alguma coisa que não é para todos”.”

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O tempo da vida

Nos dias de hoje há duas opções distintas e determinantes: ou nos resignamos à crise e com ela nos deixamos levar como uma folha é movida pelo vento, ou, cerramos os punhos e lutamos. Entre uma e outra situam-se aqueles que apontam o dedo à ferida sem a querer tratar, ou, os que a procuram sarar.

Este é o tempo de fazer renascer a esperança no futuro imediato, próximo, que na volatilidade dos dias apresenta-se, muitas vezes, já amanhã…

Um amigo relembrou-me a recente ocorrência do Solstício de Inverno. É o momento do ano em que as noites diminuem e passa a existir um conquistador aumento do dia. Do dia que se afirma na luz, na alimentada confiança de cada um, e de todos nós. Talvez não seja coincidência que os povos das regiões do globo onde o sol espelha a sua luminosidade mais dias no ano, sejam mais afáveis, positivos, alegres e com uma energia contagiante.

O Solstício de Inverno pode (e deve) ser o ponto de viragem, o momento da esperança em que o Homem germine novas posturas, nas suas relações entre os seus pares, e com a natureza.

Muitas ameaças pairam sobre todos nós: as reais, as fictícias, as inimagináveis e as conspirativas. Não, não são umas quaisquer tipologias ou graus da língua portuguesa. São mesmo as que resultam das mentes brilhantes, das imaginárias, das diminutas e das mesquinhas que, ao nosso lado, na nossa terra, na nossa região, no país e no mundo se julgam incólumes a qualquer sanção, e, ainda, detentoras de benefícios exclusivos.

Todos nós somos descartáveis assim que deixemos de ser necessários. Iludem-se aqueles que se julgam possuidores da razão, do conhecimento privilegiado e que menosprezam a vigilância constante que as mentes livres aplicam em silêncio.

Fórmulas mágicas e pessoas perfeitas existem nos filmes e nos contos de fadas. Na vida real distinguem-se os que têm humildade para ouvir, partilhar e unir esforços, de todos os outros. Mesmo que todos os outros sejam felizes à sua maneira, perdoam-se as suas posturas pela igual capacidade que Jesus Cristo nos deixou enquanto exemplo de vida. É também por isso imperioso que se invistam os minutos e as horas a construir e a emendar, a apontar, a percorrer o caminho e não a queixarmo-nos das pedras que nele encontramos...

Filosofia? Não. Realidade. A que nos obriga (por sermos dotados de conhecimento) a agir pelos superiores desígnios das relações humanas de que fazemos parte. Utopia? Não. Até porque se não tentarmos “fazer” e “ser” de forma diferente, jamais merecemos (ou teremos) outra oportunidade nesta vida que é só uma…

João Heitor

Objectivos e Acções

Soube-se na última reunião de Assembleia Municipal que o executivo, aquando da elaboração do orçamento camarário para 2012, se viu fortemente condicionado pelos cortes decretados pelo governo nas transferências directas para o Município, tendo assim havido necessidade de optar por determinados investimentos, em detrimento de outros.

Compreende-se, com a atual conjuntura económica agravada pela diminuição de receitas em termos fiscais, pelo aumento do IVA e das taxas de juro, que a atividade económica se centre na educação, nas respostas sociais e no desenvolvimento do investimento da economia concelhia.

A par destas, o recurso a financiamentos comunitários para a execução de algumas obras que só serão concretizáveis com o acesso ao Quadro de Referência Estratégica Nacional, são, efectivamente, as apostas certas.

Tudo isto acrescido de um plano de diminuição de despesas, num valor de 1,7 milhões de euros, dos quais 871,9 mil euros são redução em despesa corrente, mas, simultaneamente, com um reforço dos protocolos com Instituições Particulares de Solidariedade Social – o próximo a celebrar com o Centro de Recuperação Infantil Ouriense.

Estranha-se, porém, a posição dos vereadores do PSD que votaram contra o orçamento municipal em reunião de Câmara. Porém, todos os deputados municipais, do mesmo partido, aprovaram-no e viabilizaram-no. Ainda há sentido de responsabilidade!

Sem que possamos correr na tentação de pensar que o PSD não tem uma estratégia, um rumo para o concelho, constatamos que depois de terem votado contra o orçamento, os vereadores do PSD apresentaram uma declaração de voto onde indicaram 15 áreas onde o executivo municipal devia cortar (porque não a apresentaram no período próprio - um mês antes quando foram recebidos conforme consta da lei - e que permitiria uma análise séria e objectiva?).

Sem explicar como, ou porquê, indicaram:
Electricidade, menos 80 mil euros – num ano em que o IVA vai subir, quais seriam as instalações municipais (escolas?, piscinas?) que o PSD propunha que se desligassem as luzes?

Preços Sociais, menos 130 mil euros – numa altura de crise com as famílias e instituições a precisarem mais do que nunca do apoio municipal, quais seriam as famílias e as instituições que o PSD propunha a quem se cortariam os apoios?

Iluminação Pública, menos 300 mil euros – numa altura em que o IVA vai subir, quais seriam as ruas que o PSD propunha pôr às escuras?

Transportes Escolares, menos 200 mil euros – numa altura em que se diagnostica a necessidade de novas deslocações de crianças, quais seriam as crianças que os vereadores do PSD queriam deixar a pé?

Impõe-se seriedade e frontalidade para a resolução dos problemas. Felizmente os encontramos no executivo municipal e nos deputados municipais... 2012 deve ser um ano de união, de convergência, de soluções conjuntas que só se alcançam com rigor e honestidade intelectual.

Que assumamos (todos) a nossa quota parte na solução, e não no aumento dos problemas.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Bom dia, pai!


Bom dia pai. Chega o Natal e com ele a simpatia natural de alguns, misturada com as boas aparências de uns quantos outros. A economia impera e comanda os homens. Os de discernimento, e os aéreos do costume. Por vezes tenho dificuldades em encontrar-me. Não porque tenha deixado de confiar e acreditar na linha que me guia no horizonte, mas porque tais são as voláteis ocorrências noticiosas e factuais, entre todos as outras, onde por vezes me perco (ou me deixo absorver) nesta dita sociedade em que os dias voam por entre papéis e fórmulas mágicas para construir, refazer, criar e inventar soluções nos problemas dos outros, que, solidariamente, também são os meus.

 Eu sabia não ser fácil. Nunca pensei era que podia ser tão difícil. Estás a imaginar seis remadores dentro de uma balsa, das antigas, em que dois procuram o norte e imprimem o seu suor para lá chegar em cada braçada que a energia lhes dá, mas, outros tantos estão parados (sendo por isso um peso penalizador para os outros dois esforçados), procurando os restantes o sul, disfarçadamente, com laivos de incoerência, maldade ou simples desnorte? Já lá estive. Na balsa. Saí cansado. Não cheguei ao destino. Sei que nunca o alcançarei. É demasiado distante, o sonho para concretizar, quando o caminho das pedras faz mais do que castelos ou muralhas no oriente da China.

Lá em casa a mãe está bem. Ainda que constipada. Apura-se na arte de cuidar dos seus (talvez com demasiados mimos junto da Leonor) em cada dia, em que a noite já superou o nascer e o correr do sol pelo dia vivido. Tem mais cabelos brancos, como todos nós, mas não deixa de ter presente aquela sua peculiar forma de ser e de estar.

Os teus amigos, e aqueles que desde que partiste dizem ter sido sempre teus amigos – mas que de conhecidos nunca passaram – dizia, os teus amigos vão como as folhas das árvores nas quatro estações do ano: incertos como o tempo. Alguns deles lutam pela vida, outros já por aí te acompanham. Felizes à sua maneira, os que aqui nos alegram com o seu sorrir, como cada um de nós, ou infelizes pelas curvas dos caminhos e das partidas que os dias e as noites nos pregam.

Olha, há ainda aqueles, outros, de línguas simétricas correspondentes aos pensamentos e actos similares da descrença, do escárnio e do maldizer. Não, não são actores de um qualquer auto de Gil Vicente. São mesmo fiéis às suas características e químicas composições, que nada mais podem dar aos dias deles, e dos outros que com eles se cruzam.

Por escrever a palavra cruzar. A Leonor fala em ti com frequência. Não te conheceu ao vivo, mas numa destas noites, já perto das 12 badaladas, disse-me que a caminho de casa te tinha visto. No céu, numa estrela, onde estavas a olhar para ela. Confesso que as lágrimas jorraram cá dentro, mas com um sorriso, confirmei-lhe que tu estavas mesmo lá – aí – a olhar por ela, tal como quando aqui viveste, dos teus cuidaste e protegeste.

Já tive mais medo da morte, sabias? Será da idade? Não deixo de ter a paixão de viver, mas sinto na Leonor a continuidade da vida, pelo bater do coração, pela razão dos afectos e na missão que dizem termos nesta terra de pé.

Sabes que continuo a ser muito emotivo. Pena não ser de lata, às vezes. Mas por mais que respire frente ao espelho não consigo embaciá-lo de forma a disfarçar a carne e a sensibilidade que me compõe. Olha, outra coisa. Tenho seguido aquele teu conselho que em tempos considerava ser ”uma seca”. Ouço mais do que falo. Sei que assim aprendo com o que os outros dizem. Separo o trigo, do milho, do centeio. Não, não quero um moinho. Moinhos de vento já são as metáforas que consomem os dias em que nem uma ténue alegria se desperta no trabalho. Se ando cansado? Ando. Escrevo-o com realidade. Não consigo chegar a tanto sítio, a tanto caminho que se fosse percorrido por mais uns quantos, daria uma bela fotografia de apreciar e valorizar. Mas está frio, sabes? As lareiras convidam ao refúgio no Inverno. As praias às escapadelas no Verão. Os passeios ao rebentar da Primavera. E no Outono, tudo cai, novamente em que o retemperar de energias os deixa inertes. Talvez eles tenham razão. Mas, lembraste de quando pela calada da noite saia sozinho para ir ter com mais uns quantos (loucos, mas sãos, rapazes) que perseguiam um sonho, e me dizias que o frio lá de fora obrigava a vestir um casaco quente. Pois bem. Percebo que a tua preocupação não se prendia com a temperatura da rua, mas sim com a protecção da integridade, com a defesa da consciência, com o desejo de me teres mais tempo, por perto. Devia ter ido à pesca mais vezes contigo. Era sempre depois, um dia, logo combinamos. Ando a cometer os mesmos erros. Não estou com os meus amigos, nem sempre dou mimo à mãe, e quem me ama sente a minha ausência. Valerá a pena tudo isto, quando na hora da dor ou deles estamos rodeados, ou o vazio nos preenche?

Tenho olhado as queimadas desta época. Começam por ser uma quantidade cúbica de matéria, que em combustão liberta fumo e calor, acabando por ficar em matéria de cinza que assenta no chão frio. Talvez deva apreciar mais o pó, até o dos móveis, que repousa, nos olha e vê passar, a correr, numa labuta desenfreada como se de uma maratona se tratasse, sem que no final qualquer medalha ou pódio exista para ouvir as palmas que outros não estavam presentes para bater.

Sim continuo a acreditar no que a vida pode ser, pelo sonho que a comanda, mas (há sempre um, um dia, um eterno “mas”) mais do que difícil, o sonho não passa disso mesmo: de um conjunto de desejos entrelaçados em lugares, ligado pelo calor das pessoas que deles e por eles fazem criar a cadeia de união que os efectiva. As cadeias, de união, de fragmentação, de explosão e de umas quantas outras equações físicas e matemáticas acabam sempre por dar o mesmo resultado: ser. Não é o ser de existir. Mas sim o ser de sermos. Só é, só somos, só vemos ser quem se dá, quem se partilha, quem se entrega à missão da vida. E depois, nessa, nesta e em todas elas, varia, implícita e efectivamente, a vontade de cada um.

Desde que te escrevo que já vi a noite a deitar-se e o sol a nascer. Hoje é Natal. Á noite voltarei a pensar em ti, naqueles momentos de silêncio, em que só um filho e um pai percebem e sentem.

Se este texto devia ficar guardado? Devia. Até porque a protecção do nosso ser passa por não expor as nossas fraquezas. Mas, como humano que sou, não posso esconder ou reservar aquilo que decerto, muitos como eu recordam na saudade pelos seus, e vivem o dia-a-dia de altos e baixos, como a geografia da terra onde respiramos e somos, nós…
João Miguel

(re)Descobrir o mundo "again?"


Depois do secretário de estado da juventude ter aconselhado os jovens a deixarem o “espaço de conforto (?!?)” e emigrarem, seguiu-se o primeiro-ministro a convidar os professores qualificados a saírem do país. Agora, o social-democrata Paulo Rangel sugere a criação de uma agência nacional para ajudar os portugueses que queiram emigrar. Pergunta-se: querem-nos cá?!? Ou esvazia-se o país?

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Alfredo Bruto da Costa, já se manifestou considerando que “o convite à emigração feito pelo primeiro-ministro aos professores desempregados é uma estratégia de quem desistiu e declara a sua derrota”. Acrescentou ainda este alto dirigente da igreja católica que esse “apelo é uma claudicação muito precoce e um mau sinal enquanto atitude de um governante perante os problemas do país”.

Resta saber se enquanto cidadãos deste país, só contamos para pagar impostos e cumprir com os nossos deveres, ou se, ainda temos direitos. Direitos tão simples como o acesso aos serviços de saúde, que estão consagrados na Constituição da República Portuguesa no Artigo 64.º ponto 3. “Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado: a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação; b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde.” Cumprem-se estes direitos no concelho de Ourém? Continuamos à espera…

Voltando às declarações de Passos Coelho, além das mesmas terem sido dadas como se estivesse sentado à mesa de uma café (quando os assuntos são de importância extrema para todos nós), sentimos a ameaça de que as pensões daqui a 20 anos serão metade das anteriores à reforma da Segurança Social.

Ou seja, depois de nos últimos anos se ter apostado na reforma da Segurança Social portuguesa, dando segurança as portugueses quanto às suas pensões e garantindo o seu aumento real sustentável, em função da evolução das carreiras contributivas e dos salários, veio agora o primeiro-ministro amedrontar-nos! Estranha-se este alarmismo e esta intimação quando recentemente a Comissão Europeia e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) nos colocaram acima da média destas organizações (havendo assim garantias da sustentabilidade da Segurança Social por um período de 40 anos).

Deseja-se que o governo nos apresente estratégias de crescimento, de intervenção, de remodelação e de mobilização de todos para as dificuldades que se sentem. O governo do PSD reuniu durante 11 horas num conselho de ministros. Saiu alguma medida que fomente o emprego, que dê confiança aos portugueses e estímulo para que juntos consigamos ultrapassar as dificuldades? Não.

Que a força esteja connosco. Que o discernimento esteja com quem decide. Que a sorte nos proteja. Que não deixemos de acreditar, nunca, nas nossas capacidades trabalhando na nossa terra e no nosso país, ao lado dos nossos filhos, contribuindo para o futuro que se quer garantir hoje, com todos nós…

Bom natal. Com saúde. O resto, conquistamos.
João Heitor

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Somos 5 vezes mais prejudicados do que as taxas moderadoras

Em Janeiro, o preço das consultas nos hospitais e centros de saúde vai triplicar! Ou seja, no concelho de Ourém além do governo do PSD ter cortado a verba que permitia ter médicos, enfermeiros e técnicos de saúde no centro de saúde e nas extensões de freguesia, ainda fechou algumas extensões de saúde, reduziu o horário do SAP e, agora, sobe o preço das taxas moderadoras. Extraordinário!

Se conseguirmos uma consulta no Centro de Saúde, ou numa das extensões abertas no concelho vamos passar a pagar 5€ euros. 5€. Os mil escudos da antiga moeda. Mas se formos ao SAP, fora do horário habitual (e estando o mesmo aberto), passamos a pagar 10€ (anteriormente 3,80€ - mas para isso é preciso existirem médicos, enfermeiros e técnicos de saúde!).

Se batermos com o nariz na porta e tivermos de nos deslocar para Leiria, Torres Novas ou Tomar vamos pagar entre 15 e 20€. Também as taxas dos exames (análises, electrocardiogramas, raio-x e outros) aumentam. E se não pagarmos no imediato, ou no prazo legal de 10 dias, ainda apanhamos uma multa cujo valor mínimo será de 50€ (está previsto no orçamento de estado para o próximo ano).

Conclusões. O actual governo corta nos serviços médicos no concelho de Ourém, mas, ao mesmo tempo, vem com a prosápia de que o serviço nacional de saúde deve apostar numa melhor referenciação do utente para a consulta através dos centros de saúde. Qual referenciação de utentes no centro de saúde de Ourém, se é o próprio estado que não nos permite ter acesso ao mesmo?

Os habitantes do concelho de Ourém conseguem ser mais prejudicados do que os aumentos das taxas. Se o aumento das taxas triplica, nós, oureenses, estamos a ser penalizados cinco vezes mais. Vejamos. 1. Não temos acesso a médicos de família para toda a população. 2. Logo, somos remetidos para o SAP de Ourém que sofreu uma redução de horário (com um custo superior de taxas). 3. Estando o mesmo encerrado a única alternativa é a de recorrer a um hospital distrital (com um custo ainda mais superior de taxas). 4. Essa deslocação, que de alguns pontos do concelho pode ficar a mais de 40km, é suportada por cada de nós (mais encargos em combustível, táxi ou ambulância). 5. Acedemos por fim a um hospital distrital (onde pagamos uma taxa superior a todas as outras), visto não nos ter sido possibilitada outra alternativa, pelo estado, no nosso território concelhio.

E no meio de tudo isto deseja-se, e temos fé, em conseguir chegar a tempo, quando surgem doenças súbitas, para um hospital distrital…

Entretanto, a Presidente da Assembleia Municipal e o Presidente da Câmara solicitaram reuniões ao Ministro da Saúde. Aguardam, desde Setembro, para serem recebidos. Ao mesmo tempo a deputada do concelho de Ourém promove reuniões em Lisboa nas Secretarias de Estado com alguns grupos, e eleitos de freguesia. Incompreensível.

Já percebemos que o governo do PSD anda a “brincar às casinhas”, e talvez por contágio, alguns dos seus dirigentes locais emplastram semelhantes comportamentos. Sabemos que é Natal. Brinquem com o que quiserem, mas respeitem os cidadãos do concelho de Ourém.

Até porque se as consultas para saúde mental estão isentas de taxas moderadoras, não queiram dar connosco em loucos. Aproveitem os senhores! Mas depois, voltem a colocar médicos, enfermeiros e técnicos de saúde nas extensões de saúde e no SAP de Ourém. A população assim o exige e assim o merece por direito!

João Heitor

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Na dúvida? Na dúvida é melhor perguntar!


Nem com ajuda nos textos escritos, com espátula, pincel, ou conselhos de doutores de barba rija há quem perceba que nem sempre o que parece é, ou, o que é parece ser, seja...
Na dúvida, devia lamber…lamber papel e orientar-se…

(com o devido respeito aos pasteleiros, professores e pedreiros)

Assim continuamos até quando?


Alberto João Jardim adjudicou o espectáculo de fogo de artifício sobre a baía do Funchal, na Madeira, pela módica quantia de 736.776 euros.
Uma adjudicação feita pela Secretaria Regional da Cultura, Turismo e Transportes (leia-se governo regional = financiamento público com verbas dos impostos de todos nós) mantendo 39 mil disparos que durarão 8 minutos.

Alberto João Jardim chama assim o povo à rua, tal como os imperadores romanos chamavam os habitantes de Roma, e do seu Império, ao Coliseu para assistir ao “pão e circo” que entretinha as classes da época.
Em pleno século XXI, após o governo de Alberto João Jardim ter escondido milhões de euros de dívidas e passivo, a Secretaria Regional da Madeira gasta em 8 minutos aquilo que o estado central não disponibiliza, por exemplo, aos serviços de saúde do concelho de Ourém para contratação de médicos, enfermeiros e técnicos de saúde!

Gasta-se e permite-se gastar milhares de euros em fogo de artifício quando as pessoas aguardam por um médico, por uma consulta, por um posto médico aberto, por um Serviço de Atendimento Permanente (SAP) 24h na sede do concelho de Ourém, e que não existe.
Não se compreende, ou aceita, que mais uma vez o governo de Passos Coelho fique de braços cruzados deixando que uns quantos gastem tudo, e que muitos outros se vejam privados dos serviços mínimos de saúde. Os serviços que tratam da vida humana…

E nós “cubanos” cá continuamos, impávidos e serenos a assistir, com tranquilidade, a cortes nos subsídios de Natal dos funcionários públicos e reformados (que se provaram esta semana terem sido evitados pois tal como António José Seguro sempre defendeu existia uma folga no Orçamento de estado de mais de 2 mil milhões de euros).
Até quando, pergunta-se, novamente. Até quando se compreende e se aceita o encerramento de extensões de saúde, a redução do horário de funcionamento do SAP do Centro de Saúde de Ourém, a extinção/fusão de freguesias, e, ao mesmo tempo, 736.776 euros gastos em 8 minutos de fogo de artifício?

Este governo age para todos? Só para alguns? Para os que estão à mão? Para os que beijam a mão? Ou o quê?
João Heitor

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O governo tinha outras opções...


A redução de salários no sector privado e os cortes nos subsídios de férias e de Natal para os funcionários públicos não são a saída, nem a resposta, para a crise económica nacional e internacional que está a consumir as democracias e a moeda única.

A consolidação orçamental, o combate aos ataques especulativos às dívidas soberanas, as medidas de estímulo ao crescimento económico, a competitividade das empresas e a exportação de produtos portugueses promovendo o emprego, o reforço do investimento do sector estratégico, a simplificação de procedimentos nas áreas do ordenamento do território e a reabilitação urbana serão sempre as medidas a tomar por qualquer governo, independentemente de estarmos, ou não, em crise.

Este ataque aos funcionários públicos, aos reformados e agora aos funcionários do sector privado não é justo quando se conhecem desperdícios estatais, e se existem 1421 milhões de euros de margem orçamental. Havendo 1421 milhões de euros de margem orçamental, devolver um subsídio (de férias ou de Natal) aos funcionários públicos e aos pensionistas custaria cerca de 1.000 milhões de euros que iriam estimular a economia, e que não comprometeriam o cumprimento do défice.

O aumento da carga fiscal sobre o consumo é outro erro estrutural que vai criar mais desemprego e consequentes aumentos nas prestações sociais de desemprego… Mas, se o governo pretendesse, podia efectuar uma distribuição mais justa dos sacrifícios, devolvendo um dos subsídios de férias ou de Natal aos funcionários públicos. Como? Aumentando 3,5% nas taxas liberatórias sobre juros e dividendos, aumentando em 5% sobre o IRS de montantes superiores a 500.000 euros, assegurando a efectiva tributação em Portugal dos dividendos distribuídos a empresas, incluindo as sujeitas a tributação inferior noutras jurisdições fiscais.

O governo podia ainda recorrer a outras medidas tais como deliberar que o vencimento e os abonos para despesas de representação para membros dos gabinetes ministeriais não podiam ser superiores ao do respectivo membro do governo, e que passava a ser proibido a acumulação das subvenções políticas com salários ou vencimentos.

O apoio ao crescimento da economia e ao emprego passava pela manutenção do IVA na restauração nos 13%, nas actividades culturais e na alimentação infantil nos 6%. Como medidas de compensação o governo podia manter a aplicação da taxa de IRC de 12,5% aos lucros até 12 500 euros das empresas, assumindo como medidas de compensação o aumento da sobretaxa sobre lucros acima dos 10 M€ para 7,5%. A renegociação com o Banco Europeu de Investimentos de uma linha de crédito às empresas, com prioridade ao sector exportador à produção nacional de bens e serviços transaccionáveis, no montante mínimo de 5 mil milhões de euros e a obrigação de repatriar para Portugal os capitais não tributados colocados no exterior eram outras soluções viáveis.

Porém, não foi esse o caminho escolhido. Nunca será tarde para o recuperar (o caminho) e encontrar outras respostas que sejam menos penalizadoras para todos nós. Em tempo de crise é importante retirar um “s” ficando com um desiderato para todos nós: “crie”!

sábado, 26 de novembro de 2011

A verdade dos números...


Alguns vereadores e dirigentes (?) do PSD têm desenvolvido um ataque cerrado à gestão da Empresa Municipal (EM) OurémViva face aos seus (eventuais) custos e aumentos no número de funcionários.
Esta semana, numa atitude de clareza e transparência, o Presidente da OurémViva explicou todos os números e o motivo que levou ao aumento de funcionários nesta EM. Constata-se, que dos 55 novos funcionários, só 37 entraram para vigilantes das escolas, correspondendo os restantes para novas áreas de actuação da EM: acção social, desenvolvimento rural, limpeza, manutenção de edifícios escolares, vigilância em edifícios e sanitários públicos.

Estas contratações devem-se à necessidade de reforçar sectores determinantes e estruturais do Município, como o ensino e a acção social, por exemplo. Nenhum pai ou encarregado de educação entenderia o motivo pelo qual deixassem de existir assistentes operacionais nos estabelecimentos de ensino do seu educando. Nenhum eleito ou autarca responsável, aceitaria que o Município de Ourém não cumprisse com as suas responsabilidades de gestão, manutenção e dinamização nas áreas da educação, dos equipamentos escolares, desportivos, culturais e municipais.

Recorde-se o estado em que se encontravam alguns dos edifícios que estavam ao encargo da AmbiOurém e da VerOurém, na anterior gestão municipal PSD. O cineteatro municipal de Ourém (moribundo) não possuía as mínimas condições de segurança, de funcionamento e de aquecimento (o que levou a um divórcio entre os cidadãos e este espaço cultural). As piscinas municipais funcionavam sem equipamentos de monitorização dos consumos e qualidade de água, com fugas de gás entre outros problemas. Os pavilhões municipais estavam abertos com fugas de gás e sem manutenção nos balneários. O campo de jogos da Caridade tinha a mesma caldeira a lenha para aquecer a água há mais de 30 anos levando a que os atletas e as crianças tomassem banho de água fria! As ETAR’s e os jardins tinham elevados custos de manutenção. Alguns jardins-de-infância não tinham equipamentos de aquecimento de água. As escolas do 1º ciclo estavam desprezadas, sem o digno acompanhamento de manutenção que estes espaços exigem.

Nos últimos dois anos a AmbiOurém, a VerOurém e agora a OurémViva (com a fusão da AmbiOurém, VerOurém e Centro de Negócios), devolveram a dignidade a estas instalações com um conjunto de intervenções que se concretizam diariamente e que procuram garantir a tão desejada qualidade de vida para todos nós. Fazem-no contribuindo simultaneamente, para ganhos de eficácia e eficiência. Ainda há muito para fazer e melhorar. Mas, com rigor e objectividade conseguiremos de mãos dadas com os executivos de junta e as comunidades locais superar as dificuldades existentes.

Estranhamente (ou não), alguns dirigentes do PSD estão a atacar o actual executivo por se estarem a resolver problemas criados nos seus mandatos, a emagrecer a estrutura empresarial municipal e a liquidar as contas herdadas. Como conseguem assumir um comportamento de completa desresponsabilização pelo passado do qual foram protagonistas?
Eu teria vergonha. Calar-me-ia se tivesse pertencido a um PSD com responsabilidades de gestão nas últimas décadas, dadas as condições em que se encontraram as Empresas Municipais e as contas do Município.

Os cidadãos esperariam, decerto, da parte do PSD uma oposição responsável e partilhada, assente na assumpção dos erros cometidos, e, simultaneamente, tendente para uma convergência na procura de soluções para os problemas, de braço pelos superiores interesses concelhios. Porém, não tem sido essa a postura. Assistimos ao inverso. Até quando, pergunta-se? Terá a ambição um limite?

Porém, saúdam-se os autarcas de freguesia e os eleitos municipais que diariamente empenham todas as suas energias para o colectivo, com o qual assumem o desiderato de definir o rumo para o concelho de Ourém, reforçando o que de bom possuímos e encontrando novas respostas para os desafios do presente.
João Heitor

sexta-feira, 18 de novembro de 2011



9 anos depois, há datas, como a de hoje, que pesam mais o olhar, que apertam mais o coração, que molham mais a menina do olho. Aquelas datas que resultam dos laços afectivos e de sangue, que resultam da memória presente de quem nos fez chegar ao mundo, nos educou e nos ensinou a crescer... Presente, até que um dia também chegue a nossa hora, de pelos nossos sermos lembrados e recordados no que de bom fazemos e damos aos que nos rodeiam... Até porque, essa é a essência da vida...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Mesmo assim...

Mesmo com a pesada herança financeira que o actual executivo herdou, e que todos os meses absorve milhares de euros em pagamentos que é preciso cumprir, o actual executivo camarário tem desenvolvido um conjunto de actividades de âmbito nacional de destaque. Recentemente, a realização do 1º Congresso de História e Património da Alta Estremadura contou com a participação de mais de uma centena de participantes ao longo dos três dias de trabalhos.

Mesmo tendo o anterior executivo assumido um empréstimo de 11 milhões de euros com o Estado para pagar aos fornecedores a quem devia há mais de dois anos, e que o actual executivo tem estado a liquidar em duas transferências anuais no valor total de 2 milhões de euros (mais dinheiro do que o Estado transfere para o Município nestes meses!), conseguimos encontrar novas e alcatroadas estradas em Matas, Cercal, Freixianda e Fátima.Mesmo tendo o actual executivo recebido menos 500 mil euros de transferências do Estado, no ano de 2011 comparativamente ao ano de 2010, assistimos à abertura de 4 novos Centros Escolares (Caridade, Misericórdias, Beato Nuno e Cova de Iria) e à reestruturação da EB 1 de Ourém, transformando-a no Centro Escolar de Santa Teresa.

Mesmo tendo decrescido o valor das receitas do Município face à diminuição das transacções do imposto municipal sobre imóveis e das taxas e licenças, o actual executivo elaborou os projectos e está a concluir os acessos aos Centros Escolares, assim como a construção de uma rua de raiz na Cova de Iria, visto que todos eles tinham sido esquecidos pelo anterior executivo.

Mesmo estando o famoso prédio do Maurício, em Fátima, parado há mais de 30 anos, com um processo em tribunal contra o Município de Ourém, este executivo conseguiu um acordo que está permitirá a conclusão da obra em 2013, contrariando, assim, a lentidão dos anteriores executivos ao longo de 28 (!) anos.

Mesmo tendo os anteriores executivos investido milhões de euros em equipamentos informáticos, a lentidão de processos no Município de Ourém eram a constante. O actual executivo reduziu de 63 para 7 (!) os diferentes modelos de requerimentos, e já começou por disponibilizar o pagamento de taxas de publicidade por transferência bancária e multibanco.

Mesmo não tendo ainda a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro transferido as verbas referentes à sua quota parte para pagamento dos custos da requalificação da envolvente e nascente do Agroal, o actual executivo já concluiu e pagou a obra toda.

Mesmo tendo o anterior executivo lançado a obra de requalificação da estrada nacional 113/1 em Seiça, o actual executivo municipal já teve de proceder a alterações do projecto em mais de 350 mil euros, por não existirem, por exemplo, sistemas de escoamento de águas e passeios estruturais.

Mesmo não tendo sido imposto, o actual executivo iniciou em 2010 uma redução das estruturas orgânicas do Município de Ourém. Existiam 3 Chefes de Departamento e mais dois funcionários com a mesma equivalência remuneratória (5 a auferirem, cada um, mais do que um vereador!). Destes 5, presentemente, existe 1! Das 17 Divisões que existiam em 2009, hoje, somente existem 10 reduzindo os custos com chefias em do Município em mais de 25 por cento.

Mesmo podendo continuar a elencar algumas das obras, das medidas e iniciativas desenvolvidas, muitas outras há para concretizar. Mas, mesmo assim, há quem teime em ser do contra, só por ser. Mesmo assim, escrevemos este texto, ilustrativo, sem dizer mal de ninguém constatando factos reais e objectivos.

O caminho faz-se caminhando, com as dificuldades que todos conhecem. Aqueles que vêm e estão presentes pelo bem de todos, farão sempre parte da solução comum, e nunca parte do problema individual...

João Heitor

Vamos viver para Lisboa?

Após os cortes na saúde com encerramentos de extensões nas freguesias, com a redução do horário de funcionamento do SAP em Ourém, e como uma má notícia nunca vem só, o governo do PSD apresentou uma proposta (ultimato?) para a fusão e extinção de freguesias com a consequente divisão das populações do nosso país.

Sobre a chamada "Reforma do Livro Verde" ele peca, de início, pelo nome. O verde representa a esperança. Mas, não há esperança que resista junto dos mais necessitados que precisam de serviços básicos de saúde e os estão a perder… Simultaneamente,  as mesmas populações que estão a ver as extensões encerradas correm agora o risco de ficarem sem os seus Presidentes de Junta, sem os serviços mais descentralizados e existentes, que fazem do poder local, a estreita (e muitas vezes única) relação entre o Estado e as populações. 
O actual governo quer acabar com as freguesias. Dizem essas cabeças pensantes de Lisboa, assim como algumas almas abastadas do concelho (e de jovem idade em que as dores ainda não lhes interrompem o sono), que este "choque reformista" vai combater o défice do Estado. Estamos a debater, a escrever, a falar, a alvitrar soluções e a destabilizar as relações entre territórios e populações, por um valor anual de 0,02% do orçamento do Estado!

O cúmulo dos cúmulos. Só pode. Querem cortar, cortem em outras despesas. Cortar na saúde é inconcebível. Acabar com as freguesias é incompreensível. Fundi-las, agrupá-las, ou qualquer que seja o adjectivo que lhe queiram dar, fragilizando, uma vez mais, os lugares, as aldeias, as vilas do concelho de Ourém será uma machadada na democracia participativa.

Uma reforma desta tipologia devia ser sustentada por critérios válidos que permitissem desenvolver e concretizar alguns ajustamentos. Todavia, quando o governo nos apresenta critérios que levam a que freguesias como a de Caxarias e Olival desapareçam (estando nestes dois exemplos freguesias que possuem também estatuto de vilas) então aí concluímos, objectivamente, que esta "reforma", a ser implementada no concelho de Ourém criará injustiças, problemas administrativos, políticos, sociais e humanos.

O executivo de Pedro Passos Coelho anunciou que todas as freguesias que tenham menos de 500 habitantes por quilómetro quadrado, nas zonas rurais, serão fundidas. Esqueceu-se foi de referir os outros critérios, como a distância da sede de concelho.

As populações não merecem perder, assim, a sua identidade, os serviços e passarem a ter edificios emblemáticos devolutos...

Os Presidentes de Junta pagam do seu bolso para servir as suas populações, vão de casa em casa ajudar e acompanhar os seus munícipes, têm o telemóvel ligado 24 horas, dedicam-se à causa pública de forma desprendida e recebem este prémio! Extraordinário! As freguesias do concelho de Ourém são estruturas de desenvolvimento local, que contribuem de forma decisiva para o bem-estar económico e social das populações.

Fundir freguesias em Lisboa, Porto, Santarém ou Torres Novas onde nos aglomerados urbanos existe mais do que uma freguesia, é, efectivamente, uma medida de rentabilização de recursos.

Não o é no concelho de Ourém, para nenhuma das 18 freguesias. Manifesto a minha solidariedade para com os Presidentes de Junta do nosso concelho. Eles são a nossa mais valia. Deles, e dos seus territórios administrativos jamais abdicaremos.

João Heitor

As preocupações dos (alguns) vereadores do PSD

Recentemente, destaquei a fusão das Empresas Municipais (EM) como medida a ser tomada pelos municípios portugueses para combater a dívida pública. Isto após o actual executivo em Ourém ter acabado com a VerOurém, com a AmbiOurém e com o Centro de Negócios, criando uma só empresa, a OurémViva.

Estranhamente, ou não, os vereadores do PSD apresentaram um requerimento em reunião de Câmara onde solicitaram informações (nomes e vencimentos) relativas aos Conselhos de Administração da VerOurém, AmbiOurém, Centro de Negócios (todas estas Empresas criadas pelo próprio PSD) e OurémViva, assim como um conjunto de outros esclarecimentos relativos aos secretariados do executivo municipal.

Todos os processos de nomeações e vencimentos relativos a EM, ou foram efectuados pelo anterior executivo municipal (que as criou, sendo lógico o conhecimento das mesmas pelos vereadores do PSD), ou foram a conhecimento às reuniões de Câmara entre Novembro e Dezembro de 2010, onde, os mesmos estiveram presentes de acordo como as actas.

Porém, as informações pedidas foram apresentadas na última reunião de Câmara. Comprova-se, assim, que com a fusão da AmbiOurém, VerOurém e Centro de Negócios numa Empresa – a OurémViva – obteve-se uma redução anual de mais de 33 mil euros só com as remunerações dos Conselhos de Administração. Já para não referir os ganhos de escala, as diminuições das despesas que se duplicavam, assim como os valores de IVA que eram pagos sempre que estas três EM efectuam prestações de serviços entre si e o Município.

Demonstrou-se que a decisão de as fundir, assumida e implementada pelo actual executivo em Janeiro de 2011, foi uma decisão acertada, de acordo com os conceitos de gestão de recursos.

Logicamente, que se questiona porque razão o actual executivo não fez esta operação há mais tempo? Infelizmente existiam condicionalismos e compromissos, assumidos pelo anterior executivo municipal, entre uma EM com uma das famosas parcerias Público/Privadas (a FuturOurém, já extinta pelo actual executivo).

Numa altura em que o Município de Ourém enfrenta grandes dificuldades de tesouraria com um corte anual já superior a um milhão de euros, acrescida da pesada herança de dívidas, e com a necessidade de aproveitar os fundos comunitários para a construção de Centros Escolares e outras infra-estruturas essenciais para o desenvolvimento concelhio, os vereadores do PSD fazem perguntas sobre as EM que criaram, mas que a devido tempo não conseguiram extinguir. Extraordinário!

A juntar a estas perguntas, perguntam quem são os secretários do executivo municipal e qual é o seu salário. Isto num edifício onde, duas ou mais vezes por mês, os vereadores do PSD vão às reuniões de Câmara, e quando o salário está estipulado por lei…

É lamentável que os cidadãos do concelho estejam a passar por grandes angústias com os encerramentos das extensões de saúde decretadas pelo governo PSD, que o mesmo governo queira acabar com Freguesias a régua e esquadro sem qualquer lógica para o nosso território, e os vereadores do PSD apresentam este tipo de requerimentos?!?

Haja decoro. As populações precisam de respostas, de soluções para as dificuldades diárias, de responsáveis políticos com capacidade de decisão, assertivos e empenhados. É isso que faz a diferença. Efectivamente, foi isso que fez a diferença em 2009…

João Heitor

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Doce, sexy e sensual... :)


Sete e meia da manhã. Uns pequenos raios de sol entravam pelas frestas dos estores do quarto.

Suficientes para um maravilhoso ser entrar porta dentro e se abeirar da cama.

Fê-lo, suavemente, enquanto pousou as mãos na base da cama e se aproximou de mim.

A ponta dos seus cabelos começo-me a tocar.

Senti pequenos beijos pela cara toda.

Tal e qual como lhe fiz, e faço, para a adormecer.

Ao abrir um olho, deparo-me com uma meiga e terna face que sussurrando me dá os bons dias, pedindo, ao mesmo tempo para entrar dentro da cama, na troca de mimo e afecto.

Estes momentos, únicos nas nossas vidas, revelam o amor entre pais e filhos.

Cada um da sua forma.

Dizem que passa rápido.

Mas, por mais que olhe a pequena Leonor nos olhos, não deixo de sentir aqueles beijos espalhados pelo rosto num momento inesquecível…