A recente reorganização do
mapa judiciário, preconizado pelo atual governo PSD/CDS, impõe-se, segundo a ministra
Paula Teixeira da Cruz, devido aos atrasos e aos rácios de alguns tribunais. Para
a responsável ministerial o novo modelo de 23 comarcas visa a obtenção de “uma justiça de boa qualidade, com
centralidades e com acessos, para os processos não se arrastarem durante
demasiado tempo.”(?!?)
Todavia, a realidade é
outra, inversa, e contrasta com o encerramento por parte do governo de alguns tribunais novos e outros
que foram alvo de obras recentemente. A redistribuição de valências destes tribunais
por outros, não obedeceu a qualquer lógica territorial, do número de cidadãos e
das estruturas rodoviárias existentes que deviam garantir a mobilidade dos
cidadãos.
Na passada segunda e terça-feira, advogados, magistrados e
funcionários judiciais não conseguiram aceder ao sistema informático da justiça
portuguesa - o Citius - paralisando assim todo o trabalho judicial.
Numa altura em que se realiza a distribuição dos processos pelas
novas secções, a principal ferramenta informática colapsa e o sistema para, com
o adiamento de julgamentos e de providências cautelares, sem que os magistrados
e os funcionários judiciais consigam aceder aos respetivos procedimentos.
Recorde-se que a ministra
Paula Teixeira da Cruz procedeu, recentemente, à contratação de serviços informáticos
junto de empresas privadas para o aperfeiçoamento do programa Citius, e que só
terminarão em 2015.
A verdade é que ninguém
explica porque razão o programa bloqueou.
A verdade é que ninguém
explica como é que o governo avança com uma alteração desta natureza, com os
processos judiciais a serem transportados em caixas de fruta e sem condições de
segurança.
A verdade é que ninguém
explica como é que procederam à transferência de valências e concentração de
outras em mega edifícios que, afinal, não possuem condições físicas para guardar
os respetivos processos, tendo sido necessário comprar/alugar contentores que
foram colocados à porta.
A verdade é que ninguém
consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para esta
reestruturação que trará mais encargos para os cidadãos e empresas que
necessitam de aceder aos serviços de justiça.
A verdade é que ninguém
consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para esta
reestruturação que irá gerar entropias nas novas “mega” estruturas e na justiça
portuguesa.
A verdade é que ninguém
consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para o esvaziamento
de instalações estatais construídas com dinheiros públicos.
Tantas verdades, e,
simultaneamente, tantos erros que têm um elevado custo a presente e médio prazo
para todos.
Até quando?
João Heitor






