quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Com falta deles, foi assim que se povoaram certas terras de Portugal! Amém!

Dos Arquivos da Torre do Tombo, Armário 5, maço 7.

Sentença proferida em 1487 no processo contra o prior de Trancoso
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo”

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Yes we can!

Um novo mundo, liderado por novos políticos e diferentes práticas humanas.

É, decerto, o desejo partilhado também pelos portugueses que acreditam em cada um de nós, enaunto homens e mulheres, de valor e capacidades, assim como nos horizontes a alcançar para a nossa terra e para o nosso país...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"A crise está em crise"

Ou estou fortemente enganado (o que sucede, aliás, com uma frequência notável), ou a história de Portugal é decalcada da história de Pedro e o Lobo, com uma pequena alteração: em vez de Pedro e o Lobo, é Pedro e a Crise.

De acordo com os especialistas – e para surpresa de todos os leigos, completamente inconscientes de que tal cenário fosse possível – Portugal está mergulhado numa profunda crise. Ao que parece, 2009 vai ser mesmo complicado.
O problema é que 2008 já foi bastante difícil. E, no final de 2006, o empresário Pedro Ferraz da Costa avisava no Diário de Notícias que 2007 não iria ser fácil. O que, evidentemente, se verificou, e nem era assim tão difícil de prever tendo em conta que, em 2006, analistas já detectavam que o País estava em crise. Em Setembro de 2005, Marques Mendes, então presidente do PSD, desafiou o primeiro-ministro para ir ao Parlamento debater a crise económica. Nada disto era surpreendente na medida em que, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, entre 2004 e 2005, o nível de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 78% para 84,2% do PIB. O grande problema de 2004 era um prolongamento da grave crise de 2003, ano em que a economia portuguesa regrediu 0,8% e a ministra das Finanças não teve outro remédio senão voltar a pedir contenção. Pior que 2003, só talvez 2002, que nos deixou, como herança, o maior défice orçamental da Europa, provavelmente em consequência da crise de 2001, na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos. No entanto, segundo o professor Abel M. Mateus, a economia portuguesa já se encontrava em crise antes do 11 de Setembro.
A verdade é que, tirando aqueles seis meses da década de 90 em que chegaram uns milhões valentes vindos da União Europeia, eu não me lembro de Portugal não estar em crise. Por isso, acredito que a crise do ano que vem seja violenta. Mas creio que, se uma crise quiser mesmo impressionar os portugueses, vai ter de trabalhar a sério. Um crescimento zero, para nós, é amendoins. Pequenas recessões comem os portugueses ao pequeno-almoço. 2009 só assusta esses maricas da Europa que têm andado a crescer acima dos 7 por cento. Quem nunca foi além dos 2%, não está preocupado.
É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face às dificuldades.

A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado.


Ricardo Araújo Pereira

domingo, 11 de janeiro de 2009

Palestina/Israel

Por Avi Shlaim, publicado originalmente no The Guardian

A única forma de dar sentido à guerra insensata de Israel em Gaza é através da compreensão do contexto histórico. Estabelecer o Estado de Israel em Maio de 1948 implicou uma enorme injustiça para os palestinianos.

A ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza no rescaldo da guerra de Junho de 1967 teve pouco a ver com segurança e muito a ver com expansão territorial. O objectivo era estabelecer o Grande Israel através do controlo político, económico e militar permanentes dos territórios palestinianos. O resultado foi uma das mais prolongadas e brutais ocupações militares dos tempos modernos.

Gaza não é um simples caso de subdesenvolvimento, mas sim um caso inigualável de cruel deliberação de não-desenvolvimento. Usando a expressão bíblica, Israel tornou o povo de Gaza de colectores de madeira e extractores de água, numa fonte de trabalho barato e num mercado cativo para os bens israelitas. O desenvolvimento da indústria local foi activamente impedido de modo a que se tornasse impossível aos palestinianos acabar com a sua subordinação perante Israel e estabelecer as bases económicas necessárias para uma verdadeira independência política.

Gaza é um caso clássico de exploração colonial na era pós-colonial. Os colonatos judeus nos territórios ocupados são imorais, ilegais e um obstáculo insuperável à paz. São simultaneamente um instrumento de exploração e um símbolo da odiada ocupação. Em Gaza, os colonos judeus eram apenas 8.000 em 2005, em comparação com 1,4 milhões de residentes locais. Todavia, os colonos controlavam 25% do território, 40% da terra arável e parte de leão das escassas fontes de água.

Em Agosto de 2005, um governo do Likud liderado por Ariel Sharon encenou uma desocupação unilateral de Gaza, retirando os 8.000 colonos e destruindo as casas e quintas que deixaram para trás. O Hamas, movimento de resistência islâmica, conduziu uma campanha eficaz para expulsar os israelitas de Gaza. A retirada foi uma humilhação para as Forças de Defesa Israelitas. Para o mundo, Sharon apresentou a retirada como uma contribuição para a paz baseada numa solução de dois Estados. Mas, no ano seguinte, outros 12.000 israelitas estabeleceram-se na Cisjordânia, reduzindo ainda mais a possibilidade de um Estado Palestiniano Independente. Ocupar terras e fazer a paz são coisas simplesmente incompatíveis. Israel teve escolha, e escolheu a terra em vez da paz.

Os colonos de Israel foram retirados, mas os soldados israelitas continuaram a controlar o acesso à Faixa de Gaza por terra, mar e ar. Gaza foi rapidamente convertida numa prisão a céu aberto.

Em Janeiro de 2006, as eleições livres e justas para o Conselho Legislativo da Autoridade Palestiniana trouxeram ao poder um governo liderado pelo Hamas. Contudo, Israel recusou-se a reconhecer o governo democraticamente eleito, afirmando que o Hamas é simples e unicamente uma organização terrorista.

De uma forma vergonhosa, os E.U.A e a União Europeia associaram-se a Israel para ostracizar e demonizar o Hamas, e para tentar derrubá-lo através da suspensão de receitas fiscais e da ajuda externa. Ocorreu assim, uma situação surreal, com uma significativa parte da comunidade internacional impondo sanções económicas, não contra a ocupação, mas contra os ocupados, não contra o opressor, mas contra o oprimido.

Israel continuou o jogo de dividir para reinar entre as facções palestinianas rivais. No final dos anos 80, Israel tinha apoiado o emergente Hamas com vista ao enfraquecimento da Fatah, o movimento nacionalista secular liderado por Yasser Arafat.

Como sempre, o poderoso Israel clama ser a vítima de agressões palestinianas, mas a completa assimetria de poder entre ambos os lados deixa pouco espaço para dúvidas sobre quem é a verdadeira vítima.

É claro que o Hamas não é um movimento inteiramente inocente neste conflito. Tendo-lhe sido negado o fruto da sua vitória eleitoral e estando confrontado com um adversário sem escrúpulos, recorreu às armas dos fracos - o terror. Os militantes do Hamas e da Jihad Islâmica continuaram a lançar ataques de rockets caseiros Qassam contra os colonatos israelitas perto da Faixa de Gaza, até ao passado mês de Junho, quando o Egipto mediou um cessar-fogo de seis meses. Os danos causados por esses rockets primitivos são mínimos, mas o impacto psicológico é imenso, incitando o povo israelita a exigir protecção do seu governo. Nessas circunstâncias, Israel tinha o direito de actuar em autodefesa, mas a sua resposta às alfinetadas dos rockets foi completamente desproporcional. Os factos falam por si. No decorrer de três anos depois da retirada de Gaza, 11 israelitas foram mortos pelo fogo destes rockets. Do outro lado, só e apenas entre 2005 e 2007, a IDF (Força de Defesa de Israel) matou 1,290 palestinianos em Gaza, entre os quais 222 crianças.

Não foi o Hamas, mas o IDF que quebrou o cessar-fogo. Fê-lo com um raide em Gaza no dia 4 de Novembro que matou seis homens do Hamas.

A injunção Bíblica de olho por olho é bastante selvagem. Mas a ofensiva insana de Israel contra Gaza parece seguir a lógica de olho por pestana.

Este breve historial das quatro décadas passadas faz com que seja difícil resistir à conclusão de que Israel se tornou um estado pária "com um grupo de líderes completamente sem escrúpulos". Um estado pária habitualmente viola a lei internacional, possui armas de destruição em massa e pratica o terrorismo - o uso da violência contra civis com objectivos políticos. Israel cumpre todos esses três critérios; o barrete ajusta-se e ele deve usá-lo. O verdadeiro objectivo de Israel não é a coexistência pacífica com os seus vizinhos palestinianos, mas a dominação militar. Continua compondo os erros do passado com novos erros ainda mais desastrosos. Os políticos, como qualquer pessoa, são naturalmente livres de repetir as mentiras e os erros do passado. Mas não é obrigatório fazer assim.

7 de Janeiro de 2009

Avi Shlaim é professor de relações internacionais na Universidade de Oxford e autor de The Iron Wall: Israel and the Arab World and of Lion of Jordan: King Hussein's Life in War and Peace.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Estudo

Tendo em conta que dizem que a idade certa para casar é aos 71 anos, visto que já não precisamos de trabalhar e podemos passar o dia todo a namorar, aqui fica um conselho para os solteiros e para os mais idosos.

O declínio de memória nos idosos pode ser revertido. Um estudo realizado num centro de dia mostra que, quando submetidos a exercícios de estimulação cognitiva, os mais velhos conseguem melhorar o seu desempenho. A falta de uso mental é a grande responsável pelos défices da população idosa, contudo, esta é uma área a descoberto: faltam programas dirigidos para a "ginástica" mental e a preocupação da comunidade em geral está ainda mais vocacionada para o exercício físico ou actividades lúdicas. Realizado no Porto, por Maria José Peneda (no âmbito de um mestrado orientado por Constança Paul, directora da Unidade de Investigação e Formação em Adultos e Idosos - Unifai), o estudo de treino da memória

envolveu pessoas com idades entre os 65 e os 84 anos, divididas em dois grupos de características semelhantes. No conjunto de idosos submetido a sessões de estimulação cognitiva, a partir de um computador, a investigadora registou melhores resultados. E assim, defende ser "vital a estimulação nos mais velhos para o uso das capacidades e competências

cognitivas no caminho da autonomia e da velhice com sucesso". Uma medida que "contraria o declínio das mesmas, por falta de uso". Contudo, a estimulação cognitiva não precisa de ser feita no âmbito de programas específicos de objectivo terapêutico. Nem deve. A ideia,

explica Constança Paul, deve ser "integrá-la no dia-a-dia de uma forma que faça sentido, simpática e divertida". O problema da velhice não é, muitas vezes, a doença, mas a falta de uso, determina o conceito de "envelhecimento activo" da Organização Mundial de Saúde. Porque se determinadas capacidades não são exercitadas, vão ser inevitavelmente

perdidas. Constança Paul assinala a inexistência de programas no terreno para manter activos os idosos do ponto de vista mental e cognitivo. "Há mais preocupação com a actividade física e a estritamente lúdica, ainda que nenhuma destas vertentes seja trabalhada o suficiente. Há poucas actividades significativas. E o objectivo deveria ser acções integradas", defende, afirmando ainda que "deveria ser dada prioridade à visão e audição, o que não está acautelado." Também Nelson Lima, do Instituto da Inteligência, adianta que "a sociedade cultiva a imagem do corpo e falta um neurofitness, para nos tornamos mais ágeis". A alimentação cuidada que serve o culto do físico também ajuda, afirma este psicólogo, e é preciso "mais cuidados com o sono, porque a nossa sociedade não dorme o suficiente". O problema, diz, "é que os médicos sugerem sobretudo actividade física e não estão sensibilizados para a importância do exercício mental". A actividade é vantajosa, diz a directora da Unifai, também em quadros demenciais como na doença de Alzheimer, para retardar o declínio. Celso Pontes, director de neurologia do Hospital S. João, confirma: "A

ginástica mental melhora a vivência do doente e há vários patamares de neuroestimulação, como fazer uma agenda e programar o presente." Por outro lado, a institucionalização em lares só deve ser aplicada a idosos que precisam de cuidados diários e estes só podem ser ministrados em função das necessidades. Num estudo mais antigo, Constança Paul assinalou uma perda significativa de competências nas pessoas institucionalizadas, quando comparadas com idosos inseridos nas comunidades. "Temos aí um declínio induzido pelo ambiente. Num lar, nada promove a autonomia", explica. Em Portugal, estima, haverá perto de 70 mil idosos institucionalizados. Mas há 1,7 milhões de pessoas com mais de 65 anos, o que significa que a grande maioria "anda na sua vida, a lutar com a reforma, para saber se tem dinheiro para comprar o pão", diz Constança Paul. Há, contudo, um problema sério com a população idosa portuguesa: uma parte muito significativa é analfabeta ou iliterata. O que limita o âmbito de

intervenção em áreas de treino mental. Mas "a estimulação cognitiva é absolutamente essencial e há muito a fazer", defende a investigadora. Por isso, diz, "seria prioritária uma intervenção neste campo. E quanto mais cedo, melhor." Em causa está a autonomia do idoso. Por isso, é importante que as famílias "preservem a sua participação nas decisões".

Todas as letras do alfabeto

A frase inglesa:
"The quick brown fox jumps over the lazy dog", utiliza todas as letras do alfabeto.
Criada pela Western Union para testar as suas
telecomunicações telex/twx.

As palavras, aqui, superam a imagem...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Exmos e Exmas...

Recentemente, recebi um email, com o título: Para que a plebe saiba.

Acho que acrescentado a esta lista, com 30 minutos de reflexão encontraríamos, no mundo económico, social e religioso, mudanças e alterações de funções de dezenas de destacáveis figuras de Portugal.

O que repugna não são os lugares que as pessoas ocupam, até porque, sendo habilitadas e formadas para desenvolverem a sua actividade profissional no sector privado, têm direito a exercê-la.

O que me choca são as situações em que as pessoas usaram de informação privilegiada, para posteriormente serem remunerados por um emprego face à sua eventual, “experiência”.

Todavia, fica aqui o teor do email recebido:

Fernando Nogueira:
Antes -Ministro da Presidência, Justiça e Defesa

Presidente do PSD
Agora - Presidente do BCP Angola

José de Oliveira e Costa:
Antes -Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)

Agora: Preso pelas burlas no BPN

Rui Machete:
Antes - Ministro dos Assuntos Sociais
Depois - Presidente do Conselho Superior do BPN;

Presidente do Conselho Executivo da FLAD

Armando Vara:
Antes - Ministro adjunto do Primeiro Ministro
Agora - Vice-Presidente do BCP

Paulo Teixeira Pinto:
Antes - Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Depois: Presidente do BCP

Agora: Depois de 3 anos de trabalho saiu com 10 milhões de indemnização!

António Vitorino:
Antes -Ministro da Presidência e da Defesa
Agora -Vice-Presidente da PT Internacional;

Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta

Celeste Cardona:
Antes - Ministra da Justiça
Agora - Vogal do CA da CGD

José Silveira Godinho:
Antes - Secretário de Estado das Finanças
Agora - Administrador do BES

João de Deus Pinheiro:
Antes - Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros
Agora - Vogal do CA do Banco Privado Português (o banco dos ricos que faliu…).

Elias da Costa:
Antes - Secretário de Estado da Construção e Habitação -
Agora - Vogal do CA do BES

Ferreira do Amaral:
Antes - Ministro das Obras Públicas

(que atribuiu à Lusoponte todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira)
Agora - Presidente da Lusoponte, com quem o Estado tem de renegociar o contrato.