quinta-feira, 30 de junho de 2005

A hipocrisia continua...

Duas das três mulheres que começaram a ser julgadas por aborto em Junho de 2004 regressam hoje ao Tribunal de Setúbal, depois da juíza ter decidido separar o processo da enfermeira-parteira do das mulheres que recorreram aos seus serviços.

Parece impossível, mas estas questões permanecem inalteráveis, sem que alguns sectores políticos e sociais deste país se incomodem.

Talvez porque nenhuma das senhoras em causa pertença a alguma família influente…

E há quem não se importe com estas situações, porque se o “azar” bater à porta de algum deles, ou de suas famílias, há dinheiro para ir até Espanha ou Inglaterra resolver a situação…

segunda-feira, 27 de junho de 2005

A greve dos sindicatos...

Uma colega minha falava na sala de professores, na semana passada, argumentando que a greve é um direito consagrado na Constituição da República. Os professores sentem-se injustiçados, pois trabalham um ano inteiro, esforçam-se para dar o melhor de si e chegam ao final do ano lectivo e vêem congelada a sua carreira e o tempo de serviço não lhes é contado para efeitos de progressão. É injusto! Pois é!

Mas não será preferível o diálogo à manifestação? Não dará melhores resultados o debate? Que efeitos teve a greve? Foi uma forma de pressionar o governo a alterar as suas medidas? E os alunos?

Os alunos também merecem o nosso respeito, a greve afectou-os e afectá-los –á. Eles podem ter feito os exames, mas será que o seu espírito e concentração foram os necessários? E aqueles que não os realizaram, mereceram chegar à escola e voltar para trás?

Os meses de empenho, trabalho e estudo destes alunos são dignos de desprezo? Tantas horas a estudar, tantos livros e folhas a “voarem” pelos quartos, tanto nervosismo, para quê?

É verdade que terão mais tempo para estudar, mas compensará? E a nova data, será que não afectará os outros exames, os outros planos de estudo?

Duas coisas são certas: Não lhes foi dada uma oportunidade e o exame não será o mesmo…

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Porque...

Um amigo enviou-me este poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, dedicando-mo por toda a minha vida política e pessoal, numa fase onde alguns questionam o meu valor.

Obrigado por me reconheceres como tal. Tenho procurado ser vertical e sincero nos meus percursos. Nem sempre é fácil, mas "... a luta continua...".

Aquele abraço.

l

Porque

l

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
i
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
i
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

sábado, 18 de junho de 2005

Para ti, mãe!

Para ti mãe, um poema de Eugénio de Andrade. Aquele autor, aquele poema que tanto gostas…

:)

Urgentemente

M

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

A

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

E

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

!

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

sexta-feira, 10 de junho de 2005

10 de Junho!

10 de Junho dia de Portugal, Camões e das Comunidades.

Dia da morte de Luís Vaz de Camões.

Em sua memória fica um dos seus poemas mais bonitos (para mim…).

Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
 
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
 
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
 
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
 
                           Luís de Camões

Made In China, India, Coreia...

A globalização é hoje um novo conceito de economia. É numa nova ordem económica mundial.

Este novo processo de organização da economia tem-se constituído como um desafio de competição e de sobrevivência para os pequenos grupos empresariais.

Alguns não estão a aguentar a pressão face à liberalização dos mercados.

As leis do mercado, a competitividade, a formação profissional e a qualificação dos recursos humanos são factores decisivos para a continuidade do desenvolvimento e da estabilidade económica das empresas que até agora aguentaram o embate inicial.

O aparecimento de grandes grupos económicos, as fusões e absorção de empresas mais vulneráveis é hoje uma constante.

Até quando o tecido económico nacional aguentará?

O aumento de falências e o consequente aumento do desemprego não estarão cada vez mais a contribuir para a debilidade da economia nacional?

Será este mais um ciclo? Ou o princípio do fim?

Aguentar-se-à?

O governo abriu várias frentes de combate na sociedade portuguesa, ao procurar alterar e acabar com regimes especiais de vencimentos, reformas, progressões nas carreiras…

Algumas, talvez, injustas e demasiado penalizadoras para os afectados.

Resta saber se este governo vai aguentar a contestação social que aí se avizinha.

terça-feira, 7 de junho de 2005

Se fosse eu, era preso...

"Eu vou receber aquilo a que tenho direito como todos os cidadãos em Portugal".

“Esta celeuma surgiu por causa de alguns bastardos no continente que decidiram desabafar o ódio que têm contra mim.”

“Há uns bastardos da comunicação social do continente. Eu digo bastardos para não ter de lhes chamar filhos da puta.”

Meus senhores e senhoras, este é o Presidente da República das Bananas!!!

Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional da Madeira.

Apetece-me escrever a sua música preferida…

“Quem é que não vê, quem é que não acha que o PSD põe Portugal em marcha…”

quarta-feira, 1 de junho de 2005

Rigor e contenção!

Foram várias as medidas de contenção orçamental e de combate ao défice que o governo de Sócrates anunciou nos últimos dias.

As mais faladas, são indiscutivelmente a subida do IVA de 19 para 21%; o congelamento de salários da função pública; o aumento da idade de reforma dos funcionários públicos para os 65 anos… Injustas para uns, e justas para outros.

Porém, o governo também acabará com as benesses para os titulares de cargos políticos ao nível das reformas; retirará benefícios aos administradores de Institutos Públicos e criará uma taxa de IRS de 42% para pessoas que auferem um salário anual superior a 60 mil euros…Outra medida que tornará a vida económica mais transparente é o levantamento do sigilo bancário que aguarda a alteração da legislação em vigor.

Ou seja, desta vez, as medidas também irão afectar os mais ricos.

Assim, o discurso das centrais sindicais e dos partidos que estão à esquerda do PS, que assentam num cínico lamento de que estas medidas afectam só os mais desfavorecidos, cai por terra.

A sobrevivência de pequenos partidos, e dos seus dirigentes, não pode ser feita à custa das graves crises económicas, que comprometem o futuro deste país, e que seriamente urgem ser solucionadas.

Esse é o propósito de Sócrates. Num esforço nacional, feito por todos, resolver a crise com rigor, determinação e seriedade.

Ou será que Sócrates como 1º Ministro tem prazer em aumentar impostos e perder a popularidade e a simpatia do povo português?