Calcula-se que cerca de 2,7 milhões de clientes se
encontram com contratos de fornecimento de eletricidade abrangidos pelas
tarifas reguladas transitórias, e que ainda não passaram os seus contratos para
o mercado liberalizado. Assim, estes 2,7 milhões de consumidores sofrerão, já a
partir de janeiro, um agravamento de 3,3% na sua fatura da luz.
Pouco mais de metade dos restantes clientes domésticos
nacionais, ou seja 3,2 milhões, estão no mercado livre, sendo-lhes imputado os
preços definidos pelos vários comercializadores que operam no sector.
Tendo em conta que as tarifas do fornecimento de eletricidade
oscilam em função dos custos da energia (EDP – setor privado), variam de acordo
com os custos dos encargos com os acessos às redes de distribuição, transporte (REN
– setor privado) e com o uso geral do sistema, acresce ainda a margem de rentabilidade
dos comercializadores.
Estando o preço do barril do petróleo a baixo
custo, e na sequência do grande investimento feito em estruturas geradoras de
energia renovável, nos últimos dois governos liderados pelo Partido Socialista,
em 2013 (dados mais recentes), 58,3% da energia consumida em Portugal resultou
da produção renovável. Assim, esperar-se-ia e desejar-se-ia uma redução nas
tarifas e não um aumento como se prevê.
Face ao exposto, e mesmo existindo um Regulador Público
(?) para esta área, as empresas privadas e os interesses corporativistas
recorrem ao argumento do aumento da dívida tarifária do sector e ao crescimento
moderado do consumo de energia como os fatores que mais influenciam
negativamente as tarifas para 2015.
Há sempre motivos para aumentos. As Entidades
Reguladoras não evidenciam qualquer regulação objetiva e jamais alguma diminuição
de encargos, mesmo quando a produção dos bens se obtém a mais baixo custo.
Sabemos e percebemos que os milhões de euros de
lucro das empresas privadas deste setor resultam do aumento das tarifas e da simultânea
redução dos outros encargos (produção, transporte e comercialização). Mas nos
aumentos, são os clientes que pagam.
Desta pequena forma se explica a importância de
alguns setores estratégicos nacionais – entre eles o da energia – estarem sobre
o domínio do estado e não da exploração económica.
Explorem-nos. Explorem as pessoas até ao tutano. Um dia a “bolha”
rebentará.
João Caldeira Heitor






