quinta-feira, 3 de março de 2016

O circo humano...


No último século a vida selvagem tem estado na mira das espingardas, nas armadilhas, na força superior que o ser humano quer impor, nem que seja à força, sobre a natureza.

Os objetivos do desenvolvimento sustentável ganharam eco nas últimas décadas, sem que em todos os países e continentes ele se consiga preconizar.

Resta aliás pensar que se há pessoas a morrer à fome, outras a fugir da guerra, e o desenvolvimento sustentável ou a caça furtiva se remetem a meros pormenores de circunstância.

ONU’s, NATO’s ou outras organizações acabadas em O’s ou A’s têm sido mais palco de simples encenações teatrais do que propriamente “…poderosas expressões de determinação política…”.

O património natural pode ser fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas, nos quais, o Homem é, somente, um elemento. Mas, se nem o Homem se respeita a ele próprio, porque raio devia pensar no ecossistema. O lucro continua a comandar, sob a batuta da economia.

O resto. O resto é apenas a utopia de uma minoria, que ainda que tenha uma visão de horizonte, não usa espingardas, petróleo, ações de bolsa ou biliões de dólares para encurtar o tempo que se está a esgotar para o planeta.

Dias internacionais servem para isso mesmo: internacionalizar. O Dia Internacional da Vida Selvagem tem pela frente o desejo do Homem em domesticar tudo o que o rodeia: até a vida selvagem…

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Dispensando mentes brilhantes...



De fio, sem pavio, a lua estica-se. 
Sem rede, na corda, alta, arrisca-se. 
De pé dobrado, com medo, avança-se. 
O corpo trémulo, vacila e equilibra-se. 

No circo, da vida, desprezamos os importantes. 
No circo, da vida, aplaudimos o esforço. 
No circo, da vida, dispensamos mentes brilhantes. 
No circo, da vida, valorizamos os normais. 

Voltando ao trapézio lá do alto. 
No ar rarefeito, sugado em compasso. 
Somos tempo contado em emoção. 
Somos pessoas libertas com ou sem razão.


João Caldeira Heitor

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Reescrever o amor...


Amor.
Esse sentimento da raça humana.
Perdido, por terem deixado de viver os limites do sentir,
Esquecido, por terem deixado de dançar na rua,
Barrado, por terem deixado erguer fronteiras,
Condicionado, por imporem comportamentos sociais...
Mesmo que as estrelas nos continuem a guiar,
Mesmo que as estrelas nos continuem a mostrar uma saída,
Só o acreditar nos faz caminhar, 
Percorrer, 
Lutar, 
Sobreviver,
Para reescrever no céu, na escola, no coração o que é o amor…

João Caldeira Heitor

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sentimento...


Sentimento.
Esse devir interno, exteriorizado.
Vincado, nas máculas da linha errante.
Hoje, não me meçam o semblante.
Carrega o peso dos anos, pesados.
Arrasta a ausência, sentida.
Pai há um, nesta vida.
E como a ternura, reclama.
E como a herança, cobra.
E como a memória, atraiçoa.
E como a impotência, nos castra.
Limitado sobre a história, escrita.
Conformado com o destino, traçado.
Não há lápide que honre o sentir.
Pois de pedra não é feito o coração.
Sou sentimento, bruto, de emoção.
Choro por dentro e escrevo para fora.
Sorrio ao olhar-me ao espelho.
Nele te encontro e nele te vejo.
Somos feitos da mesma matéria.
Traçados sobre a mesma tela.
Unidos em laços de sangue eternos, meu pai, meu amigo, meu Irmão.

António Alves Heitor
14/04/1943
18/11/2002

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Miolo de pensar...


Esse, de pensar e de fazer. 
Magoado no coração e emotivo. 
Sem bússola racional, ficou perdido. 
Procurado, mas logo esquecido. 
Conta os desejos frustados. 
Divide a mágoa pelos dedos. 
E olha fixamente o vazio, tremido. 
As lágrimas não o deixam ver.
A cegueira não o deixa falar. 
A raiva não o consegue deter,
De pensar, de ter, de a amar.
Sem casca que o possa cobrir. 
Sem resguardo que o possa amparar.
É soldado ferido.
É vagabundo perigoso,
Ferido por dentro, 
Consumido de amor...

João Caldeira Heitor

sábado, 3 de outubro de 2015

Tu...


Tu.
Chegaste. 
Deixas um pouco de ti, em mim. 
Com algo e sem nada. 
Nestes instantes registo e esqueço, 
O que me queiras dizer,
O que queiras guardar. 
O que possa ser,
O que me deixes viver. 
Contigo e sem ti.
E no vazio ficar.
Amarrado ao sentimento,
Vazio no olhar, frio, por dentro.
São saudades de há dias, 
São amarras ferrugentas, 
São sonhos de paixão.
Diluídos em álcool e suspiro. 
Evaporados, no chão…

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Como se os dias tivessem eternidade...


Por aqui, já não deslizam cartas...
Quem não as procura, delas não sente saudades.
Quem não as escreve, delas nunca bebeu amor.
Quem nunca as rasgou, nelas nunca escreveu.
Como se os desabafos não fossem escritos...
Como se as lágrimas não fossem corretor humano...
Como se os sorrisos não fossem o espelho do conteúdo...
Como se os suspiros não fossem sensações despertas...
Como se o toque não se sentisse, pelo sentimento expresso...
Como se os dias tivessem eternidade...
Como se a vida se repetisse...
Não há correio...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tolerar o irracional sentir...



Eu pensava que fosses tu,
De quem eu fugia,
Sem parar e olhar para trás,
Riscava o teu nome do meu pensar.

Entre o silêncio e o vazio das sombras,
Percebi a tua promessa,
De não ter mais de correr, com pressa,
Pois ali me deixaste ir…

Nessa minúscula de fração,
Percebi que já era tarde,
Para te abraçar e te prender,
Como pedia o fundo do meu coração…

Ressoou, naquele momento, o silêncio.
Fiquei calado, pendurado, estatelado,
Vi o chão a espelhar o meu rosto,
Molhado, de lágrimas, por não me teres segurado...

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ei, tu aí...



No espelho se reflete o rosto,
No sorriso se reflete a alma. 
...
Onde somos crianças crescidas,
Ganhamos, sonho.
Onde perdemos companhia,
Ganhamos, amizade.
Onde afirmamos intensidade,
Ganhamos, respeito.
Onde somos íntegros,
Ganhamos, honra.
...
(A liberdade de estarmos apaixonados pela vida e de a saborearmos ao lado de "pessoas", é a recompensa por pertencermos a nós próprios.
Quem só está rodeado por "gente" e refém de interesses umbilicais, jamais conseguirá sorrir espontaneamente.)
...
Onde conquistamos confiança,
Ganhamos, vida.
Onde geramos energia,
Ganhamos, cumplicidade.
E assim, onde somos, por quem somos e o que somos, aos outros podemos dar...



João Caldeira Heitor

quarta-feira, 4 de março de 2015

Injustiça da "justiça"...


Muito se falou, fala e falará na “justiça”, enquanto suporte e meio de funcionamento da sociedade.

Na “justiça”, na importância desta, nas diversas faces que nos apresenta, e na sua ausência, ou insuficiência.

As comunidades/terras/concelhos foram recebendo “tribunais”, pelo número de habitantes, pelas atividades económicas e nas relações destes, à luz das leis.

O que se quebrava, e quebra, na comunidade, na comunidade deve ser restabelecido.

Racionalizar a “justiça” não devia passar pelo encerramento de serviços. Para agir dessa forma, fechando valências, traçando mapas regionais e nacionais, díspares de outras estruturas administrativas, económicas e políticas, qualquer ex-aluno, de uma qualquer República, sem o curso terminado, o conseguia fazer.

As tecnologias e as estruturas em rede são fundamentais para a desburocratização do sistema, facilitando o acesso à justiça, auxiliando o desenvolvimento económico e o cumprimento deste direito basilar.

O caos no programa Citius e o número de processos que se acumulam nos tribunais (que vão restando), transmitem para a opinião pública uma sensação de impunidade, de ausência de justiça, e de controlo desta pelo poder económico, político e gripal.

Sim gripal. Pela fragilidade e vulnerabilidade da estrutura e dos mecanismos de adiamento, arrastamento e prescrição conhecidos e praticados por todos.

Reformar a reforma da justiça em Portugal não se assume por uma mera questão ideológica ou política, mas, tão-somente, pela necessidade de recolocar os serviços judiciais, junto das populações e das terras que compõem este pequeno, e grande Portugal.

O grande Portugal onde as dicotomias sociais se agudizam para prejuízo dos mais desfavorecidos, desempregados e, até mesmo daqueles que seriamente seguem o seu caminho, mas tantas vezes precisa de recorrer à “justiça”, perante os "injustos".

O mundo nunca será perfeito, mas sem “justiça” ele nem sequer terá futuro…

João Caldeira Heitor

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Quem avalia, sob a tutela de quem é avaliado?


A qualidade do ensino público depende de vários fatores que são garantidos pelos professores, em cada agrupamento de escolas, com o apoio da respetiva comunidade escolar e sob a orientação do ministério, de forma a concretizar o fim inerente ao conceito de educação, onde o aluno é o objetivo primeiro, e último, em toda a estrutura.

A par deste sistema, que só funciona de forma articulada, objetiva e séria, a Inspeção Geral de Educação assume funções de avaliação, de aconselhamento, de prevenção e de análise de procedimentos, aferindo, assim, o cumprimento do dossier legislativo e regulamentar que suporta o setor educativo e todos os seus protagonistas.

Na lógica dialética do dia-a-dia, vários profissionais da Inspeção Geral de Educação têm-se aposentado, sem a devida substituição, verificando-se desde 2010 um decréscimo do número de inspetores em todo o território nacional.

Paralelamente, e nos últimos 3 anos, temos assistido à degradação dos recursos técnicos, à retirada de competências e à redução do orçamento deste organismo, com um real decréscimo da qualidade do serviço prestado.

O atual governo conhece este cenário, que em nada abona o processo de avaliação da qualidade do ensino público, mas nada faz…

A Inspeção Geral de Educação, ainda que necessitada, conta com profissionais e dirigentes que diariamente se empenham para colmatar as irresponsabilidades do Estado.

Ainda que a Inspeção Geral de Educação tenha como missão avaliar o funcionamento do Ministério da Educação, não se entende como é que esta organização se encontra sob a alçada da Secretaria de Estado da Administração Escolar.

Questiona-se, desta forma, ao ano de 2015, e pertencendo Portugal a uma construção denominada: União Europeia, a regularidade deste organograma, condicionada nas correlações entre o poder político e o cumprimento administrativo-legal.


João Caldeira Heitor

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Nesse tempo que decorre, agora, e sempre...


A volatilidade da vida tem-se apresentado cada vez mais como a constante, onde os minutos abafam as riquezas de cada oportunidade de sermos, quem somos...

O arrependimento, de nada e de tudo, só encontra oposição nos segundos que multiplicam a respiração, sobre os minutos sugadores da luz…

João Caldeira Heitor

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Da EDP e do fornecimento de energia elétrica, à falência da credibilidade das Entidades Reguladoras…



Calcula-se que cerca de 2,7 milhões de clientes se encontram com contratos de fornecimento de eletricidade abrangidos pelas tarifas reguladas transitórias, e que ainda não passaram os seus contratos para o mercado liberalizado. Assim, estes 2,7 milhões de consumidores sofrerão, já a partir de janeiro, um agravamento de 3,3% na sua fatura da luz.

Pouco mais de metade dos restantes clientes domésticos nacionais, ou seja 3,2 milhões, estão no mercado livre, sendo-lhes imputado os preços definidos pelos vários comercializadores que operam no sector.

Tendo em conta que as tarifas do fornecimento de eletricidade oscilam em função dos custos da energia (EDP – setor privado), variam de acordo com os custos dos encargos com os acessos às redes de distribuição, transporte (REN – setor privado) e com o uso geral do sistema, acresce ainda a margem de rentabilidade dos comercializadores.

Estando o preço do barril do petróleo a baixo custo, e na sequência do grande investimento feito em estruturas geradoras de energia renovável, nos últimos dois governos liderados pelo Partido Socialista, em 2013 (dados mais recentes), 58,3% da energia consumida em Portugal resultou da produção renovável. Assim, esperar-se-ia e desejar-se-ia uma redução nas tarifas e não um aumento como se prevê.

Face ao exposto, e mesmo existindo um Regulador Público (?) para esta área, as empresas privadas e os interesses corporativistas recorrem ao argumento do aumento da dívida tarifária do sector e ao crescimento moderado do consumo de energia como os fatores que mais influenciam negativamente as tarifas para 2015.

Há sempre motivos para aumentos. As Entidades Reguladoras não evidenciam qualquer regulação objetiva e jamais alguma diminuição de encargos, mesmo quando a produção dos bens se obtém a mais baixo custo.

Sabemos e percebemos que os milhões de euros de lucro das empresas privadas deste setor resultam do aumento das tarifas e da simultânea redução dos outros encargos (produção, transporte e comercialização). Mas nos aumentos, são os clientes que pagam.

Desta pequena forma se explica a importância de alguns setores estratégicos nacionais – entre eles o da energia – estarem sobre o domínio do estado e não da exploração económica.

Explorem-nos. Explorem as pessoas até ao tutano. Um dia a “bolha” rebentará.



João Caldeira Heitor

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Escolas Profissionais sem dinheiro... E depois?!?




As Escolas Profissionais encontram-se sem dinheiro para procederem a pagamento de salários, com dívidas que ascendem a 50 milhões de euros.

O Estado, o atual governo que defende o reforço do Ensino Profissional, ainda não pagou um cêntimo às escolas este ano letivo. Estando a maioria dos estabelecimentos em rutura, e depois do governo ter procedido a um corte de 700 milhões de euros no Orçamento de Estado para a área da educação, questiona-se, objetiva e diretamente, qual o futuro do ensino em Portugal?

Estando as Escolas Profissionais sedeadas em regiões de convergência, co-financiadas pelo Estado Português e pelo Fundo Social Europeu, vêem-se confrontadas, pelo segundo ano consecutivo, com graves atrasos no financiamento.

Atrasos esses resultantes de uma clamorosa falta de articulação entre departamentos governamentais que não souberam, ou não quiseram, atempadamente, adotar as medidas conducentes à resolução do problema do financiamento das Escolas Profissionais.

Incompreensivelmente, as Escolas Profissionais ainda não receberam qualquer verba neste ano letivo (no final do primeiro período letivo!). A situação é ainda mais grave se nos próximos dias não forem feitos os necessários despachos para desbloquear os pagamentos.

Tendo as Escolas Profissionais apresentado as candidaturas pedagógicas à DGESTE e as financeiras ao POPH dentro dos prazos estabelecidos;

Tendo as Escolas Profissionais dado início às atividades letivas e assumido os encargos inerentes com a organização da formação respeitando o calendário escolar definido pelo MEC;

Tendo as Escolas Profissionais aguardado a emissão das audiências prévias e dos termos de aceitação pelo POPH para receberem as verbas a que têm direito;

As Escolas Profissionais por força da falta de emissão dos documentos referidos nos anteriores três parágrafos, não encontram recetividade da banca para obter os financiamentos adequados. 

Assim, as Escolas Profissionais não dispõem de meios financeiros para cumprir os compromissos com o pessoal docente e não docente, com alunos e com fornecedores.

No ano passado, quando a mesma situação ocorreu, o governo garantiu aos dirigentes das Escolas Profissionais que este ano não se repetiriam anomalias desta natureza. Mas, infelizmente, para dezenas de dirigentes, professores, alunos, fornecedores e encarregados de educação, a história repete-se colocando em causa o funcionamento destas estruturas de vital importância formativa.
Impõe-se que o governo resolva, imediatamente, estas graves falhas da estrutura organizativa do Ministério da Educação e que restabeleça a paz e a tranquilidade no seio destas comunidades escolares.

Depois dos atrasos verificados na colocação de professores nas escolas; depois de se conhecer o corte abismal de 700 milhões de euros no Orçamento de Estado para a área da educação; depois do governo estabelecer nas Grandes Opções do Plano para 2015 “centrar a sua ação na melhoria dos índices de qualificação da população portuguesa, no reforço da empregabilidade, da atratividade do sistema de educação e formação profissionais e de um maior alinhamento com as necessidades do mercado de trabalho.” permanecem estas ocorrências que delapidam a educação pública, que menosprezam aqueles que à educação se dedicam de corpo e alma.

A hipoteca do futuro do ensino em Portugal não está somente numa qualquer folha registada, num qualquer cofre, fechado. A hipoteca do ensino em Portugal está a passar à insolvência e à venda a retalho, como se se tratasse de um qualquer bem transacionável, em papel de ações (desvalorizadas)…

E que as pessoas se resignem e nada façam contra tudo isto…


João Caldeira Heitor

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

What's your name?


O Conselho de Ministros aprovou hoje a introdução da disciplina de Inglês no currículo, como disciplina obrigatória a partir do 3.º ano de escolaridade.

Até aqui tudo bem. Porém, há alguns anos que o Inglês é lecionado no 1º ciclo através das Atividades de Enriquecimento Curricular, em boa hora criadas e implementadas a nível nacional, por intermédio de acordos e parcerias entre o Ministério da Educação e os municípios.

Mas, louva-se a iniciativa de avançar, desde já, e no próximo ano letivo - 2015-2016 para que todos os alunos que ingressem no 3.º ano de escolaridade adquiram uma componente letiva de duas horas semanais de Inglês.

Todavia, deseja-se que o Ministério da Educação não “despeje”, literalmente, sobre as escolas e agrupamentos, a responsabilidade de encontrar “soluções mágicas” que garantam a colocação atempada dos professores, o pagamento da respetiva carga horária aos docentes, assim como a definição das restantes regras e procedimentos administrativos que estão subjacentes à inclusão de uma nova unidade curricular na estrutura educativa. É que estas são da responsabilidade direta do Ministério.

O governo prevê ainda que as escolas possam, “de acordo com os recursos disponíveis e no âmbito da sua autonomia, proporcionar o complemento ou a iniciação anterior do estudo desta ou de outras línguas estrangeiras” o que levará a que cada Agrupamento, dada a sua localização geográfica e/ou especificidade da comunidade escolar, desenvolvam novas e complementares respostas.

Ainda que se possa louvar esta iniciativa, já reivindicada por diversos partidos e estruturas educativas, não posso concordar com a “definição de uma habilitação profissional para lecionar Inglês, no 1.º ciclo e a criação de um novo grupo de recrutamento” visto que os professores do grupo 220 – com Licenciatura em Ensino Básico, 2º Ciclo, Variante de Português/Inglês estão perfeitamente habilitados para responder a esta necessidade, com a respetiva formação académica, prática pedagógica específica e geral.

Nem só de más notícias se faz o mundo, ainda que a inovação (definição de uma habilitação profissional para lecionar Inglês, no 1.º ciclo e a criação de um novo grupo de recrutamento) nem sempre represente um tiro certeiro, sobre um alvo demasiado esburacado…


João Caldeira Heitor

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Desvario...


Hoje ficamos a saber que após a conclusão da segunda fase das candidaturas ao Ensino Superior ficaram ainda nove mil vagas por preencher.

Há 67 cursos com vagas disponíveis que não colocaram nenhum aluno, sendo que 42 deles se referem às engenharias (?), com medicina a preencher todos os lugares.

Isto acontece numa altura em que empresas portuguesas de recrutamento apresentam boas ofertas e procura de recém-licenciados em engenharias para trabalhar na Alemanha e nos Emirados Árabes Unidos.

Isto acontece numa altura em que empresas portuguesas de recrutamento apresentam boas ofertas e procura de recém-licenciados em medicina e enfermagem para Inglaterra.

Isto representa o esvaziamento da maior riqueza de um país – o potencial humano com formação de excelência – que tem sido obrigado a emigrar e a contribuir para o desenvolvimento social e económico destes e de outros países.

Portugal tem excelentes universidades e institutos politécnicos (recursos humanos e materiais) que consolidam 12 anos de ensino obrigatório, após a frequência numa uma boa rede nacional de ensino pré-escolar, ao contrário de outros países da (nossa cada vez mais longínqua) União Europeia.

Urge relançar a economia portuguesa, alavancar as empresas nacionais para que estas resgatem os nossos concidadãos que se encontram espalhados pelo mundo, e obter essa mais-valia de conhecimento e capacidade.

Urge reforçar o Sistema Nacional de Saúde e concretizá-lo em todo o território nacional, com médicos e enfermeiros que pratiquem cuidados primários e um acompanhamento de proximidade com todos os cidadãos. Para tal, os nossos enfermeiros e médicos recém-formados são precisos de norte a sul do nosso país, e não em Inglaterra ou no Canadá.


Não é possível, aceitável e até mesmo economicamente sustentável que o nosso país, o nosso sistema de ensino continue a gastar milhões de euros na formação de pessoas que, posteriormente são obrigadas a emigrar, e desta forma contribuindo “a custo 0” para a obtenção de quadros superiores.

João Heitor

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

(in)Justiças


A recente reorganização do mapa judiciário, preconizado pelo atual governo PSD/CDS, impõe-se, segundo a ministra Paula Teixeira da Cruz, devido aos atrasos e aos rácios de alguns tribunais. Para a responsável ministerial o novo modelo de 23 comarcas visa a obtenção de “uma justiça de boa qualidade, com centralidades e com acessos, para os processos não se arrastarem durante demasiado tempo.”(?!?)
Todavia, a realidade é outra, inversa, e contrasta com o encerramento por parte do governo de alguns tribunais novos e outros que foram alvo de obras recentemente. A redistribuição de valências destes tribunais por outros, não obedeceu a qualquer lógica territorial, do número de cidadãos e das estruturas rodoviárias existentes que deviam garantir a mobilidade dos cidadãos.
Na passada segunda e terça-feira, advogados, magistrados e funcionários judiciais não conseguiram aceder ao sistema informático da justiça portuguesa - o Citius - paralisando assim todo o trabalho judicial.
Numa altura em que se realiza a distribuição dos processos pelas novas secções, a principal ferramenta informática colapsa e o sistema para, com o adiamento de julgamentos e de providências cautelares, sem que os magistrados e os funcionários judiciais consigam aceder aos respetivos procedimentos.
Recorde-se que a ministra Paula Teixeira da Cruz procedeu, recentemente, à contratação de serviços informáticos junto de empresas privadas para o aperfeiçoamento do programa Citius, e que só terminarão em 2015.
A verdade é que ninguém explica porque razão o programa bloqueou.
A verdade é que ninguém explica como é que o governo avança com uma alteração desta natureza, com os processos judiciais a serem transportados em caixas de fruta e sem condições de segurança.
A verdade é que ninguém explica como é que procederam à transferência de valências e concentração de outras em mega edifícios que, afinal, não possuem condições físicas para guardar os respetivos processos, tendo sido necessário comprar/alugar contentores que foram colocados à porta.
A verdade é que ninguém consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para esta reestruturação que trará mais encargos para os cidadãos e empresas que necessitam de aceder aos serviços de justiça.
A verdade é que ninguém consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para esta reestruturação que irá gerar entropias nas novas “mega” estruturas e na justiça portuguesa.
A verdade é que ninguém consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para o esvaziamento de instalações estatais construídas com dinheiros públicos.
Tantas verdades, e, simultaneamente, tantos erros que têm um elevado custo a presente e médio prazo para todos.
Até quando?
João Heitor

segunda-feira, 3 de março de 2014

Eles e eu...


Há quem tudo queira e só por isso oriente a vida.
Mas, pessoas há a desejar, somente, viver.
E aí, conquistar especiais sentires.
No suor do pensar, em vitórias reais e morais.
Fervilham pensamentos para decisões a cada minuto. 
Sem bússolas, só com a riqueza do valor interior.
E, um chá que acompanhe a alma, em suplemento e pureza.

João Heitor

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Fugaz glória...


Não podemos parar depois dos longos caminhos percorridos, ou, inverte-los, com a imprevisível doutrina do sentir. 

Não há gota de chuva que pare o olhar racional ou que impeça a real fotografia que aguarda ser capturada pela máquina do registo. 

Sou película por gravar, um novo horizonte, que a noite impõe, por cada amanhecer que se segue. 

Ter a palavra sobre a razão é tinta de livros que só confirmam o que a alma sente.

Sonhador? Sim. 

Utópico? Também. 

Mas em cada noite, fria, sem medo dessa gota de chuva, dessa fotografia conhecida, dessa fugaz glória que alguns acreditam ser o esplendor máximo, eu, despido de preconceitos ou de manias, vivo com a consciência tranquila. 

Moral? 
Podem comer todos, mas só alguns a saboreiam. 

Evasivo? 
Não. 

Está tudo aqui...e aí...em cada um de nós...


Sobre cada Natal...


Nesta época, há quem espere embrulhos.
Eu não quero nenhum Presente.
Quero que neste Renascimento, diário, Todos tenham um Futuro, e que simplesmente sejam Pessoas...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Redesenhar o Mundo (?)


Frenéticas alegrias envoltas no papel dos embrulhos deram felicidade material às almas mais características dessas tipologias ou maneiras de ser.

Não são piores ou melhores que outras, vazias, de papeis e de surpresas onde até a refeição da noite de Natal precisou de ser economizada com um mês de antecedência.

São as almas de um tempo que já não atinge a maioria dos habitantes deste país, mesmo até a maioria dos eleitores que, pelo Instituto Nacional de Estatística, pertencem ao escalão 1, 2 e 3 dos endividados e distinguidos pela banca. 

Milhões brindam com a magia do Natal que recorda os valores, por uns dias dos muitos que, num ano, servem de entulho para o enchimento dos pilares da produção económica, em altos andares de lojas, escritórios e apartamentos.

A balança, ao longo da história, sempre propendeu na medida certa, de um lado e do outro, para estabelecer o equilíbrio natural. 

Não há pesos e vontades que se juntem do mesmo lado e que possam contrabalançar a hipnótica forma de ser e de estar da maioria.

Falsos moralismos e sermões, entre um copo de sumo de laranja, só sobrecarregam o fígado atolado em ovos, álcool e outras iguarias da fartura alimentar.

O medo pode ser um excelente incentivador para a confirmação do sucesso, ainda que a queda para os acidentes de expressão sejam a constante no precipício do comportamento de certas personagens da praça. 

Em todas as terras e lugares há uma praça. 

De pedra ou de compras.

Lá voltamos aos materiais...

Prefiram-se as praças de pedra onde se encontram, tocam e ouvem as pessoas normais, e se acenam às outras.

Queixam-se os armários, as garagens, as gavetas e os espaços caseiros onde novas contas se contam.

Louvam-se os que alimentam os sonhos daqueles que não querem presentes, mas, somente, um futuro.

E aí, nesse Renascimento diário dos Valores Humanos, nesse desígnio humano, que se veste de branco (pela pureza), de verde (pela esperança), de azul (pela imensidão do céu que se torna o horizonte mais próximo), e mais companheiro de um sol de esperança que se pinta em cada gesto partilhado...


Aqui estão os lápis com que podemos redesenhar o mundo...

João Heitor

Amaciador de Gente


Colocam-se nos cabelos longos, de quem os usa, assim sendo seus ou daqueles a quem a pobreza os esticou pela ausência de dinheiro.

Esses de outros tempos dirão. Ou não...

Esses outros (os de outros tempos) vividos e que agora regressam para uma nova temporada que não corre na FOX ou no AXN. 

Um novo cenário que se encontra nas descoloradas fitas dos rolos dos cinemas e na intercalada casa ou letra dos apartamentos das novas cidades pintadas com grandes superfícies comerciais.

Colocam-se nos cabelos encaracolados que em voltas incertas aguardam pelo vento dessa tempestade a que chamam de Natal.

Esse de outros tempos dirão. Ou não...

Esse outro (Natal) que em acordo ortográfico já se escreve pequeno pelo início, e no fim se assume como rijo, de pontas espigadas, revoltado como os que a ele não acedem na mesma medida - desvirtuados da medida certa dos componentes do Amaciador que actuam no fino couro da ossada de cada um de nós. 

Voltemos ao supermercado. 

Mas, já passam das sete. 

Vamos ao hiper. 

Espera. 

Já passam das dez, das onze, da meia noite.

Vamos à loja de conveniência que os tempos modernos dão resposta para todas as necessidades, menos para a morte, incerta, que dizem nos estar marcada, mas sobre a qual a economia também gera receitas e burocracias dignas da real importância das instituições, dos países avançados em tempos de bonança. 

Sim, porque quando as catástrofes ocorrem, o tamanho do Homem é vergado pela incompreendida forca da natureza, para que as valas, que dizem comuns, preservem a saúde publica, na diminuta valorização da nobreza humana que por ali deixa a sua matéria. 

Que se lixe o Amaciador. 

A Troika é que empresta o dinheiro que todos pagamos vezes sem conta.

Mas, e na amizade? 

Aí os pagamentos não deviam estar escondidos entre sinónimos mais leves tais como: retorno, compensação, segundos-interesses, absorção (porra que palavras tão certas quando nos acedem à alembradura certas personagens...).

Absorção?  

Quando somos absorvidos por outros não deixamos de ser donos de nós próprios?

Ou será que a liberdade é uma mera ilusão de qualquer ser humano que vive segundo as regras da sociedade? 

Voltemos à amizade senão o Kant e o Decartes ainda me vêem puxar as orelhas...

Esse punhado de bons amigos, salpicado por umas dezenas de pessoas mais próximas, e polvilhado por umas centenas de outras tantas conhecidas, é o nobre valor a quem se recorre quando a carteira está vazia, e no número de amigos se conta a riqueza individual que, por inerência, se acrescenta em valor (será?).

Dissertações sem sustentação académica, religiosa, ou filosófica podem ser sempre dirimidas entre um abraço de circunstância, meia dúzia de promessas de união eterna, e duas garrafas de vinho tinto (antigamente era só uma, mas agora na vertente comercial duas representa um poderio económico, aliado à metáfora sobre os benefícios do vinho, moderado, às refeições).

Voltemos aos amigos, que por vezes existem mais no mundo virtual, escapando-se em modo: relâmpago! no mundo real (atenção que eu conheço os meus e desta Tese de Mestrado, da uma para as duas, não estou a esboçar um auto-retrato).

Ora não cuides tu de te embalar no sono, no trabalho e na arte ou engenho de dar duas seguidas (marteladas) no prego a espetar, que não encontrarás o teu nome nesse quadro a pendurar, com ou sem excelência, mérito ou assinatura de pessoa importante.

Por falar em gente importante: eles falam, falam, mas nem pintam as estradas, não fazem milagres, nem dão notícias quando deviam...

Acho que o Amaciador de Gente será sempre a poção magica que não se venderá no mercado ou na feira anual pelo homem da mala preta, onde as mezinhas e as soluções miraculosas podem, por vezes, ser a solução para as dores de alma.

Na farmácia também não. 

Até porque onde se vende o que (eventualmente) cura a matéria (carne, ossos e órgãos) jamais conseguiremos encontrar algo que trate a alma, amacie o trato, separe o essencial do acessório, mostre que cada dia foi o último que vivemos e onde podíamos ter feito a diferença...


Para a próxima vez tenho de analisar a vertente: Champoo + Amaciador porque talvez seja preciso usar um pouco de limpeza no pensamento...

João Heitor