quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Que se cumpra o contrato...


Amanhã ocorrerá no auditório do edifício-sede do Município de Ourém um seminário intitulado "Recursos Hídricos do Concelho de Ourém - Estado, Riscos e Antevisão", enquadrado nas comemorações dos 20 anos da Be Water em Ourém.

Ainda que a iniciativa vise despertar e informar “a necessária preservação de uma das principais riquezas do concelho de Ourém, que são os recursos hídricos e os respetivos aquíferos de Ourém”, mas sendo “direcionada a responsáveis políticos das Juntas de Freguesia, como representantes da população, representantes das escolas e alunos, numa perspetiva pedagógica, representantes religiosos, como interlocutores de fé, responsável de saúde concelhia e à população em geral”, não posso deixar de tecer alguns comentários:

A água do concelho de Ourém tem sido explorado nos últimos 20 anos por uma empresa privada, que já vai no seu terceiro nome (Companie Général des Eaux, Veolia e Be Water), sendo presentemente propriedade de um grupo de investidores chineses, no seguimento de um contrato celebrado em 1997 pelo então Presidente da Câmara Municipal, David Catarino.

Três notas:

Ao longo destes 20 anos ocorreram alguns investimentos por parte da empresa, nas infraestruturas de fornecimento de água pelo concelho, que podiam ter sido desenvolvidas com mais articulação e visão estratégica;

Ao longo destes 20 anos a empresa ficou com a responsabilidade de concretizar um determinado valor de obras de requalificação das redes e das estruturas, o que não tem ocorrido;

Ao longo destes 20 anos os diversos responsáveis da empresa invocaram perdas de água no subsolo devido à existência de redes antigas com ruturas, quebra do volume de consumos (entenda-se venda de água), entre outros argumentos.

Face ao exposto entendo não podemos aceitar que a empresa não efetue os devidos investimentos a que está obrigada. Dois exemplos:

Em algumas localidades do concelho as condutas de água têm mais de 36 anos;

Em algumas localidades do concelho as bombas existentes no subsolo responsáveis por "bombar" a água para casas situadas em locais mais altos, não têm a devida potência para garantir o caudal mínimo de água.

Ainda que defenda que a água pública deve ser gerida por quem sabe, não podemos aceitar que não se corrijam situações como estas. A tão almejada qualidade de vida que as populações do concelho de Ourém exigem e merecem, não se coaduna com este tipo de serviços.

Se os estudos efetuados aquando da celebração do contrato, numa visão prospetiva, não foram bem calculados e se a empresa não tem atingido os lucros que estimaram, não podem, nem devem ser os cidadãos ou o município a suportarem esses erros.

E que até ao fim do contrato todas as cláusulas sejam cumpridas pela empresa, visto que um bem comum – como é a água – não é, nem pode continuar a ser elemento de rendimento...


João Caldeira Heitor

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Esse tempo de boa hora...


Esse tempo...

Nasci num tempo de chuva,
Fui família e integrei a multidão,
Fui um incógnito viajante com ajuda, 
Fui combatente com caneta e esta razão. 

Chego ao tribunal e avalio,
Esse rosto de curtas vidas e noites longas,
Releio as palavras gravadas,
Perdidas no silêncio da alma. 

Houve um tempo que me lembro,
Das viagens tateadas com o paladar,
Em que a promessa era o que não tinha,
Do amor que não me podias dar. 

A promessa é folha rasgada, 
Que o tempo com o espírito partiu. 
Sussurro esquecer esse momento. 
Entre o teu e o meu olhar. 

Abrindo os olhos em cada dia,
Tocarei meu rosto,
Sorrirei memória, 
Esquecerei a saudade...


João Caldeira Heitor

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Motores desafinados e velhos...


Enquanto o governo promove iniciativas de conservação da biodiversidade em contexto urbano, estimulando os municípios a disseminarem os espaços de lazer e de usufruto público, recuperando as zonas ribeirinhas e criando novas áreas verdes com funções específicas, que contribuam, simultaneamente, para a qualidade do ar e o sequestro de carbono;

Enquanto se estabelece a nível europeu e nacional a redução da utilização dos combustíveis fósseis e da poluição do ar através da promoção de bairros com usos mistos (habitação, comércio, trabalho, escola e lazer), reduzindo as deslocações diárias e criando raízes sólidas na vida dos cidadãos, através da partilha e da produção local de bens e serviços;

Enquanto se implementam planos de melhoria da qualidade do ar e a manutenção e modernização operacional da Rede de Monitorização da Qualidade do Ar;

Conhecemos hoje os números de uma parte do outro lado de lá da realidade: existem cerca de 376 mil automóveis a gasóleo a circular em Portugal com excesso de emissões de óxido de azoto (NOx), fabricados a partir de 2014…
Para além destes há ainda a acrescentar aqueles carros com 15 e 20 anos que, quando os seus condutores carregam no acelerador deixam uma nuvem preta no ar, como se de um choco se tratasse, a despejar um manto negro de poluição estrada fora...
Quem não vivenciou este cenário?

Podem “chover” carros elétricos, “construírem” alamedas de árvores e colocarem as bicicletas de “borla”...
Enquanto se mantiverem estes veículos na estrada, todo o pequeno trabalho, toda a política de melhoria da qualidade do ar será uma pequena "mão cheia de areia”, num imenso “deserto” que se quer (e precisa de) conquistar.
Relativamente a esta questão, onde têm estado e o que têm feito as autoridades fiscalizadoras?


João Caldeira Heitor

quinta-feira, 3 de março de 2016

O circo humano...


No último século a vida selvagem tem estado na mira das espingardas, nas armadilhas, na força superior que o ser humano quer impor, nem que seja à força, sobre a natureza.

Os objetivos do desenvolvimento sustentável ganharam eco nas últimas décadas, sem que em todos os países e continentes ele se consiga preconizar.

Resta aliás pensar que se há pessoas a morrer à fome, outras a fugir da guerra, e o desenvolvimento sustentável ou a caça furtiva se remetem a meros pormenores de circunstância.

ONU’s, NATO’s ou outras organizações acabadas em O’s ou A’s têm sido mais palco de simples encenações teatrais do que propriamente “…poderosas expressões de determinação política…”.

O património natural pode ser fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas, nos quais, o Homem é, somente, um elemento. Mas, se nem o Homem se respeita a ele próprio, porque raio devia pensar no ecossistema. O lucro continua a comandar, sob a batuta da economia.

O resto. O resto é apenas a utopia de uma minoria, que ainda que tenha uma visão de horizonte, não usa espingardas, petróleo, ações de bolsa ou biliões de dólares para encurtar o tempo que se está a esgotar para o planeta.

Dias internacionais servem para isso mesmo: internacionalizar. O Dia Internacional da Vida Selvagem tem pela frente o desejo do Homem em domesticar tudo o que o rodeia: até a vida selvagem…

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Dispensando mentes brilhantes...



De fio, sem pavio, a lua estica-se. 
Sem rede, na corda, alta, arrisca-se. 
De pé dobrado, com medo, avança-se. 
O corpo trémulo, vacila e equilibra-se. 

No circo, da vida, desprezamos os importantes. 
No circo, da vida, aplaudimos o esforço. 
No circo, da vida, dispensamos mentes brilhantes. 
No circo, da vida, valorizamos os normais. 

Voltando ao trapézio lá do alto. 
No ar rarefeito, sugado em compasso. 
Somos tempo contado em emoção. 
Somos pessoas libertas com ou sem razão.


João Caldeira Heitor

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Reescrever o amor...


Amor.
Esse sentimento da raça humana.
Perdido, por terem deixado de viver os limites do sentir,
Esquecido, por terem deixado de dançar na rua,
Barrado, por terem deixado erguer fronteiras,
Condicionado, por imporem comportamentos sociais...
Mesmo que as estrelas nos continuem a guiar,
Mesmo que as estrelas nos continuem a mostrar uma saída,
Só o acreditar nos faz caminhar, 
Percorrer, 
Lutar, 
Sobreviver,
Para reescrever no céu, na escola, no coração o que é o amor…

João Caldeira Heitor

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sentimento...


Sentimento.
Esse devir interno, exteriorizado.
Vincado, nas máculas da linha errante.
Hoje, não me meçam o semblante.
Carrega o peso dos anos, pesados.
Arrasta a ausência, sentida.
Pai há um, nesta vida.
E como a ternura, reclama.
E como a herança, cobra.
E como a memória, atraiçoa.
E como a impotência, nos castra.
Limitado sobre a história, escrita.
Conformado com o destino, traçado.
Não há lápide que honre o sentir.
Pois de pedra não é feito o coração.
Sou sentimento, bruto, de emoção.
Choro por dentro e escrevo para fora.
Sorrio ao olhar-me ao espelho.
Nele te encontro e nele te vejo.
Somos feitos da mesma matéria.
Traçados sobre a mesma tela.
Unidos em laços de sangue eternos, meu pai, meu amigo, meu Irmão.

António Alves Heitor
14/04/1943
18/11/2002

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Miolo de pensar...


Esse, de pensar e de fazer. 
Magoado no coração e emotivo. 
Sem bússola racional, ficou perdido. 
Procurado, mas logo esquecido. 
Conta os desejos frustados. 
Divide a mágoa pelos dedos. 
E olha fixamente o vazio, tremido. 
As lágrimas não o deixam ver.
A cegueira não o deixa falar. 
A raiva não o consegue deter,
De pensar, de ter, de a amar.
Sem casca que o possa cobrir. 
Sem resguardo que o possa amparar.
É soldado ferido.
É vagabundo perigoso,
Ferido por dentro, 
Consumido de amor...

João Caldeira Heitor

sábado, 3 de outubro de 2015

Tu...


Tu.
Chegaste. 
Deixas um pouco de ti, em mim. 
Com algo e sem nada. 
Nestes instantes registo e esqueço, 
O que me queiras dizer,
O que queiras guardar. 
O que possa ser,
O que me deixes viver. 
Contigo e sem ti.
E no vazio ficar.
Amarrado ao sentimento,
Vazio no olhar, frio, por dentro.
São saudades de há dias, 
São amarras ferrugentas, 
São sonhos de paixão.
Diluídos em álcool e suspiro. 
Evaporados, no chão…

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Como se os dias tivessem eternidade...


Por aqui, já não deslizam cartas...
Quem não as procura, delas não sente saudades.
Quem não as escreve, delas nunca bebeu amor.
Quem nunca as rasgou, nelas nunca escreveu.
Como se os desabafos não fossem escritos...
Como se as lágrimas não fossem corretor humano...
Como se os sorrisos não fossem o espelho do conteúdo...
Como se os suspiros não fossem sensações despertas...
Como se o toque não se sentisse, pelo sentimento expresso...
Como se os dias tivessem eternidade...
Como se a vida se repetisse...
Não há correio...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tolerar o irracional sentir...



Eu pensava que fosses tu,
De quem eu fugia,
Sem parar e olhar para trás,
Riscava o teu nome do meu pensar.

Entre o silêncio e o vazio das sombras,
Percebi a tua promessa,
De não ter mais de correr, com pressa,
Pois ali me deixaste ir…

Nessa minúscula de fração,
Percebi que já era tarde,
Para te abraçar e te prender,
Como pedia o fundo do meu coração…

Ressoou, naquele momento, o silêncio.
Fiquei calado, pendurado, estatelado,
Vi o chão a espelhar o meu rosto,
Molhado, de lágrimas, por não me teres segurado...

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Ei, tu aí...



No espelho se reflete o rosto,
No sorriso se reflete a alma. 
...
Onde somos crianças crescidas,
Ganhamos, sonho.
Onde perdemos companhia,
Ganhamos, amizade.
Onde afirmamos intensidade,
Ganhamos, respeito.
Onde somos íntegros,
Ganhamos, honra.
...
(A liberdade de estarmos apaixonados pela vida e de a saborearmos ao lado de "pessoas", é a recompensa por pertencermos a nós próprios.
Quem só está rodeado por "gente" e refém de interesses umbilicais, jamais conseguirá sorrir espontaneamente.)
...
Onde conquistamos confiança,
Ganhamos, vida.
Onde geramos energia,
Ganhamos, cumplicidade.
E assim, onde somos, por quem somos e o que somos, aos outros podemos dar...



João Caldeira Heitor

quarta-feira, 4 de março de 2015

Injustiça da "justiça"...


Muito se falou, fala e falará na “justiça”, enquanto suporte e meio de funcionamento da sociedade.

Na “justiça”, na importância desta, nas diversas faces que nos apresenta, e na sua ausência, ou insuficiência.

As comunidades/terras/concelhos foram recebendo “tribunais”, pelo número de habitantes, pelas atividades económicas e nas relações destes, à luz das leis.

O que se quebrava, e quebra, na comunidade, na comunidade deve ser restabelecido.

Racionalizar a “justiça” não devia passar pelo encerramento de serviços. Para agir dessa forma, fechando valências, traçando mapas regionais e nacionais, díspares de outras estruturas administrativas, económicas e políticas, qualquer ex-aluno, de uma qualquer República, sem o curso terminado, o conseguia fazer.

As tecnologias e as estruturas em rede são fundamentais para a desburocratização do sistema, facilitando o acesso à justiça, auxiliando o desenvolvimento económico e o cumprimento deste direito basilar.

O caos no programa Citius e o número de processos que se acumulam nos tribunais (que vão restando), transmitem para a opinião pública uma sensação de impunidade, de ausência de justiça, e de controlo desta pelo poder económico, político e gripal.

Sim gripal. Pela fragilidade e vulnerabilidade da estrutura e dos mecanismos de adiamento, arrastamento e prescrição conhecidos e praticados por todos.

Reformar a reforma da justiça em Portugal não se assume por uma mera questão ideológica ou política, mas, tão-somente, pela necessidade de recolocar os serviços judiciais, junto das populações e das terras que compõem este pequeno, e grande Portugal.

O grande Portugal onde as dicotomias sociais se agudizam para prejuízo dos mais desfavorecidos, desempregados e, até mesmo daqueles que seriamente seguem o seu caminho, mas tantas vezes precisa de recorrer à “justiça”, perante os "injustos".

O mundo nunca será perfeito, mas sem “justiça” ele nem sequer terá futuro…

João Caldeira Heitor

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Quem avalia, sob a tutela de quem é avaliado?


A qualidade do ensino público depende de vários fatores que são garantidos pelos professores, em cada agrupamento de escolas, com o apoio da respetiva comunidade escolar e sob a orientação do ministério, de forma a concretizar o fim inerente ao conceito de educação, onde o aluno é o objetivo primeiro, e último, em toda a estrutura.

A par deste sistema, que só funciona de forma articulada, objetiva e séria, a Inspeção Geral de Educação assume funções de avaliação, de aconselhamento, de prevenção e de análise de procedimentos, aferindo, assim, o cumprimento do dossier legislativo e regulamentar que suporta o setor educativo e todos os seus protagonistas.

Na lógica dialética do dia-a-dia, vários profissionais da Inspeção Geral de Educação têm-se aposentado, sem a devida substituição, verificando-se desde 2010 um decréscimo do número de inspetores em todo o território nacional.

Paralelamente, e nos últimos 3 anos, temos assistido à degradação dos recursos técnicos, à retirada de competências e à redução do orçamento deste organismo, com um real decréscimo da qualidade do serviço prestado.

O atual governo conhece este cenário, que em nada abona o processo de avaliação da qualidade do ensino público, mas nada faz…

A Inspeção Geral de Educação, ainda que necessitada, conta com profissionais e dirigentes que diariamente se empenham para colmatar as irresponsabilidades do Estado.

Ainda que a Inspeção Geral de Educação tenha como missão avaliar o funcionamento do Ministério da Educação, não se entende como é que esta organização se encontra sob a alçada da Secretaria de Estado da Administração Escolar.

Questiona-se, desta forma, ao ano de 2015, e pertencendo Portugal a uma construção denominada: União Europeia, a regularidade deste organograma, condicionada nas correlações entre o poder político e o cumprimento administrativo-legal.


João Caldeira Heitor

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Nesse tempo que decorre, agora, e sempre...


A volatilidade da vida tem-se apresentado cada vez mais como a constante, onde os minutos abafam as riquezas de cada oportunidade de sermos, quem somos...

O arrependimento, de nada e de tudo, só encontra oposição nos segundos que multiplicam a respiração, sobre os minutos sugadores da luz…

João Caldeira Heitor

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Da EDP e do fornecimento de energia elétrica, à falência da credibilidade das Entidades Reguladoras…



Calcula-se que cerca de 2,7 milhões de clientes se encontram com contratos de fornecimento de eletricidade abrangidos pelas tarifas reguladas transitórias, e que ainda não passaram os seus contratos para o mercado liberalizado. Assim, estes 2,7 milhões de consumidores sofrerão, já a partir de janeiro, um agravamento de 3,3% na sua fatura da luz.

Pouco mais de metade dos restantes clientes domésticos nacionais, ou seja 3,2 milhões, estão no mercado livre, sendo-lhes imputado os preços definidos pelos vários comercializadores que operam no sector.

Tendo em conta que as tarifas do fornecimento de eletricidade oscilam em função dos custos da energia (EDP – setor privado), variam de acordo com os custos dos encargos com os acessos às redes de distribuição, transporte (REN – setor privado) e com o uso geral do sistema, acresce ainda a margem de rentabilidade dos comercializadores.

Estando o preço do barril do petróleo a baixo custo, e na sequência do grande investimento feito em estruturas geradoras de energia renovável, nos últimos dois governos liderados pelo Partido Socialista, em 2013 (dados mais recentes), 58,3% da energia consumida em Portugal resultou da produção renovável. Assim, esperar-se-ia e desejar-se-ia uma redução nas tarifas e não um aumento como se prevê.

Face ao exposto, e mesmo existindo um Regulador Público (?) para esta área, as empresas privadas e os interesses corporativistas recorrem ao argumento do aumento da dívida tarifária do sector e ao crescimento moderado do consumo de energia como os fatores que mais influenciam negativamente as tarifas para 2015.

Há sempre motivos para aumentos. As Entidades Reguladoras não evidenciam qualquer regulação objetiva e jamais alguma diminuição de encargos, mesmo quando a produção dos bens se obtém a mais baixo custo.

Sabemos e percebemos que os milhões de euros de lucro das empresas privadas deste setor resultam do aumento das tarifas e da simultânea redução dos outros encargos (produção, transporte e comercialização). Mas nos aumentos, são os clientes que pagam.

Desta pequena forma se explica a importância de alguns setores estratégicos nacionais – entre eles o da energia – estarem sobre o domínio do estado e não da exploração económica.

Explorem-nos. Explorem as pessoas até ao tutano. Um dia a “bolha” rebentará.



João Caldeira Heitor

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Escolas Profissionais sem dinheiro... E depois?!?




As Escolas Profissionais encontram-se sem dinheiro para procederem a pagamento de salários, com dívidas que ascendem a 50 milhões de euros.

O Estado, o atual governo que defende o reforço do Ensino Profissional, ainda não pagou um cêntimo às escolas este ano letivo. Estando a maioria dos estabelecimentos em rutura, e depois do governo ter procedido a um corte de 700 milhões de euros no Orçamento de Estado para a área da educação, questiona-se, objetiva e diretamente, qual o futuro do ensino em Portugal?

Estando as Escolas Profissionais sedeadas em regiões de convergência, co-financiadas pelo Estado Português e pelo Fundo Social Europeu, vêem-se confrontadas, pelo segundo ano consecutivo, com graves atrasos no financiamento.

Atrasos esses resultantes de uma clamorosa falta de articulação entre departamentos governamentais que não souberam, ou não quiseram, atempadamente, adotar as medidas conducentes à resolução do problema do financiamento das Escolas Profissionais.

Incompreensivelmente, as Escolas Profissionais ainda não receberam qualquer verba neste ano letivo (no final do primeiro período letivo!). A situação é ainda mais grave se nos próximos dias não forem feitos os necessários despachos para desbloquear os pagamentos.

Tendo as Escolas Profissionais apresentado as candidaturas pedagógicas à DGESTE e as financeiras ao POPH dentro dos prazos estabelecidos;

Tendo as Escolas Profissionais dado início às atividades letivas e assumido os encargos inerentes com a organização da formação respeitando o calendário escolar definido pelo MEC;

Tendo as Escolas Profissionais aguardado a emissão das audiências prévias e dos termos de aceitação pelo POPH para receberem as verbas a que têm direito;

As Escolas Profissionais por força da falta de emissão dos documentos referidos nos anteriores três parágrafos, não encontram recetividade da banca para obter os financiamentos adequados. 

Assim, as Escolas Profissionais não dispõem de meios financeiros para cumprir os compromissos com o pessoal docente e não docente, com alunos e com fornecedores.

No ano passado, quando a mesma situação ocorreu, o governo garantiu aos dirigentes das Escolas Profissionais que este ano não se repetiriam anomalias desta natureza. Mas, infelizmente, para dezenas de dirigentes, professores, alunos, fornecedores e encarregados de educação, a história repete-se colocando em causa o funcionamento destas estruturas de vital importância formativa.
Impõe-se que o governo resolva, imediatamente, estas graves falhas da estrutura organizativa do Ministério da Educação e que restabeleça a paz e a tranquilidade no seio destas comunidades escolares.

Depois dos atrasos verificados na colocação de professores nas escolas; depois de se conhecer o corte abismal de 700 milhões de euros no Orçamento de Estado para a área da educação; depois do governo estabelecer nas Grandes Opções do Plano para 2015 “centrar a sua ação na melhoria dos índices de qualificação da população portuguesa, no reforço da empregabilidade, da atratividade do sistema de educação e formação profissionais e de um maior alinhamento com as necessidades do mercado de trabalho.” permanecem estas ocorrências que delapidam a educação pública, que menosprezam aqueles que à educação se dedicam de corpo e alma.

A hipoteca do futuro do ensino em Portugal não está somente numa qualquer folha registada, num qualquer cofre, fechado. A hipoteca do ensino em Portugal está a passar à insolvência e à venda a retalho, como se se tratasse de um qualquer bem transacionável, em papel de ações (desvalorizadas)…

E que as pessoas se resignem e nada façam contra tudo isto…


João Caldeira Heitor

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

What's your name?


O Conselho de Ministros aprovou hoje a introdução da disciplina de Inglês no currículo, como disciplina obrigatória a partir do 3.º ano de escolaridade.

Até aqui tudo bem. Porém, há alguns anos que o Inglês é lecionado no 1º ciclo através das Atividades de Enriquecimento Curricular, em boa hora criadas e implementadas a nível nacional, por intermédio de acordos e parcerias entre o Ministério da Educação e os municípios.

Mas, louva-se a iniciativa de avançar, desde já, e no próximo ano letivo - 2015-2016 para que todos os alunos que ingressem no 3.º ano de escolaridade adquiram uma componente letiva de duas horas semanais de Inglês.

Todavia, deseja-se que o Ministério da Educação não “despeje”, literalmente, sobre as escolas e agrupamentos, a responsabilidade de encontrar “soluções mágicas” que garantam a colocação atempada dos professores, o pagamento da respetiva carga horária aos docentes, assim como a definição das restantes regras e procedimentos administrativos que estão subjacentes à inclusão de uma nova unidade curricular na estrutura educativa. É que estas são da responsabilidade direta do Ministério.

O governo prevê ainda que as escolas possam, “de acordo com os recursos disponíveis e no âmbito da sua autonomia, proporcionar o complemento ou a iniciação anterior do estudo desta ou de outras línguas estrangeiras” o que levará a que cada Agrupamento, dada a sua localização geográfica e/ou especificidade da comunidade escolar, desenvolvam novas e complementares respostas.

Ainda que se possa louvar esta iniciativa, já reivindicada por diversos partidos e estruturas educativas, não posso concordar com a “definição de uma habilitação profissional para lecionar Inglês, no 1.º ciclo e a criação de um novo grupo de recrutamento” visto que os professores do grupo 220 – com Licenciatura em Ensino Básico, 2º Ciclo, Variante de Português/Inglês estão perfeitamente habilitados para responder a esta necessidade, com a respetiva formação académica, prática pedagógica específica e geral.

Nem só de más notícias se faz o mundo, ainda que a inovação (definição de uma habilitação profissional para lecionar Inglês, no 1.º ciclo e a criação de um novo grupo de recrutamento) nem sempre represente um tiro certeiro, sobre um alvo demasiado esburacado…


João Caldeira Heitor

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Desvario...


Hoje ficamos a saber que após a conclusão da segunda fase das candidaturas ao Ensino Superior ficaram ainda nove mil vagas por preencher.

Há 67 cursos com vagas disponíveis que não colocaram nenhum aluno, sendo que 42 deles se referem às engenharias (?), com medicina a preencher todos os lugares.

Isto acontece numa altura em que empresas portuguesas de recrutamento apresentam boas ofertas e procura de recém-licenciados em engenharias para trabalhar na Alemanha e nos Emirados Árabes Unidos.

Isto acontece numa altura em que empresas portuguesas de recrutamento apresentam boas ofertas e procura de recém-licenciados em medicina e enfermagem para Inglaterra.

Isto representa o esvaziamento da maior riqueza de um país – o potencial humano com formação de excelência – que tem sido obrigado a emigrar e a contribuir para o desenvolvimento social e económico destes e de outros países.

Portugal tem excelentes universidades e institutos politécnicos (recursos humanos e materiais) que consolidam 12 anos de ensino obrigatório, após a frequência numa uma boa rede nacional de ensino pré-escolar, ao contrário de outros países da (nossa cada vez mais longínqua) União Europeia.

Urge relançar a economia portuguesa, alavancar as empresas nacionais para que estas resgatem os nossos concidadãos que se encontram espalhados pelo mundo, e obter essa mais-valia de conhecimento e capacidade.

Urge reforçar o Sistema Nacional de Saúde e concretizá-lo em todo o território nacional, com médicos e enfermeiros que pratiquem cuidados primários e um acompanhamento de proximidade com todos os cidadãos. Para tal, os nossos enfermeiros e médicos recém-formados são precisos de norte a sul do nosso país, e não em Inglaterra ou no Canadá.


Não é possível, aceitável e até mesmo economicamente sustentável que o nosso país, o nosso sistema de ensino continue a gastar milhões de euros na formação de pessoas que, posteriormente são obrigadas a emigrar, e desta forma contribuindo “a custo 0” para a obtenção de quadros superiores.

João Heitor

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

(in)Justiças


A recente reorganização do mapa judiciário, preconizado pelo atual governo PSD/CDS, impõe-se, segundo a ministra Paula Teixeira da Cruz, devido aos atrasos e aos rácios de alguns tribunais. Para a responsável ministerial o novo modelo de 23 comarcas visa a obtenção de “uma justiça de boa qualidade, com centralidades e com acessos, para os processos não se arrastarem durante demasiado tempo.”(?!?)
Todavia, a realidade é outra, inversa, e contrasta com o encerramento por parte do governo de alguns tribunais novos e outros que foram alvo de obras recentemente. A redistribuição de valências destes tribunais por outros, não obedeceu a qualquer lógica territorial, do número de cidadãos e das estruturas rodoviárias existentes que deviam garantir a mobilidade dos cidadãos.
Na passada segunda e terça-feira, advogados, magistrados e funcionários judiciais não conseguiram aceder ao sistema informático da justiça portuguesa - o Citius - paralisando assim todo o trabalho judicial.
Numa altura em que se realiza a distribuição dos processos pelas novas secções, a principal ferramenta informática colapsa e o sistema para, com o adiamento de julgamentos e de providências cautelares, sem que os magistrados e os funcionários judiciais consigam aceder aos respetivos procedimentos.
Recorde-se que a ministra Paula Teixeira da Cruz procedeu, recentemente, à contratação de serviços informáticos junto de empresas privadas para o aperfeiçoamento do programa Citius, e que só terminarão em 2015.
A verdade é que ninguém explica porque razão o programa bloqueou.
A verdade é que ninguém explica como é que o governo avança com uma alteração desta natureza, com os processos judiciais a serem transportados em caixas de fruta e sem condições de segurança.
A verdade é que ninguém explica como é que procederam à transferência de valências e concentração de outras em mega edifícios que, afinal, não possuem condições físicas para guardar os respetivos processos, tendo sido necessário comprar/alugar contentores que foram colocados à porta.
A verdade é que ninguém consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para esta reestruturação que trará mais encargos para os cidadãos e empresas que necessitam de aceder aos serviços de justiça.
A verdade é que ninguém consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para esta reestruturação que irá gerar entropias nas novas “mega” estruturas e na justiça portuguesa.
A verdade é que ninguém consegue explicar, porque não há uma explicação plausível para o esvaziamento de instalações estatais construídas com dinheiros públicos.
Tantas verdades, e, simultaneamente, tantos erros que têm um elevado custo a presente e médio prazo para todos.
Até quando?
João Heitor

segunda-feira, 3 de março de 2014

Eles e eu...


Há quem tudo queira e só por isso oriente a vida.
Mas, pessoas há a desejar, somente, viver.
E aí, conquistar especiais sentires.
No suor do pensar, em vitórias reais e morais.
Fervilham pensamentos para decisões a cada minuto. 
Sem bússolas, só com a riqueza do valor interior.
E, um chá que acompanhe a alma, em suplemento e pureza.

João Heitor

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Fugaz glória...


Não podemos parar depois dos longos caminhos percorridos, ou, inverte-los, com a imprevisível doutrina do sentir. 

Não há gota de chuva que pare o olhar racional ou que impeça a real fotografia que aguarda ser capturada pela máquina do registo. 

Sou película por gravar, um novo horizonte, que a noite impõe, por cada amanhecer que se segue. 

Ter a palavra sobre a razão é tinta de livros que só confirmam o que a alma sente.

Sonhador? Sim. 

Utópico? Também. 

Mas em cada noite, fria, sem medo dessa gota de chuva, dessa fotografia conhecida, dessa fugaz glória que alguns acreditam ser o esplendor máximo, eu, despido de preconceitos ou de manias, vivo com a consciência tranquila. 

Moral? 
Podem comer todos, mas só alguns a saboreiam. 

Evasivo? 
Não. 

Está tudo aqui...e aí...em cada um de nós...