domingo, 25 de setembro de 2011

Sem Geometria possível...



Parabéns, Alberto João!

O recente casa das "dívidas ocultas" da Madeira chocou o país, os portugueses e deixou incrédulas as instituições internacionais. Segundo a imprensa, desde pelo menos 1990 que o governo madeirense esconde dívidas. Parabéns, Alberto João!

Os “cubanos do continente” andam há décadas a pagar impostos para um Arquipélago liderado por um senhor que nos tempos de faculdade, em Coimbra, subia aos telhados dos prédios e batia em tachos para não deixar dormir ninguém. Volvidos mais de 40 anos, o mesmo senhor continua a bater em tachos e a deixar os portugueses acordados. Parabéns, Alberto João!

Cavaco Silva soube destes milhões de dívidas escondidos, e que a cada dia aumentam, num valor que já se situa em mais de mil milhões de euros. Cavaco Silva, nada fez. Aí temos o Presidente de Todos os Portugueses! Parabéns, Alberto João! 

Se estas dívidas se encontrassem num qualquer sector do Estado, como por exemplo na área da educação, da segurança social ou da saúde ainda se aceitava e compreendia um potencial desvio face aos investimentos efectuados nas políticas sociais preconizadas pelo PS e pelo PSD nas últimas duas décadas. Porém, a dívida da Madeira e o dinheiro que entrou nesta Região desde 2000 dava para terem
construído 46 Aeroportos a 500 milhões de euros cada um, ou 70 Hospitais, ou 2100 escolas... Nada disso foi feito. Parabéns, Alberto João!
 

Mesmo já tendo o líder do PPD/PSD Madeira reconhecido que ocultou a dívida do Arquipélago, simultaneamente, já garantiu que, apesar do contexto de dificuldades económicas, vai continuar a fazer obras e não despedirá ninguém da função pública. Parabéns, Alberto João! 

Em 2008 uma auditoria aos municípios madeirenses, no âmbito da contratação pública com empreitadas, já tinha apurado um "buraco" de 89,1 milhões em encargos assumidos e não pagos. Resta apurar a actual… Parabéns, Alberto João!

Podíamos recorrer à memória do acto de “Pôncio Pilatos” neste anedotário trágico/cómico, mas a situação é grave! Num cenário em que o Presidente de um Governo Regional afirma e até goza com a situação dizendo que escondeu a dívida deliberadamente, violando assim a lei, devia ser alvo de um processo exemplar pelos tribunais portugueses.

Isto é um atentado a todos os dirigentes, empresários e pessoas que nas últimas décadas pagaram os seus impostos, com o seu trabalho, cumprindo a lei e assumindo a sua cidadania assente dos deveres e no respeito para com as instituições legais da república.
 
Estamos a fazer sacrifícios e a procurar credibilizar a economia portuguesa nas instâncias internacionais, e, de um momento para o outro, com a maior das leviandades, o caso da Madeira fragiliza a nossa sustentabilidade financeira.

Paralelamente, no resto do Portugal Continental, e na Região Autónoma dos Açores, o governo do mesmo partido que o da Madeira, corta de alto a baixo. Sem terem em conta que este país é composto de homens, mulheres, crianças e idosos que precisam de apoio, ajuda, assistência e acesso a serviços de saúde, por exemplo.

Assim ocorre em Ourém. Não temos médicos, enfermeiros e outros técnicos no Centro de Saúde porque o actual Ministro da Saúde cortou com o financiamento dos contratos existentes com as empresas que garantiam o fornecimento destes recursos humanos. Cortaram os contratos e ficámos sem médicos de família, comprometendo, simultaneamente, a existência do Serviço de Atendimento Permanente, entre as 8h e as 22h no Centro de Saúde de Ourém.

Podiam cortar noutras áreas, mas porquê na saúde? Até quando, pergunto eu. Até quando interrogamo-nos todos nós. Até quando continuaremos a aceitar não ter médicos, perante a dimensão do nosso concelho e a população flutuante que passa em Fátima?

Até quando vamos ficar calados e aceitar esta situação? Isto não se trata do partido A, B ou C. Trata-se do acesso aos serviços mínimos de saúde a que temos direito!

Ficamos parados, imigramos para a Madeira ou agimos?

João Heitor

domingo, 18 de setembro de 2011

Geometra...





Regressei às palavras escritas, publicadas com tinta, em papel de jornal. Semana após semana, no concelho de Ourém debruçar-me-ei sobre estruturas e organizações, pessoas e políticas, eventos e projectos, obras, e o valor da pessoa... Numa coluna que dá pelo nome de: "Geometria das Palavras"...


Temos direitos!


Neste espaço que aqui ocupo, neste (re)encontro, registamos as palavras, os projectos, os desejos e as ambições partilhadas com os homens e as mulheres de Ourém.


A matéria-prima de um concelho é composta pelas pessoas, que se tocam nos opostos, e se encontram no espaço comum dos interesses colectivos.


Não caminhamos nos mesmos percursos que outros traçaram. Respeitamos as estradas deixadas e erguidas em nome da prosperidade de outrora, mas hoje desactualizadas pelas imposições da inovação, da exigência, do rigor e dos desafios diários que as populações impõem.


A roda não se voltará a inventar. Sabemos. Mas, em Ourém, ela está em andamento através da energia que a maioria aplica na construção de novos trilhos, nas acções diárias da esfera municipal, associativa, económica e social.


As recentes decisões políticas concelhias têm assentado, e tido como horizonte de cada projecto, as pessoas e o nosso território no seu todo.


Também assim se exige que o actual governo proceda. Não queremos acreditar (nem aceitamos) que o recente corte que o governo decidiu em matéria de serviços de saúde, e que irá prejudicar as populações do concelho de Ourém, não seja invertido.


Há dois anos havia catorze mil ourienses sem médico de família. Existia falta de profissionais de saúde disponíveis no Serviço Nacional de Saúde. O Presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, e a Ministra da Saúde do governo PS, chegaram a um acordo. Foi realizado um concurso e foram contratadas empresas que combateram este deficit.


Agora, este corte assumido pelo governo PSD/CDS em 60 % destas contratações fez com que as empresas já tivessem denunciado o contrato a 1 de Setembro. Um retrocesso incompreensível!


Assim, se o governo persistir nesta medida o concelho vai ter o Centro de Saúde de Ourém fechado a partir das 18h, o encerramento de extensões nas freguesias, e mais de vinte mil cidadãos sem médico de família. Deixaremos de ter não só médicos, como também enfermeiros, especialistas e auxiliares em número suficiente para as nossas necessidades.


Há dois anos o governo do PS ajudou. Agora o governo do PSD/CDS cortou. Cortam numa área fundamental para qualquer país: o acesso a unidades de cuidados de saúde básicos.


Não contem com o silêncio e a concordância dos eleitos e dos cidadãos deste concelho. Podem-nos cortar o subsídio de Natal, (re)cortar nos salários, aumentar o IVA, mas não ousem deixar desprotegidos mais de metade dos cidadãos deste concelho. Isso seria a maior das vergonhas!


Cortem nas empresas do estado e nos ordenados dos seus administradores. Tributem as empresas que mais facturam, como contributo solidário para as necessidades do país e ajudem-nas com outras contrapartidas. Dêem a independência imediata à Madeira e devolvam a factura dos 500 milhões de dívidas. E, por último, cumpram o programa eleitoral pelo qual se apresentaram ao eleitorado!


A maior riqueza do nosso concelho são as suas pessoas. O executivo municipal continuará, decerto, firme e intransigente, ao lado das suas populações. O valor da pessoa humana não tem preço, não é quantificável tal é a preciosidade da vida. Será que há quem não entenda isso?!?


João Heitor

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Explicar o BCE na esplanada do café...


“A Primavera esmerou-se. Um sol agradável acariciava-nos na esplanada do café à beira da minha porta. A chegada do Senhor Antunes, o mais popular dos meus vizinhos, deu ensejo a uma lição sobre Europa e finanças a nós todos que disto pouco ou nada percebemos.


- Oh Sô Antunes explique lá isso do Banco Central Europeu, aqui à rapaziada do Café.


- Então vá, vá lá, Só por esta vez. O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.


- E donde veio o dinheiro do BCE?


- O capital social, o dinheiro do BCE, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.


- E é muito, esse dinheiro?


- O capital social era 5,8 mil milhões de euros mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.


- Então, se o BCE é o banco destes Estados pode emprestar dinheiro a Portugal, não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas.


- Não, não pode.


- ???


- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.


- Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?


- A outros bancos, já se vê, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.


- Ah percebo, então Portugal, ou a Alemanha, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE e tal.


- Pois.


- Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha irem directamente ao BCE?


- Não. Sim. Quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!


- ??!!..


- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos XPTO, a 1% e esse conjunto de bancos XPTO emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.


- Mas isso assim é um "negócio da China"! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!


- Neste exemplo, ganharam uns 3 ou 4 mil milhões de euros. E não têm de se deslocar a Bruxelas, nem precisam de levantar o cu da cadeira. E qual Bruxelas qual carapuça. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt, onde é que havia de ser?


- Mas, então, isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem o 13º mês, que já dizem que vão tirar...


- Mas, oh seu Zé, você tem de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.


- Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?


- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.


- Deixa ver se percebo. Então, os Governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1% para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos Governos donos do BCE?


- Não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.


- Nós somos os donos do dinheiro e nós não podemos pedir ao nosso banco...


- Nós, nós, qual nós? O país, Portugal ou a Alemanha, é composto por gentinha vulgar e por pessoas importantes que dão emprego e tal. Você quer comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou com um calaceiro que anda para aí desempregado com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.


- Mas, e os nossos Governos aceitam uma coisa dessas?


- Os nossos Governos, os nossos Governos... mas o que é que os governos podem fazer? Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos. Em resumo, não podem fazer nada, senão quem é que os apoiava?


- Mas oh que porra de gaita! Então eles não estão lá eleitos por nós?


- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é que manda. Não viu isto da maior crise mundial de há um século para cá? Essa coisa a que chamam sistema financeiro que transformou o mundo da finança num casino mundial como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam e que ia levando os EUA e a Europa à beira da ruína? É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gentinha que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos a ver navios. Os governos, então, nos EUA e cá na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram que repor o dinheiro.


- E onde o foram buscar?


- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. Donde é que havia de vir o dinheiro do Estado?...


- Mas meteram os responsáveis na cadeia?


- Na cadeia? Que disparate. Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram passados à reforma. O Sr. McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.


- Oh Sor Antunes, então como é? Comemos e calamos?


- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar..."

Ela mesma...


Doce, única e intensa.

A vida.

A vida que por magia nos dá o bater do coração.

O bater que nos faz voar, beijar as nuvens, tocar as estrelas onde nos perdemos no tempo que é nosso.


Nele ficamos, nele nos entregamos porque assim somos nós...

Fiéis e intensos sonhadores que dos livros fazemos o trilho do respirar.



Na noite quente.


Na fria noite.

Nas badaladas de cada segundo de sorrir...