quarta-feira, 16 de março de 2011

Não quero, nem sou detentor da verdade...

Nesta corrida da humanidade, que se procura ultrapassar a si própria, esquece-se o Homem que o equilíbrio entre a natureza e a sua presença é condição fundamental para a sobrevivência da nossa espécie.

Quais Carlos Lopes e Rosas Motas apresentam-se diariamente em busca de um lugar mais alto, mais vistoso, mais bem remunerado, mais socialmente digno de um qualquer valor (ainda escondido ou inexistente em seus corpos – dedicamos esta imagem a tais personagens).

Perdem o sentido do Norte, talvez a decência herdada em berço, mas, esquecida nas páginas dos jornais, nas teclas de vulcânicos textos que brotam inflamadas cruzadas contra os hereges.

São seres de outra dimensão e qualidade, inertes em humildade, repletos de poder e direitos, quiçá por vezes julgando ser D. Quixote, tal é a dimensão de cada moinho, de cada rajada de vento que moi o esfregar da cara, o coçar de cabelo, ou o copo que alimenta e acompanha a solidão da escrita. Essa solidão que se alimenta para tentar criar atenções, importâncias e magníficas pretensões.

Seres há que não têm tempo para ouvir e aceitar uma opinião diferente. Ou quem sabe, a ousadia dos outros também pensarem, dos outros também terem vivido e viverem no mesmo mundo.

Seres há que se esquecem que o novo não é nada mais do que o velho que caiu no esquecimento, como diz o provérbio russo, e que no fim de todas as novidades, nascemos e morremos da mesma forma.

Seres há que se esquecem que é no intervalo entre o nascer e o perecer, que podemos fazer a diferença, valer pelo que somos e pelo que ajudamos a ser. Valer pelo que alimentamos nos outros e em todos nós, naquilo a que chamam de sociedade.

A folha da acácia disse um dia para o homem que a ostentava orgulhoso:

“Não é o meu brilho que te dá valor. É o teu valor que me dá brilho...”.

terça-feira, 8 de março de 2011

Sobre problemas, caneleiras e obrigações morais...

Há quem goste de ser assim…

A principal oposição vai mais para além da política.

Vai para a oposição do que se pode construir, por quem o quer fazer, impedido por outros.

Há quem se resguarde nas suas ombreiras intelectuais, outros na sua mediocridade, outros ainda na posição negativa em jeito de dizer: "estou aqui", ou "penso logo existo".

De entre todos estes cidadãos, uns estão na política activa, outros dela vieram, havendo ainda quem gostasse de nela participar.

A nobreza de servir a causa pública tem o alto preço do constante julgamento daqueles que nunca concordam, mas que também não ajudam a encontrar soluções.

É do tipo: “Por aí não!” Então por onde? “Não sei, só sei que por aí não” Mesmo que no meio de um pântano as pernas se afundem nas areias que não esperam pela incapacidade de decidir ou encontrar alternativas.

Como facilmente se cai na crítica, sem base de credibilidade, ou competência, quiçá nobre pergaminhos, estamos condicionados à fruta que existe na fruteira, porque já não há árvores, e, o circo, já não é como antigamente…

sexta-feira, 4 de março de 2011

A super-escola ou o retrato das escola portuguesas (recebido por email)

“Vejamos com atenção o exemplo de uma vulgar turma do 7º ano de escolaridade, ou seja, ensino básico.

1. Língua Portuguesa

2. História

3. Língua Estrangeira I - Inglês

4. Língua Estrangeira II - Francês

5. Matemática

6. Ciências Naturais

7. Físico-Químicas

8. Geografia

9. Educação Física

10. Educação Visual

11. Educação Tecnológica

12. Educação Moral R.C.

13. Estudo Acompanhado

14. Área Projecto

15. Formação Cívica

15 áreas curriculares, dada em 36 tempos lectivos.

Mas, para além disso, a escola ainda:

* Integra alunos com diferentes tipologias e graus de deficiência, apesar de os professores não terem formação para isso;

* Integra alunos com necessidades educativas de carácter prolongado, apesar de os professores não terem formação para isso;

* Não pode esquecer os outros alunos, que também têm enormes dificuldades de aprendizagem;

* Integra alunos oriundos de outros países que, na maioria das vezes, não falam Português;

Tem o dever de criar outras opções para superar dificuldades dos alunos, como:

* Currículos Alternativos

* Percursos Escolares Próprios

* Percursos Curriculares Alternativos

* Cursos de Educação e Formação

E a escola ainda tem o dever de sensibilizar ou formar os alunos nos mais variados domínios:

* Educação sexual

* Prevenção rodoviária

* Promoção da saúde, higiene, boas práticas alimentares, etc.

* Preservação do meio ambiente

* Prevenção da toxicodependência

Sabendo que a esmagadora maioria dos alunos das escolas portuguesas não são órfãos, colocar aos ombros dos professores e das escolas todas estas responsabilidades, só é possível por pensarmos que os professores podem ser capazes de até substituírem as famílias…

E mesmo com as injustas acusações de que os professores têm muitas férias, faltam muito, faltam ao respeito a alunos e pais, que obrigam os alunos a fazer os trabalhos de casa, que lhes solicitam atenção e silêncio sala de aula, os portugueses acreditam nas escolas.

Mas, a que preço?

Seria bom as famílias perceberem que ter filhos comporta mais do que dar alimentos, roupas, telemóveis, mp3, PC… A educação deve ser dada na organização: família e não na organização escola.

"Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos". Declaração Universal dos Direitos Humanos”