quarta-feira, 30 de março de 2005

Se tu...

Se tu viesses ver-me…

Se tu viesses ver-me sempre à tardinha.

A essa hora dos mágicos cansaços.

Quando a noite de manso se avizinha.

E me prendesses todo nos teus braços…

Quando me lembra:

esse sabor que tinha a tua boca…

o eco dos teus passos…

o teu riso…

os teus abraços…

os teus beijos…

a tua mão na minha…

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…

domingo, 27 de março de 2005

Uma reflexão. A minha opinião.

O aborto clandestino é um problema da nossa sociedade, que todos conhecem mas ao qual todos “fecham os olhos”.

Presentemente, a interrupção da gravidez só é permitida em três circunstâncias: gravidez resultante de violação, má formação do feto e risco para a vida ou saúde da mãe. Em Portugal, o número de abortos feitos legalmente é insignificante quando comparado com os 300.000 mil abortos ilegais por ano.

O aborto ilegal é um mal social a combater.

Existem diversos métodos contraceptivos que evitam a gravidez indesejada, mas a realidade diária é que existem milhares de mulheres a praticar o aborto ilegal.

Hoje em dia, só quem tem capacidade económica é que pode recorrer a clínicas particulares no estrangeiro…

Infelizmente a maioria das mulheres que abortam, são forçadas a recorrer a parteiras duvidosas, que sem as condições mínimas de segurança e muitas vezes de higiene, efectuam abortos com métodos artesanais, colocando em alto risco a saúde da mulher. Outras vezes o aborto não se concretiza, provocando danos gravíssimos e irreversíveis nos fetos, sendo responsáveis por deficiências futuras nas crianças.

Perante esta realidade temos de considerar a possibilidade de excluir a ilicitude da interrupção voluntária da gravidez quando praticada por solicitação da mulher grávida nas primeiras 12 semanas de gravidez (esta é uma solução, adoptada na esmagadora maioria dos países europeus e que visa viabilizar a interrupção voluntária da gravidez em segurança quando a mulher entender que não tem condições para ter um filho).

Outra questão a aprovar num eventual Referendo, é a de poder alargar para 22 semanas o prazo em que é lícita a interrupção voluntária da gravidez fundamentada em malformações do feto. Esta solução, também ela adoptada em quase todos os países da Europa, tem dois objectivos: primeiro, permitir a realização do aborto logo após o prazo em que surgem a maioria das deficiências no feto; segundo, evitar que sejam feitos abortos devidos a deficiências que surgem nas primeiras semanas de gravidez mas que o tempo cura- ou seja trata-se também de uma medida pró-natalidade.

Há que criar condições para a prática de interrupção voluntária da gravidez nos Hospitais públicos- trata-se de uma vertente essencial que visa garantir a igualdade no acesso.

O estado tem de instituir consultas gratuitas de aconselhamento e planeamento familiar nos Centros de Saúde, de forma a instituir um processo de acompanhamento da mulher grávida que reduza ao mínimo o recurso a este tipo de intervenções e procure garantir que as opções da mulher são feitas sem pressões externas, por outro lado, minimizar os efeitos psicológicos, algumas vezes muito graves, que a interrupção voluntária da gravidez tem na mulher.

A oposição a estas soluções, conhecidas dos diversos intervenientes políticos e médicos, não evitará o aborto, nem salvará uma só vida.

Há que estabelecer um quadro legal mais consonante como dos restantes países europeus, mais adequado à realidade, contra a hipocrisia, por uma maternidade responsável, pelos direitos da mulher à saúde, á sua integridade física e à interrupção da gravidez em condições de higiene, segurança e dignidade humana, independentemente da sua condição económico-social.

Façamos uma profunda reflexão sobre este assunto e preocupemo-nos, também, com este flagelo social.

João Heitor

quinta-feira, 24 de março de 2005

Será desta?!?

Segundo a imprensa de hoje o referendo ao aborto deverá realizar-se já no início deste Verão. A decisão ainda estará dependente da concordância de Jorge Sampaio.


Depois do Referendo de 1998 o NÃO ter vencido por desleixo dos adeptos do SIM que preferiram ir para a praia e ficar em casa, o Governo Socialista pretende volvidos 7 anos voltar a consultar os Portugueses.

José Sócrates afirmou no início desta semana na discussão do Programa de Governo, que participará na campanha: "Vou fazer campanha pelo sim!"

sábado, 19 de março de 2005

Valia a pena pensar nisto...

Aquando de actos eleitorais, e na noite das eleições o país assite aos mais variados discursos, acabando muitos deles por se tornarem em “auto-elogios” do eventual trabalho desenvolvido por dirigentes locais, distritais e nacionais das estruturas.

Aqueles que estudam os resultados eleitorais, as suas variáveis e as condicionantes dos mesmos, atribuem à figura do candidato a primeiro ministro a conquista dos votos e a respectiva vitória.

Todavia, na noite da vitória, muitos são aqueles que puxam para si, os “louros” dos resultados eleitorais. Uns merecedores, quiçá outros injustos!

Em altura de vitórias todos estão de parabéns. Parece que todos cumpriram as suas obrigações, recebendo grandes e intensos apertos de mão, acompanhados de palmadas nas costas. Porém, será que os louros que alguns ostentam não estão embrulhados em erros, falhas e ausências, que foram esquecidos e silenciados na noite da vitória?

Permitirão as vitórias que os “menos bons” fiquem com os louros e reconhecimentos que não lhes são devidos?

Possibilitarão as vitórias, que os “menos bons” se sobreponham àqueles que no silêncio dos dias e das noites conquistam votos e organizam estruturas?

Será que nos partidos políticos a nível local, distrital e nacional há quem pense nisto?

Uma reflexão desta índole, não seria útil aos partidos políticos, com vista ao reforço da democracia e à afirmação da classe política junto dos cidadãos?


sábado, 12 de março de 2005

Para um outro mais belo lugar...

Aquele que partiu sem regressar.

Aquele que escreveu sem findar.

Um mar de emoções e sentires.

Um mar de sensações, não a chegar, mas a partir...

Par um outro mais belo lugar...

Miguel Torga.


terça-feira, 8 de março de 2005

Perdi um amigo...

Perdi um grande amigo.

Mais um, na inesperada surpresa da vida.

Deixa-me a sua determinação,

coragem e lealdade.

A lealdade aos princípios e valores humanos.

A lealdade aos amigos e companheiros de luta.

Sinto-me mais pobre, enquanto ser humano.

Deixa saudades em todos aqueles

que gostavam de pensar, debater,

confrontar ideias e pensamentos…

Amigo e irmão do seu irmão,

leva-nos a escrever que hoje

perdemos mais do que um amigo.

Perdemos um grande homem

que honrava a sua existência

junto de todos aqueles

que puderam privar e aprender com ele…

Obrigado amigo…


sábado, 5 de março de 2005

Bloquista...

Contam, que certa vez ao chegar em casa, Francisco Louçã ouviu um barulho
estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão
tentando levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do
indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados
patos, gritou-lhe assim:

- Oh, bucéfalo anácroto! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes
palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da
minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.

- Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha
elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala
fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência do que o vulgo denomina por nada.

E o ladrão, confuso, diz:

- Doutor, eu levo ou deixo os patos?