terça-feira, 26 de junho de 2012

Tu...


Vulnerável sem te perceber,
Ou perdido sem te ter?
Gigante contigo em meus braços,
Ou carraça refém da noite solitária?

Sou hoje assim,
Em duas formas,
E de forma diferente,
Não me vejo.

Sinto-me a entrar no céu escuro,
Se em ti não tocar,
Pelo simples pensar,
Ou na certeza de não te ver.

Não me deixes adormecer,
Quero acordado sonhar,
Deste sonho real a viver,
Mesmo com os frios lençóis a bater.

Serei fraco demais para te absorver?
Não desistas de atravessar,
A noite,
A terra,
O vento,
E num pensar ciumento,
Atira teu corpo ao chão.

O tempo passa,
Pelas janelas fechadas,
Pelas noites vazias,
Pelos olhos molhados.
 
 
Vem-te deitar,
E a meu lado cantar,
Dona de ti mesma,
Mulher, menina e donzela.

Teu e meu desejo,
Não vai esperar,
Não vai perder,
Nosso beijo a trocar…
João Heitor

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fazer camisolas?


As contínuas medidas governativas de contenção orçamental têm-nos conduzido a um conjunto de decisões de duvidosa eficácia e eficiência contabilística. Recentemente, o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, disse, publicamente, que a saúde dos portugueses está em risco por causa da obsessão financeira do governo. Já Manuela Ferreira Leite afirmou na rádio que as medidas do governo vão acabar por matar os portugueses em vez de os ajudar.

As medidas de fusão, agregações e extinções na saúde, por exemplo, estão a fazer com que o acesso dos doentes aos cuidados médicos públicos não se concretize. Sente-se, a cada dia que passa, que as medidas governativas de contenção orçamental estão a agravar as nossas condições de vida.

Existe a necessidade de se procederem a reformas administrativas. Todavia, isso exige um esforço assente no diálogo, em propostas abertas, que possibilite concertação de posições. Porém, o governo do PSD continua a decidir sobre cenários que descuram as características diferenciadas de um Portugal composto por especificidades, que não se coadunam com medidas uniformes e processos restritivos à partida.

A proposta do governo sobre a agregação de freguesias prova que o PSD, neste caso, só pretende mudar o que está bem! As 18 freguesias do concelho de Ourém estão bem. Representam a história das gentes, dos territórios, dos movimentos internos ao longo dos anos, com características culturais e sociais de uma população dividida em 18 vontades específicas, mas, unidas no conjunto que representa o concelho.

É fácil que os eleitos das freguesias que vão “receber” outras freguesias se coloquem favoráveis a esta “machadada” no poder local democrático. Mas, o que pensam, sentem e querem aqueles a quem o governo pretende fazer desaparecer as suas freguesias?

E cairão os eleitos locais na armadilha do governo, e que consiste em dividir para reinar? Estarão os eleitos concelhios conscientes dos problemas que vão emergir nas localidades onde, diariamente, se luta pelo emprego, pela sobrevivência económica, pelo futuro dos jovens e pela sustentabilidade das organizações? Será esta a reforma que o país precisa? Até quando, volto a perguntar, vamos permitir tudo isto, impávidos e serenos? Até quando vamos consentir que nos queiram mudar o nome de: Ourém para “coutada”?

João Heitor

Construir é mais difícil, mas sabe melhor…



Resultado da parceria entre o Município de Ourém e a ACISO foi criado o Centro de Empresas de Ourém e o Gabinete de Inserção Profissional no nosso concelho. Este Centro e este Gabinete, situados no edifício do Mercado Municipal, pretendem desenvolver e apoiar novas microempresas e criar mecanismos facilitadores de (re)inserção profissional de jovens e adultos desempregados.

O Município de Ourém e as restantes entidades provaram, uma vez mais, a sua vontade em criar respostas e alternativas para os empregadores e desempregados, visando, simultaneamente, a dinamização do tecido empresarial do concelho.

Todas as iniciativas conjuntas serão sempre de louvar, face às dificuldades do dia a dia que se multiplicam pelo mundo fora. Juntar a INSIGNARE, o Centro de Emprego de Tomar e o Gabinete de Apoio e Promoção da Actividade Empresarial (ACISO e Município de Ourém) em torno destes objectivos, consolida o projecto e sustenta a importância da acção de todos.

São estas, e outras, as iniciativas em conjunto que consolidam as estruturas e as organizações, que engrandecem os seus actores, e que solidificam as relações de confiança entre habitantes, utentes, munícipes e cidadãos.

Ainda que a democracia, com as suas imperfeições, seja o sistema mais democrático, não nos podemos esquecer que as estruturas organizacionais são compostas de homens e mulheres que sentem e vivem as mesmas alegrias e as mesmas dificuldades do comum dos mortais.

Assim, os habitantes, os utentes, os munícipes e os cidadãos esperam e desejam que mais parcerias, mais congregações de recursos humanos e materiais se realizem e se concretizem. Os manuais de gestão, os livros sagrados, a doutrina humanista há muito tempo que apresentam e incentivam à prática destas iniciativas.

Sabemos da tentação de dividir para reinar, de acumular poderes de quintal, do desejo de alguns em lançar o fogo para renascerem das cinzas, ou da simples e única capacidade desses mesmos em só saberem criticar e apontar o dedo. Porém, o tempo, tem-se encarregue de mostrar o rosto dessa gente, a quem nada se conhece de positivo, de brilhante, ou de memorável para ser destacado.

A todos os outros, parabéns!

João Heitor

quinta-feira, 14 de junho de 2012

If I Ain't Got You...

As vozes que na noite escuto,
São as que em silêncio me lêem.
As vozes que na noite se calam,
São as que nos gritos me afastam.

O som de cada passo,
É o bater dos dias vividos.
Perdido ou encontrado em teu regaço,
Sou um Homem rendido.

Pecado é não abrir o coração,
No frio da noite, ou no calor do dia.
E, em cada segundo,
Viver o sorrir da vida (mesmo sombria).

Ser mais além,
É ser humano,
É ser frágil,
É ser um espelho da alma...

João Heitor

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Para Ler e Entender...



video

Uma abordagem sobre a leitura, a escrita, que se deseja partilhada, nos novos mecanismos electrónicos que fazem o dia a dia de todos nós, suportados pelos alicerces dos homens e mulheres da cultura e do saber...
Ao som de um poema de Mário Sá Carneiro, tocado e cantado pelos Trovante…

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Unnatural...

Sou receptor de todos os desacatos,
Sou caixa de estranhos sons humanos,
Sou registo vivo de olhares mundanos,
E, entre os dias e as noites, sumido.

Essa verdade não consigo alcançar,
Esse desejo de quem não falou,
Essa não vontade que alguém mostrou,
E, sinto a energia em mim esgotar, sumido.

Procurei a bússola para me relançar,
Procurei a razão dos que estão a falar,
Procurei uma estrela para me aconselhar,
E, cada dia é um desafio louco, sumido.

Só, não se cria uma multidão,
Só, não se casa a união,
Só, não se muda o mundo,
E, o estalar de dedos está, sumido.

Perde-se a magia em cada poder,
Perde-se o abraço em cada julgamento,
Perde-se a crença em cada duvidar,
E, só agarras o que tens, ou, sumido.

João Heitor