Passada uma semana sobre o congresso de Ourém, e numa fria análise, concluo que o primeiro passo (o mais importante) está dado.
Se aos pseudo-politólogos cabe a função da crítica, eu, objectivamente, preocupo-me com o que pode ser melhorado.
A começar, o modelo utilizado (que se revelou pouco eficaz para o debate que se pretendia com os cidadãos).
No próximo congresso poder-se-ia alcançar a objectividade, com menos pessoas no comité organizativo (acreditando que a liberdade em Ourém já está assegurada, e que todos os partidos políticos podem intervir).
Até porque acredito que a organização cabe ao município, dirigindo este o congresso para todos os oureenses, sejam eles rosas, amarelos, laranjas, cinzentos, vermelhos ou incolores.
Se o mesmo se conseguir, dissipamos a imagem de que existem duas classes no concelho: os pensantes e os outros.
Se a especificidade da formação de cada um de nós nos torna pessoas únicas, é na diversidade das nossas gentes que granjeamos valor e capacidade de intervenção real.
Este primeiro congresso da era democrata foi, efectivamente, o ponto de partida para repetir o que correu bem e corrigir o dispensável.
Servirá para convidar os objectivos, capacitados e nobres oradores, e não dar importância a quem não a tem, a quem nunca a teve, e aos que já não a merecem.
Reduzir o número não é perigoso, até porque não é a quantidade que conta. Isto não é ao kilo. É um local de encontro, de troca de ideias e experiências, onde o diálogo deve superar o monólogo, em que as estatísticas devem ser actuais, e em que os elogios, auto elogios e as vaidades podem ficar em casa, ou limitados ao hall de entrada.
Deste congresso que passou, a divulgação deve efectivar-se e chegar a todo o concelho. Até porque nem todas as pessoas lêem jornais, acedem à internet, ou passeiam de carro. O erro será sempre, e constantemente, no momento em que a urbe se esqueça da restante paróquia, como outrora aconteceu, vezes sem conta. Mas, até isso foi identificado por alguns oradores: há dois concelhos. Não, não é o de Fátima e o de Ourém. É o concelho rico e urbano versus o concelho rural e pobre. E eles (do concelho rural) até foram os mestres da mudança política neste concelho (quem diria!!!).
O politicamente correcto não existe na concepção da objectividade de um congresso concelhio. Até porque haverá sempre quem discorde, quem não aceite, quem diga: "não" para se evidenciar, quem seja convidado e trate mal quem o convidou, quem, simplesmente, não saiba dizer bem...
São estas, e outras, as características do nobre povo conquistador, do ouro do Brasil e das especiarias da Índia, que no Terreiro do Paço dos seus intelectos, olham com um um olhar questionável face ao comum mortal que ouse contrariar tais cabeças pensantes.
A humildade é um valor tão belo e simples, como o por de sol, como a espontaneidade de um sorrir, como a vontade de crescer...
A humildade é um valor tão belo e simples, como o regadio, a construção civil, a limpeza dos campos, a agricultura de subsistência...
O que é que umas coisas têm a ver umas com as outras? Tudo. Só quem pensa o dia a dia de luta e sacrifício pode projectar a realidade no futuro que se quer construir.
Não serão as Deloites, ou as apresentações de power point que nos farão subir o degrau, ultrapassar os obstáculos, construir os laços, erguer as obras necessárias. Será a união de objectivos, a união de vontades, a união no essencial e o menosprezo para com o acessório.
Não pertenço, nem quero pertencer a essa estirpe de pessoas que parecem dominar todos os assuntos, opinando e regurgitando teorias. Se alguma vez por aí estiver a caminhar, então que os meus amigos me avisem, pois poderei ter sido contaminado com o vírus da inteletualite, e preciso de me desinfestar.
Precisei de colocar um recuperador de calor na sala. Podia ter comprado um equipamento numa qualquer superfície comercial e pedir a uma pessoa de biscates para o montar, mas chamei um técnico qualificado. Porquê? Porque é para isso que as pessoas existem. Porque devemos ouvir e chamar quem sabe. Porque é para e por isso que vivemos em sociedade. Por precisarmos das capacidades de uns e dos outros. Por nos completarmos. Por só assim conseguirmos aperfeiçoar a humanidade, no seu sentido lato, e não no sentido do umbigo.
O meu é giro, mas é só meu (que essa coisa de olhar para o umbigo dos outros é coisa abichanada).
Qualquer parecença entre este devaneio e a realidade é pura coincidência.