O
Conselho de Ministros aprovou hoje a introdução da disciplina de Inglês no
currículo, como disciplina obrigatória a partir do 3.º ano de escolaridade.
Até
aqui tudo bem. Porém, há alguns anos que o Inglês é lecionado no 1º ciclo
através das Atividades de Enriquecimento Curricular, em boa hora criadas e
implementadas a nível nacional, por intermédio de acordos e parcerias entre o
Ministério da Educação e os municípios.
Mas,
louva-se a iniciativa de avançar, desde já, e no próximo ano letivo - 2015-2016
para que todos os alunos que ingressem no 3.º ano de escolaridade adquiram uma
componente letiva de duas horas semanais de Inglês.
Todavia,
deseja-se que o Ministério da Educação não “despeje”, literalmente, sobre as
escolas e agrupamentos, a responsabilidade de encontrar “soluções mágicas” que
garantam a colocação atempada dos professores, o pagamento da respetiva carga
horária aos docentes, assim como a definição das restantes regras e
procedimentos administrativos que estão subjacentes à inclusão de uma nova
unidade curricular na estrutura educativa. É que estas são da responsabilidade direta
do Ministério.
O
governo prevê ainda que as escolas possam, “de
acordo com os recursos disponíveis e no âmbito da sua autonomia, proporcionar o
complemento ou a iniciação anterior do estudo desta ou de outras línguas
estrangeiras” o que levará a que cada Agrupamento, dada a sua localização
geográfica e/ou especificidade da comunidade escolar, desenvolvam novas e complementares
respostas.
Ainda
que se possa louvar esta iniciativa, já reivindicada por diversos partidos e
estruturas educativas, não posso concordar com a “definição de uma habilitação profissional para lecionar Inglês, no 1.º
ciclo e a criação de um novo grupo de recrutamento” visto que os
professores do grupo 220 – com Licenciatura em Ensino Básico, 2º Ciclo,
Variante de Português/Inglês estão perfeitamente habilitados para responder a
esta necessidade, com a respetiva formação académica, prática pedagógica
específica e geral.
Nem só de más
notícias se faz o mundo, ainda que a inovação (definição de
uma habilitação profissional para lecionar Inglês, no 1.º ciclo e a criação de
um novo grupo de recrutamento) nem sempre represente um tiro certeiro, sobre um alvo
demasiado esburacado…
João Caldeira Heitor
