quinta-feira, 13 de novembro de 2014

What's your name?


O Conselho de Ministros aprovou hoje a introdução da disciplina de Inglês no currículo, como disciplina obrigatória a partir do 3.º ano de escolaridade.

Até aqui tudo bem. Porém, há alguns anos que o Inglês é lecionado no 1º ciclo através das Atividades de Enriquecimento Curricular, em boa hora criadas e implementadas a nível nacional, por intermédio de acordos e parcerias entre o Ministério da Educação e os municípios.

Mas, louva-se a iniciativa de avançar, desde já, e no próximo ano letivo - 2015-2016 para que todos os alunos que ingressem no 3.º ano de escolaridade adquiram uma componente letiva de duas horas semanais de Inglês.

Todavia, deseja-se que o Ministério da Educação não “despeje”, literalmente, sobre as escolas e agrupamentos, a responsabilidade de encontrar “soluções mágicas” que garantam a colocação atempada dos professores, o pagamento da respetiva carga horária aos docentes, assim como a definição das restantes regras e procedimentos administrativos que estão subjacentes à inclusão de uma nova unidade curricular na estrutura educativa. É que estas são da responsabilidade direta do Ministério.

O governo prevê ainda que as escolas possam, “de acordo com os recursos disponíveis e no âmbito da sua autonomia, proporcionar o complemento ou a iniciação anterior do estudo desta ou de outras línguas estrangeiras” o que levará a que cada Agrupamento, dada a sua localização geográfica e/ou especificidade da comunidade escolar, desenvolvam novas e complementares respostas.

Ainda que se possa louvar esta iniciativa, já reivindicada por diversos partidos e estruturas educativas, não posso concordar com a “definição de uma habilitação profissional para lecionar Inglês, no 1.º ciclo e a criação de um novo grupo de recrutamento” visto que os professores do grupo 220 – com Licenciatura em Ensino Básico, 2º Ciclo, Variante de Português/Inglês estão perfeitamente habilitados para responder a esta necessidade, com a respetiva formação académica, prática pedagógica específica e geral.

Nem só de más notícias se faz o mundo, ainda que a inovação (definição de uma habilitação profissional para lecionar Inglês, no 1.º ciclo e a criação de um novo grupo de recrutamento) nem sempre represente um tiro certeiro, sobre um alvo demasiado esburacado…


João Caldeira Heitor