terça-feira, 26 de outubro de 2004

O povo é sereno! Calma! É só fumaça!

Estávamos nos pós 25 de Abril, num comício em Lisboa.
E a expressão que dá tema a este post, ficou célebre perante umas explosões que se fizeram sentir. Seriam os do "antigamente" ou os "esquerdistas radicais" que ameaçavam a democracia que acabara de renascer.

Vem este preâmbulo à memória, pelos recentes episódios vividos em Coimbra pelos estudantes, quando foram "pulverizados" com gás pimenta, acabando um deles por ser preso.
A PSP alega que "o detido" atacou as forças policiais. Coitado. Nem cara tinha para levar uma chapada. Era, como todos vimos, magro e franzinho...
Mas não. Prenda-se já esse homem, que ele constitui um atentado às leis da República do Dr. Santana!
E eu, me tenho de conter que qualquer dia também desapareço, sem ninguém perceber porquê...

7 comentários:

Driller disse...

E o que fazia um caloiro de jornalismo (o rapaz que foi preso) numa manifestação onde participavam apenas algumas dezenas de "estudantes". Estava farto da situação que se vivia na universidade que ele mal conhecia à 1 mês?
E essas dezenas de "estudantes" diziam-se representantes do universo académico, quando cerca de 80% dos estudantes reprova este tipo de acções e não quiseram participar. São estes senhores dignos de lutar em nome dos outros? E que direito têm em invadir um espaço que lhes estava vedado? A culpa é do Dr. Santana?

João Heitor disse...

A culpa não é do Dr. Santana, mas sim do Ministro da Administração Interna, que nem sabia que houve uma manifestação em Coimbra, onde foi usado gás pimenta e onde foi efectuada uma detenção. A culpa é do Dr. Santana pelas indicações que dá, ou não, ao Ministro da Administração Interna, para proceder em situações deste tipo.
A culpa é do Dr. Santana se mantém ou não o Ministro da Administração Interna depois deste caso.
No tempo de António Guterres, o Ministro da Administração Interna Alberto Martins (salvo erro), foi demitido por ter sido exercida uma carga policial sobre trabalhadores de uma empresa. Apesar dessa carga policial "apenas ter ocorrido" por os trabalhadores terem invadido as instalações. Curiosamente, ou não, a polícia encontrava-se lá a pedido do tribunal...
Pobres de espírito, aqueles que desprezam a democracia e que não viveram em ditadura, para poder dar valor à liberdade...

Anónimo disse...

Temos de Resistir meu amigo.
Força...Muita Força

Anónimo disse...

Bom... Nunca vivi sem ser em democracia e liberdade. Não sei o que é (na pele) não poder falar de A, B ou C. O que conheço é das histórias da família, dos livros e do que se vai ouvindo aqui e ali.

Uma coisa sei. Quero continuar a viver com a liberdade que me é/foi concedida/ganha. Quero poder criticar, manifestar-me e lutar pelos meus/nossos interesses. Sempre com a consciência de que a minha liberdade acaba, quando começa a liberdade do próximo.

Quanto a tu desapareceres... acho que há muita gente que perceberá porquê! :)

Bx's.

IA

Anónimo disse...

No ano de 1948 alguém escreveu que no futuro as pessoas iriam desaparecer por terem a faculdade de pensar... mas não lhe chamou desaparecimento, chamou-lhe purga ou vaporização.
Será que esse homem conseguiu realmente ver para além do seu tempo?
Esperemos que não e que não tenha passado mesmo de um romance com grande exito.
CC

Anónimo disse...

Em 1948 alguém escreveu sobre um futuro em que as pessoas desapareceriam por terem a faculdade de pensar...
Podiam pensar, desde que o pensamento não constituisse crime, ou seja, desde que o pensamento não fosse contra o Estado.
Contudo, esse escritor não lhe chamou desaparecimento, chamou-lhe purgas ou vaporizações.
Será que esse escritor estava realmente a prever o futuro?

CC

João Heitor disse...

Em dois comentários semelhantes, consegues levantar vários temas e pensamentos diferentes.
Focalizo dois.
O desaparecimento das pessoas e da sua opinião, não se limitam à mordaça que por vezes nos querem aplicar. Ele vai mais além. Atinge, por vezes, a integridade moral e ética daqueles que por pensarem de maneira diferente, são por isso penalizados, excluídos, marginalizados, "abafados".
E quanto à previsibilidade destes acontecimentos, eles não se encontravam nessa "caixa". Ou seja, não é de previsibilidade que devemos falar, mas sim de repetitividade. A história repete-se, no planeta terra. Só com diferentes protagonistas. Mas com os mesmos pensamentos, actos e censuras...