sábado, 4 de julho de 2009

Santíssima Trindade

Ao ler o último comentário que tinha no último post, lembrei-me dos meus amigos.

Talvez me tenha esquecido de alguns, depois de, conscientemente, ter separado os amigos dos conhecidos.

Se bem que conhecidos possam ser muitos, os amigos são sempre menos.

Isto porque a amizade impõe um conjunto de processos, que só o tempo, o camuflar das acções e das provas partilhadas e vividas, nos permitem saborear tal valor: a amizade.

Talvez seja como o vinho. Só algum tempo de repouso, após as uvas terem sido esmagadas, e na pausa do tempo cuidado com a sabedoria de quem o faz, tenha o paladar que faz as delícias dos seus apreciadores.

O vinho. Aquele que se saboreia com um amigo.

Não sei porquê, mas quando escrevo ou ouço a palavra vinho, lembro-me sempre da expressão “o pão e a vida… cálice…” do vinho, ou da vida.

Talvez por isso tenha escolhido esta foto que tirei, um dia, do cimo de um altar de uma igreja.

Aos olhos de muitos, aquilo que dizem ser a Santíssima Trindade.

Nem outra coisa podia ser.

Seríamos hereges ao duvidar de tal explicação.

Até porque, o desconhecimento, continua, após séculos e séculos a favorecer determinadas classes.

Falta de fé? Não. Azia. Combate-se com Kompensan, eu sei, mas hoje nem um chá de digestão fácil me acalma a inquietação da alma, do espírito e da lógica racional das coisas.

Exigente? Não. Ou, talvez sim. Comigo. Demasiado. Ao ponto de fazer cumprir certas linhas e certos objectivos, que mais não são do que representações lógicas do pensamento alicerçado sobre os barrotes dos valores intrínsecos.

E vale a pena continuar assim? Valerá. Pela tranquilidade da consciência e do dever cumprido.

Regressando aos amigos de quem me lembrei, faço o acto reflectido do sorrir, pela espontaneidade das relações e laços estabelecidos, ainda que as distâncias existam.

Por último uma palavra a um amigo especial. A um amigo a quem não tem faltado a rectidão das palavras e dos actos. Uma palavra a quem tem usado os instrumentos e traçado as linhas sem um único desvio. A quem depois de retirada a venda me deu um abraço. Já se acredita menos, no que lá fora se vive e passa. Mas, entre a família que se conta pelos dedos de um pé ou de uma mão, que não nos falte a força para usar o escopro.

Que assim seja!

6 comentários:

rita disse...

Santíssima Trindade

Custa-nos muito perceber que os valores, alguns valores, perderam o seu valor, aquirindo outros.
A amizade é, será um deles. Que valor lhe podemos atribuir!?
Revejo-me na maturação do vinho, do corpo e da alma..do corpo do meu corpo..
À amizade, aos amigos, que escasseiam, mas que ainda resistem.
Dar-te-ia, não um chá de digestão fácil, mas uma taça de vinho maduro.
Talvez assim a tua ira encontrasse a paz de espirito.

Anónimo disse...

Pois mas a verdade é que nasci um bocadinho antes de 1975 e no ano de 74 já eu andava de cravo na mão...mas essa de estar sempre a escrever sobre política já enjoa, até porque hoje em dia é uma coisa que dá vómitos...
(e também sei escrever que em vez de q)
Bjocas ruivas

maria mar disse...

Amen, JM.
Ke raio de inquietação essa!!!
Põe-te lá calminho para nao esgotares essas energias em vao!...
Kisssss

João Heitor disse...

Rita:
Obrigado pela tua amizade e pela oferta da taça do vinho - que não bebo (mas que sei saborear).
As amizades e/ou a inexistência delas deixa-nos abalados...
Mas, não caímos!
Bjs

João Heitor disse...

Olá Anónimo das Ruivas:
:)

Cravo na mão ao 25 de Abril foi um privilégio que poucos dos que hoje respeitam a democracia tiveram.

Mas este post não fala em política.

Fala em valores que se trabalham sobre a égide da amizade.

Esses são transversais às políticas, aos políticos e dizem respeito ao Homem.

:)

João Heitor disse...

Olá Maria Mar:

Estas inquietações são demais presentes e evidentes.
Dificieis de esconder.
Mas, as ilações podemos tirar, para não voltar a errar.
Bjs