domingo, 18 de setembro de 2011

Geometra...





Regressei às palavras escritas, publicadas com tinta, em papel de jornal. Semana após semana, no concelho de Ourém debruçar-me-ei sobre estruturas e organizações, pessoas e políticas, eventos e projectos, obras, e o valor da pessoa... Numa coluna que dá pelo nome de: "Geometria das Palavras"...


Temos direitos!


Neste espaço que aqui ocupo, neste (re)encontro, registamos as palavras, os projectos, os desejos e as ambições partilhadas com os homens e as mulheres de Ourém.


A matéria-prima de um concelho é composta pelas pessoas, que se tocam nos opostos, e se encontram no espaço comum dos interesses colectivos.


Não caminhamos nos mesmos percursos que outros traçaram. Respeitamos as estradas deixadas e erguidas em nome da prosperidade de outrora, mas hoje desactualizadas pelas imposições da inovação, da exigência, do rigor e dos desafios diários que as populações impõem.


A roda não se voltará a inventar. Sabemos. Mas, em Ourém, ela está em andamento através da energia que a maioria aplica na construção de novos trilhos, nas acções diárias da esfera municipal, associativa, económica e social.


As recentes decisões políticas concelhias têm assentado, e tido como horizonte de cada projecto, as pessoas e o nosso território no seu todo.


Também assim se exige que o actual governo proceda. Não queremos acreditar (nem aceitamos) que o recente corte que o governo decidiu em matéria de serviços de saúde, e que irá prejudicar as populações do concelho de Ourém, não seja invertido.


Há dois anos havia catorze mil ourienses sem médico de família. Existia falta de profissionais de saúde disponíveis no Serviço Nacional de Saúde. O Presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, e a Ministra da Saúde do governo PS, chegaram a um acordo. Foi realizado um concurso e foram contratadas empresas que combateram este deficit.


Agora, este corte assumido pelo governo PSD/CDS em 60 % destas contratações fez com que as empresas já tivessem denunciado o contrato a 1 de Setembro. Um retrocesso incompreensível!


Assim, se o governo persistir nesta medida o concelho vai ter o Centro de Saúde de Ourém fechado a partir das 18h, o encerramento de extensões nas freguesias, e mais de vinte mil cidadãos sem médico de família. Deixaremos de ter não só médicos, como também enfermeiros, especialistas e auxiliares em número suficiente para as nossas necessidades.


Há dois anos o governo do PS ajudou. Agora o governo do PSD/CDS cortou. Cortam numa área fundamental para qualquer país: o acesso a unidades de cuidados de saúde básicos.


Não contem com o silêncio e a concordância dos eleitos e dos cidadãos deste concelho. Podem-nos cortar o subsídio de Natal, (re)cortar nos salários, aumentar o IVA, mas não ousem deixar desprotegidos mais de metade dos cidadãos deste concelho. Isso seria a maior das vergonhas!


Cortem nas empresas do estado e nos ordenados dos seus administradores. Tributem as empresas que mais facturam, como contributo solidário para as necessidades do país e ajudem-nas com outras contrapartidas. Dêem a independência imediata à Madeira e devolvam a factura dos 500 milhões de dívidas. E, por último, cumpram o programa eleitoral pelo qual se apresentaram ao eleitorado!


A maior riqueza do nosso concelho são as suas pessoas. O executivo municipal continuará, decerto, firme e intransigente, ao lado das suas populações. O valor da pessoa humana não tem preço, não é quantificável tal é a preciosidade da vida. Será que há quem não entenda isso?!?


João Heitor

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