
Que os pingos de chuva sejam gotas de amor
Que o frio da noite seja a metáfora da vida, pelo calor de viver…
Hoje e sempre.
Pelo Natal e nos restantes dias do Ano.
É aquele que nos alimenta e nos reforça. O que emerge do nosso ser face às turbulências sociais, políticas, económicas e pessoais, que dia a dia nos molham, nos aquecem e nos gelam. Com toda a nossa Alma, que nos alimenta o coração e o pensamento!
Sim, porque a natureza, identificada pelo ambiente exterior ao Homem, não deixa de ser também, a nossa natureza.
Somos, tal como as árvores, sujeitos às forças da natureza.
Por vezes, esquecemo-nos. Ou, julgamo-nos superiores.
Porém, estas forças, fazem de nós, pequenos seres humanos...
São sempre as celas que nos impedem de chegar mais longe.
São e serão sempre as barreiras que nos criarão obstáculos.
Entre estas e outras certezas, permanece também a persistência, a luta, o esforço, a dedicação…
Para a vida do dia a dia.
Nas relações familiares, de amizade e laborais.
Para o amor, não devem haver barreiras ou celas.
O amor exige que em vez de barreiras encontremos os verbos sagrados que orientam o olhar, o beijar, o abraçar, o ter, o dar, o partilhar, o sentir, o respirar…
Fora desse padrão, são caracterizados como desajustados, disparatados e outros adjectivos terminados em ados…
Na verdade, os comportamentos humanos não deviam ter idade ou momentos para serem aceites ou rejeitados pela sociedade.
Devia haver liberdade de pensamento e de acção, para todos aqueles que amam a vida, gostam de sorrir, de quebrar barreiras e de sentirem eternamente jovens.
Dentro da lei e da grei, será demais pedir isto?
Há edificios bonitos. Outros originais.
Há edificios diferentes.
Neles vivemos, passamos, trabalhamos.
Ontem, hoje.
Nas mudanças da vida, também os espaços físicos nos acompanham.
E quando os espaços físicos mudam, também nós mudamos.
Quando boas e desejadas, as mudanças representam um novo desafio e redobradas responsabilidades.
Está a crescer, a cada dia que passa e a definir as suas expressões e formas.
A mãe está muito feliz. Pega nela com muito amor e carinho. Sossega-a com a sua voz e o seu olhar.
Olhar as duas, é uma sensação profundamente tocante.
O amor de ambas é inquestionável e doce...
Pelas suas capacidades.
Pela sua essência.
Pela sua sensibilidade.
No dia em que a Leonor nasceu, passei a admirar, ainda mais a mulher.
Ter um filho é um momento de sofrimento muito grande.
A mulher tem de ter uma capacidade muito grande.
De resistência, de força, de determinação, de coragem.
Dedico este post à Paula, por todo o sofrimento que ela teve, para nascer a nossa filha.
A Paula surpreendeu-me, mais uma vez.
Assisti e acompanhei o nascimento, de mão dada e ao seu lado, pela união e pelos laços que nos sustentam em vida...
Os dias não são dias. As horas não são horas.
Tudo mudou e as atenções viram-se para a pequena Leonor.
Com o amor dos pais, a protecção dos familiares e o carinho dos amigos, temos vivido cada dia de forma diferente e profunda.
Tudo me parece frágil, mas forte.
Ainda que a dimensão seja condicionante, a força da vida da Leonor é imparável.
Nem sempre fui constatar, nesse dia seguinte, se a profecia se concretizava.
Acho que me perdia, somente, a contemplar a natureza e os contornes que a mesma me oferecia.
Não sei se amanhã será um bom dia, mas hoje, perdi-me, mais uma vez, rendido aos encantos do céu…
Habituámo-nos a ver a Estátua da Liberdade, nos EUA, de frente.
Assim, vista de cima, fica reduzida a sua dimensão. A sua largura. A sua imponência e significado...
Talvez na vida também mudamos consoante as perspectivas, os locais, a experiência de vida.
Mudando, sem mudar os valores que nos norteiam.
Acredito que mudar também é evoluir.
Perante uma imagem ou um facto a que assistimos casuisticamente, fazemos juízos de valor.
Ninguém é perfeito e todos erramos, excepto o Presidente da República Cavaco Silva, que raramente se engana e nunca tem dúvidas, mas o comum dos mortais, erra.
Entre os erros da vida, que façamos amigos.
Entre os erros da vida aprendamos a viver e partilhar.
Entre os erros da vida aperfeiçoemos a nossa forma de estar e ser.
Que consigamos transformar os erros da vida em lições de crescimento e amadurecimento humano.
Só assim, deixaremos de tirar conclusões precipitadas sobre os outros.
Só assim conseguiremos viver a nossa vida com paz e amor.
Muitos outros desaparecimentos de crianças em Portugal têm ocorrido nos últimos anos, sem que os meios de comunicação social lhes atribuissem tamanha importância.
Há quem diga que a responsabilidade do ocorrido se deva aos pais da menina.
Talvez.
Mas, ainda hoje, no átrio do metro, uma criança com cerca de 9 anos, me perguntou se lhe queria comprar um porta chaves.
Daqueles feitos com missangas, fio de nylon, e outros adornos.
Uma menina bem vestida, com a mala da escola às costas.
Perguntei-lhe porque é que estava a vender aqueles porta-chaves. Ela disse-me que era para ganhar dinheiro.
Perguntei-lhe ainda se ela não devia estar na escola e se os pais dela sabiam que ela estava ali.
Ela disse-me que não tinha ido à escola e que os pais não sabiam...
O metro chegou e fui-me embora.
Ela ali continuou à espera de outras pessoas para vender “as suas produções”.
A verdade é que pessoas mal intencionadas podiam convencer aquela criança com promessas de compras ou outras artimanhas e ela desaparecer...
De quem seria a responsabilidade?
Da escola? Dos pais?
Das forças policiais e de segurança do metro?
Ou, nã teria grande relevãncia por ser uma pequena menina portuguesa?
Nestes conceitos, a situação geográfica ajuda.
Em sabermos onde estão os amigos, mesmo que acreditemos que os guardamos no coração.
Em sabermos para onde vamos, para que não nos percamos nas encruzilhadas da vida.
Em sabermos o chão que pisamos, para que as areias movediças não nos afundem os sonhos e os projectos de vida...
Reconhecer o dia do trabalhador, com um dia de descanso, não deve levar os patrões e os governos a esquecerem-se dos direitos fundamentais na altura dos despedimentos colectivos, das falências fraudulentas, das dispensas infundamentadas...
Porém, durante todo o ano, incluindo no Inverno, no Outono e no Verão, outros insectos pairam pelo ar, sempre prontos a ferrar, sempre disponíveis a lançar veneno, sempre sedentos de intriga e conflito humano.
Mesmo sendo eles ligados à natureza, não quer dizer que não usemos um bom insecticida.
Ou, em último caso, ignorá-los e remetê-los à sua dimensão.
A uma dimensão que se relaciona com a pequenez da sua real importância...
A memória colectiva que varre a sociedade, desde os fascistas, aos extremistas, passando pelos honestos homens e as trabalhadoras mulheres que “sobem a calçada” no dia a dia de Abril e nos restantes meses do ano.
Se a liberdade existe, devemo-la a quem por ela lutou.
Hoje, cabe-nos zelar por esta responsabilidade que nos depositaram em mãos…
Mas, (há sempre um mas..) será a maioria dos detentores do poder político, económico e social digna de tal responsabilidade?
Não devemos, um a um, enquanto cidadãos de um país livre, e sem siglas, assumir as responsabilidades para proteger os valores humanos e democráticos reconquistados em Abril de 74?