Esta noite entrei no jardim-de-infância onde a Leonor vai começar o seu percurso escolar na próxima segunda-feira, dia 13.
No mesmo edifíco onde a minha mãe deu aulas do 1º ciclo há mais de 30 anos.
No mesmo edificio onde, posteriormente, esteve sedeada a Delegação Escolar do concelho de Ourém, e onde o meu pai trabalhou.
No mesmo edificio onde em pequeno estive com a minha mãe, onde em adolescente ia ter com o meu pai, e onde a partir de segunda feira deixarei a Leonor no começo do dia para a sua construção social, humana e intrínseca, que ali alinhará.
Poderia escrever que os percursos do Homem repetem-se em cada rotina prevista e programada.
Porém, na incerteza da vida e da volatilidade laboral, nada previa que estas coincidências repartidas por mais de três décadas, hoje, e em mim, fariam despertar o sorrir pela memória do meu pai, pelo respeito e admiração à minha mãe, e pelo amor que tenho à minha filha.
Desviando do centralismo familiar da ocorrência, permito-me ainda registar a solidez das estruturas educativas, o empenho das famílias e a alegria das crianças que neste fim de tarde e princípio de noite confirmaram o conceito de comunidade educativa. Essas duas palavras que tantas vezes ou somente escritas nos livros teóricos dos estudiosos da educação, da psicologia e da política se encontram.
Os edificios são pedras, madeira, tijolos. Mas neles vivem, crescem, aprendem, e se fazem estórias na linha da vida dos Homens. Esses edificios tornam-se assim elos de ligações entre o frio Inverno do normativo e o quente respirar de quem neles e deles faz o seu caminho...

























