domingo, 14 de abril de 2013

(apenas pela presença)...



Hoje. 
Hoje seria o dia de dar os parabéns ao meu pai. 
No céu das memórias, no céu do sentimento que une os pais e os filhos, no céu do calor que derrete a neve das nuvens desse mesmo céu, recordamos os nossos com aquela lágrima no canto do olho... 
Parabéns pai!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Reflexões...


Reflexões

Ao contrário da maioria dos animais, o ser humano desenvolve o seu conhecimento através das aprendizagens que concretiza ao longo da vida. Talvez por isso o saber, a ponderação, a maturidade se aperfeiçoem à medida que as rugas do rosto e do coração se vincam em cada um de nós.

Sabiamente, só mesmo a partir de uma determinada idade, e de um determinado caminho, se é reconhecida a capacidade para um membro do clero chegar a Cardeal, a um Homem das artes e ofícios atingir o patamar de Mestre, a um Homem do conhecimento chegar à categoria de investigador/especialista…

Os Humanistas defendem que o poder deve estar na mão dos sábios (?) e esclarecidos (?). Serão, esses, que, teoricamente governam os países. Mas, que país existe, presentemente, quando assistimos a um corte abrupto nas pensões dos portugueses? Que sábios, que sensíveis, que esclarecidos membros do governo são estes que retiram as pensões àqueles que durante décadas suaram e trabalharam, descontaram do seu salário para possuírem uma reforma que lhes permitisse obter um final de vida com o mínimo de dignidade?

Em que país se está a transformar o nosso Portugal, cujos governantes não têm coragem para enfrentar o poder económico, mas que com naturalidade e descontração cortam as pensões, retirando a possibilidade das pessoas irem ao médico, pagarem os medicamentos nas farmácias e se alimentarem? Que país é este que assiste ao corte nos serviços de saúde, à transferência de serviços de umas terras para as outras, sem lógica ou sentido, e se cala?

Não é este o Portugal daqueles que se assumem como Humanistas. Não aceito que aqueles que construíram o nosso país, com empenho, dedicação, responsabilidade social, profissional e humana sejam hoje maltratados e vejam os seus direitos extirpados.

A solução para uma parte destes problemas terá de vir, forçosamente, da Escola, em concertação com as famílias, num novo conceito de educação, que vise a construção de uma nova sociedade que assuma, real e concretamente, a importância e a dignidade do ser humano desde que nasce até que morre. E que nesse percurso, nada lhe falte, de essencial.

A Escola, o ensino, a educação do Homem são e serão, como já Aristóteles e Platão escreveram há milhares de anos, a chave para uma sociedade em que a economia seja um elemento da gestão do Homem, e não a Gestão como fator condicionador da existência do Homem.

Até quando vamos suportar estes ataques?

João Heitor

quarta-feira, 13 de março de 2013

Património... Ourém...


Pela Positiva…

A salvaguarda da história e do património do concelho é uma responsabilidade de todos nós e que se assume como uma oportunidade de promoção e desenvolvimento local.

Visando a salvaguarda desse mesmo património foram efectuadas obras de conservação e interpretação da Cripta e a renovação de conteúdos dos painéis turísticos no Centro Histórico de Ourém. A nossa “Vila Medieval” possui inúmeros locais de interesse público que urge potenciar turisticamente. Só assim poderemos atrair mais visitantes e valorizar o “Castelo de Ourém” enquanto local composto de suculentos recantos e momentos da história de Portugal e das suas gentes. Dentro de pouco tempo irão ser intervencionadas algumas ruínas, no sentido da sua preservação e de forma a assegurar a segurança dos transeuntes.

Também as calçadas históricas da Carapita e Mulher Morta foram alvo de intervenções com novos painéis interpretativos que explicam a origem dos trajectos, que remontam ao período romano e que ganharam maior relevância no período medieval. A histórica Fonte dos Cavalos, junto às calçadas, e que estava coberta de vegetação, permite-nos reviver a história dos nossos antepassados e “entrar” no ambiente medieval que marcou o nosso concelho enquanto território.

A Capela da Perucha, em Freixianda, e a Capela do Testinho, em Urqueira estão a ser alvo de projectos de requalificação, visando a salvaguarda deste património religioso e histórico. Duas equipas multidisciplinares do Município de Ourém estão a proceder ao inventário e ao registo de interesse patrimonial do imóvel, com a definição das várias intervenções a concretizar de acordo com projectos de arquitectura, especialidades e paisagismo dos espaços envolventes e os planos de conservação e restauro.

Igualmente a Ucharia do Conde, na “Vila Medieval” do Castelo de Ourém ganhou “nova vida” com a implementação de uma dinâmica de exploração efectiva. Atribuiu-se a este espaço, de características únicas, a responsabilidade de dar a conhecer os sabores tradicionais e fazer a promoção dos produtos locais do Município de Ourém, com especial destaque para os vinhos, queijos, enchidos, mel, doces, compotas e outras iguarias dos nossos produtores do concelho. A Ucharia do Conde passou a ser a “casa de visita” onde os cidadãos do nosso concelho e os turistas podem degustar a gastronomia e os produtos da terra que sabiamente produzimos.

Estas intervenções resultam de uma nova sensibilidade e visão estratégica do actual executivo que valoriza o património existente, criando novas dinâmicas, movimento de pessoas e criação de emprego. Assim, e pela positiva, dignificamos o legado histórico, cultural e gastronómico que nos compõem enquanto oureenses.

João Heitor 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI



O Papa Bento XVI anunciou na passada segunda-feira que renuncia à liderança da Igreja Católica, por se sentir "sem forças" para desempenhar o cargo.

Uma lição de desapego a um lugar, provando que há Homens que recorrem à sua consciência, fazem o devido exame intrínseco, e procedem em conformidade com os superiores interesses daqueles que servem.

Soubessem seguir este exemplo, um sem número de gente que se eterniza em lugares, que se agarra ao poder e o exerce, somente, para o consolidar. Em pior situação ainda se encontram aqueles que perderam o poder (por não lhes ser reconhecida capacidade para o respectivo exercício), mas que insistem em retomar o mesmo, culpando e menosprezando os que com eles trabalharam. Mas, esses, que não percebem que o mundo actual vive das grandes transformações, e também dos grandes Homens, o peso do espírito um dia ainda lhes vai tocar a consciência.

Voltando ao Papa Bento XVI, reforça-se o discernimento que o levou a reconhecer a sua “incapacidade para exercer de boa forma o ministério” que lhe “foi encomendado".

Fátima deve, em memória, em presença, em fé, em crença e em projeção mundial, muito a João Paulo II. Porém, também Fátima, o Município de Ourém e os católicos portugueses receberam, com naturalidade, a visita do Papa Bento XVI em 2010.

Preparou-se a cidade para acolher Sua Santidade em Maio de 2010. Executou-se um programa de beneficência de infraestruturas. Criou-se, na altura, um Heliporto, tratou-se da Avenida D. José Alves Correia da Silva e de outras ruas, limparam-se terrenos para criar estacionamentos, limparam-se, desinfectaram-se e odorizaram-se as ruas, consolidaram-se e reforçaram-se as estruturas de apoio aos peregrinos e recebeu-se, digna e alegremente o Papa Bento XVI.

O próximo Papa a ser escolhido, e que visitará Fátima, encontrará uma cidade mais requalificada, embelezada, digna para receber os peregrinos, possuidora de uma superior tranquilidade em termos de tráfego na envolvente da Basílica da Santíssima Trindade, e, como sempre, feliz por receber Sua Santidade. É por esse resultado, por esses objetivos, que um conjunto de pessoas trabalham diariamente, e ao longo dos últimos anos. Planificando, desenvolvendo e concretizando melhorias que servem todos aqueles que se deslocam a Fátima, todos os que lá residem, todos os que lá trabalham, promovem riqueza, emprego e consolidam o Milagre de Nossa Senhora. É assim, que continuamos, e continuaremos a marcar pela positiva…

João Caldeira Heitor

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Pela Positiva - Solidariedade em momentos difíceis!



Na noite de 18 para 19 de Janeiro a natureza encarregou-se de nos recordar que também ela faz parte do mundo. Do mundo que desejamos controlar à nossa maneira, mas que nos foge das mãos. A natureza relembrou que existem leitos de cheia, linhas de água, locais onde não devem existir habitações e unidades industriais, e, ao mesmo tempo, de colocar as nossas inovações tecnológicas ao nível da caneta e do papel, da água da fonte, da vela…

A Protecção Civil avisou que teríamos de estar alerta. Todavia, os piquetes da Câmara e dos Bombeiros não tiveram tréguas, numa luta desigual, por um extenso território onde as árvores, as casas e as vias ganharam uma diferente configuração.

Sob a coordenação do Presidente da Câmara o Serviço Municipal de Protecção Civil accionou cinco equipas de intervenção, com a colaboração da Ourémviva e da SRU Fátima, ajudando as dezenas de bombeiros e cidadãos que também já restabeleciam a normalidade, com condições climatéricas adversas e de força desigual. Limparam-se vias, concretizou-se o apoio a cidadãos, e coordenaram-se acções que facilitassem o trabalho da EDP, da PT, da VEOLIA, da GNR e da PSP.

Com árvores caídas e partidas, veículos destruídos, habitações, empresas e edifícios afectados a ausência de energia eléctrica, a ausência de água, a inexistência de comunicações deste mundo da fibra óptica dificultou a operacionalização que se desejava mais célere e eficaz.

Neste cenário de destruição que afetou todo o concelho o Presidente da Câmara convocou os Presidentes de Junta, os Bombeiros, a EDP, a PT, a VEOLIA, a SIMLIS, a SUMA, os Agrupamentos de Escola, a GNR, a PSP, a Direcção Regional de Agricultura, as Estradas de Portugal, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, a Segurança Social, os serviços municipais e as Empresas Municipais. Todos disseram: presente! Analisaram-se os problemas de imediato, traçaram-se estratégias de acção para os próximos dias, semanas e meses, cara a cara entre eleitos, empresas, autoridades e serviços da administração governamental. A definição deste Plano de Intervenção pós catástrofe, como foi desenvolvida durante os incêndios de Setembro de 2012, prova que só de braço dado e em estreita articulação com todos, conseguimos ultrapassar as dificuldades existentes.

Destaca-se uma vez mais a forma cooperante e abnegada com que os cidadãos se apresentaram lado a lado com os bombeiros, forças de segurança, funcionários municipais e funcionários das empresas municipais. Ourém conta com a solidariedade das suas gentes, dos seus eleitos, dos seus dirigentes e respectivas instituições

João Caldeira Heitor

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Escola Secundária de Ourém



Pela positiva… 

O ensino é um dos sectores mundiais que mais dinheiro movimenta. Para que tenhamos uma ideia, as universidades inglesas têm apostado na afirmação da formação que ministram, cativando, assim, mais de 80 porcento dos seus alunos que são oriundos do resto do mundo.

A aposta no ensino arroga não só a formação dos nossos jovens, mas também a capacidade de o internacionalizar junto dos países em vias de desenvolvimento. Uma das maiores riquezas do nosso país é a língua portuguesa. A existência de milhões de potenciais “clientes” nos Países de Língua Oficial Portuguesa é um “mercado” que urge explorar e potenciar.

Em 2011 “ganhámos” uma “nova” Escola Secundária em Ourém. Poucas são as pessoas que registam na sua memória a inauguração de uma Escola Secundária no concelho onde residem. Para a concretização deste objectivo muito contribuiu o empenho da Direcção do Agrupamento liderado pela eng.ª Isabel Baptista, pelo (à data da decisão) deputado António Gameiro e pelo (à data da decisão) Governador Civil de Santarém, Paulo Fonseca. Deixa-se o registo, para memória futura, pelo esforço desenvolvido por estes protagonistas, facto que honra todos os ourienses.

A Escola Secundária de Ourém é hoje um edifício com salas multifuncionais, equipadas com novos materiais, com diferentes espaços dotados de inovadores recursos que propiciam a concretização de um saber dinâmico, amplo e integrador. Em 2011, os alunos do concelho de Ourém passaram a pertencer a uma geração (e a outras subsequentes) que obteve uma aposta nacional. A aposta de um país que neles deposita a esperança do futuro, e a confiança de novas conquistas individuais em nome de todos nós.

Também o executivo municipal tem investido na educação. Nos últimos dois anos não só se concluíram os quatro Centros Escolares cuja primeira pedra foi lançada em 2009, como se criou um quinto Centro Escolar, e se iniciou ainda a construção de mais três, a abrir em Setembro deste ano em Freixianda, Olival e Seiça/Alburitel.

A construção de um Centro Escolar representa mais do que um novo edifício. Comporta a aposta no potencial da nossa terra – as pessoas, congrega a comunidade que no mesmo vai desenvolver a sua acção criando, simultaneamente, novas centralidades e dinâmicas locais.

Sabemos que, presentemente, este é o caminho a percorrer, e a aposta a consolidar. Por mais que alguns desejem o fracasso destes projectos, com as todas as dificuldades conhecidas, Ourém continua a marcar pela positiva…

João Caldeira Heitor

domingo, 18 de novembro de 2012

Gavião, Portugal, Mundo


Essa matéria de que somos feitos,
Põe-nos carne, ossos e sentimento no corpo.
Pela vida que se regista e se percorre.
Nela somos filhos, pais e avós.
Nela ganhei pai e mãe.
O meu faz hoje 10 anos que viajou (como o tempo voou…).
Esse é o destino que às crianças é explicado.
Mas que aos adultos não se “veste” nesse “número”.
Não se despe o “casaco” da saudade.
Faz frio. A saudade e a ausência são frias.
E por isso a pele precisa do contacto.
E por isso a alma precisa do calor.
E por isso se recorda, com um sorrir,
O viver,
O crescer,
O aprender,
O debater,
O contrariar,
O chorar,
O rir que pela vida aprendi, partilhei e acumulei, com o meu pai.
Todos esses predicativos de ser,
Que retribuo a quem me honra com o reescrever da história da vida.
Obrigado pai.
João Miguel

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tu...


Vulnerável sem te perceber,
Ou perdido sem te ter?
Gigante contigo em meus braços,
Ou carraça refém da noite solitária?

Sou hoje assim,
Em duas formas,
E de forma diferente,
Não me vejo.

Sinto-me a entrar no céu escuro,
Se em ti não tocar,
Pelo simples pensar,
Ou na certeza de não te ver.

Não me deixes adormecer,
Quero acordado sonhar,
Deste sonho real a viver,
Mesmo com os frios lençóis a bater.

Serei fraco demais para te absorver?
Não desistas de atravessar,
A noite,
A terra,
O vento,
E num pensar ciumento,
Atira teu corpo ao chão.

O tempo passa,
Pelas janelas fechadas,
Pelas noites vazias,
Pelos olhos molhados.
 
 
Vem-te deitar,
E a meu lado cantar,
Dona de ti mesma,
Mulher, menina e donzela.

Teu e meu desejo,
Não vai esperar,
Não vai perder,
Nosso beijo a trocar…
João Caldeira Heitor

quinta-feira, 14 de junho de 2012

If I Ain't Got You...

As vozes que na noite escuto,
São as que em silêncio me lêem.
As vozes que na noite se calam,
São as que nos gritos me afastam.

O som de cada passo,
É o bater dos dias vividos.
Perdido ou encontrado em teu regaço,
Sou um Homem rendido.

Pecado é não abrir o coração,
No frio da noite, ou no calor do dia.
E, em cada segundo,
Viver o sorrir da vida (mesmo sombria).

Ser mais além,
É ser humano,
É ser frágil,
É ser um espelho da alma...

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Para Ler e Entender...




Uma abordagem sobre a leitura, a escrita, que se deseja partilhada, nos novos mecanismos electrónicos que fazem o dia a dia de todos nós, suportados pelos alicerces dos homens e mulheres da cultura e do saber...
Ao som de um poema de Mário Sá Carneiro, tocado e cantado pelos Trovante…

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Unnatural...

Sou receptor de todos os desacatos,
Sou caixa de estranhos sons humanos,
Sou registo vivo de olhares mundanos,
E, entre os dias e as noites, sumido.

Essa verdade não consigo alcançar,
Esse desejo de quem não falou,
Essa não vontade que alguém mostrou,
E, sinto a energia em mim esgotar, sumido.

Procurei a bússola para me relançar,
Procurei a razão dos que estão a falar,
Procurei uma estrela para me aconselhar,
E, cada dia é um desafio louco, sumido.

Só, não se cria uma multidão,
Só, não se casa a união,
Só, não se muda o mundo,
E, o estalar de dedos está, sumido.

Perde-se a magia em cada poder,
Perde-se o abraço em cada julgamento,
Perde-se a crença em cada duvidar,
E, só agarras o que tens, ou, sumido.

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A biblioteca do nosso ser...


Começou um dia (todas as estórias têm um dia em que algo ocorre) por ser um espaço amplo, deserto de estruturas, seres ou denominados aglomerados de papel a que, posteriormente, se conheceu por ter o nome de: livros.

Nasceu livre aquele local. Livre e deserto de saberes. Nem uma folha impressa, escrita por ali subia ou descia ao sabor do vento, com ou sem a leve brisa do tempo.

Os primeiros anos foram passando à medida que se aperfeiçoaram os sentidos, e as aprendizagens surgiam, na mesma dimensão, aliando as imagens e os sons à memória que se começou a disciplinar.

Aos três anos já se identificavam letras e se soltavam palavras. Aos cinco, o nome se escrevia: biblioteca entre algumas incertezas que se dissiparam à medida que já se tocavam os livros, os cadernos.

O espaço que outrora estava amplo começava a ter umas quantas estantes, respigando meia dúzia de elementos físicos, próprios e específicos de uma verdadeira biblioteca.

Os anos foram reunindo experiências, saberes, áreas e métodos, e, na mesma proporção o espaço era cheio de livros infantis, juvenis e literários.

Nestes anos, a luz dos candeeiros, os recreios e espaços públicos, a sombra das árvores foram cúmplices desse saber, dessa biblioteca que crescia acumulando as folhas impressas em livros cozidos e colados.

A biblioteca era agora um campo aberto onde o horizonte não tinha limite, as personagens não tinham estória fixa para constar ou para incorporar, e as portas abertas eram sinónimo de presença humana, convívio, partilha de saberes, experiências, vivências e conhecimento.

Essa, essa essência da biblioteca que vive dentro de cada um de nós, que cresce à medida que avançamos no percurso de vida, reflecte o saber, os mil e tantos mundos, as únicas e singulares histórias de tantas personagens imaginadas, imaginárias, imaculadas no nosso pensamento, por em nossa memória permanecerem.

Foram-nos dadas, foram criadas e são a cada dia que passa, um novo mundo, um outro mundo onde bebemos, onde crescemos, que abrimos a nós e aos outros.

A biblioteca do nosso viver tem todas essas estantes. Com livros. E cada uma delas, dessa biblioteca, situam-se em diferentes espaços, catalogada ou indiferenciada, com mesas e cadeiras, com computadores ou sem eles, com livros com e sem pó, e, mesmo que desses dez, vinte, quarenta ou cem títulos possam ser coincidentes, todas elas (bibliotecas) são únicas.

A biblioteca de cada um de nós tem vida pelo raciocínio, pela partilha, pela exploração de cada canto, de cada instrumento, de cada nova tecnologia complementar à história impressa, ao livro prensado e colado.

Esta estória mais não é do que uma metáfora sobre o crescimento humano, alimentado pelo saber dos livros, e que em cada um de nós existe no virtual do nosso cérebro e no físico de cada biblioteca que possuímos. Nas nossas, e em todas as outras que foram nossas, por lá termos passado, vivido e aprendido.

João Heitor

O valor que não tem preço...

No corre-corre do dia-a-dia nem sempre olhamos o espelho interior de cada um de nós, pela busca e visualização do nosso ser.

O umbigo de cada um é, efectivamente, um dos pontos do nosso corpo. Porém, no universo conhecível, mais não somos do que um minúsculo elemento, entre milhões no longínquo horizonte que os nossos olhos alcançam.

Neste caminho, entre o nascer e o morrer, as pegadas que deixamos na areia da vida, compostas por milhares de grãos de areia, assumem-se, neste percurso, como o legado, a lembrança, a marca, a postura, a ideia pela qual somos referenciados. E, um dia mais tarde, recordados, nas multifacetadas relações humanas que estabelecemos.

O reflexo do nosso agir é também o contributo com que prendamos os que nos rodeiam. Também por isso, a vida e a postura de Jesus Cristo tem tido biliões de fiéis devotos nos últimos dois mil anos. O Cristianismo, na sua essência, e génese, sem a interferência dos homens e mulheres da igreja, é um manual de vida. Assume-se como um desiderato ao aperfeiçoamento do Homem, ao limar das suas arestas num trabalho contínuo e eternamente inacabado, até à extinção da espécie humana.

No passado fim-de-semana, em Fátima, a fé, a crença, a tolerância, a solidariedade, a devoção e a força de milhares de pessoas juntou-se em momentos de reflexão e de introspecção. Independentemente das crenças religiosas de cada um, do agnosticismo de tantos outros, a essência humana alimenta-se do afecto, da cumplicidade, da partilha de projectos, da participação e da inclusão de todos os que compõem a sociedade.

Assim, a construção de cada um de nós assume-se como uma obra inacabada, que, com liberdade, bons costumes e numa cadeia de união se consubstancia em elos de ligação, em acções de apoio, em relações de solidariedade e partilha, assentes, também, no nobre valor, do valor da vida.

João Caldeira Heitor

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O que somos e temos…


Há dias em que nos queixamos da vida, dos recursos que julgamos insuficientes, da chuva e do sol, do buraco na estrada de alcatrão, dos centros comerciais cheios que não nos permitem circular à vontade. Porém, esquecemo-nos dos povos que vivem em países com grandes dificuldades.

Em representação institucional desloquei-me ao Município de São Filipe, em Cabo Verde onde constatei uma realidade de via que corta a luxúria, a gula ou a avareza de qualquer europeu, face às dificuldades do povo cabo-verdiano.

Muito se tem feito e desenvolvido em São Filipe nas últimas duas décadas. Ao nível de saneamento, do porto, do aeroporto e iluminação pública, por exemplo. Porém, somente circulei numa estrada alcatroada, as centrais elétricas funcionam com geradores e a maioria das habitações estão por terminar.

Porém, este povo recebe e vive com alegria, educação, empenhados com afinco nos seus trabalhos, mesmo com todas as condicionantes dos habitantes de uma ilha, sem diamantes, petróleo ou gás natural.

Natural, só mesmo a sua essência, a sua paisagem, o vinco do seu rosto, do seu olhar, que mesmo com as dificuldades conhecidas, nos brindam com a sua felicidade.

Desta lição de vida retiro a conclusão de que os queixumes de uns, nada mais são do que luxos de uma sociedade consumista, quando comparados pelas debilidades de muitos outros.

Cabo Verde já possui muitos recursos humanos habilitados e emigrantes de sucesso pelo mundo fora, mas impõe-se o aumento de projetos partilhados com a Europa.

Na passagem do 13º aniversário sobre a assinatura do protocolo de Geminação entre os Municípios de Ourém e São Filipe consolida-se o ato assumido em boa hora, assim como todas as parcerias ocorridas nestes anos.

No acompanhamento das cerimónias oficiais, e na companhia do Presidente do Município de São Filipe, Eng. Eugénio Veiga, conheci um “homem-exemplo” face à sua postura solidária e espontânea junto dos seus. Vi a entreajuda e uma preocupação humana que ultrapassa as obrigações institucionais de um Presidente de Câmara. Um homem que tem sabido canalizar os escassos recursos financeiros para áreas prioritárias, e que o povo reconhece com uma calorosa simplicidade, patente nos cumprimentos, nos abraços e sorrisos partilhados na alegria, pelo simples fato de estarem vivos.

Reforcemos as parcerias pela dignidade humana e partilha social do mundo civilizado a que pertencemos. Pensemos no mundo pelo seu todo e deixemos o nosso umbigo como o centro do mundo. Difícil? Sim. Mas, está nas mãos de todos nós ajudar e sermos ajudados em cada dia onde o sol nasce pelo mundo fora…

João Heitor

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Numa noite...num dia... Sempre?

Numa pequena carícia secaram as lágrimas do céu.

Espreito, essa luz, pelas escarpas das nuvens.

Essa luz que me beija em surpresa.

Será esse, o beijo, verde de inveja que falam?

Procuro esse mágico lugar onde pousa a história de nós dois.

Em meu coração te encontro, e lá te seguro.

Como os ossos seguram a carne de nossos mortais corpos.

Como a ponta da língua saboreia a gota de suor depositada em cada ruga.

Como o elmo da alma me aquece o sorriso solitário.

Hoje, à noite, amanhã, de dia, vou continuar a escrever,

Que o sol não deixo de querer e sentir o calor escuro da lua.

Em ti e em mim, pura, ou mal amada, é sensação única e desejada...

João Heitor

sexta-feira, 13 de abril de 2012

18 são as nossas!


Numa altura em que as reformas políticas nacionais nos conduzem para a redução de postos médicos nas freguesias, para a própria agregação de freguesias, para a fusão de Agrupamentos de Escolas, entre outras, as populações manifestam uma perda contínua em diversas áreas que lhe são próximas, e que muito contribuem e condicionam, na sua dialéctica, identidade e qualidade de vida.

Após o encerramento das extensões da Segurança Social, das extensões de saúde, da transferência de valências entre hospitais, da transferência de valências entre tribunais, o governo insiste em implementar uma lei que vai conduzir ao desaparecimento de freguesias.

Nenhum governo pode ser insensível à importância das freguesias, e, na própria relação custo/efeito, o que estas representam para o real serviço público. As nossas comunidades, as nossas freguesias, são, efectivamente, a riqueza humana do concelho de Ourém.

Assim, a ordem jurídica, emanada em forma de decreto, não se pode sobrepor à natureza histórica, à essência moral, à ordem social, à riqueza característica e ao valor dos homens e mulheres que compõem as freguesias.

Os autarcas de freguesia não têm estátuas suas nos jardins, mas representam a livre e espontânea dedicação ao seu semelhante, ao seu conterrâneo e à terra que os elegeu.

A actual proposta do governo prevê a extinção de 7 (sete) freguesias em Ourém. Acredito que os propósitos governamentais se centram, somente, na vontade de reduzir despesas, numa linha de contenção financeira.

Escrevo, uma vez mais, que o actual território do concelho de Ourém, composto pelas suas 18 (dezoito) freguesias, só assim faz sentido. É o único que, amplamente, serve e representa a democracia.

Acredito que o bom senso vai imperar e que todas as forças políticas, institucionais e sociais conseguirão tranquilizar as populações, garantindo a continuidade das 18 (dezoito) freguesias. E, simultaneamente, assegurar-lhes as respostas para as necessidades que as mesmas atravessam. Só assim, damos corpo à essência do poder local no qual todos nos revemos.

João Heitor

O ser, não é um desejo...

  
A idade é um posto. Um posto de referência, de saber, de aprendizagem que se acumula ao longo da vida. Pelos lugares por onde passámos, pelas pessoas com quem aprendemos, pelas funções que desempenhámos, e, principalmente, pela contínua formação intelectual e social que, dia-a-dia, aperfeiçoamos.

E, também por isso, em funções de responsabilidade, em domínios de conhecimento, em áreas de amplitude e visão, são mulheres e homens maduros, já com os seus cabelos brancos oriundos dessa caminha individual, que preconizam a gestão e “dão cartas” nos relacionamentos humanos. Com esses homens e mulheres, de cabelos brancos, tenho aperfeiçoado nobreza da avaliação, da tolerância, da análise objectiva, das dialécticas individuais e sociais.

O comportamento humano é complexo. Basta olhar para cada um de nós, e identificar, na nossa história de vida, alguns comportamentos, que, nos dias de hoje, jamais repetiríamos.

Viver, também pressupõe, partilhar. Partilhar a vida com o próximo. Ajudar a que existam mais pessoas no mundo, e que a certa gente seja dada “a luz” da decência e dos limites que, socialmente, se impõe.

Não se pretende converter os inconvertíveis. Nem tão pouco subir à estratosfera de alguns falsos moralistas que ignoram os desígnios da fé, e se esquecem que esses intuitos se sobrepõem aos seus interesses individuais.

A sociedade tem vários desafios. O de diminuir a elevada hipocrisia que se espuma, diariamente, com contornos doutrinais. De dar conteúdo a certa gente que por aí vagueia. De dar utilidade aos meios e discutir temas substantivos. O de permitir que as pessoas só conheçam certa gente, capazes, estes últimos, de também chegarem ao grau de: pessoa…

Esta semana uma reflexão social e politicamente, mais alargada, partilhada. Para todos aqueles que se preocupam em construir e viver numa sociedade de princípios e valores. Para todos aqueles que preferem uma boa crítica a um silêncio mórbido. Para todos aqueles que desejam uma vivência saudável. Para todos aqueles que estão empenhados pelas causas públicas.

Não nos esqueçamos que todos, de todos os partidos e correntes de opinião serão sempre poucos para os desafios presentes e futuros. Pensem nisso.

João Heitor

Há Homens de valor entre certa gente...

Ao longo da vida crescemos pelo convívio com pessoas que se cruzam no nosso percurso de vida, e com quem aprendemos a consolidar os pilares da estrutura pessoal.

Na semana passada faleceu o Padre Abílio Franco. Pároco durante largas décadas na paróquia de Alcanena (terra da minha família materna). Homem íntegro, humano, defensor dos valores do catolicismo, mas, simultaneamente, destemido nas laços que estabeleceu entre a fé e os homens e mulheres de carne e osso.

Há 35 anos o pároco de Ourém recusou o meu baptismo, pelo simples facto dos meus pais, somente (?), serem casados pelo registo civil. O Padre Abílio Franco quando conheceu a situação logo se prontificou a proporcionar à minha família, e a mim, esse momento simbólico. O baptismo. Pelas suas mãos, pelas mãos de um servo de Deus, fui recebido na igreja, confirmando neste acto, o cumprimento da missão que Jesus Cristo deixou ao mundo.

São homens como o Padre Abílio Franco, humildes, disponíveis, simples, que credibilizam as instituições. Neste caso específico, ligando afectuosa e espiritualmente, o Homem aos valores do Humanismo, pelo que de mais puro o mesmo comporta, e se assume nos evangelhos, na Bíblia.

Curiosamente, ou não (lá está), os meus pais acabaram por se unir à luz da igreja católica, 10 anos depois de eu ser baptizado. Obviamente, que pelas mãos do Padre Abílio Franco, numa cerimónia onde as palavras sagradas confirmaram aquilo que a sociedade, há muito, já tinha assumido como um dado adquirido.

Esta reflexão pessoal, mas decerto comum a alguns leitores, transporta-nos para outras questões. Há Homens que se encontram ao serviço das organizações, das instituições, e que a elas se dedicam. Outros há, que, das organizações a que pertencem, pouco ou nada acrescentam. Na função pública, no sector privado, na igreja, nas funções liberais, há Homens que nem sempre honram as nobres funções profissionais, que lhes estão sujeitas.

Porém, na vida, e até que a nossa memória se apague, recordamos Homens como o Padre Abílio Franco. Homens à frente do tempo, de generosidade reconhecida, que com estima e saudade, deixam a sociedade mais pobre com o seu desaparecimento físico. Outros há, que, serão esquecidos, ou, lembrados pelas piores razões. Também, assim é o mundo, justo.

João Heitor