De ponte em ponte, passa a água e o tempo.
Só não deixamos de ser nós, pelo que somos, acreditamos e pensamos.
E isso existam as pontes que existirem, passe a água que passar, ninguém nos arranca…
É aquele que nos alimenta e nos reforça. O que emerge do nosso ser face às turbulências sociais, políticas, económicas e pessoais, que dia a dia nos molham, nos aquecem e nos gelam. Com toda a nossa Alma, que nos alimenta o coração e o pensamento!
Tenho passado alguns dos dias debruçado em análises, situações, objectos e determinações.
Entre todas elas e eles a reflexão e o amadurecimento pessoal tem surgido, espontaneamente, num crescer de aprender, num encruzilhar das linhas do sisal e do linho, escapando a alguns snipers que vestem casaco de pura lã virgem...
Tenho dado diário seguimento ao condimento diário da arte.
A arte.
Todos falam do estado da arte.
A arte é mesmo para os artistas.
Os que de uma mão vazia enchem a outra são aqueles que se denominam por artistas…
Pior do que não saber o que se encontra por detrás de um processo, de uma estrada ou caminho, de uma vida, é recear e voltar costas.
Fazer é sempre mais difícil do que cingirmo-nos a uma pré-sentença ditada pelo comodismo.
Mas é essa dificuldade – a do fazer – que nos dá a essência da conquista, do prazer de ser e fazer…
"Não é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas aquela
que reagir melhor às mudanças" Darwin
(Ad Universi Terrarum Orbis Summi Architecti Gloriam)
Um pensamento para reflexão nesta época em que todos se amam e desejam paz (a chamada trégua), para regressarem ao mecanicista reinante sistema de vida em Janeiro de 2010…
Neste fim de semana, ao sair de uma superfície comercial encontrei um bom amigo que se fazia acompanhar da esposa e filha.
Não vale a pena referir o seu nome, até porque as verdadeiras amizades, que nos ligam pelos afectos, não precisam de referências nominais. Bastam, somente, as sentimentais.
E, de sentimento se trata.
De admiração pela pessoa simples e franca.
Objectiva e profunda em sabores e sensações, pelas artes do falar, do ler e do escrever.
Engana-se quem julga que só quem escreve um livro, é que é escritor.
Mais do que ler, saber ler, saber de quem se lê, de quem se ouve, espelha uma imagem muito mais nítida de quem nós somos.
Este amigo, vencedor na vida que conquista dia após dia, (e com o qual teimo em adiar o jantar há quatro anos apostado), tem um sorrir espontâneo e aberto.
É um homem livre e de bons costumes, sem que tenha sido iniciado, mas que o é por natureza intrínseca.
Viu-me crescer. Com ele, ainda que com a distância física e do convívio, edifiquei o meu ser.
E a nossa riqueza, é termos, com carinho e amizade, pessoas como ele.
Que consigamos jantar este ano!
Um abraço
Cada ofício tem uma tarefa.
Cada tarefa, e ofício, tem a sua caixa de ferramentas.
Saber usá-la fará do artífice capaz ou não, de, em boa fé, receber a jorna pelo seu trabalho.
Nestes novos processos tecnológicos, onde os fluxos digitais ultrapassam os saudosos momentos em que a abertura de espírito e alma nos convenciam que as conversas eram nossas, correm agora outros tempos.
Outros, ou os mesmos, aliados aos cabelos brancos que aumentam em ambas as cabeças, sem que a minha seja ou eu desejo que seja – pensante.
Despropositado, este comentário, mas sempre em e de boa fé, alertam-se os vizinhos, os amigos, os camaradas e os padrinhos.
Até porque da caixa de ferramentas já saltaram textos mais ou menos pessoais, globais, locais, secretos, audaciosos, pecadores e ousados…
Não se duvida de ninguém.
Não se quer ser primeiro, nem tão pouco especial, único, supremo ou americano.
Elevemos, então, a conversa.
É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
Palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.socorram-me, subi no onibus em marrocos.
anotaram a data da maratona
assim a aia ia a missa
a diva em argel alegra-me a vida
a droga da gorda
a mala nada na lama
a torre da derrota
luza rocelina, a namorada do manuel, leu na moda da romana: anil é cor azul
o céu sueco
o galo ama o lago
o lobo ama o bolo
o romano acata amores a damas amadas e roma ataca o namoro
rir, o breve verbo rir
saíram o tio e oito marias
zé de lima rua laura mil e dez
Talvez me tenha esquecido de alguns, depois de, conscientemente, ter separado os amigos dos conhecidos.
Se bem que conhecidos possam ser muitos, os amigos são sempre menos.
Isto porque a amizade impõe um conjunto de processos, que só o tempo, o camuflar das acções e das provas partilhadas e vividas, nos permitem saborear tal valor: a amizade.
Talvez seja como o vinho. Só algum tempo de repouso, após as uvas terem sido esmagadas, e na pausa do tempo cuidado com a sabedoria de quem o faz, tenha o paladar que faz as delícias dos seus apreciadores.
O vinho. Aquele que se saboreia com um amigo.
Não sei porquê, mas quando escrevo ou ouço a palavra vinho, lembro-me sempre da expressão “o pão e a vida… cálice…” do vinho, ou da vida.
Talvez por isso tenha escolhido esta foto que tirei, um dia, do cimo de um altar de uma igreja.
Aos olhos de muitos, aquilo que dizem ser a Santíssima Trindade.
Nem outra coisa podia ser.
Seríamos hereges ao duvidar de tal explicação.
Até porque, o desconhecimento, continua, após séculos e séculos a favorecer determinadas classes.
Falta de fé? Não. Azia. Combate-se com Kompensan, eu sei, mas hoje nem um chá de digestão fácil me acalma a inquietação da alma, do espírito e da lógica racional das coisas.
Exigente? Não. Ou, talvez sim. Comigo. Demasiado. Ao ponto de fazer cumprir certas linhas e certos objectivos, que mais não são do que representações lógicas do pensamento alicerçado sobre os barrotes dos valores intrínsecos.
E vale a pena continuar assim? Valerá. Pela tranquilidade da consciência e do dever cumprido.
Regressando aos amigos de quem me lembrei, faço o acto reflectido do sorrir, pela espontaneidade das relações e laços estabelecidos, ainda que as distâncias existam.
Por último uma palavra a um amigo especial. A um amigo a quem não tem faltado a rectidão das palavras e dos actos. Uma palavra a quem tem usado os instrumentos e traçado as linhas sem um único desvio. A quem depois de retirada a venda me deu um abraço. Já se acredita menos, no que lá fora se vive e passa. Mas, entre a família que se conta pelos dedos de um pé ou de uma mão, que não nos falte a força para usar o escopro.
Que assim seja!
Dos Arquivos da Torre do Tombo, Armário 5, maço 7.
Sentença proferida em 1487 no processo contra o prior de Trancoso
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo”
Aprendi que ninguém é perfeito.
Aprendi que a vida é dura, mas que temos de ser mais que ela.
Aprendi que as oportunidades nunca se perdem, visto que, aquelas que desperdiçamos alguém as aproveita.
Aprendi que quando nos importamos com rancores e amarguras a felicidade perde-se por outros caminhos.
Aprendi que devemos procurar usar as boas palavras, também e porque, amanhã nunca se sabe as que temos de ouvir. Aprendi que um sorriso é uma maneira económica de melhorar o nosso aspeto externo e de melhorar as relações humanas.
Aprendi que não posso escolher como me sinto, mas posso sempre procurar fazer alguma coisa para melhorar.
Aprendi que quando a minha filha recém-nascida me segurou no dedo da minha mão, me cativou para todo o sempre, pelo amor de pai.
Aprendi que a maioria das pessoas quer viver no cimo da montanha, mas que a felicidade se encontra e se vive durante a subida.
Aprendi que temos de saborear as viagens da vida, com todos os seus percalços e aventuras, e não pensar somente nas chegadas.
Aprendi que o melhor é dar conselhos só em duas circunstancias: quando são pedidos e quando deles depende a vida e a felicidade.
Aprendi que quanto menos tempo se desperdiça mais coisas posso fazer por mim, pelos meus e pelos outros.
Tudo, porque vivo em sociedade e em sociedade sou feliz.
Todos os animais merecem respeito.Os irracionais e os racionais.
Se bem que possam existir alguns animais racionais, insensíveis às necessidades do próximo, quietos no conforto das suas cadeiras e na rubrica ou assinatura do seu nome.
Estes animais, racionais, nem mesmo com a teoria do Pavlov, em que as respostas comportamentais são reflexos incondicionados, inatos, em vez de aprendidas, lhes permitem contrariar os seus actos para reflexos condicionados aprendidos por situações agradáveis…
Resumindo e baralhando, a espuma dos dias nada mais reflecte senão a agitação do mar.
Ou, regressando ao mundo animal, nem mesmo quando levam os animais a passear eles adquirem outros conhecimentos ou atitudes.
Estão, definitivamente, limitados…
O meu amigo Luís Cordeiro lançou um projecto, em parceria com outro jovem criador, que dá pelo nome de Holy Fabrics.Criação e venda de roupa. Destaco as t-shirts muito originais.
Um espaço para visitar!!!
Com a disponibilidade e a indisponibilidade do seu autor, tem sido local de encontros e desencontros, de pensares e imagens, de comentários e silêncios, de passagens, visitas, reflexões de dias e noites.
Mais do que agradecer aos que visitam este espaço, temos, por obrigação moral, de lembrar a força que nos move e nos faz acreditar, mesmo que recorrendo ao nosso Suplemento de Alma.
E à minha amiga Gotinha que me ajudou nos "primeiros passos".
Hoje, fui encontrá-lo referenciado no Aniversário de Blogues.
Por aí anda referenciado em outros blogues de amigos, conhecidos, desconhecidos, mas ciberneticamente ligados ao mundo virtual em que o mundo gira.
Hoje, nasceu o sol, sobre a data do teu primeiro ano de idade que completas.
1 ano de alegria, ternura, carinho, crescimento, beijos e choros, risos e cumplicidades partilhadas entre os que te rodeiam, e que com amor eterno te tratam, te ensinam, te amam...
Mais do que sermos a tua ajuda, somos e seremos a tua companhia na descoberta do mundo em que vives, e que nos rodeia.
Hoje e amanhã, pelo caminho que traçares em cada passo de mulher, que no dia a dia ganha traços no teu rosto de criança, conta com os laços inquebráveis das relações de sangue, dos genes que possuímos, iguais e misturados, à luz do sol e do luar, dos dias e das noites de estrelas.
Dos avós, dos tios, das primas, da mana, e dos teus pais, um FELIZ ANIVERSÁRIO.
No meio de tanto barulho, que as nuvens nem o sol deixam espreitar, passam os dias.No meio dos dias que passam, sobre as horas de distâncias e saudades, agarramo-nos nos reencontros dos dias e dos fins de semana, com um sorriso rasgado sobre o peso do amor.
Hoje, foi o teu primeiro dia da criança, em que “a bebé” encantou a natureza, com a sua essência, por nós olhada, sentida e vivida intensamente…
As semanas vão passando, pelas horas e pelos dias, que de manhã ou de noite, sobre forma de máquinas e gestos mecânicos repetimos práticas, sobre o instinto de sobrevivência, a par das práticas sociais impostas.Chegamos ao fim de semana cansados e de agenda cheia de tarefas domésticas.
Ouvimos a chuva que bate forte, empurrada pelo vento que agita as árvores da rua.
Entre tudo isto há um outro mundo lá fora, onde, decerto, alguém, em comum, tem estas e outras rotinas.
Ainda que cada pessoa seja uma só, que cada família seja uma só, que ligações se estabelecem entre o viver, o sobreviver, o fazer e o querer?