sábado, 30 de abril de 2005

É preciso agir!

Num contínuo anúncio de manifestações de estrema direita por toda a Europa, a consolidação de Le Pen em França, mas também na Áustria, em Itália, na Dinamarca, na Holanda e na Bélgica, grupos de extrema direita têm crescido e atraído militantes para as causas xenófobas e racistas que defendem.

Estas ocorrências ganham maior relevo quando se celebram 60 anos sob o fim da II Guerra Mundial. Pessoalmente, encaro a subida dos partidos da extrema-direita como uma derrota dos valores humanos, da tolerância, e da igualdade de direitos, liberdades e garantias.

Volvidos 31 anos sobre a revolução de Abril e após 50 anos de ditadura, os portugueses souberam consolidar a democracia. Somos hoje um país com uma forte identidade histórica, cultural e linguística.

Contudo, vive-se em Portugal uma crise de opinião. Os portugueses estão pessimistas quanto à situação económica do país e deixaram de acreditar e de confiar na classe política “clássica” centrada no PS e PSD.

Além do “antiquado” PCP e do “populista” CDS/PP, o BE imprimiu uma nova mentalidade política, aliada a um novo discurso que tem agradado a uma significativa margem do eleitorado jovem.

Mas a nossa apreensão deve, presentemente, centrar-se na eventualidade de em Portugal surgir um partido de extrema-direita. Se tal viesse a suceder, facilmente, com um discurso nacionalista virado contra a imigração (que ultimamente tem aumentado no nosso país), qualquer novidade que surgisse no panorama político nacional teria entusiásticos apoiantes.

Como é que podemos evitar ou minimizar uma situação deste género? Renovar dia após dia os valores de Abril. Transmitir aos jovens a importância da liberdade de expressão e de pensamento, para todos, sem exclusões. Evidenciar os benefícios das diferenças entre os povos, das trocas culturais, da partilha e da solidariedade perante aqueles que necessitam do nosso apoio.

Não é tarefa fácil, mas de facilidades já a história não se escreve!

Está nas nossas mãos!

segunda-feira, 25 de abril de 2005

25 de Abril! Sempre!!!

Passados 31 anos sobre a revolução dos cravos, comemorar Abril, é, também, renovar os ideais dessa já longínqua Primavera, e fazer com que os mesmos floresçam, se renovem e não caiam no esquecimento.

A juventude sente hoje, mais do que nunca, a importância da sua participação na construção de uma sociedade onde todos tenham lugar. Porém, a maioria dos jovens vive desligada deste marco histórico, político e social do nosso país.

25 de Abril de 1974 é, sem dúvida, a data mais importante da história recente de Portugal. Importante pelas mudanças que produziu, restituindo a liberdade a um povo oprimido durante décadas, por um regime totalitário e opressor. Importante, igualmente, pelo sonho e pela esperança que fez renascer num povo, ansioso por uma sociedade mais justa, mais igual.

Nasci depois do 25 de Abril de 1974, mas comecei desde muito cedo a acompanhar os meus pais numa comemoração breve que os Socialistas Oureenses faziam e fazem, na noite de 24 para 25 de Abril, num passeio à Câmara Municipal, onde talvez uma dúzia de pessoas cantavam a Grândola Vila Morena, o Hino Nacional e atiravam foguetes.

Depressa me apercebi que aquela festa devia ser muito importante e ter bastante significado pelas expressões de alegria dos presentes.

Com o decorrer dos anos fui compreendendo o significado das palavras como liberdade, igualdade, solidariedade, paz, esperança. Com o decorrer dos anos fui compreendendo os valores, os ideais que sustentam a democracia.

Foi também por estes ideais e valores que senti necessidade, de e por várias formas, dar o meu contributo, na sua defesa e fortalecimento.

Volvidos 31 anos após o 25 de Abril, Portugal é um país democrático respeitado, mais desenvolvido, embora não tanto como desejaríamos, onde a necessidade da participação cívica é a cada dia mais sentida.

Afirmar Abril é dia a dia reforçar a democracia, a participação cívica, a liberdade de pensamento, de expressão e de escolha através do voto.

Afirmar Abril, deve ser uma tarefa diária, de afirmação dos direitos, liberdades e garantias dos portugueses. Abril é de todos. E todos têm o direito de participarem na construção e no desenvolvimento do seu país.

Que estes valores se mantenham, tarefa a que todos cumpre, mas é sobretudo aos políticos a quem cabe credibilizar a política, restabelecendo e reforçando a confiança dos cidadãos naqueles que os representam e na democracia.

Hoje podemos escolher, através do voto, os deputados, os governantes e os autarcas. Podemos, democraticamente, e sem revoluções, escolher os nossos representantes.

Em ano de eleições autárquicas afirmar Abril é também poder operar mudanças de políticas nos concelhos onde a liberdade de expressão, a democracia, a prosperidade ainda escasseiam.

Assim, o apelo é para que nos mobilizemos, pelas causas comuns, na afirmação de Abril! Sempre!

24 de Abril de 2005

sábado, 23 de abril de 2005

Ai, ai... estou que nem posso...

Este fim de semana político concentra-se no Centro de Congressos de Lisboa onde o CDS procura novo líder.

Telmo Correia, um dos candidatos, no meio do discuroso disse “não vou andar por aí…”, numa alusão à expressão usada por Pedro Santana Lopes no último Congresso do PSD “Vou andar por aí…”.

Caso para dizer: que falta de originalidade!

Será que o Pedro Tocha ainda não pensou em convidar estes dois, e mais o Alberto João Jardim para fazerem um novo slogan para a Frize….????

terça-feira, 19 de abril de 2005

O novo Papa.

Joseph Ratzinger, 78 anos, Cardeal alemão foi eleito Papa. Era chefe da Congregação para a Doutrina da Fé desde 1981. É considerado dentro e fora da Igreja Católica como homem conservador. Curiosamente, ou não, o Presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou hoje que o cardeal Joseph Ratzinger era um homem de “grande sabedoria e cultura”.

Não entendi porque é que Bush utilizou o verbo ser no passado. Decerto Bento XVI continua a ter dentro de si o Cardeal Ratzinger, mesmo depois da sua “morte” como Cardeal e do seu “nascimento” como Papa.

Nas televisões e rádios multiplicam-se as declarações de entendidos na matéria que evidenciam as qualidades do novo Papa, evidenciando, igualmente, a sua tendência conservadora.

Numa altura em que a Igreja Católica necessita de acompanhar a dialéctica da sociedade e das relações humanas, importava, sem renegar aos princípios basilares da fé e da doutrina católica, efectuar algumas reformas. Será Bento XVI homem para essas reformas?

domingo, 17 de abril de 2005

Contrariedades…

Não teremos nós que ganhar tempo,

em alguns lados,

para o perdermos noutros…?

E em todos esses lados e lugares,

o tempo não nos consumirá,

a par com o próprio,

que na mesma frequência nos alimenta?

Será o tempo uma nova invenção,

ou não estaremos nós, sem ele,

perdidos no mesmo tempo…?

Molhado olhar…

A lua sorri em metade,

no escuro céu.

No seu brilhar, recordo o teu beijar,

que um dia me fez sonhar…

Será um brilho para pensar?

Ou, na verdade, não estão meus olhos

feridos de conhecer, amar e esquecer…?

Que molhados me lembram o teu sorrir.

Porque um dia ousaram arriscar.

Que molhados ouviram teu coração falar.

Num viver, que um dia me viu partir…

Abril 2005

quarta-feira, 13 de abril de 2005

Com Isaltino e Loureiro!?!

Luís Marques Mendes, o novo líder do PSD, avisou o Governo de José Sócrates, de que "o Executivo vai deixar de estar à solta".

Num discurso forte, em palavras vãs, defendeu um PSD como "uma oposição séria, competente, firme e responsável".

No final do Congresso, enquanto os comentadores políticos faziam a sua análise, ouvi, e mais tarde confirmei a eleição de Valentim Loureiro e de Isaltino de Morais para os órgãos Nacionais do PSD. Fiquei deveras surpreendido. Como é que são eleitos para a direcção política de um partido que se quer apresentar como alternativa de poder ao PS, pessoas sob as quais recaem dúvidas e processos na justiça portuguesa?!?

É este PSD que quer mostrar a diferença e provar alguma coisa aos portugueses?!?

sexta-feira, 8 de abril de 2005

25 Abril. Sempre, com R, de Revolução!

Nas vésperas do 31 aniversário do 25 de Abril de 1974, vale a pena recordar este poema de Manuel Alegre, escrito o ano passado, depois do Governo do PSD ter espalhado cartazes pelo país fora, onde as palavras deixaram de ser com R de Revolução… E que boa foi ela, a de Abril de 74. E que boas outras seriam…

Abril com "R"

«Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois

Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.

Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.»


Manuel Alegre

Abril de 2004

domingo, 3 de abril de 2005

Para lá caminhamos...

A velhice é, também, uma etapa da vida do ser humano. A mais certa. Impossível de parar, pelo passar dos segundos, minutos, dias, meses e anos do ser humano.

O conceito de velhice tem sofrido alterações, ao longo dos anos, de acordo com o processo de evolução (positivo?, negativo?) da sociedade. Essas alterações desencadeiam um conjunto de preocupações nuns, e um total alheamento e esquecimento por parte doutros.

As condições de vida das pessoas idosas variam de acordo com o seu estatuto económico, e consoante o seu local de residência.

É certo que nos últimos 12 anos se verificou um significativo aumento de Centros de Dia e de Casas de Repouso, onde as pessoas idosas podem acedes a cuidados permanentes de saúde e acompanhamento especializado.

Porém, serão estes os lugares que a maioria dos idosos pretendem para descansar, após uma vida de trabalho?

Serão estes lugares, por muito que possuam bons técnicos, auxiliares e outros profissionais, sítios de amor, compreensão…?

As mudanças a nível biológico, psicológico e social que se vão verificando no ser humano à medida que chega à velhice, exigem deste um esforço de adaptação a novas condições de vida nos vários patamares de relacionamentos inter-pessoais e afectivos.

Com a redução das capacidades motoras, intelectuais, com a ruptura com a actividade laboral, com a redução dos níveis de rentabilidade económica, e muitas vezes com o “despejo” dos idosos em lares, não estará a sociedade a descurar aqueles que foram elementos fundamentais para a existência do nosso presente, por aquilo que eles construíram no passado?

Para onde caminhamos, nesta vida e neste dia a dia, do corre corre, onde os laços familiares são mais fracos, onde o isolamento dos idosos em lares é uma realidade…

Será que não pensamos que um dia seremos nós?

Não podemos mudar, melhorar, intervir?

Mais do que podemos. Devemos. É um imperativo moral…

quarta-feira, 30 de março de 2005

Se tu...

Se tu viesses ver-me…

Se tu viesses ver-me sempre à tardinha.

A essa hora dos mágicos cansaços.

Quando a noite de manso se avizinha.

E me prendesses todo nos teus braços…

Quando me lembra:

esse sabor que tinha a tua boca…

o eco dos teus passos…

o teu riso…

os teus abraços…

os teus beijos…

a tua mão na minha…

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…

domingo, 27 de março de 2005

Uma reflexão. A minha opinião.

O aborto clandestino é um problema da nossa sociedade, que todos conhecem mas ao qual todos “fecham os olhos”.

Presentemente, a interrupção da gravidez só é permitida em três circunstâncias: gravidez resultante de violação, má formação do feto e risco para a vida ou saúde da mãe. Em Portugal, o número de abortos feitos legalmente é insignificante quando comparado com os 300.000 mil abortos ilegais por ano.

O aborto ilegal é um mal social a combater.

Existem diversos métodos contraceptivos que evitam a gravidez indesejada, mas a realidade diária é que existem milhares de mulheres a praticar o aborto ilegal.

Hoje em dia, só quem tem capacidade económica é que pode recorrer a clínicas particulares no estrangeiro…

Infelizmente a maioria das mulheres que abortam, são forçadas a recorrer a parteiras duvidosas, que sem as condições mínimas de segurança e muitas vezes de higiene, efectuam abortos com métodos artesanais, colocando em alto risco a saúde da mulher. Outras vezes o aborto não se concretiza, provocando danos gravíssimos e irreversíveis nos fetos, sendo responsáveis por deficiências futuras nas crianças.

Perante esta realidade temos de considerar a possibilidade de excluir a ilicitude da interrupção voluntária da gravidez quando praticada por solicitação da mulher grávida nas primeiras 12 semanas de gravidez (esta é uma solução, adoptada na esmagadora maioria dos países europeus e que visa viabilizar a interrupção voluntária da gravidez em segurança quando a mulher entender que não tem condições para ter um filho).

Outra questão a aprovar num eventual Referendo, é a de poder alargar para 22 semanas o prazo em que é lícita a interrupção voluntária da gravidez fundamentada em malformações do feto. Esta solução, também ela adoptada em quase todos os países da Europa, tem dois objectivos: primeiro, permitir a realização do aborto logo após o prazo em que surgem a maioria das deficiências no feto; segundo, evitar que sejam feitos abortos devidos a deficiências que surgem nas primeiras semanas de gravidez mas que o tempo cura- ou seja trata-se também de uma medida pró-natalidade.

Há que criar condições para a prática de interrupção voluntária da gravidez nos Hospitais públicos- trata-se de uma vertente essencial que visa garantir a igualdade no acesso.

O estado tem de instituir consultas gratuitas de aconselhamento e planeamento familiar nos Centros de Saúde, de forma a instituir um processo de acompanhamento da mulher grávida que reduza ao mínimo o recurso a este tipo de intervenções e procure garantir que as opções da mulher são feitas sem pressões externas, por outro lado, minimizar os efeitos psicológicos, algumas vezes muito graves, que a interrupção voluntária da gravidez tem na mulher.

A oposição a estas soluções, conhecidas dos diversos intervenientes políticos e médicos, não evitará o aborto, nem salvará uma só vida.

Há que estabelecer um quadro legal mais consonante como dos restantes países europeus, mais adequado à realidade, contra a hipocrisia, por uma maternidade responsável, pelos direitos da mulher à saúde, á sua integridade física e à interrupção da gravidez em condições de higiene, segurança e dignidade humana, independentemente da sua condição económico-social.

Façamos uma profunda reflexão sobre este assunto e preocupemo-nos, também, com este flagelo social.


terça-feira, 8 de março de 2005

Perdi um amigo...

Perdi um grande amigo.

Mais um, na inesperada surpresa da vida.

Deixa-me a sua determinação,

coragem e lealdade.

A lealdade aos princípios e valores humanos.

A lealdade aos amigos e companheiros de luta.

Sinto-me mais pobre, enquanto ser humano.

Deixa saudades em todos aqueles

que gostavam de pensar, debater,

confrontar ideias e pensamentos…

Amigo e irmão do seu irmão,

leva-nos a escrever que hoje

perdemos mais do que um amigo.

Perdemos um grande homem

que honrava a sua existência

junto de todos aqueles

que puderam privar e aprender com ele…

Obrigado amigo…


domingo, 27 de fevereiro de 2005

Pensamentos e paixões...

Várias pessoas amigas desafiaram-me a começar a publicar algumas das minhas poesias e pensamentos que ao longo dos últimos anos tenho passado para o papel.

Talvez por serem reveladoras do meu eu, e do percurso que na vida tenho feito, ainda não me atrevi a publicá-las.

Hoje, escrevo um conjunto de pensamentos, que em quadras se soltaram, num destes últimos dias, enquanto a caminho de casa, conduzia na estrada...

Secos são os corações que não choram.

Como verdes os campos do carinho.

Das palavras que nos banham sorrindo.

Quando de cá dentro se soltam...

Quentes são os beijos desejados.

Que intensos tocam os lábios molhados.

Em carinho por ti, criados.

Nos segundos mais ousados...

Pensamentos em ti me agarram.

Quando o meu respirar não bate certo.

Será a tua falta que me ataca?

Ou são saudades que me cegam?

A ti não prometo ilusões.

Que a estrada da vida é madrasta.

Quero sentir-te e ser teu.

Perdido em desejos e paixões...

João Heitor

Fevereiro de 2005


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Pensamento...


Há pessoas que choram por saberem que as rosas têm espinhos; outras há que sorriem por saberem que os espinhos têm rosas...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Parabéns Portugal!

Mais de dois milhões e meio de votos - score só ultrapassado por Cavaco. José Sócrates não só conquistou a primeira maioria absoluta da história do PS como é o primeiro líder a saltar da oposição para a estabilidade monocolor no Parlamento.

O PS arrasou os dois parceiros da coligação de direita, na contagem concreta de deputados e, também, do ponto de vista simbólico. Os socialistas triunfaram em Viseu, o antigo cavaquistão; ganharam, pela primeira vez, em Vila Real; empataram, em número de deputados, na Madeira - e Alberto João Jardim (notava António Barreto, na RTP) até leu um discurso, em detrimento dos seus célebres improvisos. No Alentejo profundo, o PSD foi atirado para a votação dos tempos pré-Cavaco, uma vez que não há qualquer deputado laranja por Portalegre, Évora, Beja. No fundo, o PSD apenas ganhou na Madeira e em Leiria.

Portugal está de parabéns.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Mera ilusão...

Um homem anda por uma estrada perto de uma cidade, quando percebe a pouca distância, um balão voando baixo. O balonista acena-lhe desesperadamente,
consegue fazer o balão baixar o máximo possível e grita-lhe:
"Ei, você, poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e nem sei onde estou.
Poderia dizer-me onde eu me encontro?"
O outro homem, com muita cortesia, respondeu:
"Mas claro que posso ajudá-lo! Você se encontra num balão de ar quente, flutuando a uns vinte metros acima da estrada. Está a quarenta graus de latitude norte e a cinquenta e oito graus de longitude oeste."
O balonista escuta com atenção e depois pergunta-lhe com um sorriso:
"Amigo, você é engenheiro? "
"Sim, senhor, ao seu dispor! Como conseguiu adivinhar? "
"Porque tudo o que você me disse está perfeito e tecnicamente correcto, porém essa informação é-me totalmente inútil, pois continuo perdido. Será que não tem uma resposta mais satisfatória?"
O engenheiro fica calado por alguns segundos e finalmente pergunta ao balonista: " você, não será por acaso um social-democrata?
"Sim, sou realmente filiado no PSD. Como descobriu?"
"Ah! Foi muito fácil! Veja só: você não sabe onde está nem para onde vai.
Fez uma promessa e não tem a mínima ideia de como irá cumpri-la e ainda por cima espera que outra pessoa resolva o seu problema. Continua exactamente tão perdido quanto antes de me perguntar. Porém, agora, por um estranho motivo, a culpa passou a ser minha..."


Anti... Made In...

Vesti uma T-shirt Granoghi “Made in Indonésia”…
Olhei para dentro do fato-treino Adidas e li “Made in Tailândia”…
Calcei os meus ténis Reebok “Made in Paquistão”…
Meti o um boné Kaki “Made in Brasil”…
Peguei no telemóvel Nokia “Made in Finlândia”…
Entrei num Volkswagen “Made in Alemanha”…
e …

… saí para a manifestação anti-globalização!!!


Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.

Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Teatro do Mundo (1958)


sábado, 12 de fevereiro de 2005

É preciso discernimento!

Todas as manhãs, aquando do percurso de automóvel que efetuo de casa para a escola, levo o rádio sintonizado numa estação que a maioria dos meus alunos ouvem diariamente.


Tenho-o feito para me “actualizar” com as músicas que as novas gerações apreciam, procurando assim entender alguns comportamentos, gostos individuais e atitudes colectivas dos alunos com quem trabalho.


As rádios, a par com os canais televisivos, exercem uma grande influência junto daqueles que as ouvem/vêem.


Na manhã de hoje, a locutora dessa estação de projecção e cobertura nacional, que é líder de audiências no “mercado” de ouvintes entre os 12 e os 22 anos, fazia uma dissertação onde satirizava as eleições do próximo dia 20 de Fevereiro. A referida “profissional de rádio?!?” apresentava-se aos ouvintes como candidata a 1ª Ministra. Procurando efectuar um discurso político, usou termos pouco correctos, brincando com os dirigentes partidários de todos os quadrantes políticos e com a importância do voto. No final do deplorável texto, que só pode ter sido escrito num dia “infeliz”, a locutora apelava a todos os jovens eleitores que fossem votar, colocando no boletim de voto o nome dela, e à frente um quadrado com uma cruz.


Estes tipos de acções apenas contribuem para uma contínua e acentuada descredibilização da política. Com estes textos, é normal que os jovens vejam a política como uma “coisa negativa”, com a qual se pode zombar.


Não é aceitável que uma locutora brinque com a política, apelando indirectamente ao voto nulo, junto dos jovens ouvintes. O que se esperava de uma locutora de rádio, em vésperas de eleições, com um público ouvinte maioritariamente constituído por jovens recém recenseados e futuros eleitores eram textos positivos, apelos ao voto. Essa era a sua responsabilidade social, ética e deontológica.


O direito ao voto resultou de uma conquista, de homens e mulheres, que ao longo de décadas lutaram pela liberdade, pela igualdade, pelos direitos humanos, pela instauração de uma democracia. A democracia só funciona com partidos políticos. Tenham eles gente “boa” e “menos boa”, tenham eles “bons” ou “menos bons projectos”.


Ao escutarmos críticas permanentes, e na maior parte das vezes críticas infundamentadas aos partidos políticos, estamos a fragilizar a democracia.


Talvez já se tenham esquecido dos “tempos da outra senhora”, onde a liberdade de expressão não existia. Nessa altura não havia espaço para textos desta índole. Se eles aparecessem, também logo apareciam os senhores da PIDE para “levar” aqueles que haviam “prevaricado”…


Não descuremos a democracia, nem os valores conquistados e adquiridos em Abril de 74.


Votar não é um direito. É mais do que isso, é um dever cívico.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Reforçar Portugal...

ODE A PORTUGAL

Sete mares
Sete colinas
Espraiadas ao sol
Verde, azul, branco
Puro é o som da minha concertina
Dourado o gemido da minha guitarra
De cristal são as minhas lágrimas
Enquanto espero que venhas do mar
Enquanto enterro os pés na areia,
Banho as mãos na espuma
Negra é a saudade que tenho de ti
Quente é o beijo que te dou,
Volta depressa, meu amor!
Lusitana é a paixão
Ardente o meu coração
Salgado o meu sabor
Desejo-te como és
Como sempre foste
Sou portuguesa
Há lá coisa melhor?
O vermelho corre-me nas veias
Verde é a cor do meu fado
O destino tornou-me tua filha
Bela nação
Heroica nação
Terra fértil
Que no teu útero me trouxeste
Terra fértil
Que a minha alma conquistaste
E o som do fim de tarde
Rasgado pela andorinha que regressa a casa
Há-de embalar-me até ao fim dos meus dias
Terra mãe
Hei-de morrer no teu colo.


sábado, 29 de janeiro de 2005

A carta incompleta...

As aulas têm-me ocupado mais tempo do que inicialmente esperava. Tenho alguns alunos "complexos" que requerem mais atenção e dedicação.

Aliada a esta questão está o facto de estar deslocado de casa, de onde, sentado na minha poltrona e no silêncio do quarto, reflicto e me dedico a este meu/nosso espaço.
Porém, as visitas continuam.

Acredito que algumas pessoas fiquem mais tristes por não encontrarem post's mais recentes ou actuais. Peço desculpa, por isso.


Uma notícia nova. Recebi carta do Ministério da Educação, assinada pelo Secretário de Estado Adjunto do Secretário de Estado da Administração Educativa dizendo que afinal houve um erro.

Que afinal eu devia ter sido colocado no início dos concursos e que não fui. Que vou ser compensado pelo tempo de serviço perdido, assim como compensado monetariamente...


Só não explicam é como é que vão proceder, agora que estou a cerca de 160 km de casa, numa escola, quando podia estar a 38 km de casa numa outra onde inicialmente fui "ultrapassado".

Quem é que me paga agora a renda de casa mensalmente? E os custos das deslocações?


A carta também não explica se me vão contar o tempo todo de serviço ou não. Também não informam qual vai ser o horário que vai ser registado no meu processo individual. Também não é percetível se me vão manter naquela escola...


Bem, dum processo que nasceu "coxo", também não se podia esperar sucesso...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Amor é fogo...

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luis Vaz de Camões

Tive-te e não o soube...

Por ti esperei,
Desejei-te, amei-te, procurei-te em cada homem que tive
Mas tu nada
Ou melhor,
Estava tão obcecada com
Esta busca incessante
Que não me apercebi que eras aquele
Que em cada homem, me fazia feliz
Fui feliz sem o saber,
Tive-te e não o soube.

Natália Correia


sábado, 22 de janeiro de 2005

Sem palavras... simples.

Santana Lopes vai visitar um hospício e tem uma recepção à maneira poruma comissão de pacientes.
- Viva o Primeiro Ministro! Viva o Primeiro Ministro! - gritavam eles, entusiasmados.
Ao ver um dos elementos do grupo calado, um dos assessores de Santana abordou-o e perguntou:
- E você, por que é que não está a gritar: "Viva o Primeiro Ministro"?
- Porque eu não sou louco, sou médico!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Ver o invisível...

Num destes dias olhava duas crianças, no recreio da escola, recolhidas num discreto canto. Trocavam olhares e cumplicidades partilhadas.
Relembrei a minha passagem pela escola, por aquela idade, por aqueles sentimentos inocentes.
Recordei, também um pensamento de uma pedagoga (Maria Montessori) que estudei na faculdade e que dizia:

A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível.

Nada mais certo e sentido...

sábado, 15 de janeiro de 2005

1000

1000 visitas desde o dia 11 de Novembro.
Em dois meses, numa média de 500 visitantes por mês, no passado dia 11 de Janeiro estavam registados no contador deste Blog 1000 visitas.
Um número impensável para a minha pessoa, tendo em conta o tipo de assuntos que por aqui debatemos e afloramos.
A todos, o meu obrigado.
E que continuemos pela palavra e pela força das ideias, de braço dado com a certeza das convicções, a explorar o mundo em que vivemos...


quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Ao que isto chegou!

O actual Ministro de Estado e da Presidência, Morais Sarmento, visitou no passado fim-de-semana São Tomé e Príncipe. Fretou um jacto particular para entregar pessoalmente alguns equipamentos e bens, no âmbito da cooperação entre o estado português e aqueles territórios.

A polémica em torno desta visita surge por várias razões. Porque é que o Ministro de Estado alugou um jacto particular que custou aos cofres nacionais mais de 65 mil euros (13 mil contos), para ir entregar alguns bens, que podiam ser entregues noutra altura sem necessitar de alugar o referido avião? Não terá custado mais o aluguer do avião do que os bens entregues?!?

Alguns partidos questionaram esta visita, também pelo facto de o Ministro ter ido praticar mergulho no sábado e ter ficado instalado no melhor Hotel da região… Até Santana Lopes, que na altura da denúncia desta situação se encontrava de visita oficial em França, lamentou esta ocorrência, reconhecendo que a polémica sobre a visita de Morais Sarmento a São Tomé e Príncipe era "incómoda" para o Governo…
O mesmo Ministro (Morais Sarmento), que é cabeça de lista do PSD no distrito de Castelo Branco para as próximas eleições legislativas, convocou uma conferência de imprensa para informar que tinha colocado o seu lugar à disposição do primeiro-ministro devido a esta polémica, mas que Santana Lopes lhe reafirmou a sua confiança. Obviamente que Santana Lopes não podia aceitar um pedido de demissão, de um ministro que já se encontra demissionário, a um mês de eleições…

Este episódio é mais um, dos muitos com que este governo nos tem “brindado”. Hilariante, no mínimo.

Por mais que o primeiro-ministro coloque cartazes por todo o país com a frase “Contra ventos e marés”, os portugueses sabem que os “ventos” e as “marés” que vão contra ele são originários do seu partido e de elementos do seu governo…

Com esta constante instabilidade governativa, a mudança é inevitável
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

Quem ajuda?

A Comunidade Internacional tem-se esforçado para contribuir financeira e materialmente para a catástrofe ocorrida na Ásia.
Sou levado a concluir que as grandes tragédias que originam destruição e milhares de mortes têm um efeito de choque mais intenso junto dos dirigentes e organizações mundiais, do que a fome e a miséria que levam milhares de pessoas a morrerem em todo o mundo diariamente.
Não pomos em causa a necessidade daquelas populações em receberem ajuda e auxílio da comunidade internacional. Toda ela será sempre pouca, tendo em conta as imagens e relatos que temos visto e ouvido nos órgaõs de comunicação social.
Porém, há que relembrar que diariamente em África morrem milhares de crianças com fome e devido a doenças facilmente combatidas.
Em Portugal continuam a existir pessoas com fome... E quem os ajuda?!?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

Valeu a pena!

A 12 de Novembro coloquei este post neste blog, como forma de protesto. Uma jornalista do Semanário Região de Leiria (o jornal mais lido do Distrito de Leiria e arredores) disponibilizou-me um espaço para denunciar esta questão. Oportunidade essa que aproveitei. Soube que há 2 semanas atrás esta carta foi publicada no referido Semanário. Decerto ela terá servido para agitar consciências e alertar responsáveis. Aqui fica para ser recordada.

Há prioridades!
Na pequena localidade da Quinta da Sardinha, freguesia de Santa Catarina da Serra, Concelho de Leiria, há uma escola do 1º Ciclo, que se encontra "literalmente" rodeada (pela esquerda, por trás e pela direita do edificio) por uma Industria de Madeiras. Em frente da Escola passa a Estrada Nacional 113, onde o tráfego é muito intenso.

As questões que coloco são simples:
- Em que condições os alunos ouvem a professora, e a professora os ouve a eles?
- Quais são as condições que os alunos têm para se concentrar, tendo em conta o constante ruído das máquinas, e das entradas e saidas de camiões naquela unidade industrial?
- Em que condições de segurança (face a incêndios ou qualquer outro acidente numa unidade deste tipo), se encontram as crianças que estão naquela escola?
- Em que condições chegam e saem da escola aquelas crianças, junto à Estrada Nacional 113?
Não olham as autoridades escolares, municipais e regionais para esta situação?Não existem verbas que permitam transferir a escola daquele local para outro, mais digno e apropriado, para um estabelecimento de ensino?Estarão as autoridades à espera que aconteça alguma catástrofe para depois actuarem?Se prioridades neste país devem haver, esta, é uma delas.As crianças de hoje são os homens de amanhã...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

A “intifada” já começou!

O Presidente do PSD, Santana Lopes continua a criticar o Presidente da República relativamente à decisão deste, em dissolver a Assembleia da República e convocar eleições legislativas antecipadas. Através de carta dirigida aos militantes do PPD/PSD, o actual Primeiro Ministro demissionário retoma a velha máxima do “deixem-me trabalhar”, ou melhor do “eu queria trabalhar e não me deixaram”… Só de pensar que nestes últimos 2 anos houve um aumento de 200 mil novos desempregados, e que o défice subiu…

Entretanto, os “escribas” e “boys” laranja sentam-se à frente dos computadores na “entifada” política contra o PS e o Presidente da República. Como que a justificarem o “soldo” que auferem mensalmente, num sinal de dedicação e “vassalagem” política aos seus protectores…
Outros há, que dado o seu afastamento desde o último acto eleitoral, procuram regressar às colunas dos semanários e quinzenários regionais e locais, solicitando o tal “espacinho” para voltar a escrever. As eleições legislativas estão aí e eles têm de se mostrar, reaparecendo fiéis aos valores, princípios, causas e gentes das suas terras!

Será que as pessoas andam distraídas com os problemas governamentais e com as eleições legislativas, passando para segundo plano os problemas das suas terras?

Com a chegada de um novo ano, resta-nos apelar à consciencialização de todos aqueles, que como nós, não estão satisfeitos e querem mais e melhor.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

A razão...

O Pai Natal este ano não veio a Portugal.Estava com medo que as prendas fossem confiscadas para ajudar a amortizar o défice...

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Boas Festas

Desejo a todos os visitantes e amigos umas Boas Festas. Que a solidariedade que as pessoas abraçam nesta quadra se estenda por 2005, no dia a dia das nossas vidas...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

O que foi que disse?!?

José Sócrates tem apelado aos cidadãos/eleitores portugueses para darem uma Maioria Absoluta ao PS nas próximas eleições legislativas.
Discordo deste pedido do Secretário Geral do PS.
O PS não tem de pedir Maioria Absoluta a ninguém.
Tem de apelar ao voto dos portugueses no Partido Socialista, por este ter as pessoas certas e o programa eleitoral capaz de resolver os problemas do nosso país.
Nada mais do que isso. No final da votação, e depois de apurados os resultados eleitorais o PS e José Sócrates constatarão, se o PS alcançou, ou não, a tão desejada Maioria Absoluta.
Cada português eleitor tem um voto, e é na soma de todos eles que o partido mais votado vence eleições. Ninguém sabe se faltam 10, 100, 1000 ou 10.000 votos para o PS ter Maioria Absoluta.
E há ainda aquelas pessoas que são capazes de deixar de votar no PS com medo que este partido consiga a Maioria Absoluta, votando noutro partido... Será que os estrategas políticos nacionais do PS não pensam nestas pequenas, mas importantes questões?

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

O cordão policial, anormal.

Um cordão policial anormal, aguardava esta manhã, junto à Assembleia de Freguesia de Costa da Caparica, por 2 Ministros do actual governo. Este mesmo governo que se encontra na incubadora, ou na calha de um qualquer "aterro político". No talho falavam da elevação de Costa da Caparica a cidade e do lançamento de um concurso para a nova esquadra da PSP desta localidade. Esta a razão das tais individualidades...
Nada de anormal, nesta situação. Porém era de admirar o forte contingente policial que por ali rondava e aguardava as tais figuras políticas demissionárias.
Já à saída do talho, um homem dos seus 60 anos desabafava e dizia que quando eles chegassem, iria tentar perguntar a um qualquer ministro, porque é que reduziram a sua reforma, e se com menos de 250 euros por mês, alguém doente e no fim da vida, conseguia sobreviver...
Depois, e só depois percebi 2 coisas. O contigente policial alargado... e as dezenas de pessoas que aguardavam atrás de grades limitadoras...
Viva a (dé)mocracia...

domingo, 12 de dezembro de 2004

Parabéns FCP

O Futebol Clube do Porto conquistou a ultima Taça Intercontinental de Futebol dando assim ao continente europeu a vitória absoluta na história do troféu.
Quer se goste ou não, o FCP tem conquistado importantes títulos e levado bem longe o nome de Portugal, no mundo do futebol.
A liderança de Pinto da Costa, agora posta em causa com a sua chamada a tribunal, no decorrer do processo "Apito Dourado", colocará em causa os títulos obtidos nos últimos anos por este Clube?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

A vítima!

A vítima é Santana Lopes.
Apontou baterias para o Presidente da República que o "aturou" durante 4 meses de mais "desgovernação" e agora diz que não o deixaram governar...
Que "bandido" esse Sr. Presidente da República que não deixou o Santana afundar o país...
Cuidado com o PPD e o Populismo de Santana e Portas.
Eles são profissionais nessa arte...
Até a Cinha já saiu da Quinta das Celebridades...
Foi solidária com a saída próxima de Santana de São Bento...

domingo, 5 de dezembro de 2004

Mais maduro!

Hoje perguntaram-me se me sentia mais velho, por ter passado mais um aniversário.
Respondi que não. Tal como um anúncio a uma bebida: "uns envelhecem, outros amadurecem".
Eu sinto-me mais maduro.
Talvez pelas barreiras que na vida fui obrigado a ultrapassar.
É assim que crescemos, e amadurecemos...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Boa viagem...

Terça feira, pelas 17 e 30 deixei um post sobre Santana Lopes/Governo/País...
10 minutos depois sabia-se que Jorge Sampaio ia dissolver a AR e não aceitara a proposta de Santana Lopes, de um novo nome para o lugar de Chaves.
As mensagens e os telefonemas sucederam-se. Mais uma vez as operadoras móveis em Portugal lucram... Até com a queda anunciada de um governo...
A minha opinião, face a esta situação é dupla. Por um lado fico feliz por Santana Lopes e Portas abandonarem o governo, possibilitando aos portugueses uma nova escolha, ou a recondução destas polémicas e controversas gentes. Por outro lado, acho que Sampaio devia ter continuado a cuidar da criança que tratou de colocar na "incubadora" em Junho, e à qual foi dando colo, ao longo dos últimos 4 meses.
Agora Santana é vítima. Porque não o deixaram trabalhar. Apesar de todos os analistas políticos dizerem que este Governo "caiu por si".
Veremos o que nos espera.

terça-feira, 30 de novembro de 2004

Eu ia-me embora!

São casos, atrás de casos. Desta vez, um amigo pessoal de Santana Lopes e também Ministro demite-se alegando falta de lealdade, de organização...
Se Santana Lopes é assim com os amigos...
Mas tudo está bem no "país dos laranjas" onde um Ministro "bate com a porta" 4 dias depois de ser nomeado, e tudo está bem...
E tudo está bem para Jorge Sampaio depois do grande erro de ter aceite a nomeação de Santana Lopes como Primeiro Ministro.
Santana Lopes nem sabe o que fazer, nem o que anda a fazer.
Por exemplo, discursa em cerimónias oficiais, como se ainda estivesse no Congresso em Barcelos... Seria à espera de Marcelo, de Cavaco, de Beleza, de Ferreira Leite?
Ri-se para as câmaras à procura da melhor foto que dê capa de revista...
Deixem-me trabalhar!!!Foi a frase que foi recuperada de Cavaco Silva. Mas se a memória não me atraiçoa, Cavaco na altura disse: "Deixem-nos trabalhar!"
A questão de uma ser dita no singular e outra no plural, pode, gramaticalmente exprimir o sentido da governação de Cavaco e de Santana. Santana é um homem só, em que poucos já acreditam. Nem os seus amigos e mais altos dirigentes do PSD lhe dão crédito... Cavaco era homem que tinha um grupo de políticos que o respeitavam, admiravam e apoiavam.
Afinal, a gramática tem destas pequenas coisas... Ilustra-nos a diferença entre um estadista (quer se goste ou não - Cavaco), e uma outra personagem que também gostava de ter sido, ser, ou vir a ser um dia estadista (Santana)... Onde?
Nem que seja numa qualquer Quinta das Nulidades.
Ah... Os professores ultrapassados continuam por colocar...
É mais uma, entre muitas...

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Regaria as rosas com as minhas lágrimas...

Uma amiga enviou-me por email este texto. É de Gabriel Garcia Marquez. Pensador, escritor, cidadão do Mundo, retirou-se da vida pública por razões de saúde: cancro linfático. Este foi o texto que enviou aos seus amigos como carta de despedida.
"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, os sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate! Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas... Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas. Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."
GABRIEL GARCIA MARQUEZ